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quarta-feira, 7 de junho de 2006

A casinha da colina

A casinha da colina (1925) - Luiz Peixoto e Pedro de Sá Pereira

Aracy Cortes - 1924
A canção "A casinha da colina", em fins de 1926, apareceu no teatro de revista do Rio de Janeiro cantada pela vedete Araci Cortes, com versos do revistógrafo Luiz Peixoto, sobre arranjo musical do maestro Pedro de Sá Pereira.

A letra muito extensa dessa canção (nada menos de 42 versos distribuídos por quatro estrofes) fora publicada em 1926 no Almanaque de modinhas, trazendo uma indicação significativa: "Versos de Luiz Peixoto - Música arranjo de Pedro de Sá Pereira".

Arranjo, apenas, porque na realidade, a música de "A casinha da colina" era a mesma da canção mexicana de Othon e Llera intitulada "La casita", gravada pela primeira vez para a Victor norte-americana na interpretação de Alcides Brisceno (disco Victor nr. 73.943), e relançada em 1928 pela Brunswick, na voz de Gaston Flores, conservando o número da gravação original mexicana ou americana - Brunswick nr. 40.114-A.

Título da música: A casinha (Casinha da colina) / Gênero musical: canção popular /Intérprete: Sílvio Vieira / Gravadora Odeon / Número do Álbum 123116 / Data de Gravação 1925-1927 / Data de Lançamento 1925-1927 / Lado indefinido / Rotações Disco 76 rpm:



------------------------E
Você sabe de onde eu venho / Duma casinha que eu tenho
-------------------------B7
Fica dentro de um pomar / É uma casa pequenina

----------------------------------------------E-- B7-- E
Lá no alto da colina / De onde se ouve longe o mar
----------------------------------------------E7
Entre as palmeiras bizarras / Cantam todas as cigarras
-------------------------A------------ Am------------- E
Sob o por, de ouro, do sol / Do beiral vê-se o horizonte
---------------------------B7 -----------------------( E B7 E B7 )
No jardim canta uma fonte / E há na fonte um rouxinol

--------------E
Do jasmineiro tão branco / Tomba de leve no banco
---------------------------B7
A flor que ninguém colheu / No canteiro há uma rosinha
-----------------------------------------------E
No aprisco uma ovelhinha / E em casa, meu cão e eu.
--------------------------------------------E7
Junto à minha cabeceira / Minha santa padroeira
-----------------------A----------------- Am --------E
Que está sempre no altar / Cuida de mim, se adoeço
---------------------------B7 --------------------( E B7 E B7 )
Vela por mim se adormeço / E me acorda devagar . . . .

------E
Quando eu desço pela estrada / E olho a casa abandonada
-------------------------B7
Sinto ao vê-la, não sei o que . . . / Anda em tudo uma tristeza
-----------------------------------------------E
Como é triste a natureza / Com saudade de você.
-------------------------------------------------E7
Se você é minha amiguinha / Venha ver minha casinha
---------------------A-------------- Am---------- E
Minha santa e meu pomar / Meu cavalo é ligeiro
--------------------------B7----------------------- ( E B7 E B7)
É uma légua só de outeiro / Chega a tempo de voltar

E------------------------------------- E7
Mas, se acaso anoitecer / Tudo pode acontecer
-------------------A ---------------Am--------- E
Que será de mim depois / A casinha pequenina
---------------------B7----------------------- ( E B7 E )
Lá no alto da colina / Chega bem para nós dois . . . .



quarta-feira, 19 de abril de 2006

No Rancho Fundo

Elisa Coelho, cantora para quem
Ary dedicou No Rancho Fundo.
Este samba foi lançado pela cantora Araci Cortes em junho de 1930, na revista É do outro mundo. Na ocasião chamava-se "Este mulato vai ser meu" (com o subtítulo "Na Grota Funda"), e tinha letra do caricaturista J. Carlos (José Carlos de Brito Cunha, autor da revista).

Ouvindo a composição, Lamartine Babo achou ruins os versos "Na Grota Funda / na virada da montanha / só se conta uma façanha / do mulato da Raimunda".

Autorizado por Ary Barroso, escreveu nova letra ( "No Rancho Fundo / bem pra lá do fim mundo / onde a dor e a saudade / contam coisas da cidade..."), sendo o samba gravado por Elisa Coelho, no ano seguinte.

