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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A valsa de quem não tem amor

Nelson Gonçalves
A valsa de quem não tem amor (valsa, 1945) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui

Título da música: A valsa de quem não tem amor / Gênero musical: Valsa / Intérprete: Nelson Gonçalves / Compositores: Mesquita, Custódio - Rui, Evaldo / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800270 / Data de Gravação 00/1945 / Data de Lançamento 00/1945 / Lado B / Disco 78 rpm


Sem ninguém, sem ter confidente
Pra contar os meus desenganos
Passam-se os dias e os anos
Sem ninguém, sem sonhos, sem amor
Sem beijos, sem calor
Dos braços de quem se quer bem

Minhas noites são fatais
Meus dias são iguais
Tão só sem ter ninguém
Minha imaginação distrai meu coração
Que vive na ilusão
De um dia amar alguém

Nesta imensa solidão
A minha confissão ecoa tristemente
Cantarei sozinho imerso em minha dor
A volta de quem não tem amor

Nesta imensa solidão
A minha confissão ecoa tristemente
Cantarei sozinho imerso em minha dor
A volta de quem não tem amor

sábado, 4 de dezembro de 2010

Olhos negros

Nelson Gonçalves
Olhos negros (fox, 1943) - Ari Monteiro e Custódio Mesquita

Título da música: Olhos negros / Gênero musical: Fox / Intérprete: Nelson Gonçalves / Compositores: Monteiro, Ari - Mesquita, Custódio / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800066 / Data de Gravação 00/1943 / Data de Lançamento 00/1943 / Lado B / Disco 78 rpm


Olhos negros, lindos olhos
São como escolhos na tormenta de um coração
Olhos negros, perdição
Faróis traiçoeiros fizeram prisioneiros
Meus olhos cheios de paixão

Olhos negros
Tão tristes como o teu olhar
Só existe as noites tristes sem luar
Olhos negros, que de paixão
Me fazem morrer
E mesma assim são toda a razão
Do meu viver

Olhos negros, que de paixão
Me fazem morrer
E mesma assim são toda a razão
Do meu viver

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Voltarás

Nelson Gonçalves
Voltarás (fox-canção, 1945) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui

Título da música: Voltarás / Gênero musical: Fox / Intérprete: Nelson Gonçalves / Compositores: Mesquita, Custódio - Rui, Evaldo / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800270 / Data de Gravação 00/1945 / Data de Lançamento 00/1945 / Lado: lado A / Acervo Humberto Franceschi / Rotações Disco 78 rpm:


Voltarás
Hás de voltar um dia...

Esquecerás
A louca fantasia
Que afastou teu amor
Pra tão londe de mim
Que roubou-me o calor
Do teu peito sem fim...

São meus os teus momentos
De nostalgia
São teus meus pensamentos
E a minha alegria
A tempestadade há de passar
Não vês que o sol já se anuncia...

Voltarás
Hás de voltar um dia...

São meus os teus momentos
De nostalgia
São teus meus pensamentos
E a minha alegria
A tempestadade há de passar
Não vês que o sol já se anuncia...

Voltarás

Hás de voltar um dia...

Voltarás

Nelson Gonçalves
Voltarás (fox-canção, 1945) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui

Título da música: Voltarás / Gênero musical: Fox / Intérprete: Nelson Gonçalves / Compositores: Mesquita, Custódio - Rui, Evaldo / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800270 / Data de Gravação 00/1945 / Data de Lançamento 00/1945 / Lado: lado A / Acervo Humberto Franceschi / Rotações Disco 78 rpm:


Voltarás
Hás de voltar um dia...

Esquecerás
A louca fantasia
Que afastou teu amor
Pra tão londe de mim
Que roubou-me o calor
Do teu peito sem fim...

São meus os teus momentos
De nostalgia
São teus meus pensamentos
E a minha alegria
A tempestadade há de passar
Não vês que o sol já se anuncia...

Voltarás
Hás de voltar um dia...

São meus os teus momentos
De nostalgia
São teus meus pensamentos
E a minha alegria
A tempestadade há de passar
Não vês que o sol já se anuncia...

Voltarás

Hás de voltar um dia...

sábado, 1 de agosto de 2009

A MPB e o fox-trot dos anos 30 e 40

"O samba se tornou mais samba depois que Noel Rosa criou algumas das suas originais melodias. Era no tempo em que o nosso conjunto regional constituía uma esperança de organização instrumental típica, ou seja, um anseio de realização para aqueles que viam como bom aquilo que poderia não ser compreendido pelos outros povos e capaz de se tornar exótico (...).

Contribuía para a dificuldade de aceitação, o fato de ser o nosso ritmo difícil para os executantes de outras terras, acrescentando-se ainda que não se chegou a escrever instrumentações para o referido agrupamento (...).

Se a possibilidade contrapontística desta espécie de conjunto era enorme, a sua harmonia era relativamente pobre – se levarmos em conta a invasão da música americana de após 1914, em todos os países, bem orquestrada e com certo ritmo mais ou menos acessível, facilitando a sua execução.

Ora, o fato de assimilar-se o estilo de música de um país estranho, por qualquer que seja a sua música popular, constitui sempre um problema. Os ianques por questões de seu poderio econômico (editoras, fonógrafos, orquestras oficiosas e, posteriormente, cinema e rádio) impuseram sua música ao mundo e, mais recentemente, a música de outros povos (...)"


