Amor de carnaval (samba/carnaval, 1968) - Zé Keti
Vamos brincar
Oba, oba, oba, meu bem
Não quero o teu beijo agora, meu amor
Se nos teus olhos tu me vês qual uma flor
Consola teu coração
Oba, oba, oba, meu bem, me dê a mão
Vamos pro meio do salão
A lua lá no céu é artificial
Porque é carnaval
Papai, mamãe não quer que eu namore pra casar
Ainda é cedo
Amor de carnaval desaparece na fumaça
Saudade é coisa que dá e passa
Oba, oba, oba, meu bem
Não quero o teu beijo agora, meu amor
Se nos teus olhos tu me vês qual uma flor
Consola o teu coração
Oba, oba, oba, meu bem, me dê a mão
Vamos pro meio do salão
A lua lá no céu é artificial
Porque é carnaval
Porque é carnaval.
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domingo, 18 de janeiro de 2009
Amor de carnaval
Amor de carnaval (samba/carnaval, 1968) - Zé Keti
Vamos brincar
Oba, oba, oba, meu bem
Não quero o teu beijo agora, meu amor
Se nos teus olhos tu me vês qual uma flor
Consola teu coração
Oba, oba, oba, meu bem, me dê a mão
Vamos pro meio do salão
A lua lá no céu é artificial
Porque é carnaval
Papai, mamãe não quer que eu namore pra casar
Ainda é cedo
Amor de carnaval desaparece na fumaça
Saudade é coisa que dá e passa
Oba, oba, oba, meu bem
Não quero o teu beijo agora, meu amor
Se nos teus olhos tu me vês qual uma flor
Consola o teu coração
Oba, oba, oba, meu bem, me dê a mão
Vamos pro meio do salão
A lua lá no céu é artificial
Porque é carnaval
Porque é carnaval.
Vamos brincar
Oba, oba, oba, meu bem
Não quero o teu beijo agora, meu amor
Se nos teus olhos tu me vês qual uma flor
Consola teu coração
Oba, oba, oba, meu bem, me dê a mão
Vamos pro meio do salão
A lua lá no céu é artificial
Porque é carnaval
Papai, mamãe não quer que eu namore pra casar
Ainda é cedo
Amor de carnaval desaparece na fumaça
Saudade é coisa que dá e passa
Oba, oba, oba, meu bem
Não quero o teu beijo agora, meu amor
Se nos teus olhos tu me vês qual uma flor
Consola o teu coração
Oba, oba, oba, meu bem, me dê a mão
Vamos pro meio do salão
A lua lá no céu é artificial
Porque é carnaval
Porque é carnaval.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Mascarada
Amores de carnaval sempre renderam boas histórias. E boas histórias podem render bons sambas quando os compositores são Zé Kéti e Elton Medeiros. Foram esses dois cariocas que deram letra e música a uma "namorada" que Zé Kéti encontrou em um carnaval, mas só foi ver seu rosto três anos depois. O resultado foi o samba "Mascarada", de música de Elton Medeiros e letra dos dois.
A história completa é a seguinte. Era dia de carnaval e Zé Kéti, um cara muito boa praça, foi desfilar no Bloco das Piranhas. O esquema do bloco era simples e muitíssimo difundido no carnaval: homens que se vestiam de mulher.
Mas Zé Kéti, que de acordo com Elton, era um sedutor, conseguiu descolar uma moça. Sim, uma moça que desfilava no Bloco das Piranhas. Não deu outra. Sumiu com ela durante todo o carnaval.
Ao voltar ao convívio social revelou que ela não tinha tirado a máscara nem por um segundo sequer.
O mistério continuou no ano seguinte. Zé já sabia onde encontrar a moça mascarada e ela lá estava. As noites de amor se repetiram e o segredo sobre a identidade da pequena também. Apenas no terceiro ano é que a mulher deixou que Zé Kéti tirasse a máscara dela. Daí surgiu um dos maiores sucessos dos dois sambistas: Mascarada.
Tempos depois, Elton Medeiros se encontrou com Zé que estava acompanhado de "uma bonita senhora", como definiu Elton. Zé então revelou: "Elton, essa aqui que é a mascarada". Mesmo assim não deu muito tempo para que ele trocasse algumas frases com ela: "Ele não ficou com ela muito tempo do meu lado. Foi embora", contou rindo. (fonte: Vermute com Amendoim - A mascarada de Zé Keti)
Mascarada (samba, 1965) - Zé Keti e Elton Medeiros
Vejo agora esse teu lindo olhar
Olhar que eu sonhei
E sonhei conquistar
E que num dia afinal conquistei, enfim
Findou-se o carnaval
E só nos carnavais
Encontrava-me sem
Encontrar este teu lindo olhar, porque
O poeta era eu
Cujas rimas eram compostas
Na esperança de que
Tirasses essa máscara
Que sempre me fez mal
Mal que findou só
Depois do carnaval
Mascarada
Amores de carnaval sempre renderam boas histórias. E boas histórias podem render bons sambas quando os compositores são Zé Kéti e Elton Medeiros. Foram esses dois cariocas que deram letra e música a uma "namorada" que Zé Kéti encontrou em um carnaval, mas só foi ver seu rosto três anos depois. O resultado foi o samba "Mascarada", de música de Elton Medeiros e letra dos dois.
A história completa é a seguinte. Era dia de carnaval e Zé Kéti, um cara muito boa praça, foi desfilar no Bloco das Piranhas. O esquema do bloco era simples e muitíssimo difundido no carnaval: homens que se vestiam de mulher.
Mas Zé Kéti, que de acordo com Elton, era um sedutor, conseguiu descolar uma moça. Sim, uma moça que desfilava no Bloco das Piranhas. Não deu outra. Sumiu com ela durante todo o carnaval.
Ao voltar ao convívio social revelou que ela não tinha tirado a máscara nem por um segundo sequer.
O mistério continuou no ano seguinte. Zé já sabia onde encontrar a moça mascarada e ela lá estava. As noites de amor se repetiram e o segredo sobre a identidade da pequena também. Apenas no terceiro ano é que a mulher deixou que Zé Kéti tirasse a máscara dela. Daí surgiu um dos maiores sucessos dos dois sambistas: Mascarada.
Tempos depois, Elton Medeiros se encontrou com Zé que estava acompanhado de "uma bonita senhora", como definiu Elton. Zé então revelou: "Elton, essa aqui que é a mascarada". Mesmo assim não deu muito tempo para que ele trocasse algumas frases com ela: "Ele não ficou com ela muito tempo do meu lado. Foi embora", contou rindo. (fonte: Vermute com Amendoim - A mascarada de Zé Keti)
Mascarada (samba, 1965) - Zé Keti e Elton Medeiros
Vejo agora esse teu lindo olhar
Olhar que eu sonhei
E sonhei conquistar
E que num dia afinal conquistei, enfim
Findou-se o carnaval
E só nos carnavais
Encontrava-me sem
Encontrar este teu lindo olhar, porque
O poeta era eu
Cujas rimas eram compostas
Na esperança de que
Tirasses essa máscara
Que sempre me fez mal
Mal que findou só
Depois do carnaval
Malvadeza Durão
Malvadeza Durão (samba, 1965) - Zé Keti
Mais um malandro fechou
O paletó
Eu tive dó, eu tive dó !
Quatro velas acesas
Em cima de uma mesa
Uma subscrição
Para ser enterrado :
Morreu Malvadeza Durão
Valente mas muito considerado
Morreu Malvadeza Durão
Valente mas muito considerado !
Céu estrelado, lua prateada
Muitos sambas, grandes batucadas
O morro estava em festa
Quando alguém caiu
Com a mão no coração e sorriu
Morreu Malvadeza Durão
O criminoso ninguém viu !
Mais um malandro fechou
O paletó
Eu tive dó, eu tive dó !
Quatro velas acesas
Em cima de uma mesa
Uma subscrição
Para ser enterrado :
Morreu Malvadeza Durão
Valente mas muito considerado
Morreu Malvadeza Durão
Valente mas muito considerado !