O lirismo nostálgico, que predomina na composição, já aparece na introdução instrumental dessa gravação, com o próprio Ary ao piano. A melodia, por sua vez, caminha suavemente em frases descendentes para um final melancólico, em perfeita sintonia com a letra. Quem não gostou da nova versão foi J. Carlos, que julgou a rejeição de sua letra uma desfeita, rompendo com Ary Barroso.

No Rancho Fundo (samba-canção, 1931) - Lamartine Babo e Ary Barroso

Sílvio Caldas
D
No rancho fundo /
Gb7 Bm
Bem pra lá do fim do mundo
Gb7
Onde a dor e a saudade/
G Em7 A7 D
Contam coisas da cidade....

D
No rancho fundo/
Gb7 Bm
De olhar triste e profundo
Gb7 G
Um moreno canta as mágoas
Em7 A7 D D
Tendo os olhos rasos dӇgua

B7 Gbm7 B7 Em
Pobre moreno / Que tarde no sereno
Gm7 Gbm7    Em7  A7       D
Espera a lua no terreiro/ Tendo o cigarro por companheiro
B7 Gbm7 B7 Em
Sem um aceno / Ele pega da viola
Gm7 D    Em7   A7 D Gm D
E a lua por esmola / Vem pro quintal deste moreno

D Gb7 Bm
No rancho fundo / Bem pra lá do fim do mundo
Gb7 G Em7    A7 D D
Nunca mais houve alegria/ Nem de noite e nem de dia
D Gb7 Bm
Os arvoredos/ Já não contam mais segredos
Gb7 G Em7     A7 D D
Que a última palmeira/ Já morreu na cordilheira

B7 Gbm7   B7 Em
Os passarinhos / Internaram-se nos ninhos
Gm7 D Bm7   Em7    A7      D    D
De tão triste essa tristeza/ Enche de treva a natureza
B7 Gbm7    B7   Em
Tudo por que ? / Só por causa do moreno
Gm7       D
Que era grande, hoje é pequeno
Em7     A7 D
Para uma casa de sapê

domingo, 16 de abril de 2006

Linda flor

Além de ser uma bela composição, "Linda Flor" entra para a história da música popular brasileira como o primeiro samba-canção a fazer sucesso. Mas até conquistar a preferência do público, esta composição recebeu três versões de diferentes letristas: a primeira, de Cândido Costa, com o título de "Linda flor", lançada por Dulce de Almeida na comédia A Verdade do Meio Dia e gravada por Vicente Celestino; a segunda, de Freire Júnior, com o título de Meiga Flor, gravada por Francisco Alves; e a terceira e definitiva, de Luiz Peixoto, cantada por Araci Cortes na revista Miss Brasil e no disco, com o título de Iaiá, mas que se tornou conhecida como Ai, Ioiô.

Na realidade, essa terceira versão só existiu porque Araci rejeitou as anteriores. Como a canção estava no repertório de Miss Brasil, o libretista da peça, Luiz Peixoto, teve de criar às pressas os novos versos, que foram escritos no intervalo de um ensaio, em pleno palco do Teatro Recreio.

Bem feminina, Linda Flor tem entre suas intérpretes algumas deusas da canção brasileira como Isaura Garcia, Elizeth Cardoso, Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Zezé Gonzaga e, naturalmente, Araci Cortes, que a popularizou. Como curiosidade, para os que acham que o termo "samba-canção" só surgiu em meados dos anos trinta, reproduzimos uma nota publicada no n° 16, de 30 de março de 1929, da revista Phonoarte: "Yayá (Linda Flor), o samba canção que todos conhecem e que, no último Carnaval, foi um dos seus mais ruidosos sucessos, acha-se impresso pela Casa Vieira Machado".

Linda flor (samba-canção, 1929) - Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto


Isaura Garcia
--------C--------- G7------ C
Ai Ioiô, eu nasci pra sofrer
--------G7------ A7-- A7/5+-------- Dm7 Bb7 Dm6
Fui oiá prá você / Meus oinho fechô
-----------------Bb7---- Dm Bb7 Dm6
E quando os oio eu abri
-----------Bb7----- G7
Quis gritá quis fugí
-----------------------C ---------Db0--------- Dm---- G7
Mas você não sei porque, você------ me chamou
--------C---------- G7----- C
Ai, Ioiô, tenha pena de mim
------------G7------ A7-------- A7/5+ -------Dm7 A7 Dm
Meu Senhor do Bon . . .fim pode inté se zangar
Ab--------------- C----- Bb7
Se Ele um dia sou . . .ber
-----------A7 -----D7 ---G7 ----C --Fm ---C
Que você é que é o Ioiô de Iaiá
------------------D7-------------- G
Chorei toda noi . . .te pensei
-----------B7----------------------- E7
Nos beijos de amor que eu te dei
------------------Am ----------D7----- G
Ioiô meu benzinho do meu cora . . .ção
--------E7 --------A7--------------- D7----- G
Me leva prá casa me deixa mais não
------------------D7----------- G
Chorei toda noi . . .te pensei
--------------------B7----------------- E7
Nos beijos de amor que eu te dei
-----------------Am ------------D7 ----------G
Ioiô meu benzi . . .nho / Do meu cora . . .ção
---------E7 ------A7 ------D7-------- G--- Cm--- G
Me leva prá casa me deixa mais não

Linda flor

Além de ser uma bela composição, "Linda Flor" entra para a história da música popular brasileira como o primeiro samba-canção a fazer sucesso. Mas até conquistar a preferência do público, esta composição recebeu três versões de diferentes letristas: a primeira, de Cândido Costa, com o título de "Linda flor", lançada por Dulce de Almeida na comédia A Verdade do Meio Dia e gravada por Vicente Celestino; a segunda, de Freire Júnior, com o título de Meiga Flor, gravada por Francisco Alves; e a terceira e definitiva, de Luiz Peixoto, cantada por Araci Cortes na revista Miss Brasil e no disco, com o título de Iaiá, mas que se tornou conhecida como Ai, Ioiô.

Na realidade, essa terceira versão só existiu porque Araci rejeitou as anteriores. Como a canção estava no repertório de Miss Brasil, o libretista da peça, Luiz Peixoto, teve de criar às pressas os novos versos, que foram escritos no intervalo de um ensaio, em pleno palco do Teatro Recreio.

Bem feminina, Linda Flor tem entre suas intérpretes algumas deusas da canção brasileira como Isaura Garcia, Elizeth Cardoso, Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Zezé Gonzaga e, naturalmente, Araci Cortes, que a popularizou. Como curiosidade, para os que acham que o termo "samba-canção" só surgiu em meados dos anos trinta, reproduzimos uma nota publicada no n° 16, de 30 de março de 1929, da revista Phonoarte: "Yayá (Linda Flor), o samba canção que todos conhecem e que, no último Carnaval, foi um dos seus mais ruidosos sucessos, acha-se impresso pela Casa Vieira Machado".

Linda flor (samba-canção, 1929) - Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto


Isaura Garcia
--------C--------- G7------ C
Ai Ioiô, eu nasci pra sofrer
--------G7------ A7-- A7/5+-------- Dm7 Bb7 Dm6
Fui oiá prá você / Meus oinho fechô
-----------------Bb7---- Dm Bb7 Dm6
E quando os oio eu abri
-----------Bb7----- G7
Quis gritá quis fugí
-----------------------C ---------Db0--------- Dm---- G7
Mas você não sei porque, você------ me chamou
--------C---------- G7----- C
Ai, Ioiô, tenha pena de mim
------------G7------ A7-------- A7/5+ -------Dm7 A7 Dm
Meu Senhor do Bon . . .fim pode inté se zangar
Ab--------------- C----- Bb7
Se Ele um dia sou . . .ber
-----------A7 -----D7 ---G7 ----C --Fm ---C
Que você é que é o Ioiô de Iaiá
------------------D7-------------- G
Chorei toda noi . . .te pensei
-----------B7----------------------- E7
Nos beijos de amor que eu te dei
------------------Am ----------D7----- G
Ioiô meu benzinho do meu cora . . .ção
--------E7 --------A7--------------- D7----- G
Me leva prá casa me deixa mais não
------------------D7----------- G
Chorei toda noi . . .te pensei
--------------------B7----------------- E7
Nos beijos de amor que eu te dei
-----------------Am ------------D7 ----------G
Ioiô meu benzi . . .nho / Do meu cora . . .ção
---------E7 ------A7 ------D7-------- G--- Cm--- G
Me leva prá casa me deixa mais não

terça-feira, 28 de março de 2006

Araci Cortes


Araci Cortes (Zilda de Carvalho Espíndola), cantora e atriz, nasceu no Rio de Janeiro em 31/03/1904 e faleceu na mesma cidade em 08/01/1985. Filha do chorão Carlos Espíndola, até os 12 anos morou no bairro do Catumbi, onde foi vizinha de Pixinguinha. Após alguns anos vivendo com a madrinha, deixou a família aos 17 anos, passando a atuar em circos.

Cantava e dançava maxixes no Democrata Circo, da Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro, quando foi descoberta por Luiz Peixoto e levada para fazer teatro de revista. Com o pseudônimo de Araci Cortes, que lhe foi dado por Mário Magalhães, crítico teatral do jornal A Noite, fez grande sucesso nas décadas de 1920 e 1930.

Foi a responsável pelo lançamento de diversos compositores em revistas da Praça Tiradentes, como Ary Barroso, Zé da Zilda, Benedito Lacerda e outros. Em 1923 já era intérprete consagrada, com o sucesso do samba Ai, madama, incluído na revista Que pedaço, de Sena Pinto, com música de Paulino Sacramento, no Teatro Recreio.

Em 1925 estreou em disco, com três gravações na Odeon, Serenata de Toselli, A casinha (motivo mexicano com versão de Luiz Peixoto, mais conhecida como A casinha da colina e Petropolitana (sem autor no disco).

Em 1928 atuou na revista Miss Brasil, de Luiz Peixoto e Marques Porto, cantando o samba-canção Iaiá (Linda flor), com música de Henrique Vogeler, e uma terceira letra, Iaiá, ioiô, já então de Luiz Peixoto. A peça foi sucesso em dezembro de 1928 e janeiro de 1929, e sua interpretação desta música, gravada na Parlophon, fez sucesso no Carnaval de 1929.

Ainda em 1928, na peça Microlândia, de Luiz Peixoto, Marques Porto e Afonso de Carvalho, com música de Serafim Rocha e Sinhô, fez com grande êxito o lançamento do samba amaxixado Jura (Sinhô), que teve duas gravações simultâneas, por ela e por Mário Reis. Na revista Laranja da China, de Olegário Mariano, com música de Júlio Cristóbal, Pedro Sá Pereira e Ary Barroso, encenada no Teatro Recreio, interpretou o samba Vamos deixar de intimidade, responsável pelo lançamento de Ary Barroso como compositor.

Em 1932, na revista Angu de caroço, de Carlos Bittencourt, Luís Iglésias e Jardel Jércolis, estreada no Teatro Carlos Gomes, apresentou-se com grande êxito, ao lado de Sílvio Caldas, interpretando o samba Mulato bamba (Noel Rosa). Em 1933 o empresário Jardel Jércolis realizou a primeira excursão de uma companhia brasileira de revistas à Europa, sendo ela a estrela.

De 1929 a 1935 lançou 32 discos, a maioria pela Odeon, registrando sua melhor fase como intérprete. Em 1930 lançou, na revista Diz isso cantando, a música No morro (Ary Barroso e Luís Iglésias), que oito anos mais tarde seria reescrita e se tornaria o sucesso Boneca de piche. Em 1939, novamente no Teatro Recreio, atuou na revista Entra na faixa, de Luís Iglésias e Ary Barroso, na qual lançou o samba-exaltação Aquarela do Brasil.

Foi em 1953 que gravou, pela Odeon, seus últimos três discos de 78 rpm; em seguida, afastou-se do meio artístico. Atuaria no teatro de revistas até 1961, sendo a última É por aqui Sinhô, no Teatro Zaqui Jorge, no bairro carioca de Madureira.

Em 1965 o poeta e compositor Hermínio Belo de Carvalho promoveu sua volta ao palco no show Rosa de ouro, no Teatro Jovem, do Rio de Janeiro, no qual se apresentou ao lado de Paulinho da Viola e Clementina de Jesus, entre outros. Deste espetáculo resultaram dois LPs lançados pela Odeon, Rosa de ouro 1 (1965) e Rosa de ouro 2 (1967), nos quais participou em várias faixas.

Em 1976 deu recitais no Teatro Glauce Rocha, e, em 1978, no Teatro Dulcina. Em 1984, em comemoração aos seus 80 anos, foi lançado o LP Araci Cortes, uma coletânea com depoimentos da cantora, e o livro Araci Cortes, de autoria de Roberto Ruiz, ambos pela Funarte. Entre os seus grandes sucessos como cantora, estão ainda Quem me compreende (Benedito Vivas e Ary Barroso), Tem francesa no morro, maxixe que marcou a estréia de Assis Valente como compositor, e Os quindins de Iaiá (Pedro de Sá Pereira e Cardoso de Meneses).

Araci Cortes


Araci Cortes (Zilda de Carvalho Espíndola), cantora e atriz, nasceu no Rio de Janeiro em 31/03/1904 e faleceu na mesma cidade em 08/01/1985. Filha do chorão Carlos Espíndola, até os 12 anos morou no bairro do Catumbi, onde foi vizinha de Pixinguinha. Após alguns anos vivendo com a madrinha, deixou a família aos 17 anos, passando a atuar em circos.

