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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Mangueira, minha madrinha querida

Mangueira, minha madrinha querida (Tengo-tengo) (carnaval, 1972), Zuzuca

Tengo-Tengo
Santo Antônio, Chalé (bis)
Minha gente, é muito samba no pé!

Em noite linda
Em noite bela
Viemos à avenida
Desfilar em passarela
O batizado será lembrado
Pelo Salgueiro de agora
Alô Laurindo, alô Viola
Alô Mangueira de Cartola

Tengo-Tengo
Santo Antônio, Chalé (bis)
Minha gente, é muito samba no pé!

Ô ô ô, oh meu Senhor
Foi Mangueira (bis)
Estação Primeira
Que me batizou

Mangueira, minha madrinha querida

Mangueira, minha madrinha querida (Tengo-tengo) (carnaval, 1972), Zuzuca

Tengo-Tengo
Santo Antônio, Chalé (bis)
Minha gente, é muito samba no pé!

Em noite linda
Em noite bela
Viemos à avenida
Desfilar em passarela
O batizado será lembrado
Pelo Salgueiro de agora
Alô Laurindo, alô Viola
Alô Mangueira de Cartola

Tengo-Tengo
Santo Antônio, Chalé (bis)
Minha gente, é muito samba no pé!

Ô ô ô, oh meu Senhor
Foi Mangueira (bis)
Estação Primeira
Que me batizou

Ilu-Ayê (Terra da Vida)

Ilu-Ayê (samba-enredo / carnaval, 1972) - Cabana e Norival Reis

Ilu-Ayê, Ilu-Ayê, Odara
Negro cantava na nação nagô
Ilu-Ayê, Ilu-Ayê, Odara
Negro cantava na nação nagô

Depois chorou lamento de senzala
Tão longe estava de sua Ilu-Ayê
Tempo passou, ôô
E no terreirão da casa-grande
Negro diz tudo que pode dizer

É samba, é batuque, é reza
É dança, é ladainha
Negro joga capoeira
E faz louvação à rainha

Hoje
Negro é terra, negro é vida
Na mutação do tempo
Desfilando na avenida
Negro é sensacional
É toda a festa do povo
É o dono do carnaval

Ilu-Ayê (Terra da Vida)

Ilu-Ayê (samba-enredo / carnaval, 1972) - Cabana e Norival Reis

Ilu-Ayê, Ilu-Ayê, Odara
Negro cantava na nação nagô
Ilu-Ayê, Ilu-Ayê, Odara
Negro cantava na nação nagô

Depois chorou lamento de senzala
Tão longe estava de sua Ilu-Ayê
Tempo passou, ôô
E no terreirão da casa-grande
Negro diz tudo que pode dizer

É samba, é batuque, é reza
É dança, é ladainha
Negro joga capoeira
E faz louvação à rainha

Hoje
Negro é terra, negro é vida
Na mutação do tempo
Desfilando na avenida
Negro é sensacional
É toda a festa do povo
É o dono do carnaval

Alô, alô, taí Carmen Miranda

Alô, alô, taí Carmen Miranda (carnaval, 1972) - Wilson Diabo, Heitor Rocha e Maneco

Uma pequena notável
Cantou muito samba
É motivo de carnaval
Pandeiro, camisa listrada
Tornou a baiana internacional
Seu nome corria chão
Na boca de toda gente

Que grilo é esse?
Vou embarcar nessa onda (bis)
É o Império Serrano que canta
Dando uma de Carmem Miranda

Cai, cai, cai, cai
Quem mandou escorregar (bis)
Cai, cai, cai, cai
É melhor se levantar, oi

Alô, alô, taí Carmen Miranda

Alô, alô, taí Carmen Miranda (carnaval, 1972) - Wilson Diabo, Heitor Rocha e Maneco

Uma pequena notável
Cantou muito samba
É motivo de carnaval
Pandeiro, camisa listrada
Tornou a baiana internacional
Seu nome corria chão
Na boca de toda gente

