quarta-feira, 19 de abril de 2006

No Rancho Fundo

Elisa Coelho, cantora para quem
Ary dedicou No Rancho Fundo.
Este samba foi lançado pela cantora Araci Cortes em junho de 1930, na revista É do outro mundo. Na ocasião chamava-se "Este mulato vai ser meu" (com o subtítulo "Na Grota Funda"), e tinha letra do caricaturista J. Carlos (José Carlos de Brito Cunha, autor da revista).

Ouvindo a composição, Lamartine Babo achou ruins os versos "Na Grota Funda / na virada da montanha / só se conta uma façanha / do mulato da Raimunda".

Autorizado por Ary Barroso, escreveu nova letra ( "No Rancho Fundo / bem pra lá do fim mundo / onde a dor e a saudade / contam coisas da cidade..."), sendo o samba gravado por Elisa Coelho, no ano seguinte.

O lirismo nostálgico, que predomina na composição, já aparece na introdução instrumental dessa gravação, com o próprio Ary ao piano. A melodia, por sua vez, caminha suavemente em frases descendentes para um final melancólico, em perfeita sintonia com a letra. Quem não gostou da nova versão foi J. Carlos, que julgou a rejeição de sua letra uma desfeita, rompendo com Ary Barroso.

No Rancho Fundo (samba-canção, 1931) - Lamartine Babo e Ary Barroso

Sílvio Caldas
D
No rancho fundo /
Gb7 Bm
Bem pra lá do fim do mundo
Gb7
Onde a dor e a saudade/
G Em7 A7 D
Contam coisas da cidade....

D
No rancho fundo/
Gb7 Bm
De olhar triste e profundo
Gb7 G
Um moreno canta as mágoas
Em7 A7 D D
Tendo os olhos rasos dӇgua

B7 Gbm7 B7 Em
Pobre moreno / Que tarde no sereno
Gm7 Gbm7    Em7  A7       D
Espera a lua no terreiro/ Tendo o cigarro por companheiro
B7 Gbm7 B7 Em
Sem um aceno / Ele pega da viola
Gm7 D    Em7   A7 D Gm D
E a lua por esmola / Vem pro quintal deste moreno

D Gb7 Bm
No rancho fundo / Bem pra lá do fim do mundo
Gb7 G Em7    A7 D D
Nunca mais houve alegria/ Nem de noite e nem de dia
D Gb7 Bm
Os arvoredos/ Já não contam mais segredos
Gb7 G Em7     A7 D D
Que a última palmeira/ Já morreu na cordilheira

B7 Gbm7   B7 Em
Os passarinhos / Internaram-se nos ninhos
Gm7 D Bm7   Em7    A7      D    D
De tão triste essa tristeza/ Enche de treva a natureza
B7 Gbm7    B7   Em
Tudo por que ? / Só por causa do moreno
Gm7       D
Que era grande, hoje é pequeno
Em7     A7 D
Para uma casa de sapê

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