Cantava e dançava maxixes no Democrata Circo, da Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro, quando foi descoberta por Luiz Peixoto e levada para fazer teatro de revista. Com o pseudônimo de Araci Cortes, que lhe foi dado por Mário Magalhães, crítico teatral do jornal A Noite, fez grande sucesso nas décadas de 1920 e 1930.

Foi a responsável pelo lançamento de diversos compositores em revistas da Praça Tiradentes, como Ary Barroso, Zé da Zilda, Benedito Lacerda e outros. Em 1923 já era intérprete consagrada, com o sucesso do samba Ai, madama, incluído na revista Que pedaço, de Sena Pinto, com música de Paulino Sacramento, no Teatro Recreio.

Em 1925 estreou em disco, com três gravações na Odeon, Serenata de Toselli, A casinha (motivo mexicano com versão de Luiz Peixoto, mais conhecida como A casinha da colina e Petropolitana (sem autor no disco).

Em 1928 atuou na revista Miss Brasil, de Luiz Peixoto e Marques Porto, cantando o samba-canção Iaiá (Linda flor), com música de Henrique Vogeler, e uma terceira letra, Iaiá, ioiô, já então de Luiz Peixoto. A peça foi sucesso em dezembro de 1928 e janeiro de 1929, e sua interpretação desta música, gravada na Parlophon, fez sucesso no Carnaval de 1929.

Ainda em 1928, na peça Microlândia, de Luiz Peixoto, Marques Porto e Afonso de Carvalho, com música de Serafim Rocha e Sinhô, fez com grande êxito o lançamento do samba amaxixado Jura (Sinhô), que teve duas gravações simultâneas, por ela e por Mário Reis. Na revista Laranja da China, de Olegário Mariano, com música de Júlio Cristóbal, Pedro Sá Pereira e Ary Barroso, encenada no Teatro Recreio, interpretou o samba Vamos deixar de intimidade, responsável pelo lançamento de Ary Barroso como compositor.

Em 1932, na revista Angu de caroço, de Carlos Bittencourt, Luís Iglésias e Jardel Jércolis, estreada no Teatro Carlos Gomes, apresentou-se com grande êxito, ao lado de Sílvio Caldas, interpretando o samba Mulato bamba (Noel Rosa). Em 1933 o empresário Jardel Jércolis realizou a primeira excursão de uma companhia brasileira de revistas à Europa, sendo ela a estrela.

De 1929 a 1935 lançou 32 discos, a maioria pela Odeon, registrando sua melhor fase como intérprete. Em 1930 lançou, na revista Diz isso cantando, a música No morro (Ary Barroso e Luís Iglésias), que oito anos mais tarde seria reescrita e se tornaria o sucesso Boneca de piche. Em 1939, novamente no Teatro Recreio, atuou na revista Entra na faixa, de Luís Iglésias e Ary Barroso, na qual lançou o samba-exaltação Aquarela do Brasil.

Foi em 1953 que gravou, pela Odeon, seus últimos três discos de 78 rpm; em seguida, afastou-se do meio artístico. Atuaria no teatro de revistas até 1961, sendo a última É por aqui Sinhô, no Teatro Zaqui Jorge, no bairro carioca de Madureira.

Em 1965 o poeta e compositor Hermínio Belo de Carvalho promoveu sua volta ao palco no show Rosa de ouro, no Teatro Jovem, do Rio de Janeiro, no qual se apresentou ao lado de Paulinho da Viola e Clementina de Jesus, entre outros. Deste espetáculo resultaram dois LPs lançados pela Odeon, Rosa de ouro 1 (1965) e Rosa de ouro 2 (1967), nos quais participou em várias faixas.

Em 1976 deu recitais no Teatro Glauce Rocha, e, em 1978, no Teatro Dulcina. Em 1984, em comemoração aos seus 80 anos, foi lançado o LP Araci Cortes, uma coletânea com depoimentos da cantora, e o livro Araci Cortes, de autoria de Roberto Ruiz, ambos pela Funarte. Entre os seus grandes sucessos como cantora, estão ainda Quem me compreende (Benedito Vivas e Ary Barroso), Tem francesa no morro, maxixe que marcou a estréia de Assis Valente como compositor, e Os quindins de Iaiá (Pedro de Sá Pereira e Cardoso de Meneses).