Que grilo é esse?
Vou embarcar nessa onda (bis)
É o Império Serrano que canta
Dando uma de Carmem Miranda

Cai, cai, cai, cai
Quem mandou escorregar (bis)
Cai, cai, cai, cai
É melhor se levantar, oi

domingo, 18 de janeiro de 2009

Até quarta-feira

Até quarta-feira (marcha/carnaval, 1968) - Paulo Sette e H. Silva

Lá, lá, lá, lá, la, lá,
Lá, lá, lá, lá, la, lá,
Lá, lá, lá, lá, la, lá, lá, la, lá.
(bis)

Este não ano vai ser,
Igual aquele que passou,
Eu não brinquei,
Você também não brincou,
Aquela fantasia,
Que eu comprei ficou guardada,
E a sua também, ficou pendurada

Mas este ano está combinado,
Nós vamos brincar separados.
(bis)

Se acaso meu bloco,
Encontrar o seu,
Não tem problema,
Ninguém morreu,
São três dias de folia e brincadeira,
Você pra lá e eu pra cá,
Até quarta feira.

Lá, lá, lá, lá, la, lá,
Lá, lá, lá, lá, la, lá,
Lá, lá, lá, lá, la, lá, lá, la, lá.

Até quarta-feira

Até quarta-feira (marcha/carnaval, 1968) - Paulo Sette e H. Silva

Lá, lá, lá, lá, la, lá,
Lá, lá, lá, lá, la, lá,
Lá, lá, lá, lá, la, lá, lá, la, lá.
(bis)

Este não ano vai ser,
Igual aquele que passou,
Eu não brinquei,
Você também não brincou,
Aquela fantasia,
Que eu comprei ficou guardada,
E a sua também, ficou pendurada

Mas este ano está combinado,
Nós vamos brincar separados.
(bis)

Se acaso meu bloco,
Encontrar o seu,
Não tem problema,
Ninguém morreu,
São três dias de folia e brincadeira,
Você pra lá e eu pra cá,
Até quarta feira.

Lá, lá, lá, lá, la, lá,
Lá, lá, lá, lá, la, lá,
Lá, lá, lá, lá, la, lá, lá, la, lá.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Linda mascarada

Linda mascarada (marcha-rancho, 1967) - João Roberto Kelly e David Nasser

Vem, ó linda mascarada
Vem teus olhos são de minha amada
Vem, ó linda mascarada
Vem teus olhos são de minha amada.


Vem, faz de conta que o teu amor
Tem a vida exata de uma flor
Vem, faz eterna a madrugada
Com um só minuto do teu beijo
Vem, já é mais noite em nossas noites
Quero amanhecer entre os teus braços...


Vem, ó minha linda mascarada
Que uma noite não é nada.

Linda mascarada

Linda mascarada (marcha-rancho, 1967) - João Roberto Kelly e David Nasser

Vem, ó linda mascarada
Vem teus olhos são de minha amada
Vem, ó linda mascarada
Vem teus olhos são de minha amada.


Vem, faz de conta que o teu amor
Tem a vida exata de uma flor
Vem, faz eterna a madrugada
Com um só minuto do teu beijo
Vem, já é mais noite em nossas noites
Quero amanhecer entre os teus braços...


Vem, ó minha linda mascarada
Que uma noite não é nada.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Os cinco bailes da história do Rio

Os cinco bailes da história do Rio (samba-enredo, 1965) Silas de Oliveira, Bacalhau e Dona Ivone Lara

Lara...
Carnaval
Doce ilusão
Dê-me um pouco de magia
De perfume e fantasia
E também de sedução
Quero sentir nas asas do infinito
Minha imaginação
Eu e meu amigo orfeu
Sedentos de orgia e desvario
Cantaremos em sonho
Cinco bailes na história do rio
Quando a cidade completava vinte anos de existência
Nosso povo dançou
Em seguida era promovida a capital
A corte festejou
Iluminado estava o salão