(Trecho de um artigo de Guerra Peixe para a revista Música Viva, 1947)

A música americana começou a entrar de maneira mais abundante no Brasil a partir da segunda década do século XX (Na foto: Custódio Mesquita). A relação dessa produção artística com a música brasileira, cremos, tem sido tratada de maneira superficial pela historiografia e musicologia brasileira e, entretanto foram muitos os compositores daqui que escreveram foxes principalmente nos anos 30 e a primeira metade dos anos 40. Esses autores ora explicitavam a forma no subtítulo em inglês, fox-trot, fox, fox-blue, canção blue ora "nacionalizavam" a subtitulação indicando fox-canção ou simplesmente foxe a denotar o correspondente brasileiro.

No seu livro A canção no tempo, volume I, Jairo Severiano inclui como sucesso de 1923 o fox Vênus, de José Francisco de Freitas e, em 1924, o Cigano, fox-canção de Marcelo Tupinambá e João do Sul, esta composição, como a outra, seguia "a moda de músicas sobre motivos exóticos, que imperava na época". Vale a pena nos determos um pouco, ainda que ilustrativamente, nesta composição.

Melodia de Marcelo Tupinambá (nome artístico do compositor paulista Fernando Lobo), é feita em "estilo andaluz", tendo sido regravada por Francisco Alves em 1946. Tupinambá ululava sobre o indubitável sucesso da melodia desde que fora lançada: 100.000 partes de piano entre 1924 e1946 (Severiano, 1997: 66).

Ressalta de imediato nesta gravação o fato de que ela muito pouco ou nada faz lembrar o estilo de dança que vulgarmente identificamos como foxetrote. A explicação possível poderia ater-se a alguns vários argumentos. Mas à primeira audição somos levados a pensar que o estilo ainda não tinha sido devidamente absorvido pelos músicos, mormente os acompanhadores. O fato é que o esquema do acompanhamento do piano é nitidamente devedor da fórmula típica de acompanhamento da polca. A comparação com aquela outra gravação, 23 anos depois, por Francisco Alves, em 1946, parece não deixar margem para dúvidas. Uma outra explicação pode ser de razão editorial porquanto sabidamente este período é fortemente marcado por uma certa busca do exótico. Severiano tem toda razão quando alude ao seu "estilo andaluz" e não é à toa que Tupinambá ufanava-se do sucesso de vendas de partituras.

Formalmente o Cigano tem forma [A][B] com quadratura regular fraseológica sendo a primeira parte em menor com modulação para o relativo maior da parte B. O arranjo, se é que assim podemos chamá-lo, consiste de um monótono uníssono entre flauta, clarinete e a melodia cantada por Vicente Celestino. Resta lembrar que esta gravação pertence à fase mecânica do registro em discos no Brasil. Indubitavelmente todas essas peculiaridades apontam para condições embrionárias de desenvolvimento desse estilo na composição popular brasileira.

Talvez o foxe canção Cantor do Rádio de Custódio Mesquita com letra do "Dr. J. Marques" resuma um pouco o quadro de aportes com os quais poderiam ter dialogado os nossos autores. Era 1933.

"Eu sou o cantor do rádio / Cantor que nunca viste / E que não verás jamais / Sou a melodia triste / Os tangos sentimentais / O blue, o samba-canção / Que vêm do espaço / Pela estrada da amplidão / Emocionar os teus sentidos / Acarinhar os teus ouvidos / Fazer vibrar teu coração

Mulher amada, fantasiada / Pelo meu sonho emocional / Ouve o tristonho cantor do rádio / Nesta balada sentimental / De onde és tu? / Lyon, Corrientes? / Talvez do Leme, de Honolulu... / Mas yo te quiero, moi je táime / Amo-te muito, I love you"

As presunções a respeito de uma possível "influência" do fox-trot sobre a música popular brasileira é contemporânea da maior disseminação do estilo no Brasil. É assim que, por exemplo, o choro-canção Carinhoso, de Pixinguinha, gravado em dezembro de 1928 pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, na gravadora Parlophon, recebeu uma crítica nada abonadora dos comentaristas da revista PhonoArte:

"parece que o nosso popular compositor anda sendo influenciado pelos ritmos e melodias do jazz. É o que temos notado desde algum tempo e mais uma vez neste seu choro, cuja introdução é um verdadeiro fox-trot e que, no seu decorrer, apresenta combinações de música popular yankee. Não nos agradou"

Jairo Severiano, a propósito do comentário que faz para Dor de recordar (foxe-canção, 1930) de Joubert de Carvalho e do "imortal" e compositor bissexto Olegário Mariano, afirma que a música americana invadiu "nossas lojas de discos no final dos anos 20, implantando a moda do fox-trot". O "nacional" Dor de recordar nada ficava a dever, diz ele, aos melhores foxes americanos da época como My blue heaven e You were meant for me (Severiano, 1997: 99).

Segundo Eric Hobsbawm sem o fox-trot , "o triunfo do jazz híbrido na música pop teria sido impossível" numa medida semelhante ao avanço de ritmos latino-americanos respaldados no tango por ocasião da Primeira Grande Guerra. Nesse sentido deveremos considerar a presença do foxetrote entre nós como a presença mesmo da música americana de jazz e mesmo que seja na forma de música de jazz híbrido como a classifica o historiador inglês (Hobsbawm, 1996: 63-83). Justificamos tal consideração recorrendo à didática divisão que este autor apresenta ao analisar a expansão do jazz. Para ele, a primeira fase do jazz vai de 1900 a 1917, quando se tornou a linguagem musical da música popular negra em toda a América do Norte; daí até 1929, sua forma "estrita" se expandiu pouco, mas é "quando uma infusão de jazz altamente diluída se tornou a linguagem dominante na música de dança ocidental urbana e nas canções populares"; de 1929 até 1941 o jazz conquista a Europa (embora um público ainda minoritário) e músicos de avant-garde e "uma forma bem mais diluída de jazz (swing) entrou para a música pop de maneira permanente." É somente depois de 1941 que ocorre o verdadeiro "triunfo internacional" do jazz e a "penetração de linguagens ainda mais puras de jazz na música pop – jazz de N. Orleans, jazz moderno avant-garde e os blues country e gospel." (Hobsbawm, 1997: 63)

De sorte que o escopo temporal da pesquisa concorre, em relação à música de jazz, com aquilo que Hobsbawm descreve como "fase antiga" e "período médio". O "antigo" refere-se ao jazz no estilos New Orleans, Dixieland, Chicago e Nova York, "música de pequenos conjuntos de improvisação, com arranjos rudimentares de cantores de blues e pianistas". No período médio tem-se uma música essencialmente "para orquestras comerciais maiores, com os virtuoses a que deram ensejo". Essa divisão está de acordo com Bellest e Malson para os quais "os agrupamentos maiores se impuseram (...) no final dos anos 20, preparando assim a época das grandes orquestras –e dos arranjadores – que atingiu seu auge com Basie" (Bellest,1989:59). Conforme se sabe, é exatamente a partir do final dos anos 20 que apelos reivindicatórios com vistas a "orquestração da nossa música popular" se tornam mais freqüentes (Braga, 2002).

Compor foxes foi uma atividade bastante significativa na produção do compositor popular brasileiro e como tal necessita de um estudo abrangente porquanto cremos que essa relação foi importante no desenvolvimento geral da composição urbana brasileira que dominava na "indústria cultural" do tempo. Recentemente tivemos oportunidade de ler uma pequena biografia do músico Custódio Mesquita por Bruno F Gomes e um trabalho de doutorado de Orlando Barros no qual a figura do compositor de Rosa de maio é enfatizada. Em ambos, por um motivo ou por outro, se é considerada a importância das possíveis contribuições da música americana e em particular do fox-trot para a música brasileira, isto é feito apenas ilustrativamente.

Discografia brasileira do fox-trot

Segundo o comentarista/apresentador da coleção No tempo do Fox da gravadora Revivendo, o "apogeu do fox-trot no Brasil se deu no final dos anos 30 e já possuía nitidamente características bem brasileiras." Destacamos as 42 peças componentes da coleção, algumas delas retumbantes "sucessos".

RVCD-041 - No Tempo do Fox - Vários Intérpretes

1. HEI DE VER-TE UM DIA - Francisco Alves - 3'22"
2. RENÚNCIA - Nelson Gonçalves - 2'44"
3. MEU GRANDE AMOR - Castro Barbosa e Dircinha Batista - 2'59"
4. DÁ-ME TUAS MÃOS... - Orlando Silva - 2'52"
5. TUDO CABE NUM BEIJO - Manoel Reis - 2'29"
6. MULHER - Sylvio Caldas - 2'48"
7. SEGREDOS - Carlos Galhardo - 2'56"
8. QUERES MENTIR - Gilberto Alves - 3'01"
9. EMCONTRI-TE AFINAL - Sebastião Pinto - 3'02"
10. VOCÊ SÓ... MENTE - Aurora Miranda e Francisco Alves - 3'06"
11. NÃO TROQUEMOS DE MAL - Newton Teixeira - 3'07"
12. ZÍNGARO - Orlado Silva - 2'53"
13. LOURA OU MORENA - Paulo e Haroldo Tapajós - 2'53"
14. AUSÊNCIA - Sylvio Caldas - 2'49"
15. INCERTEZA - Carlos Galhardo - 3'04"
16. ADEUS - Gilberto Alves - 3'07"
17. BISAREI ESTA CANÇÂO - Moraes Neto - 2'43"
18. MARILENA - Francisco Alves - 2'47"
19. NOITE DE LUA - Nelson Gonçalves - 2'43"
20. ERA UMA VEZ... - Arnaldo Amaral e Neide Martins 3'02"
21. NADA ALÉM - Orlando Silva - 3'34"
TOTAL: 62'01"

RVCD-085
NO TEMPO DO FOX Vol. 2
Vários Intérpretes

1. DOR DE RECORDAR - (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano) -
Francisco Alves - 2'47"
2. QUININHA - (J. M. de Abreu e Castelo Neto) - Moacyr Bueno Rocha
- 2'35"
3. TENS NO OLHAR A MINHA INSPIRAÇÃO - (Nelson L. Pereira) - Carlos
Roberto - 2'57"
4. MINHA CONSOLAÇÃO - (Gomes Júnior e J. Oliveira) - Jayme Vogeler
- 2'58"
5. VOLTA - (Custódio Mesquita) - Orlando Silva - 3'04"
6. O DIA EM QUE CONHECI - (Aloysio da Silva Araújo) - Jorge
Fernandes e Domanar - 3'09"
7. APAIXONEI-ME OUTRA VEZ - (Georges Moran e O. Santiago) -
Roberto Paiva - 3'06"
8. VEM AMOR! - (Saint-Clair Senna) - Gastão Formenti - 3'05"
9. NOSSA COMÉDIA - (Custódio Mesquita e Ewaldo Ruy) - Nelson
Gonçalves - 2'54"
10. PRÍNCIPE - (Joubert de Carvalho e Hélio Silveira) - Francisco
Alves - 2'35"
11. NÃO POSSO TE DIZER ADEUS - (Silvino Neto) - Nuno Roland - 2'53"
12. PERFIL - (Roberto Martins e Mário Rossi) - Carlos Galhardo -
2'14"
13. CHOREI - (Newton Teixeira e Mário Rossi) - Newton Teixeira -
2'58"
14. QUANTO CUSTA UMA ILUSÃO - (Oswaldo Santiago e M. de Oliveira) -
Nilton Paz - 3'12"
15. TUDO EM VÃO - (Roberto Martins e David Násser) - Nelson
Gonçalves - 2'44"
16. AI! SE EU PUDESSE! - (Glauco Viana) - Castro Barbosa - 2'57"
17. SIM OU NÃO - (Custódio Mesquita e Ewaldo Ruy) - Sylvio Caldas -
3'00"
18. CANTOR DO RÁDIO - (Custódio Mesquita e Paulo Roberto) - João
Petra - 2'54"
19. DESPEDIDA - (Tito Ramos) - Gilberto Alves - 2'57"
20. NOSSA MELODIA - (Carolina Cardoso de Menezes e J. C. Lisboa) -
Francisco Alves - 3'16"
21. NANÁ - (Custódio Mesquita/Jardel e Geysa Bôscoli) - Orlando
Silva - 2'54"

TOTAL: 61'09"

Fonte: http://www.domain.adm.br/dem/pesquisa/braga/foxtrot.html

A MPB e o fox-trot dos anos 30 e 40

"O samba se tornou mais samba depois que Noel Rosa criou algumas das suas originais melodias. Era no tempo em que o nosso conjunto regional constituía uma esperança de organização instrumental típica, ou seja, um anseio de realização para aqueles que viam como bom aquilo que poderia não ser compreendido pelos outros povos e capaz de se tornar exótico (...).

Contribuía para a dificuldade de aceitação, o fato de ser o nosso ritmo difícil para os executantes de outras terras, acrescentando-se ainda que não se chegou a escrever instrumentações para o referido agrupamento (...).

Se a possibilidade contrapontística desta espécie de conjunto era enorme, a sua harmonia era relativamente pobre – se levarmos em conta a invasão da música americana de após 1914, em todos os países, bem orquestrada e com certo ritmo mais ou menos acessível, facilitando a sua execução.

Ora, o fato de assimilar-se o estilo de música de um país estranho, por qualquer que seja a sua música popular, constitui sempre um problema. Os ianques por questões de seu poderio econômico (editoras, fonógrafos, orquestras oficiosas e, posteriormente, cinema e rádio) impuseram sua música ao mundo e, mais recentemente, a música de outros povos (...)"


(Trecho de um artigo de Guerra Peixe para a revista Música Viva, 1947)

A música americana começou a entrar de maneira mais abundante no Brasil a partir da segunda década do século XX (Na foto: Custódio Mesquita). A relação dessa produção artística com a música brasileira, cremos, tem sido tratada de maneira superficial pela historiografia e musicologia brasileira e, entretanto foram muitos os compositores daqui que escreveram foxes principalmente nos anos 30 e a primeira metade dos anos 40. Esses autores ora explicitavam a forma no subtítulo em inglês, fox-trot, fox, fox-blue, canção blue ora "nacionalizavam" a subtitulação indicando fox-canção ou simplesmente foxe a denotar o correspondente brasileiro.

No seu livro A canção no tempo, volume I, Jairo Severiano inclui como sucesso de 1923 o fox Vênus, de José Francisco de Freitas e, em 1924, o Cigano, fox-canção de Marcelo Tupinambá e João do Sul, esta composição, como a outra, seguia "a moda de músicas sobre motivos exóticos, que imperava na época". Vale a pena nos determos um pouco, ainda que ilustrativamente, nesta composição.

Melodia de Marcelo Tupinambá (nome artístico do compositor paulista Fernando Lobo), é feita em "estilo andaluz", tendo sido regravada por Francisco Alves em 1946. Tupinambá ululava sobre o indubitável sucesso da melodia desde que fora lançada: 100.000 partes de piano entre 1924 e1946 (Severiano, 1997: 66).

Ressalta de imediato nesta gravação o fato de que ela muito pouco ou nada faz lembrar o estilo de dança que vulgarmente identificamos como foxetrote. A explicação possível poderia ater-se a alguns vários argumentos. Mas à primeira audição somos levados a pensar que o estilo ainda não tinha sido devidamente absorvido pelos músicos, mormente os acompanhadores. O fato é que o esquema do acompanhamento do piano é nitidamente devedor da fórmula típica de acompanhamento da polca. A comparação com aquela outra gravação, 23 anos depois, por Francisco Alves, em 1946, parece não deixar margem para dúvidas. Uma outra explicação pode ser de razão editorial porquanto sabidamente este período é fortemente marcado por uma certa busca do exótico. Severiano tem toda razão quando alude ao seu "estilo andaluz" e não é à toa que Tupinambá ufanava-se do sucesso de vendas de partituras.

Formalmente o Cigano tem forma [A][B] com quadratura regular fraseológica sendo a primeira parte em menor com modulação para o relativo maior da parte B. O arranjo, se é que assim podemos chamá-lo, consiste de um monótono uníssono entre flauta, clarinete e a melodia cantada por Vicente Celestino. Resta lembrar que esta gravação pertence à fase mecânica do registro em discos no Brasil. Indubitavelmente todas essas peculiaridades apontam para condições embrionárias de desenvolvimento desse estilo na composição popular brasileira.

Talvez o foxe canção Cantor do Rádio de Custódio Mesquita com letra do "Dr. J. Marques" resuma um pouco o quadro de aportes com os quais poderiam ter dialogado os nossos autores. Era 1933.

"Eu sou o cantor do rádio / Cantor que nunca viste / E que não verás jamais / Sou a melodia triste / Os tangos sentimentais / O blue, o samba-canção / Que vêm do espaço / Pela estrada da amplidão / Emocionar os teus sentidos / Acarinhar os teus ouvidos / Fazer vibrar teu coração

Mulher amada, fantasiada / Pelo meu sonho emocional / Ouve o tristonho cantor do rádio / Nesta balada sentimental / De onde és tu? / Lyon, Corrientes? / Talvez do Leme, de Honolulu... / Mas yo te quiero, moi je táime / Amo-te muito, I love you"

As presunções a respeito de uma possível "influência" do fox-trot sobre a música popular brasileira é contemporânea da maior disseminação do estilo no Brasil. É assim que, por exemplo, o choro-canção Carinhoso, de Pixinguinha, gravado em dezembro de 1928 pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, na gravadora Parlophon, recebeu uma crítica nada abonadora dos comentaristas da revista PhonoArte:

"parece que o nosso popular compositor anda sendo influenciado pelos ritmos e melodias do jazz. É o que temos notado desde algum tempo e mais uma vez neste seu choro, cuja introdução é um verdadeiro fox-trot e que, no seu decorrer, apresenta combinações de música popular yankee. Não nos agradou"

Jairo Severiano, a propósito do comentário que faz para Dor de recordar (foxe-canção, 1930) de Joubert de Carvalho e do "imortal" e compositor bissexto Olegário Mariano, afirma que a música americana invadiu "nossas lojas de discos no final dos anos 20, implantando a moda do fox-trot". O "nacional" Dor de recordar nada ficava a dever, diz ele, aos melhores foxes americanos da época como My blue heaven e You were meant for me (Severiano, 1997: 99).

Segundo Eric Hobsbawm sem o fox-trot , "o triunfo do jazz híbrido na música pop teria sido impossível" numa medida semelhante ao avanço de ritmos latino-americanos respaldados no tango por ocasião da Primeira Grande Guerra. Nesse sentido deveremos considerar a presença do foxetrote entre nós como a presença mesmo da música americana de jazz e mesmo que seja na forma de música de jazz híbrido como a classifica o historiador inglês (Hobsbawm, 1996: 63-83). Justificamos tal consideração recorrendo à didática divisão que este autor apresenta ao analisar a expansão do jazz. Para ele, a primeira fase do jazz vai de 1900 a 1917, quando se tornou a linguagem musical da música popular negra em toda a América do Norte; daí até 1929, sua forma "estrita" se expandiu pouco, mas é "quando uma infusão de jazz altamente diluída se tornou a linguagem dominante na música de dança ocidental urbana e nas canções populares"; de 1929 até 1941 o jazz conquista a Europa (embora um público ainda minoritário) e músicos de avant-garde e "uma forma bem mais diluída de jazz (swing) entrou para a música pop de maneira permanente." É somente depois de 1941 que ocorre o verdadeiro "triunfo internacional" do jazz e a "penetração de linguagens ainda mais puras de jazz na música pop – jazz de N. Orleans, jazz moderno avant-garde e os blues country e gospel." (Hobsbawm, 1997: 63)

De sorte que o escopo temporal da pesquisa concorre, em relação à música de jazz, com aquilo que Hobsbawm descreve como "fase antiga" e "período médio". O "antigo" refere-se ao jazz no estilos New Orleans, Dixieland, Chicago e Nova York, "música de pequenos conjuntos de improvisação, com arranjos rudimentares de cantores de blues e pianistas". No período médio tem-se uma música essencialmente "para orquestras comerciais maiores, com os virtuoses a que deram ensejo". Essa divisão está de acordo com Bellest e Malson para os quais "os agrupamentos maiores se impuseram (...) no final dos anos 20, preparando assim a época das grandes orquestras –e dos arranjadores – que atingiu seu auge com Basie" (Bellest,1989:59). Conforme se sabe, é exatamente a partir do final dos anos 20 que apelos reivindicatórios com vistas a "orquestração da nossa música popular" se tornam mais freqüentes (Braga, 2002).

Compor foxes foi uma atividade bastante significativa na produção do compositor popular brasileiro e como tal necessita de um estudo abrangente porquanto cremos que essa relação foi importante no desenvolvimento geral da composição urbana brasileira que dominava na "indústria cultural" do tempo. Recentemente tivemos oportunidade de ler uma pequena biografia do músico Custódio Mesquita por Bruno F Gomes e um trabalho de doutorado de Orlando Barros no qual a figura do compositor de Rosa de maio é enfatizada. Em ambos, por um motivo ou por outro, se é considerada a importância das possíveis contribuições da música americana e em particular do fox-trot para a música brasileira, isto é feito apenas ilustrativamente.

Discografia brasileira do fox-trot

Segundo o comentarista/apresentador da coleção No tempo do Fox da gravadora Revivendo, o "apogeu do fox-trot no Brasil se deu no final dos anos 30 e já possuía nitidamente características bem brasileiras." Destacamos as 42 peças componentes da coleção, algumas delas retumbantes "sucessos".

RVCD-041 - No Tempo do Fox - Vários Intérpretes

1. HEI DE VER-TE UM DIA - Francisco Alves - 3'22"
2. RENÚNCIA - Nelson Gonçalves - 2'44"
3. MEU GRANDE AMOR - Castro Barbosa e Dircinha Batista - 2'59"
4. DÁ-ME TUAS MÃOS... - Orlando Silva - 2'52"
5. TUDO CABE NUM BEIJO - Manoel Reis - 2'29"
6. MULHER - Sylvio Caldas - 2'48"
7. SEGREDOS - Carlos Galhardo - 2'56"
8. QUERES MENTIR - Gilberto Alves - 3'01"
9. EMCONTRI-TE AFINAL - Sebastião Pinto - 3'02"
10. VOCÊ SÓ... MENTE - Aurora Miranda e Francisco Alves - 3'06"
11. NÃO TROQUEMOS DE MAL - Newton Teixeira - 3'07"
12. ZÍNGARO - Orlado Silva - 2'53"
13. LOURA OU MORENA - Paulo e Haroldo Tapajós - 2'53"
14. AUSÊNCIA - Sylvio Caldas - 2'49"
15. INCERTEZA - Carlos Galhardo - 3'04"
16. ADEUS - Gilberto Alves - 3'07"
17. BISAREI ESTA CANÇÂO - Moraes Neto - 2'43"
18. MARILENA - Francisco Alves - 2'47"
19. NOITE DE LUA - Nelson Gonçalves - 2'43"
20. ERA UMA VEZ... - Arnaldo Amaral e Neide Martins 3'02"
21. NADA ALÉM - Orlando Silva - 3'34"
TOTAL: 62'01"

RVCD-085
NO TEMPO DO FOX Vol. 2
Vários Intérpretes

1. DOR DE RECORDAR - (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano) -
Francisco Alves - 2'47"
2. QUININHA - (J. M. de Abreu e Castelo Neto) - Moacyr Bueno Rocha
- 2'35"
3. TENS NO OLHAR A MINHA INSPIRAÇÃO - (Nelson L. Pereira) - Carlos
Roberto - 2'57"
4. MINHA CONSOLAÇÃO - (Gomes Júnior e J. Oliveira) - Jayme Vogeler
- 2'58"
5. VOLTA - (Custódio Mesquita) - Orlando Silva - 3'04"
6. O DIA EM QUE CONHECI - (Aloysio da Silva Araújo) - Jorge
Fernandes e Domanar - 3'09"
7. APAIXONEI-ME OUTRA VEZ - (Georges Moran e O. Santiago) -
Roberto Paiva - 3'06"
8. VEM AMOR! - (Saint-Clair Senna) - Gastão Formenti - 3'05"
9. NOSSA COMÉDIA - (Custódio Mesquita e Ewaldo Ruy) - Nelson
Gonçalves - 2'54"
10. PRÍNCIPE - (Joubert de Carvalho e Hélio Silveira) - Francisco
Alves - 2'35"
11. NÃO POSSO TE DIZER ADEUS - (Silvino Neto) - Nuno Roland - 2'53"
12. PERFIL - (Roberto Martins e Mário Rossi) - Carlos Galhardo -
2'14"
13. CHOREI - (Newton Teixeira e Mário Rossi) - Newton Teixeira -
2'58"
14. QUANTO CUSTA UMA ILUSÃO - (Oswaldo Santiago e M. de Oliveira) -
Nilton Paz - 3'12"
15. TUDO EM VÃO - (Roberto Martins e David Násser) - Nelson
Gonçalves - 2'44"
16. AI! SE EU PUDESSE! - (Glauco Viana) - Castro Barbosa - 2'57"
17. SIM OU NÃO - (Custódio Mesquita e Ewaldo Ruy) - Sylvio Caldas -
3'00"
18. CANTOR DO RÁDIO - (Custódio Mesquita e Paulo Roberto) - João
Petra - 2'54"
19. DESPEDIDA - (Tito Ramos) - Gilberto Alves - 2'57"
20. NOSSA MELODIA - (Carolina Cardoso de Menezes e J. C. Lisboa) -
Francisco Alves - 3'16"
21. NANÁ - (Custódio Mesquita/Jardel e Geysa Bôscoli) - Orlando
Silva - 2'54"

TOTAL: 61'09"

Fonte: http://www.domain.adm.br/dem/pesquisa/braga/foxtrot.html

domingo, 30 de março de 2008

Pretinho

Pretinho (samba, 1944) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui
Isaura Garcia

Pretinho não é gente
Vergonha da raça da gente de cor
E acha que a vida é um brinquedo
E usa no dedo um anel de doutor

Seu passo tem ginga de bamba
Na roda do samba
Tem fã pra xuxu
Nasceu lá no Largo do Estácio
É fã do pedaço
Não perde um Fla x Flu

Deixa essa gente andar falando
Você tem ponto de vista
Você tem opinião
Canta Pretinho, só mesmo cantando
Você desabafa e pra seu coração

Pretinho, farrapo de gente...

Pretinho

Pretinho (samba, 1944) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui
Isaura Garcia

Pretinho não é gente
Vergonha da raça da gente de cor
E acha que a vida é um brinquedo
E usa no dedo um anel de doutor

Seu passo tem ginga de bamba
Na roda do samba
Tem fã pra xuxu
Nasceu lá no Largo do Estácio
É fã do pedaço
Não perde um Fla x Flu

Deixa essa gente andar falando
Você tem ponto de vista
Você tem opinião
Canta Pretinho, só mesmo cantando
Você desabafa e pra seu coração

Pretinho, farrapo de gente...

Gira, gira, gira

Gira, gira, gira (valsa, 1944) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui
Carlos Galhardo

Foste embora, me deixaste
Nem sequer tua ausência senti
Não chorei, nem choraste
Tu não sofres e eu pouco sofri
Porque o mundo
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Anda o mundo a girar
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Tenho outra em teu lugar

Tantas voltas deu o mundo

Que eu cansei de tanto amar
( bis )

Nosso amor foi tão breve
Passageira, foi nossa ilusão
Não ficou, nem de leve
A saudade no meu coração

Porque o mundo
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Anda o mundo a girar
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Tenho outra em teu lugar

Tantas voltas deu o mundo
Que eu cansei de tanto amar
(bis)

Gira, gira, gira

Gira, gira, gira (valsa, 1944) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui
Carlos Galhardo

Foste embora, me deixaste
Nem sequer tua ausência senti
Não chorei, nem choraste
Tu não sofres e eu pouco sofri
Porque o mundo
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Anda o mundo a girar
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Tenho outra em teu lugar

Tantas voltas deu o mundo

Que eu cansei de tanto amar
( bis )

Nosso amor foi tão breve
Passageira, foi nossa ilusão
Não ficou, nem de leve
A saudade no meu coração

Porque o mundo
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Anda o mundo a girar
Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira...
Tenho outra em teu lugar

Tantas voltas deu o mundo
Que eu cansei de tanto amar
(bis)

quarta-feira, 26 de março de 2008

Algodão

Algodão (samba, 1944) - Custódio Mesquita e David Nasser
Sílvio Caldas

Nego não cantava não
Canto de nego é mandinga
Nego não chorava não
Choro de nego é suor
Nego não rezava não
Reza de nego é função
Nego não amava não
Amor de nego é perdição

Que é que nego fazia?
Tirava da terra fria
Dia e noite, noite e dia
Algodão, mais algodão

Ai, sai o branco
De onde vem os agasalho
Pra frieza dos reumatismo
Pras manias da Sinhá
De onde vem os lenço branco
Pra Sinhá moça chorá
De onde vem os pano preto
Pro Sinhô véio morrê
E os pano das bandeira
Pros sordado guerreá
De onde vem as renda branca
Pra fazê os enchová

Nego véio trabaiô
Dia e noite, noite e dia
Tirando da terra fria
Algodão mais algodão
Pra Nhô branco sê dotô

"E você, Preto Velho,
O que foi que ganhou?"

Eu consegui essa cabeça branca
Branca como o algodão
Que Preto véio prantô.

Algodão

Algodão (samba, 1944) - Custódio Mesquita e David Nasser
Sílvio Caldas

Nego não cantava não
Canto de nego é mandinga
Nego não chorava não
Choro de nego é suor
Nego não rezava não
Reza de nego é função
Nego não amava não
Amor de nego é perdição

Que é que nego fazia?
Tirava da terra fria
Dia e noite, noite e dia
Algodão, mais algodão

Ai, sai o branco
De onde vem os agasalho
Pra frieza dos reumatismo
Pras manias da Sinhá
De onde vem os lenço branco
Pra Sinhá moça chorá
De onde vem os pano preto
Pro Sinhô véio morrê
E os pano das bandeira
Pros sordado guerreá
De onde vem as renda branca
Pra fazê os enchová

Nego véio trabaiô
Dia e noite, noite e dia
Tirando da terra fria
Algodão mais algodão
Pra Nhô branco sê dotô

"E você, Preto Velho,
O que foi que ganhou?"

Eu consegui essa cabeça branca
Branca como o algodão
Que Preto véio prantô.

terça-feira, 25 de março de 2008

A vida em quatro tempos

A vida em quatro tempos (samba, 1943) - Paulo Orlando e Custódio Mesquita
Sílvio Caldas

Namorados numa rua
Sozinhos pela calçada
No céu, estrelas a lua
Na terra nós dois, mais nada.

Noivos em casa, anoitece
Beijos, abraços, ninguém
Voa o tempo e a gente esquece
O tempo que o tempo tem.

Casados. Igreja, abraços
Papai, Mamãe, despedida
Enfim sós, mil embaraços
Parou de repente a vida.

Depois a realidade
O tempo a correr... bebês...
Dez anos depois, nós dois
Não somos dois, somos dez !

A vida em quatro tempos

A vida em quatro tempos (samba, 1943) - Paulo Orlando e Custódio Mesquita
Sílvio Caldas

Namorados numa rua
Sozinhos pela calçada
No céu, estrelas a lua
Na terra nós dois, mais nada.

Noivos em casa, anoitece
Beijos, abraços, ninguém
Voa o tempo e a gente esquece
O tempo que o tempo tem.

Casados. Igreja, abraços
Papai, Mamãe, despedida
Enfim sós, mil embaraços
Parou de repente a vida.

Depois a realidade
O tempo a correr... bebês...
Dez anos depois, nós dois
Não somos dois, somos dez !

domingo, 13 de agosto de 2006

Quem será

Quem será (valsa, 1943) - Custódio Mesquita e David Nasser

Muita gente existe que pensa
Os mistérios do amor conhecer
Amo tanto e são tantos amores
Eu não sei qual devo escolher.

Quem será, quem será, quem será
A senhora da minha ilusão
Onde está, onde vive, onde mora
A dona do meu coração

Minha voz se transforma num grito
Percorrendo o azul da amplidão
Onde está, onde vive, onde mora
A dona do meu coração

Nossa comédia

Nelson Gonçalves
Nossa comédia (fox-blue, 1944) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui

Título da música: Nossa comédia / Gênero musical: Fox / Intérprete: Gonçalves, Nelson / Compositores: Mesquita, Custódio - Rui, Evaldo / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800194 / Data de Gravação 00/1944 / Data de Lançamento 00/1944 / Lado A / Disco 78 rpm


Termina aqui
Nossa comédia...
Sem briga e sem rancor...
Pois pressenti
Que uma tragédia
Seria o fim
Do nosso amor...

Pra que mentir
Já não me queres,
Não finjas mais,
Todas iguais,
São as mulheres.

Sempre inconstantes
Fúteis, banais
Desceu o pano,
Do desengano
Queres partir
Pra que mentir ?

No meu tempo de criança

No meu tempo de criança (marcha) - Custódio Mesquita

No meu tempo de criança
Brincando com os moleques da rua
Soltava o meu balão, pensando
Que ele iria até a lua
E quando o balão sumia e desaparecia
Pelo céu, na amplidão
Eu dava pulos de contente
Enganando a toda gente
Com a mentira da ilusão


Passaram-se os dias, os anos
Cruéis desenganos
Vieram em meu peito morar
E eu continuo a acreditar
Que chegue até você o meu olhar
Você não me vê
A lua também, não via o meu balão
Passou-se o meu tempo de criança
Mas não envelheceu, meu coração !

Mês de maio

Mês de maio (canção, 1942) - Custódio Mesquita e Edgar Proença

Maio dos noivos e das novenas
Maio dos lírios e dos missais
Maio das virgens, brancas e serenas
Maio dos sonhos, que não voltam mais

Céus estrelados, doces luares
Beijos de aroma pelos rosais
Maio dos noivos que se vão aos pares
Num terno e doce enlevo
De almas tão iguais.

Bater de asas por sobre os mares
Sonhos de poeta, mãos divinais
Doces saudades dos meus cismares,
Num mês de maio, que não volta mais.

Doutor em samba

Doutor em samba (samba, 1933) - Custódio Mesquita
Mário Reis


Sou doutor em samba
Quero ter o meu anel
Tenho esse direito
Como qualquer bacharel

Sou doutor em samba...

Vou cantar a vida inteira
Para meu samba vencer
É a causa brasileira
Que eu quero defender


Sou doutor em samba...

Só o samba me interessa
E me traz animação
Quero o meu anel depressa
Pra seguir a profissão

Só o samba me interessa...

Sou doutor em samba...

Casa de sopapo

Nelson Gonçalves
Casa de sopapo (samba, 1944) - Custódio Mesquita e Luiz Peixoto

Título da música: Casa de sopapo / Gênero musical: Samba / Intérprete: Nelson Gonçalves / Compositores: Mesquita, Custódio - Peixoto, Luiz / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800194 / Data de Gravação 00/1944 / Data de Lançamento 00/1944 / Lado B / Disco 78 rpm


Desta vez eu não escapo
De contigo me ajuntá !
Uma casa de sopapo
Já arrumei pra nóis morá

O ferreiro foi o sapo
Pedreiro tamanduá
O sagui mandou os trapo
Pra fazer nosso enxová,
O tatu os guardanapo,
As toalhas, o boi-tatá.
Pica-pau, deu uns fiapo de linha
Pra alinhavá...


E pra não viver de esmola
Nós precisa trabalhá
De dia, pito e viola
De noite, papo pro ar.

Mas na casa de sopapo
Só tem dois que pode entrá:
A chuva, pra bate papo,
E o vento, pra assobiá...