Céu estrelado, lua prateada
Muitos sambas, grandes batucadas
O morro estava em festa
Quando alguém caiu
Com a mão no coração e sorriu
Morreu Malvadeza Durão
O criminoso ninguém viu !
Malvadeza Durão
Malvadeza Durão (samba, 1965) - Zé Keti
Mais um malandro fechou
O paletó
Eu tive dó, eu tive dó !
Quatro velas acesas
Em cima de uma mesa
Uma subscrição
Para ser enterrado :
Morreu Malvadeza Durão
Valente mas muito considerado
Morreu Malvadeza Durão
Valente mas muito considerado !
Céu estrelado, lua prateada
Muitos sambas, grandes batucadas
O morro estava em festa
Quando alguém caiu
Com a mão no coração e sorriu
Morreu Malvadeza Durão
O criminoso ninguém viu !
Mais um malandro fechou
O paletó
Eu tive dó, eu tive dó !
Quatro velas acesas
Em cima de uma mesa
Uma subscrição
Para ser enterrado :
Morreu Malvadeza Durão
Valente mas muito considerado
Morreu Malvadeza Durão
Valente mas muito considerado !
Céu estrelado, lua prateada
Muitos sambas, grandes batucadas
O morro estava em festa
Quando alguém caiu
Com a mão no coração e sorriu
Morreu Malvadeza Durão
O criminoso ninguém viu !
Acender as velas
Acender as velas (samba, 1965) - Zé Keti
Acender as velas
Já é profissão
Quando não tem samba
Tem desilusão.
É mais um coração
Que deixa de bater
Um anjo vai pro céu
Deus me perdoe
Mas vou dizer.
O doutor chegou tarde demais
Porque no morro
Não tem automóvel pra subir
Não tem telefone pra chamar
Não tem beleza pra se ver
E a gente morre, sem querer morrer...
Acender as velas
Já é profissão
Quando não tem samba
Tem desilusão.
É mais um coração
Que deixa de bater
Um anjo vai pro céu
Deus me perdoe
Mas vou dizer.
O doutor chegou tarde demais
Porque no morro
Não tem automóvel pra subir
Não tem telefone pra chamar
Não tem beleza pra se ver
E a gente morre, sem querer morrer...
Acender as velas
Acender as velas (samba, 1965) - Zé Keti
Acender as velas
Já é profissão
Quando não tem samba
Tem desilusão.
É mais um coração
Que deixa de bater
Um anjo vai pro céu
Deus me perdoe
Mas vou dizer.
O doutor chegou tarde demais
Porque no morro
Não tem automóvel pra subir
Não tem telefone pra chamar
Não tem beleza pra se ver
E a gente morre, sem querer morrer...
Acender as velas
Já é profissão
Quando não tem samba
Tem desilusão.
É mais um coração
Que deixa de bater
Um anjo vai pro céu
Deus me perdoe
Mas vou dizer.
O doutor chegou tarde demais
Porque no morro
Não tem automóvel pra subir
Não tem telefone pra chamar
Não tem beleza pra se ver
E a gente morre, sem querer morrer...
domingo, 29 de outubro de 2006
Zé Keti
"O Zé ficou quietinho?" - A pergunta da mãe, quando voltava do trabalho, era infalível. E como o moleque Zé sempre ficava quietinho, virou Zé Quieto, logo em seguida, Zé Keti.Neste século que se finda, na raiz da maioria das coisas boas que aconteceram no ramo samba da árvore da música popular brasileira, tem o dedo de Zé Keti, o compositor que se tornou um dos símbolos de sua escola de samba, a Portela, guardiã da cultura popular e menestrel maior de Madureira, a capital dos subúrbios da Zona Norte do Rio de Janeiro.
Nascido em 1921, José Flores de Jesus fez do bairro carioca de Bento Ribeiro e contornos o seu reinado. Ninguém cantou a Portela como ele, ninguém soube compreender a beleza e a importância do mar em azul e branco que cobre a passarela a cada carnaval, vencendo ou não a competição com as co-irmãs. Zé era portelense e deixou isso bem claro em suas rimas e harmonias.
Criador perfeito em A voz do morro, crítico social em Acender as velas, lírico em Máscara negra, boêmio em Diz que eu fui por aí, cronista em Malvadeza durão, historiador em Jaqueira da Portela, ator de teatro no show divisor de águas Opinião e de cinema em Rio, 40 Graus e A Grande Cidade, Zé Keti tinha a generosidade entre outras de suas qualidades.
Foi ele, quando diretor musical do restaurante Zicartola - outro marco cultural carioca e brasileiro -, que lançou dois novos compositores: Elton Medeiros e o menino (também portelense) Paulo César Batista de Faria, a quem Zé batizou como Paulinho da Viola e para o qual profetizou a carreira que ajudou a consolidar, até mesmo dando a ele para gravar jóias como As moças do meu tempo.
Aos 78 anos, vitimado por uma parada cardíaca, Zé Keti morreu no hospital da Venerável Ordem Terceira Penitência, no bairro suburbano da Tijuca, no seu Rio de Janeiro, na manhã de 14 de novembro de 1999.
Arley Pereira /MPB ESPECIAL / 4/7/1973
Zé Keti
"O Zé ficou quietinho?" - A pergunta da mãe, quando voltava do trabalho, era infalível. E como o moleque Zé sempre ficava quietinho, virou Zé Quieto, logo em seguida, Zé Keti.Neste século que se finda, na raiz da maioria das coisas boas que aconteceram no ramo samba da árvore da música popular brasileira, tem o dedo de Zé Keti, o compositor que se tornou um dos símbolos de sua escola de samba, a Portela, guardiã da cultura popular e menestrel maior de Madureira, a capital dos subúrbios da Zona Norte do Rio de Janeiro.
Nascido em 1921, José Flores de Jesus fez do bairro carioca de Bento Ribeiro e contornos o seu reinado. Ninguém cantou a Portela como ele, ninguém soube compreender a beleza e a importância do mar em azul e branco que cobre a passarela a cada carnaval, vencendo ou não a competição com as co-irmãs. Zé era portelense e deixou isso bem claro em suas rimas e harmonias.
Criador perfeito em A voz do morro, crítico social em Acender as velas, lírico em Máscara negra, boêmio em Diz que eu fui por aí, cronista em Malvadeza durão, historiador em Jaqueira da Portela, ator de teatro no show divisor de águas Opinião e de cinema em Rio, 40 Graus e A Grande Cidade, Zé Keti tinha a generosidade entre outras de suas qualidades.
Foi ele, quando diretor musical do restaurante Zicartola - outro marco cultural carioca e brasileiro -, que lançou dois novos compositores: Elton Medeiros e o menino (também portelense) Paulo César Batista de Faria, a quem Zé batizou como Paulinho da Viola e para o qual profetizou a carreira que ajudou a consolidar, até mesmo dando a ele para gravar jóias como As moças do meu tempo.
Aos 78 anos, vitimado por uma parada cardíaca, Zé Keti morreu no hospital da Venerável Ordem Terceira Penitência, no bairro suburbano da Tijuca, no seu Rio de Janeiro, na manhã de 14 de novembro de 1999.
Arley Pereira /MPB ESPECIAL / 4/7/1973
sexta-feira, 4 de agosto de 2006
O meu pecado
O meu pecado - Nelson Cavaquinho e Zé Kéti
Meu pecado foi querer na minha mocidade
Amar muitas mulheres
O tempo já passou
Eu sinto saudade
O meu pecado foi passar noites em serestas
E bebendo por aí
Pela cidade
Nem com dinheiro as mulheres
Já não me desejam mais
Ah, se eu soubesse
Voltaria ao meu tempo de rapaz
O meu pecado foi querer na minha mocidade
Amar muitas mulheres
O tempo já passou
Eu sinto saudade
O meu pecado foi passar noites em serestas
E bebendo por aí
Pela cidade
Meu pecado foi querer na minha mocidade
Amar muitas mulheres
O tempo já passou
Eu sinto saudade
O meu pecado foi passar noites em serestas
E bebendo por aí
Pela cidade
Nem com dinheiro as mulheres
Já não me desejam mais
Ah, se eu soubesse
Voltaria ao meu tempo de rapaz
O meu pecado foi querer na minha mocidade
Amar muitas mulheres
O tempo já passou
Eu sinto saudade
O meu pecado foi passar noites em serestas
E bebendo por aí
Pela cidade
sexta-feira, 23 de junho de 2006
Máscara negra
Ainda prestigiado pelo sucesso do show “Opinião”, Zé Kéti ganhou o carnaval de 67 com a marcha-rancho “Máscara Negra”. Reproduzindo o lirismo suave que caracteriza o gênero, a composição trata do reencontro de um Pierrô com uma Colombina que conhecera no carnaval anterior.
E, ao contrário de outras canções inspiradas na commedia dell’arte, aqui é o Arlequim quem chora pelo amor de colombina: “Tanto riso / oh, quanta alegria / mais de mil palhaços no salão / arlequim está chorando pelo amor da Colombina / no meio da multidão.” Tendo acontecido numa época em que a música carnavalesca tradicional saía de moda, o sucesso de “Máscara Negra” pode ser considerado uma façanha.
A propósito, este sucesso chegou a gerar uma polêmica sobre a co-autoria da composição, que seria de Deusdedith Pereira Matos e não de seu irmão Hildebrando, conforme consta na edição. Mas, como os dois já haviam morrido na ocasião, a questão não teve maiores conseqüências, entrando “Máscara Negra” para o repertório de Dalva de Oliveira como um de seus últimos sucessos (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).
Máscara negra (marcha / carnaval, 1967) - Zé Keti e Pereira Matos
G Cm G
Tanto riso, oh / Quanta alegria
B7 Am
Mais de mil palhaços no salão
D7 G E7
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
Am D7 G D7
No meio da multidão
G Am D7
Foi bom te ver outra vez / Tá fazendo um ano
G
Foi no carnaval que passou
Bb0 D7 Am D7
Eu sou aquele Pierrot / Que te abraçou
G D7
Que te beijou, meu amor
G Am D7
A mesma máscara negra / Que esconde o teu rosto
Dm6 E7
Eu quero matar a saudade
Am D7 G D7
Vou beijar-te agora / Não me leve a mal
E7
Hoje é carnaval
Am D7 G D7
Vou beijar-te agora / Não me leve a mal
G
Hoje á carnaval
segunda-feira, 5 de junho de 2006
Opinião
Além do título de uma peça que, como foi dito, reuniu no palco Nara Leão, Zé Kéti e João do Vale, o samba “Opinião” inspirou os nomes de um jornal, de um teatro, do grupo que encenou a peça e do segundo elepê de Nara, lançado no final de 64.
Simbolizando uma resistência ao processo de remoção de favelas, que então executava o governo do Estado da Guanabara, “Opinião” é uma canção de protesto explícito (“Podem me prender / podem me bater / podem até deixar-me sem comer / que eu não mudo de opinião / daqui do morro eu não saio não...”), que, cantada numa época de forte repressão, funcionou como desafio à ditadura vigente.
Daí a razão do sucesso da composição e do musical, que instituiu um esquema de contestação ao regime, logo adotado por diversos grupos. Ano de prestígio máximo de Zé Keti 1965 foi marcado ainda pelos sucessos de seus sambas “Malvadeza Durão”, “Nega Dina” e “Acender as Velas” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).
Opinião (samba, 1965) - Zé Keti
Podem me prender
Podem me bater
Podem, até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
Daqui do morro
Eu não saio, não
Se não tem água
Eu furo um poço
Se não tem carne
Eu compro um osso
E ponho na sopa
E deixa andar
Fale de mim quem quiser falar
Aqui eu não pago aluguel
Se eu morrer amanhã, seu doutor
Estou pertinho do céu
Diz que eu fui por aí
Em seu elepê de estréia, Nara Leão surpreendeu o produtor Aloysio de Oliveira ao reunir os bossanovistas Baden Powell, Vinícius de Moraes e Carlos Lyra aos sambistas Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Keti, na época ignorados pelas gravadoras.
Mas apesar da desaprovação de alguns puristas, o disco deu certo, com a musa da bossa nova cantando a seu modo sambas como “O Sol Nascerá”, “Luz Negra” e este “Diz que Fui por Ai”, que trata da errante de um boêmio, com seu violão debaixo do braço, que pára em qualquer esquina, entra em qualquer botequim e, despreocupado, recomenda: “Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí.”
Complementando a ótima interpretação de Nara, esta faixa tem uma participação primorosa do violonista Geraldo Vespar (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).
Diz que eu fui por aí (samba, 1964) - Zé Keti e Hortênsio Rocha
Mas apesar da desaprovação de alguns puristas, o disco deu certo, com a musa da bossa nova cantando a seu modo sambas como “O Sol Nascerá”, “Luz Negra” e este “Diz que Fui por Ai”, que trata da errante de um boêmio, com seu violão debaixo do braço, que pára em qualquer esquina, entra em qualquer botequim e, despreocupado, recomenda: “Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí.”
Complementando a ótima interpretação de Nara, esta faixa tem uma participação primorosa do violonista Geraldo Vespar (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).
Diz que eu fui por aí (samba, 1964) - Zé Keti e Hortênsio Rocha
A7+ A#º Bm7
Se alguém perguntar por mim
E7/9 F#m7
Diz que fui por aí
F#m7/E Em7 A7/9
Levando um violão / Debaixo do braço
D7+ Ebº C#m7
Em qualquer esquina eu paro
F#7 Bm7
Em qualquer botequim eu entro
E7
E se houver motivo
Gº F#7(b9) Bm7
É mais um samba que eu faço
E7 A7+ F#7
Se quiserem saber / Se volto diga que sim
Bm7 E7 C#m7 F#7
Mas só depois que a saudade se afastar de mim
Bm7 E7 A7+ A#º Bm7
Mas só depois que a saudade se afastar de mim
E7
Tenho um violão
C#m7
Pra me acompanhar
F#7
Tenho muitos amigos
Bm7
Eu sou popular
E7
Tenho a madrugada
C#m7 F#7 Bm7
Como companhei. . .ra
E7
A saudade me dói
C#m7
Em meu peito me rói
F#7
Eu estou na cidade
Bm7
Eu estou na favela
E7
Eu estou por aí
A6
Sempre pensando nela
quinta-feira, 11 de maio de 2006
A voz do morro
Cantada pela primeira vez na quadra da União de Vaz Lobo, escola a que Zé Keti pertencia na ocasião, "A Voz do Morro" se tornaria o seu primeiro sucesso. Para isso, contribuiu sua inclusão na trilha musical do filme "Rio 40 Graus" e, posteriormente, sua adoção como prefixo do programa de televisão "Noite de Gala".
Ufanista a seu modo, "A Voz do Morro" faz a exaltação do samba através de versos como: "Eu sou o samba / a voz do morro sou eu mesmo, sim senhor l quero mostrar ao mundo que tenho valor / eu sou a voz do terreiro...".
A voz do morro (samba, 1956) - Zé KetiA7+ D#m5-/7
Eu sou o samba
Dm7 C#m7
A voz do morro sou eu mesmo sim senhor
Cº Bm
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
E7 A7+
Eu sou o rei do terreiro
D#m5-/7
Eu sou o samba
Dm C#m7
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Cº Bm
Sou eu quem levo a alegria
Dm7 E7 A7+
Para milhões de corações brasileiros
D#m5-/7 Dm7 C#m7
Salve o samba, queremos samba
Cº Bm E7 A7+
Quem está pedindo é a voz do povo de um país
D#m5-/7 Dm7 C#m7
Salve o samba, queremos samba
Cº Bm E7 A7+
Essa melodia de um Brasil feliz
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