Mostrando postagens com marcador regional. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador regional. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Gerson Filho

Gerson Filho (Gerson Argolo Filho), compositor e acordeonista, nasceu na histórica cidade de Penedo no interior de Alagoas, famosa por suas serestas, em 1928. Aprendeu a tocar sanfona ainda criança.

Iniciou a carreira artística no Rio de Janeiro no início dos anos 1950 e teve o apoio da dupla Venâncio e Corumbá.

Em 1953, gravou seu primeiro disco pela Todamérica interpretando ao acordeom, de sua autoria, a Quadrilha da cidade e o baião Catingueira no sertão.

Em 1954, venceu o concurso de calouros "Caminho da vitória" na Rádio Guanabara, sendo logo em seguida contratado pela emissora. No mesmo ano, lançou os baiões: Baião do soldado e Baião em Caxias, a polca Casa velha, todas de sua autoria e a rancheira Marombando, com Salvador Miceli, entre outras composições.

Em 1955, lançou de sua autoria os choros Comendo e chorando e Choramingando. Lançou também no mesmo ano o baião Torcida do Flamengo, com Pachequinho. Em 1956, gravou os baiões Sete quedas de sua autoria e Baião paulista, em parceria com Ermínio Vale. Em 1957, gravou de sua autoria o baião Macaco é Tio Antônio, a marcha Agüenta o banzeiro, com Miguel Lima e a marcha Por mulher nunca chorei de parceria com Otávio Filho. 

Em 1958, lançou a polquinha Pra livrá de confusão, de Miguel Lima e a rancheira Papai me disse, de Sebastião Silva e Astrogildo Meireles, ambas com vocal de Luiza Vidal. No mesmo ano, lançou o LP Gerson Filho e seu fole de oito baixos onde gravou a quadrilha, ritmo bastante popular no Nordeste e praticamente ainda não gravado até aquela ocasião. Nesse período sua carreira tomou grande impulso com ele fazendo muitas apresentações em circos, praças públicas e festas por todo o Brasil.

Em 1959, gravou o Baião da capelinha de sua autoria e o Forró de Zé Lagoa em parceria com Francisco Anísio, famoso comediante, então em começo de carreira. Em 1960, lançou os forrós: Forró no salão, de Agenor Lourenço e Dini Goulart e Namoro no forró, de Miguel Lima, Aguiar Filho e Geraldo Maia. Em 1961, gravou de João Silva e Penedo o forró Ó, Lia e de sua autoria e Aguiar Filho o baião De Penedo a Propriá. Em 1963, gravou dele e Otávio Filho o Baião da meia-noite e dele e Doca o forró Na bodega do Bodega.

Em 1969, após muitos anos residindo no Rio de Janeiro retornou para o Nordeste, indo morar em Sergipe, onde passou a apresentar, desde então, o programa "Forró no asfalto" na Rádio Difusora de Aracaju. Em 1970, passou a atuar na Chantecler/Continental, onde gravou cerca de 17 discos, entre os quais: É pra valer, Ingazeira do Norte e Levanta poeira

Em 1982, lançou o disco Gerson Filho - Xote da cobra doida, interpretando diversas composições de sua autoria, entre as quais: Tropé seguro, com Isnaldo Santos, Minha festa, nossa festa, Xote da cobra doida e Forró de chão batido, de sua autoria. Um de seus principais parceiros foi Isnaldo Santos, com quem compôs entre outras, a quadrilha Dança comigo, o Forró na bulandeira e o xote Esse xote é bom.

Obra

Agüenta o banzeiro (c/ Miguel Lima), Arrasta-pé de vaqueiro (c/ Ofrísio Acácio), Baião calado (c/ Salvador Miceli), Baião da alta-roda, Baião da capelinha, Baião da meia-noite (c/ Otávio Filho), Baião do soldado, Baião em Caxias, Baião paulista (c/ Ermínio Vale), Balança o ganzá (c/ Isnaldo Santos), Canaan, Casa velha, Catingueira no sertão, Chamego do Henrique (c/ Aguiar Filho), Choramingando, Choveu na minha roça, Comendo e chorando, Dança comigo (c/ Isnaldo Santos), De Penedo a Propriá (c/ Aguiar Filho), Desengonçado (c/ Otávio Filho), Devagar com o andor (c/ Salvador Miceli), Esse xote é bom (c/ Isnaldo Santos), Eta pagode bom (c/ Salvador Miceli), Fanfarronada, Figura de mulher (c/ J. Varriol), Forró de chão batido, Forró do Zé Lagoa (c/ Francisco Anísio), Forró na bulandeira (c/ Isnaldo Santos), Galinha arrepiada, Imperial, Lambari dançante, Macaco é Tio Antônio,Madrugada (c/ Irmãos Orlando), Mangaba, Maracanã, Marombando (c/ Salvador Miceli), Maroto (c/ Salvador Miceli), Minha festa, nossa festa,Na bodega do Bodega (c/ Doca), No pé do imbuzeiro (c/ Isnaldo Santos), Nossa polca (c/ Aguiar Filho), O Dia do papai, O Gogó da ema (c/ Salvador Miceli), Peixada no Pina (c/ Salvador Miceli/Carlos Filgueiras), Por mulher nunca chorei (c/ Otávio Filho), Quadrilha brasileira (c/ Aguiar Filho), Quadrilha da cidade, Quadrilha na roça, Respingadinho (c/ Otávio Filho), Roedeira (c/ Ari Monteiro), Segure-gure (c/ Otávio Filho), Sete quedas, Tá certo assim (c/ Isnaldo Santos), Tem dó (c/ João Barros), Tenência do Tangerino (c/ Isaías de Freitas), Torcida do Flamengo, Três e trezentos (c/ Miguel Lima), Tropé seguro (c/ Isnaldo Santos), Valsa do vira (c/ Salvador Miceli), Xodó de sanfoneiro, Xote da cobra doida, Xote da pindaíba (c/ Isnaldo Santos).

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira; Bibliografia Crítica: AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nhô Pai

João Alves dos Santos
João Alves dos Santos, o Nhô Pai, nasceu em Paraguaçu Paulista-SP no dia 28 de março de 1912 e faleceu também na cidade Paraguaçu,, no dia 12 de março de 1988

O compositor do corrido Beijinho doce foi lançado por Ariovaldo Pires (o Capitão Furtado) e, como intérprete, formou duplas com seu compadre Nhô Fio, sua prima Nhá Fia e também com sua irmã Nhá Zefa. Também chegou a cantar juntamente com Tonico, da dupla Tonico e Tinoco.

Nitidamente influenciado pela música paraguaia, Nhô Pai fez bastante sucesso nos anos 40 e 50 interpretando vários rasqueados. Em 1943, cruzando pastos em carros de boi, viajando em caminhões de mudança, Nhô Pai excursionou pelo interior paulista, pela região do Triângulo Mineiro e pelos estados de Mato Grosso e Goiás, juntamente com o Capitão Furtado, Nhá Fia e Mário Zan. Apresentaram-se em diversos lugares incluindo cinemas, salões de igrejas e pracinhas.

Já tendo cantado em dupla com Nhô Fio e Nhá Zefa, Nhô Pai formou em 1942 uma dupla com João Salvador Peres, o Tonico da dupla Tonico e Tinoco. Intrepretaram o rasqueado Casinha de Carandá (Nhô Pai) e a valsa Gauchita (Zé Mané). No mesmo ano, Nhô Pai também gravou com Nhô Fio a moda de viola O Brasil entrou na Guerra de Nhô Pai e Ariowaldo Pires, além do rasqueado Fronteira de Nhô Pai e Edgard Cardoso.

Outro fato curioso se deu em 1944, quando Nhô Pai compôs e gravou juntamente com Nhô Fio o desafio Corinthians x São Paulo (Nhô Pai/ Nhô Fio), incluindo o futebol, tema caracteristicamente urbano como assunto também na música caipira.

Como compositor, seu maior sucesso foi sem sombras de dúvida o corrido Beijinho doce, gravado pela primeira vez em 1945 pelas Irmãs Castro e posteriormente pelas Irmãs Galvão. Essa música se tornou um dos maiores clássicos da Música Popular Brasileira, tendo sido incluída também no filme Aviso Aos Navegantes de 1951.

Esse famoso corrido foi gravado também em diferentes ritmos, tais como valsa (por Adelaide Chiozzo e Eliana) e Baião (por André Penazzi). Mas foi em 1976 que Beijinho doce voltou a ser novamente um grande sucesso quando foi gravado por Nalva Aguiar, que até então atuava predominantemente nos ritmos da Jovem Guarda. Segundo algumas opniões tal gravação estabeleceu um "segundo marco" na migração de intérpretes da Jovem Guarda para a música Sertaneja, a exemplo de Sérgio Reis, quando da sua gravação de O menino da porteira (Teddy Vieira / Luizinho) em 1973.

Nhô Pai deixou um expressivo repertório de composições em nossa música caipira, tendo tido diversos parceiros como Riellinho, Ariovaldo Pires, Piraci, Ado Benatti, Nalva Aguiar, Sulino, Mario Zan e Raul Torres, além dos já citados Nhô Fio e Nhá Zefa.

Fonte: www.boamusicaricardinho.com

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Teixeirinha, o Gaúcho Coração do Rio Grande

Vítor Mateus Teixeira, cantor e compositor, o Teixeirinha, nasceu em Rolante RS (3/3/1927) e faleceu em Porto Alegre RS (4/12/1985). Filho de carreteiro, tinha seis anos de idade quando o pai morreu. Três anos depois perdeu a mãe, vítima de um incêndio, e passou a sustentar-se fazendo biscates como entregador e vendedor ambulante.

Lançou-se artisticamente em circos e emissoras gaúchas do interior do Estado, apresentando-se depois em Porto Alegre RS, onde começou a obter popularidade cantando em churrascarias e programas folclóricos, acompanhando-se ao violão.

Fazendo programa na emissora de Passo Fundo RS, recebeu convite para gravar em São Paulo SP, estreando na Chantecler em 1959 como intérprete e autor de Xote Soledade e Briga de batizado.

Os primeiros discos não alcançaram repercussão, mas em 1961 tornou-se sucesso nacional com o lançamento de Coração de luto, toada em que narrava a morte da mãe, gravada em disco Copacabana. No mesmo ano, excursionando por cidades gaúchas, conheceu em Bagé a menina Mary Teresinha, acordeonista e cantora na rádio local, que se tornou sua acompanhante efetiva.

Obtendo enorme popularidade como autor e intérprete de um gênero misto de regionalista e sertanejo dirigido a um público bastante específico, passou a atuar no cinema, produzindo cinco filmes, dos quais foi também o argumentista e o ator principal: o primeiro foi o autobiográfico Coração de luto, de 1966, dirigido por Eduardo Llorenti, seguindo-se Motorista sem limites (1969) e Teixeirinha a sete provas (1972), ambos de Milton Barragan, e Ela tornou-se freira (1971) e Pobre João (1974), estes com direção de Pereira Dias.

Com mais de 40 LPs gravados, comandou na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, os programas Teixeirinha Canta para o Povo do Brasil e Teixeirinha Amanhece Cantando. Um dos líderes nacionais em vendagem de discos, sua vida foi até transformada em história em quadrinhos. Morreu no dia em que lançaria seu 119°disco, o LP Amor aos passarinhos.

Ao longo de 27 anos de carreira, compôs mais de 700 músicas, ganhou 13 discos de ouro no Brasil e um Galo de Ouro em Portugal. Em 1995, por ocasião dos dez anos de sua morte, foi homenageado em Porto Alegre com uma série de eventos.



Algumas músicas cifradas:

A morte não marca hora, A partida, A volta do tordilho negro, Abraçada com a tristeza, Amor de contrabando, Apenas uma flor, Burro picaço, Canarinho cantador, Canta meu povo, Cinzeiro amigo, Cobra sucuri, Coração de luto, É meu, é só meu, Estância do meu pai, Eu quisera, Facão três listas, Falso amigo, Filha de gente valente, Fim do nosso amor, Gaita e violão, Gaita velha do seu Ary, Gaúcho amigo, Gaúcho da Passo Fundo, Infância frustrada, Já me cansei, Judiaria, Lindo rancho, Mocinho aventureiro, O colono, Olhar feiticeiro, Passo Fundo do coraçãoQue droga de vidaQuerência amada, Recordações de Ypacaraí, Relho trançado, