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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Lennie Dale

Bailarino e coreógrafo americano radicado no Brasil, criador dos Dzi Croquettes em 1973, um grupo de grande sucesso com seus shows escandalosos apresentando uma androgenia debochada. Elogiado por Liza Minelli, com quem trabalhou e disse jamais ter visto coisa igual, fez também um filme underground de uma equipe alemã, retratando a alucinante passagem dos Dzi Croquettes por Paris.

Nascido no bairro do Brooklyn, em Nova York, Lennie se apaixonou pelo Brasil em 1960, ao ser convidado por Carlos Machado para fazer a coreografia da peça Elas Atacam Pelo Telefone, na boate Fred´s no Rio. Em seguida, foi para o Bottle's Bar no Beco das Garrafas, onde, ao ouvir João Gilberto, dirigiu vários shows de bossa nova e criou uma dança especial para o ritmo que surgia. Sob sua orientação, Sergio Mendes começou a usar dançarinas em seus shows. Em 1961, o restaurante Night and Day vibrava com o bailarino vestindo uma saia e estalando chicote, uma coreografia revolucionária para a época.

Lennie foi o introdutor da noção de ensaio em espetáculos de MPB. Até então, o artista chegava na hora da apresentação e cantava, sem nenhuma preocupação com a produção ou expressão corporal. Foi ele quem mandou Elis Regina cortar os cabelos e balançar os braços como hélices na música Arrastão.

O pai de Lennie, um barbeiro fracassado que imigrara da Sicília e vivia amaldiçoando o dia em que decidira buscar a prosperidade na América, lamentava como mais um castigo da vida ter um filho bailarino. Logo, porém, tornou-se seu próprio empresário, e ele fez muito sucesso no programa infantil Star Lime Kids, co-estrelado por Connie Francis.

Dos 14 aos 21 anos, Lennie dedicava-se as aulas de balês em tempo integral. Na Broadway, fez parte do grupo dos jets em West Side Story, mas foi barrado pelo diretor Jerome Robbins para a versão cinematográfica. Mudou-se então para Londres, alugou uma sala e deixava a porta aberta para que todos vissem como dançava bem. Um empresário de Shirley Bassey passava pelo local quando ficou admirado com sua performance e contratou-o.

Apresentou-se em toda a Europa, participou de um programa com Gene Kelly na televisão italiana e da coreografia para 500 bailarinos em Cleópatra. Na ocasião, ficou conhecendo a grande estrela do filme de forma sui-generis: um dia abriu a porta errada no corredor dos camarins e defrontou-se com uma animada Elizabeth Taylor praticando sexo oral com Richard Burton. Nenhuma surpresa, eles acharam engraçado e acabaram tornando-se amigos.

Lennie chegou a voltar para os Estados Unidos, mas em 1971 retornava novamente ao Brasil, preso em seguida, por porte de maconha na galeria Alaska. Passou um ano na penitenciária Helio Gomes onde, numa noite, sonhou que galopava sobre um cavalo branco, seguido por uma multidão de admiradores. O sonho repetiu-se exatamente um ano depois, na mesma data, e ele foi tomado por uma grande fé umbandista, pois identificou-se com a imagem de São Jorge Guerreiro. Embora calvo na vida real, no sonho via-se com uma longa cabeleira longa.

Lennie possuía uma sapatilha roubada em Paris do russo Rudolf Nureyev e um exemplar da biografia de Madame Satã, seu ídolo máximo, um homossexual famoso por surrar policiais e travestir-se de Carmen Miranda. Foi responsável pela coreografia da novela Baila Comigo e pelo musical 1.707.839 / Leonardo Laponzina.

Lennie Dale morreu aos 57 anos, em 9 de agosto de 1994.

Lennie Dale

Bailarino e coreógrafo americano radicado no Brasil, criador dos Dzi Croquettes em 1973, um grupo de grande sucesso com seus shows escandalosos apresentando uma androgenia debochada. Elogiado por Liza Minelli, com quem trabalhou e disse jamais ter visto coisa igual, fez também um filme underground de uma equipe alemã, retratando a alucinante passagem dos Dzi Croquettes por Paris.

Nascido no bairro do Brooklyn, em Nova York, Lennie se apaixonou pelo Brasil em 1960, ao ser convidado por Carlos Machado para fazer a coreografia da peça Elas Atacam Pelo Telefone, na boate Fred´s no Rio. Em seguida, foi para o Bottle's Bar no Beco das Garrafas, onde, ao ouvir João Gilberto, dirigiu vários shows de bossa nova e criou uma dança especial para o ritmo que surgia. Sob sua orientação, Sergio Mendes começou a usar dançarinas em seus shows. Em 1961, o restaurante Night and Day vibrava com o bailarino vestindo uma saia e estalando chicote, uma coreografia revolucionária para a época.

Lennie foi o introdutor da noção de ensaio em espetáculos de MPB. Até então, o artista chegava na hora da apresentação e cantava, sem nenhuma preocupação com a produção ou expressão corporal. Foi ele quem mandou Elis Regina cortar os cabelos e balançar os braços como hélices na música Arrastão.

O pai de Lennie, um barbeiro fracassado que imigrara da Sicília e vivia amaldiçoando o dia em que decidira buscar a prosperidade na América, lamentava como mais um castigo da vida ter um filho bailarino. Logo, porém, tornou-se seu próprio empresário, e ele fez muito sucesso no programa infantil Star Lime Kids, co-estrelado por Connie Francis.

Dos 14 aos 21 anos, Lennie dedicava-se as aulas de balês em tempo integral. Na Broadway, fez parte do grupo dos jets em West Side Story, mas foi barrado pelo diretor Jerome Robbins para a versão cinematográfica. Mudou-se então para Londres, alugou uma sala e deixava a porta aberta para que todos vissem como dançava bem. Um empresário de Shirley Bassey passava pelo local quando ficou admirado com sua performance e contratou-o.

Apresentou-se em toda a Europa, participou de um programa com Gene Kelly na televisão italiana e da coreografia para 500 bailarinos em Cleópatra. Na ocasião, ficou conhecendo a grande estrela do filme de forma sui-generis: um dia abriu a porta errada no corredor dos camarins e defrontou-se com uma animada Elizabeth Taylor praticando sexo oral com Richard Burton. Nenhuma surpresa, eles acharam engraçado e acabaram tornando-se amigos.

Lennie chegou a voltar para os Estados Unidos, mas em 1971 retornava novamente ao Brasil, preso em seguida, por porte de maconha na galeria Alaska. Passou um ano na penitenciária Helio Gomes onde, numa noite, sonhou que galopava sobre um cavalo branco, seguido por uma multidão de admiradores. O sonho repetiu-se exatamente um ano depois, na mesma data, e ele foi tomado por uma grande fé umbandista, pois identificou-se com a imagem de São Jorge Guerreiro. Embora calvo na vida real, no sonho via-se com uma longa cabeleira longa.

Lennie possuía uma sapatilha roubada em Paris do russo Rudolf Nureyev e um exemplar da biografia de Madame Satã, seu ídolo máximo, um homossexual famoso por surrar policiais e travestir-se de Carmen Miranda. Foi responsável pela coreografia da novela Baila Comigo e pelo musical 1.707.839 / Leonardo Laponzina.

Lennie Dale morreu aos 57 anos, em 9 de agosto de 1994.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Jair Rodrigues

Jair Rodrigues

O cantor Jair Rodrigues (Jair Rodrigues de Oliveira) nasceu em Igarapava, São Paulo, em 06/2/1939. Em criança, cantava hinos sacros na igreja de Nova Europa SP, para onde se mudara com um ano de idade. Trabalhou como engraxate, mecânico, servente de pedreiro e ajudante de alfaiate, antes de se apresentar várias vezes num programa de calouros, em São Carlos SP, em 1958.

Transferiu-se então, para São Paulo, trabalhando na Alfaiataria Primor como ajudante. Depois de classificar-se em primeiro lugar como calouro no Programa de Cláudio de Luna, na Rádio Cultura, começou a cantar nas boates paulistas Asteca, Urca, São Bento, Djalma e La Vie en Rose.

Em 1962 estreou na Rádio Tupi, em São Paulo, e gravou pela Philips, especialmente para ser tocada pela Rádio Record, a música Marechal da vitória (Alfredo Borba), dedicada a Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação brasileira que foi bicampeã mundial de futebol. Lançou ainda um compacto simples pela mesma gravadora, com Balada do homem sem Deus (Fernando César e Agostinho dos Santos) e Coincidência (Venâncio e Corumbá).

No ano seguinte, gravou na Philips seu primeiro LP O samba como ele é, e por volta de 1964, quando se apresentava na boate paulista Stardust, conheceu Alberto Paz e Edson Meneses, compositores de Deixa isso pra lá, música que, ao ser gravada em 1964, no LP Vou de samba com você (Philips), se tornou grande sucesso, lançando seu nome nas paradas de disco.

Em abril do ano seguinte, foi convidado às pressas pelo produtor Walter Silva para participar de um show no Teatro Paramount, em São Paulo, substituindo Baden Powell. Participou do espetáculo, ao lado de Elis Regina e do Jongo Trio, sendo pouco depois lançado o LP Dois na bossa, gravado ao vivo nessa ocasião pela Philips e que se tornou um dos LPs mais vendidos no Brasil.

Com Elis Regina, foi contratado em maio de 1965 pela TV Record, de São Paulo, para o programa O Fino da Bossa, no qual os dois funcionavam como intérpretes principais e apresentadores. Defendeu ao lado do Trio Marayá (vocal) e Trio Novo (instrumental), no II FMPB, da TV Record, de São Paulo, em 1966, a música Disparada (Geraldo Vandré e Teo de Barros), incluída no seu LP O sorriso do Jair, dividindo o primeiro lugar com A banda(Chico Buarque). Nesse ano, lançou pela Philips um de seus maiores sucessos, o samba Tristeza (Niltinho e Haroldo Lobo).

Ao lado de Elis Regina e do Zimbo Trio, excursionou, no ano seguinte, por Portugal (Cassino Estoril), Argentina (Teatro Famoso), Angola (Cine Ávis) e ainda pelo Uruguai e Brasil. Com Elis, gravou ao vivo ainda mais dois volumes na série Dois na bossa (1966 e 1967) e lançou sozinho o LP Jair, que incluía o samba Triste madrugada (Jorge Costa), que fez muito sucesso.

Sua primeira composição foi Na brincadeira do mundo, feita em 1969 com Carlos Odilon e incluida no mesmo ano no LP Jair de todos os sambas, no qual outro grande sucesso foi Casa de bamba (Martinho da Vila).

Em 1971, com Os Originais do Samba, apresentou- se no MIDEM, em Cannes, França, e em Estocolmo, Suécia, participando, no ano seguinte, do Festival de Carnaval, do Waldorf Astoria, em New York, EUA. Em 1972, seu sucesso foi Tengo-tengo (ou Mangueira, minha querida madrinha), samba-enredo do Salgueiro, de Zuzuca, que repetiu o êxito do ano anterior, Festa para um rei negro, do mesmo autor e escola.

Ainda em 1972, sua composição Se Deus quiser (com Wando) foi gravada em seu LP Com a corda toda. Tendo gravado novos LPs em 1973 (Orgulho de um sambista) e 1974 (Abra um sorriso novamente e Jair Rodrigues dez anos depois), participou novamente do MIDEM, em 1975, ano em que cantou no Teatro Olympia, em Paris, França, espetáculo de que resultou um disco gravado ao vivo. No mesmo ano, gravou seu 17° LP Eu sou o samba, que incluía Vai, meu samba (Ari do Cavaco e Otacílio de Sousa).

Nas décadas seguintes continuou sendo um dos cantores que mais vendeu discos no Brasil, gravando: Minha hora e vez (1976); Estou com o samba e não abro (1977); Pisei chão (1978); Couro comendo e Antologia da seresta n 1 (1979); Estou lhe devendo um sorriso (1980); Antologia da seresta n 2 e Alegria de um povo (1981); Jair Rodrigues de Oliveira (1982); Carinhoso (1983); Luzes do prazer (1984); Jair Rodrigues (1985); Jair Rodrigues (1988); Lamento sertanejo (1991); Viva meu samba (1994); Eu sou (1996).

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

Jair Rodrigues

Jair Rodrigues

O cantor Jair Rodrigues (Jair Rodrigues de Oliveira) nasceu em Igarapava, São Paulo, em 06/2/1939. Em criança, cantava hinos sacros na igreja de Nova Europa SP, para onde se mudara com um ano de idade. Trabalhou como engraxate, mecânico, servente de pedreiro e ajudante de alfaiate, antes de se apresentar várias vezes num programa de calouros, em São Carlos SP, em 1958.

Transferiu-se então, para São Paulo, trabalhando na Alfaiataria Primor como ajudante. Depois de classificar-se em primeiro lugar como calouro no Programa de Cláudio de Luna, na Rádio Cultura, começou a cantar nas boates paulistas Asteca, Urca, São Bento, Djalma e La Vie en Rose.

Em 1962 estreou na Rádio Tupi, em São Paulo, e gravou pela Philips, especialmente para ser tocada pela Rádio Record, a música Marechal da vitória (Alfredo Borba), dedicada a Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação brasileira que foi bicampeã mundial de futebol. Lançou ainda um compacto simples pela mesma gravadora, com Balada do homem sem Deus (Fernando César e Agostinho dos Santos) e Coincidência (Venâncio e Corumbá).

No ano seguinte, gravou na Philips seu primeiro LP O samba como ele é, e por volta de 1964, quando se apresentava na boate paulista Stardust, conheceu Alberto Paz e Edson Meneses, compositores de Deixa isso pra lá, música que, ao ser gravada em 1964, no LP Vou de samba com você (Philips), se tornou grande sucesso, lançando seu nome nas paradas de disco.

Em abril do ano seguinte, foi convidado às pressas pelo produtor Walter Silva para participar de um show no Teatro Paramount, em São Paulo, substituindo Baden Powell. Participou do espetáculo, ao lado de Elis Regina e do Jongo Trio, sendo pouco depois lançado o LP Dois na bossa, gravado ao vivo nessa ocasião pela Philips e que se tornou um dos LPs mais vendidos no Brasil.

Com Elis Regina, foi contratado em maio de 1965 pela TV Record, de São Paulo, para o programa O Fino da Bossa, no qual os dois funcionavam como intérpretes principais e apresentadores. Defendeu ao lado do Trio Marayá (vocal) e Trio Novo (instrumental), no II FMPB, da TV Record, de São Paulo, em 1966, a música Disparada (Geraldo Vandré e Teo de Barros), incluída no seu LP O sorriso do Jair, dividindo o primeiro lugar com A banda(Chico Buarque). Nesse ano, lançou pela Philips um de seus maiores sucessos, o samba Tristeza (Niltinho e Haroldo Lobo).

Ao lado de Elis Regina e do Zimbo Trio, excursionou, no ano seguinte, por Portugal (Cassino Estoril), Argentina (Teatro Famoso), Angola (Cine Ávis) e ainda pelo Uruguai e Brasil. Com Elis, gravou ao vivo ainda mais dois volumes na série Dois na bossa (1966 e 1967) e lançou sozinho o LP Jair, que incluía o samba Triste madrugada (Jorge Costa), que fez muito sucesso.

Sua primeira composição foi Na brincadeira do mundo, feita em 1969 com Carlos Odilon e incluida no mesmo ano no LP Jair de todos os sambas, no qual outro grande sucesso foi Casa de bamba (Martinho da Vila).

Em 1971, com Os Originais do Samba, apresentou- se no MIDEM, em Cannes, França, e em Estocolmo, Suécia, participando, no ano seguinte, do Festival de Carnaval, do Waldorf Astoria, em New York, EUA. Em 1972, seu sucesso foi Tengo-tengo (ou Mangueira, minha querida madrinha), samba-enredo do Salgueiro, de Zuzuca, que repetiu o êxito do ano anterior, Festa para um rei negro, do mesmo autor e escola.

Ainda em 1972, sua composição Se Deus quiser (com Wando) foi gravada em seu LP Com a corda toda. Tendo gravado novos LPs em 1973 (Orgulho de um sambista) e 1974 (Abra um sorriso novamente e Jair Rodrigues dez anos depois), participou novamente do MIDEM, em 1975, ano em que cantou no Teatro Olympia, em Paris, França, espetáculo de que resultou um disco gravado ao vivo. No mesmo ano, gravou seu 17° LP Eu sou o samba, que incluía Vai, meu samba (Ari do Cavaco e Otacílio de Sousa).

Nas décadas seguintes continuou sendo um dos cantores que mais vendeu discos no Brasil, gravando: Minha hora e vez (1976); Estou com o samba e não abro (1977); Pisei chão (1978); Couro comendo e Antologia da seresta n 1 (1979); Estou lhe devendo um sorriso (1980); Antologia da seresta n 2 e Alegria de um povo (1981); Jair Rodrigues de Oliveira (1982); Carinhoso (1983); Luzes do prazer (1984); Jair Rodrigues (1985); Jair Rodrigues (1988); Lamento sertanejo (1991); Viva meu samba (1994); Eu sou (1996).

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Folhas secas

Neste samba, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito esquecem as tragédias do amor para homenagear a sua querida Mangueira, ligando-a a uma reminiscência da juventude: “Quando piso em folhas secas / caídas de uma mangueira / penso na minha escola / e nos poetas de minha Estação.” Não abandonam, porém, a amarga obsessão pelo “fim”, tantas vezes presente em suas canções: “Quando o tempo avisar / que eu não posso mais cantar / sei que vou sentir saudade / ao lado do meu violão / da minha mocidade...”

Um dos grandes sambas da dupla, “Folhas Secas” foi feito para Beth Carvalho, segundo Brito, que conta: “para nossa surpresa, o arranjador César Camargo Mariano levou a música para a Elis Regina e as duas gravações saíram na mesma ocasião, quebrando o ineditismo da Beth.” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jaime Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Folhas secas (1973) - Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito
Tom: F

Introdução: F C7
 F                        Cm  D7
Quando eu piso em folhas secas
Gm Bbm C7
Caídas de uma mangueira
Gm G7 C7
Penso na minha escola
F Abº Gm C7 F
E nos poetas da minha estação primeira
F Cm D7
Não sei quantas vezes
Gm Bbm C7
Subi o morro cantando
Gm G7 C7
A luz do sol me queimando
F D7 Gm C7 F
E assim vou me acabando.
F E7 Am Am Bbm Bm Cm
Quando o tempo avisar
Cm F7 Bb
Que não posso mais cantar
C7 F D7
Sei que vou sentir saudade
G7
Ao lado do meu violão
C7
E da minha mocidade.

sábado, 22 de julho de 2006

Tiro ao álvaro

Demônios da Garoa - Elis Regina

Tiro ao álvaro - Adoniran Barbosa e Osvaldo Molles
Tom: Bb

     Bb     G7
De tanto levar
Cm
"frechada" do teu olhar
F7
meu peito até
Bb Bb7
parece sabe o que
Eb
"táubua"
Ebm Bb
de tiro ao "alvaro"
Cm
não tem mais
F7 Bb
onde furar, não tem mais
(REPETE 1ª PARTE)
      Cm        
Teu olhar mata mais
F7 Bb
que bala de carabina
Gm Cm
que veneno estricnina
F7 Bb Bb7
que peixeira de baiano
Eb
Teu olhar
Bb
mata mais que atropelamento
C7
de "automóver"
Cm
mata mais
F7 Bb
que bala de "revórver"

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Vento de maio

Elis Regina

Vento de maio - Telo Borges e Márcio Borges
G6                              Eb/F   F7/9  C/D D7/9
Vendo de raio rainha de maio estrela cadente
Cm7 Am Cm7
Chegou de repente o fim da viagem
F#/G# F/G Cm7
Agora já não dá mais pra volar atrás
Am7 Cm7
Rainha de maio valei o teu pique
F#/G# F/G Cm7
Apenas para chover no meu piquenique
Am7 Cm7
Assim meu sapato coberto de barro
F#/G# F/G Dm7
Apenas pra não parar nem voltar atrás
Am7 Cm7
Rainha de maio valeu a viagem
F#/G# (Gm5+/9)
Agora já não dá mais...
Eb/G Bb/F C/E Cm/Eb Bb/D Em5-/7 Gm
Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção
Eb/G Bb/F C/E Cm/Eb Bb/D Em5-/7 Gm
Sol girassol e meus olhos ardendo de tanto cigarro
Bb D/F# C/E Cm/Eb
E quase que eu me esqueci que o tempo não pára
Ab7+ C/D D7
Nem vai esperar
Eb/G Bb/F C/E Ab7+ D4/7 D7
Vento de maio rainha dos raios de sol
Eb/G Bb/F E/E Cm/Eb Bb/D Em5-/7 Gm
Vá no teu pique estrela cadente até nunca mais
Eb/G Bb/F C/E Cm/Eb
Não te maltrates nem tentes voltar
Bb/D Em5-/7 Gm
o que não tem mais vez
Bb D/F# C/E
Nem lembro teu nome nem sei
Cm/Eb Ab7+ C/D D7
Estrela qualquer lá no fundo do mar
Gm F/A Bb C D7 Am7 D7/9 Cm7
Vento de maio rainha dos raios de sol
Am7 Cm7
Rainha de maio valeu o teu pique
F#/G# F/G Cm7
Apenas para chover no meu piquenique
Am7 Cm7
Assim meu sapato coberto de barro
F#/G# F/G Cm7
Apenas pra não parar nem voltar atrás

Velha roupa colorida

Elis Regina

Velha roupa colorida (1976) - Belchior
Tom: G
Intro: Em

                       D
Você não sente nem vê
C G
R Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
E D C G
F Que uma nova mudança em breve vai acontecer
R D C
à E o que há algum tempo era jovem novo
O G D C Em
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer
G D
Nunca mais teu pai falou: "She's leaving home"
C G
E meteu o pé na estrada, "Like a Rolling Stone..."
D
Nunca mais eu convidei minha menina
C G
Para correr no meu carro...(loucura, chiclete e som)
D
Nunca mais você saiu a rua em grupo reunido
C G
O dedo em V, cabelo ao vento, amor e flor, quero cartaz
D
No presente a mente, o corpo é diferente
C G
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
D
No presente a mente, o corpo é diferente
C Em Refrão
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
G D
Como Poe, poeta louco americano,
C
eu pergunto ao passarinho:
G
Black bird, Assum Preto, o que se faz?"
(D)
E raven never raven never raven
C
Assum Preto, black bird me responde:
G
"Tudo já ficou atrás"
(D)
E raven never raven never raven
C
Black bird, Assum Preto, Assum Preto me responde:
Em Refrão
"O passado nunca mais"
D C Em
E precisamos todos rejuvenescer (3x)

Querelas do Brasil

Elis Regina

Querelas do Brasil (1978) - Maurício Tapajós e Aldir Blanc
Tom: A7+
Intro: A7+/9 A7/9 A6/9 D7+/9 D7/9 D6/9
A7+/9     A7/9           D7+/9 D7/9 D6/9
O Brazil não conhece o Brasil
A7+/9 A7/9 D7+/9 D7/9 D6/9
O Brasil nunca foi ao Brazil
A7+ F#m7 B7/9
Tapi, jabuti, liana, alamandra, alialaúde
Bm7
Piau, ururau, aquiataúde
E7/13 D#m5-/7
Piau, carioca, moreca, meganha
G#7/13 C#7+
Jobim akarare e jobim açu
C#7+ C7+ B7+ E7/13
Oh, oh, oh
  A7+      F#m7   B7/9
Pererê, camará, gororô, olererê
Bm7 E7/13 A7+
Piriri, ratatá, karatê, olará
A7+/9  A7/9  A6/9       D7+/9 D7/9 D6/9
O Brazil não merece o Brasil
A7+/9 A7/9 A6/9 D7+/9 D7/9 D6/9
O Brazil tá matando o Brasil
A7+ F#m7 B7/9
Gereba, saci, caandra, desmunhas, ariranha, aranha
Bm7
Sertões, guimarães, bachianas, águas
E7/13 D#m5-/7
E marionaíma, ariraribóia
G#7/13 C#7+
Na aura das mãos do jobim açu
C#7+ C7+ B7+ E7/13
Oh, oh, oh
A7+ F#m7 B7/9
Gererê, sarará, cururu, olerê
Bm7 E7/13 A7+
Ratatá, bafafá, sururu, olará
A7+/9 A7/9 A6/9 D7+/9 D7/9 D6/9
Do Brasil S.O.S. ao Brasil
A7+ F#m7 B7/9
Tinhorão, urutú, sucuri
Bm7 E6/13 A7+
O Jobim, sabiá, bem-te-vi
F#m7 B7/9
Cabuçu, cordovil, Caxambi, olerê
Bm7 E7/13 A7+
Madureira, Olaria e Bangu, olará
F#m7 B7/9
Cascadura, Água Santa, Pari, olerê
Bm7 E7/13 A7+
Ipanema e Nova Iguaçu, olará
A7+/9 A7/9 A6/9 D7+/9 D7/9 D6/9
Do Brasil S.O.S. ao Brasil
A7+/9 A7/9 A6/9 D7+/9 D7/9 D6/9
Do Brasil S.O.S. ao Brasil

O primeiro jornal

Sueli Costa
Elis Regina

O primeiro jornal - Sueli Costa e Abel Silva

Bb
Quero cantar pra você
Gm5-/7 A7 Dm
Segunda-feira de manhã
Dm5-/7 C7 Cm G7 C7
Pelo seu rádio de pilha tão docemente
Cm Dm Eb F Bb
E te ajudar a encarar esse dia mais facilmente

Quero juntar minha voz matinal
Em5-/7 A7 Dm
Aos restos dos sons noturnos
Em5-/7 G7 Cm
E aos cheiros domingueiros que ainda boiam
G7 C7
Na casa e em você
Am5-/7 D7 Gm
Para que junto com o café e o pão se dê
Em5-/7 A7 Dm
O milagre de ouvir latir o coração
Em5-/7 A7 Dm
Ou quem sabe algum projeto, uma lembrança
A7 Dm
Uma saudade à toa
G7 Cm F
Venha nascendo com o dia numa boa
Bb Em5-/7
E estar com você na primeira brasa do cigarro
A7 Dm
No primeiro jorro da torneira
Dm5-/7 G7 Cm G7 C7
Nos primeiros aprontos de um guerreiro de manhã
Am5-/7 D7 Gm
Para que saias com alguma alegria bem normal
Em5-/7 A7 Dm G7 Cm
Que dure pelo menos até você comprar e ler
F Bb
O primeiro jornal

O mundo melhor de Pixinguinha

Elis Regina

O mundo melhor de Pixinguinha (1974) - Jair Amorim e Evaldo Gouveia
         E              B7               E
Lá vem Portela com Pixinguinha em seu altar
C#7 F#m
E o altar da escola é samba
B7 E
que a gente faz e na rua vem cantar
Bm C#7 F#m Am
Portela, teu carinhoso reino é oração
E C#7 F#m B7 E B7
Pra falar de quem ficou como devoção em nosso coração
E F° F#m
Pizindim, Pizindim, Pizindim,
B7 E
é assim que a vovó Pixinguinha chamava
C#7 F#m B7
Menino bom na sua língua natal,
E
menino bom que se tornou imortal
C#7 F#m B7 E C#7
E a roseira dá rosa em botão, Pixinguinha dá rosa canção
F#m B7 E E7
E a canção bonita é como a flor que tem perfume e cor
A Am E C#
E ele que era um poema de ternura e paz
F#m
Fez um buquê que não se esquece mais
B7 E E7 BIS
em rosas musicais

Moda de sangue

Elis Regina

Moda de sangue - Jerônimo Jardim e Ivaldo Roque
           F#7+      B/F#         F#7+ B/F#
Quando te prendo na cadeia dos abraços
C#m7 F#6/7 Bb B7+
E te torturo, e te sufoco entre meus braços
A6/7 Ab6/7 C#7 Bbm5-/7 D#7/9+
E te fuzilo com os olhos do desejo
F#/G# Ab6/7 B/C# C#7/9-
Te mordendo no gosto do meu beijo
F#7+ B/F# F#7+ B/F#
Quando te arranho, te lanho de delícia
C#m7 F#6/7 Bb B7+
Vertendo sangue no teu corpo de malícia
A6/7 G#m7 C#/B Bm5-/7 D#7/9-
Quando te xingo com palavras obscenas
G#6/7 B/C#
Como jurasse as juras mais serenas
C#m7 F#6/7 B7+ E6/7
Quando me vingo dos males que me fazes
Fm5-/7 Bb5+/7 D#m7 Em7
Com frases de maldade e veneno
B7+ F6/7 E6/7 Bbm5-/7 D#7
Sinto meu amor, que o amor é isso
G#6/7 B/C# F#7+
Essas coisas muito fora de juízo

(F#7+ E7+ D#m7 D7 C#m7 F#7)

Me Deixas Louca (Me Vuelves Loco)

Elis Regina

Me Deixas Louca (Me Vuelves Loco) - Armando Manzanero (versão Paulo Coelho)
Tom: F7+
Introd.: F Gm F/A A#9 Am7 D#7 D7 C/E D/F# Gm7 A#/C C7
 F7+                 F6                  Gm7
Quando caminho pela rua lado a lado com você
A#/C C A#/C
Me deixas louca
Am7+ C/D
E quando escuto o som alegre do teu riso
Dm7 Bm7 E7
Que me dá tanta alegria, me deixas louca
  D#7+                  Cm7/9         B7/9+
Me deixas louca quando vejo mais um dia
A#7+
Pouco a pouco entardecer
A#m7/9 D#7
E chega a hora de ir pro quarto escutar
Ab7+
As coisas lindas que começas a dizer
Gm7         Gb5-/7
Me deixas louca
F7+ F6 Gm7
Quando me pedes por favor que nossa lâmpada se apague
A#/C C A#/C
Me deixas louca
Am7+ C/D
Quando transmites o calor de tuas mãos
Dm7
Pro meu corpo que te espera
 Cm7/9      F7
Me deixas louca
A#7+
E quando sinto que teus braços
Bm5-/7 E5+/7
se cruzaram em minhas costas
Am5-/7 D7/9-
Desaparecem as palavras, outros sons enchem o espaço
Gm7 Am7 A#7+ A#/C
Você me abraça, a noite passa
Dm7 G7 Dm7 G7 A#7+ Dm7 Gm7 G/A Dm7 Cm7/9 B7/9+
E me deixas louca
A#7+ Bm5-/7 E5+/7
Sinto os teus braços se cruzando em minhas costas
Am5-/7 D7/9-
Desaparecem as palavras, outros sons enchem o espaço
Gm7 Am7 A#7+ A#/C
Você me abraça, a noite passa
Em7 A7 (Dm7 G7 A#7+ Dm7 Gm7 G/A Dm7)
E me deixas louca

Marambaia

Elis Regina

Marambaia - Henricão e Rubens Campos
Tom: E5+
Intro:Co A Bm7 E7 Em7 A7 Co
A Bm7 E7 A
  E5+       A7+         Bm7    C#m7
Eu tenho uma casinha lá na Marambaia
Em7 F#7 Bm7
fica na beira da praia só vendo que beleza
tem uma trepadeira que na primavera
E7 A7+
fica toda florescida de brincos de princesa
E5+ A7+ Bm7 C#m7
quando chega o verão eu sento na varanda
Em7 A7 D
pego o meu violão e começo a cantar
Dm7 Co A7+
e o meu moreno fica sempre bem disposto
F#7 B7 E7 A7+
senta ao meu lado e começa a cantar
C#7         F#m        C#7           F#m
Quando chega a tarde um bando de andorinhas
F#7 Bm
voa em revoada fazendo verão
C#7
e lá na mata o sabiá gorjeia
F#m C#7
linda melodia pra alegrar meu coração
F#m C#7 F#m
às seis horas o sino da capela
F#7 Bm
toca as badaladas da Ave-Maria
F#m
a lua nasce por detrás da serra
Ab7 C#7 F#m B7
anunciando que acabou o dia

Exaltação a Tiradentes

Elis Regina

Exaltação a Tiradentes - Penteado e Mano Décio da Viola
Tom: D
D            Gm7  C7/9   Em7           A7  D    G7+   D
Joaquim José da Silva Xavier
B7 Em7
Morreu a vinte e um de abril
E7 Em7 A7
Pela independência do Brasil
D D7+ Bb7/13 Bb7 Em7
Foi traído e não traiu jamais
A7 D G7
A Inconfidência de Minas Gerais
D D7+ Bb7/13 Bb7 Em7
Foi traído e não traiu jamais
A7 D
A Inconfidência de Minas Gerais
Em7       B7/9- Em7       A7
Joaquim José da Silva Xavier
D G7 D A7/13
Era o nome de Tiradentes
D Bm7 Em7 A7 Em7 A6/9 F#m7 Em7
Foi sacrifica...do pela nossa liberda.....de
D7+ F#m7 Em7
Este grande herói
G7 Em7 A7 D7+
Pra sempre há de ser lembrado

Comunicação

Elis Regina

Comunicação - Edson Alencar e Hélio Matheus
F7+               F6
Sigo o anúncio e vejo
Db7+/9
Em forma de desejo o sabonete
Bbm
Em forma de sorvete acordo e durmo
Gm4/7 C7
Na televisão
F7+ F6 Db7+/9
Creme dental, saúde, vivo num sorriso o paraíso
Bbm Gm4/7 C7
Quase que jogado, impulsionado no comercial
F7+
Só tomava chá
Fm7 Bg7 Eb7+
Quase que forçado vou tomar café
Ebm7 Ab7 Db7+/9
Ligo o aparelho vejo o Rei Pelé
Gb7+ Gm4/7 C7
Vamos então repetir o gol
F7+ Fm7 Bb7 Eb7+
E na rua sou mais um cosmonauta patrocinador
Ebm7 Ab7 Db7+/9
Chego atrasado, perco o meu amor
Gb7+ Gm4/7 C7
Mais um anúncio sensacional
F7+ F6 Db7+/9
Ponho um aditivo dentro da panela, a gasolina
Bbm Gm4/7 C7
Passo na janela, na cozinha tem mais um fogão
F7+ F6 Db7+/9
Tocam a campainha, mais uma pesquisa e eu respondo
Bbm Gm4/7 C7
Que enlouquecendo já sou fã do comercial...

Colagem

Elis Regina

Colagem - Cláudio Lucci
    A             D7/9            F7+/9
Se você com muita calma usar sua raça
Bm7 E4/7 E7
Vai surpreender
A D7/9 F7+/9
A surpresa para muitos é uma arma
Bm7 E4/7 E7
Pra se esconder
D E7
Se esconder não é tão bom
A F Dm F A F Dm F
Pra viver, pra morrer
A D7/9 F7+/9
Se você lembrar que tudo é relativo
Bm7 E4/7 E7
Vai compreender
A D7/9 F7+/9
Mas a compreensão por vezes tão sensata
Bm7 E4/7 E7
Vai lhe conter
D E7
Se conter não é tão bom
A (Bm7 E7)
Pra viver, pra morrer
A (Bm7 E7)
Pra viver, pra morrer
A D7/9 F7+/9
Se você tentar despir essa colagem
Bm7 E4/7 E7
Vai se perder
A D7/9 F7+/9
E a perda de si próprio é quase um passo
Bm7 E4/7 E7
Pra conceder
D E
Conceder não é tão bom
A F Dm F A F Dm F A E/G# C D A
Pra viver, pra morrer, pra nascer
A/C# A D A5b
Somos homens sem lugar
F C/E D#º E/D
Homens velhos com raça
A/C# A D A/E
À espera de algum descuido
F C/E D#º E/D
E com cuidado gozamos paz
A/C# A D A/E
Somos homens bons demais
F C/E D#º E/D
Sufocados pelo mal
A/C# A D4 D
Só queremos acreditar
F C/E D#º E/D A/C# (D7/9 A)
Que isso tudo pode acabar