Na noite da coroação
Ali
No esplendor da alegria
A burguesia
Fez sua aclamação
Vibrando de emoção
Que luxo, a riqueza
Imperou com imponência
A beleza fez presença
Condecorando a independência
Ao erguer a minha taça
Com euforia
Brindei aquela linda valsa
Já no amanhecer do dia
A suntuosidade me acenava
E alegremente sorria
Algo acontecia
Era o fim da monarquia

Os cinco bailes da história do Rio

Os cinco bailes da história do Rio (samba-enredo, 1965) Silas de Oliveira, Bacalhau e Dona Ivone Lara

Lara...
Carnaval
Doce ilusão
Dê-me um pouco de magia
De perfume e fantasia
E também de sedução
Quero sentir nas asas do infinito
Minha imaginação
Eu e meu amigo orfeu
Sedentos de orgia e desvario
Cantaremos em sonho
Cinco bailes na história do rio
Quando a cidade completava vinte anos de existência
Nosso povo dançou
Em seguida era promovida a capital
A corte festejou
Iluminado estava o salão

Na noite da coroação
Ali
No esplendor da alegria
A burguesia
Fez sua aclamação
Vibrando de emoção
Que luxo, a riqueza
Imperou com imponência
A beleza fez presença
Condecorando a independência
Ao erguer a minha taça
Com euforia
Brindei aquela linda valsa
Já no amanhecer do dia
A suntuosidade me acenava
E alegremente sorria
Algo acontecia
Era o fim da monarquia

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Joga a chave, meu amor

Joga a chave, meu amor (marcha/carnaval, 1965) - João Roberto Kelly e J. Rui

Iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê
Iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê

Joga a chave meu amor
Não chateia por favor (bis)

Tô bebendo por aí
Tô sonhando com você

Iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê
Iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê

Joga a chave, meu amor

Joga a chave, meu amor (marcha/carnaval, 1965) - João Roberto Kelly e J. Rui

Iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê
Iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê

Joga a chave meu amor
Não chateia por favor (bis)

Tô bebendo por aí
Tô sonhando com você

Iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê
Iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê, iê

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O Rio revive nas marchinhas

Havia uma garota, em 1942, cujo beijo era uma bomba de Stuka. Havia uma outra, em 1937, a Sebastiana, que, debaixo de um abraço, só se sentia carne, não se sentia osso. Só não havia pelo menos em 1955, uma Miss Brasil crioula do Morro da Favela - porque, se houvesse seu Joaquim apoiava ela.

Marchinha é a maneira mais bem-humorada de se conhecer a história do Rio de Janeiro na primeira metade do século passado e a gravadora Revivendo, com o lançamento de mais três CDs, chega ao número 22, mais de 450 músicas, da série Carnaval, sua história, sua glória. Um flagrante sonoro irretocável da famosa - ''é ou não é, piada de salão?'' - alma carioca das ruas.

Stuka, do beijo, era um avião militar alemão de mergulho na marchinha Dona Santa não é santa, de Humberto Teixeira. Mostrava que, pelo menos no início de 42, a guerra vista do Rio ainda despertava o riso. Sebastiana, dos irmãos Valença, curtia nonsense puro mas revelava que magricelas já não tinham vez.

Miss Criôla, de Arnô Provenzano e O. Lopes, pegava carona num dos grandes assuntos do final de 1954, o segundo lugar de Marta Rocha no Miss Universo. Mostra que o vocabulário politicamente correto, ao contrário das polegadas a mais, não estava na moda.

Beatles - As marchinhas eram pequenas reportagens, sempre divertidas, quase sempre esculhambativas, críticas, dos acontecimentos do ano anterior. Cabeleira do Zezé (Roberto Faissal e João Roberto Kelly) comentava no carnaval de 1964, o estouro cabeludo dos Beatles em 1963 com I wanna hold your hand. Gegê, de Eduardo Souto, quando falava que ''o seu pedido já foi, meu bem, despachado'', fazia caricatura da distribuição de empregos por Getúlio Vargas.

As músicas são apresentadas em suas gravações originais, com ótima qualidade de som, e revelam uma enorme quantidade de clássicos da MPB produzidos especialmente para o carnaval. Fala Mangueira, de 1956, samba de Mirabeau e Milton de Oliveira, com Ângela Maria, está entre as melhores que cantam o morro carioca. Confete, de 1952, de J. Júnior é uma das mais clássicas, e a última, para o carnaval, de Francisco Alves.

As faixas dos novos CDs obedecem ao mesmo critério de seleção dos outros discos da coleção. Sucessos fundamentais da festa, como Odete, de 1944, com o Trio de Ouro (atenção para o apito de Herivelto Martins e o solo de Dalva de Oliveira), e Implorar, de 1935 (atenção para o arranjo de Pixinguinha e a voz sem breque de Moreira da Silva) cruzam com marchas, sambas e frevos que não tiveram qualquer destaque nas ruas e salões - mas são saborosíssimos.

Em Bairros de Pequim, de 1948, aprende-se, por exemplo, que ''Existem em Pequim/ dois bairros, Fu e Lu/ que nem aqui no nosso/ São Cristóvão e Grajaú''. A polícia recolheu o compacto (do outro lado havia a catita Comprei um Buda) por temer que os foliões incluíssem palavras que não constassem da letra original. Deliciosa também era a O soro e os velhinhos, marcha de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, de 1950. O laboratório Pfizer, que hoje produz o Viagra, podia muito bem adotá-la como jingle: ''O soro vai ser um maná/ Os velhos velhinhos/ Vão ser outra vez brotinhos''.

Carnaval, sua história, sua glória é ainda uma boa oportunidade para se reencontrar grandes intérpretes esquecidos da MPB. No volume 20, Jorge Veiga, o caricaturista do samba, dá o tradicional show de malícia e divisão rítmica em Eu quero rosetar (''Por um carinho seu minha cabrocha/ Eu vou até a Irajá'').

No volume 21, com A hora é boa, o Bando da Lua revela o pique e alto astral que fariam Carmen Miranda convidá-los para longa temporada nos Estados Unidos. Na letra, Aloysio de Oliveira dá uma de Guimarães Rosa e inventa palavra sem qualquer sentido hoje e, segundo os estudiosos, na época também: ''A hora é boa/ pra virar pangaio/ no meio desse povaréu''.

Protesto - No volume 22, Blecaute, com voz personalíssima, faz o protesto social de Pedreiro Waldemar, de 1949, o mesmo ano em que apresentou a divertida General da banda: ''O Waldemar que é mestre no ofício/ constrói um edifício e depois não pode entrar''.

As marchinhas desapareceram com a popularização dos sambas de enredo no final dos anos 60 e hoje, com a decadência deste gênero também, o Monobloco precisou sair pelas ruas do Jardim Botânico no domingo animado pelo repertório pop de Raul Seixas. A cidade, sem chororô nostálgico, mudou e descobriu outros prazeres. Veja as fotos de carnaval na Rio Branco de Marcel Gautherot, em exposição no Instituto Moreira Salles, e ouça os divertidos documentos históricos, essência da carioquice, que são os CDs de Carnaval, sua história, sua glória.

Na mais antiga faixa dos três discos, Dondoca, de 1927, exalta-se como padrão de beleza a mulher de carnes moles. ''Não treme tanto a gelatina/ que o caldo entorna na terrina'', canta Gomes Júnior. Setenta e cinco anos antes das gatas musculosas do Monobloco cantava-se - e é preciso reverenciá-la para sempre na memória - o rebolar maravilha da mulher gelatina.

por: Joaquim Ferreira dos Santos

Fontes: Jornal do Brasil de 29.01.2002; Carnaval, sua história, sua glória, volumes 20, 21 e 22 - Revivendo (www.revivendomusicas.com.br);
http://www.samba-choro.com.br/s-c/tribuna/samba-choro.0201/1116.html.