Cão sem dono

Sueli Costa
Elis Regina

Cão sem dono - Sueli Costa e Paulo César Pinheiro

       Em7/9 A     F#m7/9     B5+/7
É nas noites que eu passo sem sono
Em7/9 A F#7/9 B5+/7
Entre o copo, a vitrola e a fumaça
Em D/E D#5+
Que ergo a torre do meu abandono
Em D#m5-/7 Dm5-/7 C#m5-/7 F#m7/9 B5+/7
E que caio em desgraça

Em7/9 A F#m7/9 B5+/7
É nas horas em que a noite faz frio
Em7/9 A F#m7/9 B5+/7
E a lembrança ao castigo me arrasta
Em D/E C#/D# C/D B/C#
Solidão é o carrasco sombrio
F#7/13 G#m7 Gm7 F#m7 F7/9/11+ Em11
E a saudade a vergasta

Bm5-/7 E7
Se eu cantar a alegria sai falsa
Bm5-/7 Bb7/9/11+ Am7
Se eu calar a tristeza começa
C#m5-/7 F#7/13
E eu prefiro dançar uma valsa
C#m5-/7 FE7/13 B7/9- B7/9+
Que ouvir uma peça

Em7/9 A F#m7/9 B6+/7
E eu recuo, eu prossigo e eu me ajeito
Em7/9 A F#m7/9 B5+/7
Eu me omito, eu me envolvo e eu me abalo
Em D/E C#/D# C/D B/C#
Eu me irrito, eu odeio, eu exito
F#7/13 G#m7 Gm7 F#m7 F7/9/11+ Em11 (Emt/7+/9)
Eu reflito e me calo

Canto de Ossanha

Um dos melhores e mais conhecidos dos afro-sambas, “Canto de Ossanha” deve muito de seu sucesso à interpretação empolgante que lhe deu Elis Regina nas diversas vezes que o apresentou em “O Fino da Bossa”.

Aliás, a letra de “Canto de Ossanha” foi concluída num ensaio do programa, conforme relembrou Elis numa entrevista radiofônica (“Programa do Zuza”, Rádio Jovem Pan, 17.5.78): “Eu me lembro nitidamente de ‘Canto de Ossanha’: a letra tinha acabado de ficar pronta, Vinícius estava sentado num banquinho, Baden no outro, eu no meio e o papel na frente pra gente cantar a primeira vez.”

Obedecendo ao esquema de outros afros, “Canto de Ossanha” os supera na melodia expressiva de Baden e no poema ambíguo de Vinicius que, segundo ele mesmo (no encarte do elepê Os afro-sambas), “faz refletir e trata, sem hesitar, de problemas da vida e do amor” (“... o homem que diz ‘sou’ não é / porque quem é mesmo é ‘não sou’...”). Já a divindade que lhe inspirou o nome pouco ou nada tem a ver com a letra.

Ossanha (também Ossaim, Ossonhe ou Ossamin) é o orixá das folhas litúrgicas e medicinais. É também adivinho na África, sendo sincretizado no Brasil com São Benedito. Em alguns candomblés foi transformado em orixá feminino e sincretizado com a Caipora, de nossa mitologia indígena (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Canto de Ossanha (samba, 1966) - Baden Powell / Vinícius de Moraes

Cm7                       D7/9
O homem que diz "dou" não dá,
C#7/9 Cm7
porque quem dá mesmo não diz
D#7/9 D7/9
O homem que diz "vou" não vai,
C#7/9 Cm7
porque quando foi já não quis
D#7/9 D7/9
O homem que diz "sou" não é,
C#7/9 Cm7
porque quem é mesmo é "não sou"
D#7/9 D7/9
O homem que diz "tô" não tá,
C#7/9 Cm7
porque ninguém tá quando quer
            D#7/9    D7/9              C#7/9      Cm7
Coitado do homem que cai no canto de Ossanha, traidor
D#7/9 D7/9 C#7/9 Cm7
Coitado do homem que vai atrás de mandinga de amor
           D#7/9       D7/9
Vai, vai, vai, vai, não vou
D#7/9 D7/9
Vai, vai, vai, vai, não vou
D#7/9 D7/9
Vai, vai, vai, vai, não vou
C#7/9 C
Vai, vai, vai, vai, não vou
                       Em5-/7      Am7          Dm7
Que eu não sou ninguém de ir em conversa de esquecer
D7/9 G7
A tristeza de um amor que passou
C Em5-/7 Am7 Em7
Não, eu só vou se for pra ver uma estrela aparecer
G7 Cm7
Na manhã de um novo amor
               C#7/9                      Cm7
Amigo senhor, saravá, Xangô me mandou lhe dizer
D#7/9 D7/9
Se é canto de Ossanha, não vá,
C#7/9 Cm7
que muito vai se arrepender
D#7/9 D7/9 C#7/9 Cm7
Pergunte ao seu Orixá, o amor só é bom se doer
D#7/9 D7/9 C#7/9 Cm7
Pergunte ao seu Orixá o amor só é bom se doer
                     D7/9
Vai, vai, vai, vai, amar
C#7/9 Cm7
Vai, vai, vai, sofrer
D7/9
Vai, vai, vai, vai, chorar
C
Vai, vai, vai, dizer
                         Em5-/7    Am7          Dm7
Que eu não sou ninguém de ir em conversa de esquecer
D7/9 G7
A tristeza de um amor que passou
C Em5-/7 Am7 Dm7
Não, eu só vou se for pra ver uma estrela aparecer
G7 Cm7
Na manhã de um novo amor