O Rio revive nas marchinhas

Havia uma garota, em 1942, cujo beijo era uma bomba de Stuka. Havia uma outra, em 1937, a Sebastiana, que, debaixo de um abraço, só se sentia carne, não se sentia osso. Só não havia pelo menos em 1955, uma Miss Brasil crioula do Morro da Favela - porque, se houvesse seu Joaquim apoiava ela.

Marchinha é a maneira mais bem-humorada de se conhecer a história do Rio de Janeiro na primeira metade do século passado e a gravadora Revivendo, com o lançamento de mais três CDs, chega ao número 22, mais de 450 músicas, da série Carnaval, sua história, sua glória. Um flagrante sonoro irretocável da famosa - ''é ou não é, piada de salão?'' - alma carioca das ruas.

Stuka, do beijo, era um avião militar alemão de mergulho na marchinha Dona Santa não é santa, de Humberto Teixeira. Mostrava que, pelo menos no início de 42, a guerra vista do Rio ainda despertava o riso. Sebastiana, dos irmãos Valença, curtia nonsense puro mas revelava que magricelas já não tinham vez.

Miss Criôla, de Arnô Provenzano e O. Lopes, pegava carona num dos grandes assuntos do final de 1954, o segundo lugar de Marta Rocha no Miss Universo. Mostra que o vocabulário politicamente correto, ao contrário das polegadas a mais, não estava na moda.

Beatles - As marchinhas eram pequenas reportagens, sempre divertidas, quase sempre esculhambativas, críticas, dos acontecimentos do ano anterior. Cabeleira do Zezé (Roberto Faissal e João Roberto Kelly) comentava no carnaval de 1964, o estouro cabeludo dos Beatles em 1963 com I wanna hold your hand. Gegê, de Eduardo Souto, quando falava que ''o seu pedido já foi, meu bem, despachado'', fazia caricatura da distribuição de empregos por Getúlio Vargas.

As músicas são apresentadas em suas gravações originais, com ótima qualidade de som, e revelam uma enorme quantidade de clássicos da MPB produzidos especialmente para o carnaval. Fala Mangueira, de 1956, samba de Mirabeau e Milton de Oliveira, com Ângela Maria, está entre as melhores que cantam o morro carioca. Confete, de 1952, de J. Júnior é uma das mais clássicas, e a última, para o carnaval, de Francisco Alves.

As faixas dos novos CDs obedecem ao mesmo critério de seleção dos outros discos da coleção. Sucessos fundamentais da festa, como Odete, de 1944, com o Trio de Ouro (atenção para o apito de Herivelto Martins e o solo de Dalva de Oliveira), e Implorar, de 1935 (atenção para o arranjo de Pixinguinha e a voz sem breque de Moreira da Silva) cruzam com marchas, sambas e frevos que não tiveram qualquer destaque nas ruas e salões - mas são saborosíssimos.

Em Bairros de Pequim, de 1948, aprende-se, por exemplo, que ''Existem em Pequim/ dois bairros, Fu e Lu/ que nem aqui no nosso/ São Cristóvão e Grajaú''. A polícia recolheu o compacto (do outro lado havia a catita Comprei um Buda) por temer que os foliões incluíssem palavras que não constassem da letra original. Deliciosa também era a O soro e os velhinhos, marcha de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, de 1950. O laboratório Pfizer, que hoje produz o Viagra, podia muito bem adotá-la como jingle: ''O soro vai ser um maná/ Os velhos velhinhos/ Vão ser outra vez brotinhos''.

Carnaval, sua história, sua glória é ainda uma boa oportunidade para se reencontrar grandes intérpretes esquecidos da MPB. No volume 20, Jorge Veiga, o caricaturista do samba, dá o tradicional show de malícia e divisão rítmica em Eu quero rosetar (''Por um carinho seu minha cabrocha/ Eu vou até a Irajá'').

No volume 21, com A hora é boa, o Bando da Lua revela o pique e alto astral que fariam Carmen Miranda convidá-los para longa temporada nos Estados Unidos. Na letra, Aloysio de Oliveira dá uma de Guimarães Rosa e inventa palavra sem qualquer sentido hoje e, segundo os estudiosos, na época também: ''A hora é boa/ pra virar pangaio/ no meio desse povaréu''.

Protesto - No volume 22, Blecaute, com voz personalíssima, faz o protesto social de Pedreiro Waldemar, de 1949, o mesmo ano em que apresentou a divertida General da banda: ''O Waldemar que é mestre no ofício/ constrói um edifício e depois não pode entrar''.

As marchinhas desapareceram com a popularização dos sambas de enredo no final dos anos 60 e hoje, com a decadência deste gênero também, o Monobloco precisou sair pelas ruas do Jardim Botânico no domingo animado pelo repertório pop de Raul Seixas. A cidade, sem chororô nostálgico, mudou e descobriu outros prazeres. Veja as fotos de carnaval na Rio Branco de Marcel Gautherot, em exposição no Instituto Moreira Salles, e ouça os divertidos documentos históricos, essência da carioquice, que são os CDs de Carnaval, sua história, sua glória.

Na mais antiga faixa dos três discos, Dondoca, de 1927, exalta-se como padrão de beleza a mulher de carnes moles. ''Não treme tanto a gelatina/ que o caldo entorna na terrina'', canta Gomes Júnior. Setenta e cinco anos antes das gatas musculosas do Monobloco cantava-se - e é preciso reverenciá-la para sempre na memória - o rebolar maravilha da mulher gelatina.

por: Joaquim Ferreira dos Santos

Fontes: Jornal do Brasil de 29.01.2002; Carnaval, sua história, sua glória, volumes 20, 21 e 22 - Revivendo (www.revivendomusicas.com.br);
http://www.samba-choro.com.br/s-c/tribuna/samba-choro.0201/1116.html.

sábado, 22 de novembro de 2008

Andorinha

Andorinha (marcha/carnaval, 1941) - Haroldo Barbosa e Herivelto Martins

Andorinha
Teu verão está longe
Longe está o meu amor
Eu canto, eu choro
E a saudade me traz
Andorinha
Bailarina serena
A saudade de alguém que partiu
Como andorinha que fugiu

Bailarina serena que traça no espaço
Uma doce esperança
Esperança brejeira que traz
A saudade primeira
De alguém que partiu
Andorinha feliz
Que o destino não quis
Devo me conformar
Sou andorinha ferida na estrada da vida
Não posso voar

Andorinha

Andorinha (marcha/carnaval, 1941) - Haroldo Barbosa e Herivelto Martins

Andorinha
Teu verão está longe
Longe está o meu amor
Eu canto, eu choro
E a saudade me traz
Andorinha
Bailarina serena
A saudade de alguém que partiu
Como andorinha que fugiu

Bailarina serena que traça no espaço
Uma doce esperança
Esperança brejeira que traz
A saudade primeira
De alguém que partiu
Andorinha feliz
Que o destino não quis
Devo me conformar
Sou andorinha ferida na estrada da vida
Não posso voar

Boca negra

Boca negra (marcha/carnaval, 1949) - Antônio Almeida e Alberto Ribeiro

Boca-Negra deixou a maloca
Saiu da toca
E veio ao Rio passear
Chegou, olhou, provou mas não gostou
Seu Carioca, pra maloca eu vou voltar

[2x]

Lá na minha tribo é bem melhor do que aqui
Vivo cantando o Guarani
Trá-lá-lá-lá-lá
Pra viver assim de tanga
Eu vivo lá!

Boca negra

Boca negra (marcha/carnaval, 1949) - Antônio Almeida e Alberto Ribeiro

Boca-Negra deixou a maloca
Saiu da toca
E veio ao Rio passear
Chegou, olhou, provou mas não gostou
Seu Carioca, pra maloca eu vou voltar

[2x]

Lá na minha tribo é bem melhor do que aqui
Vivo cantando o Guarani
Trá-lá-lá-lá-lá
Pra viver assim de tanga
Eu vivo lá!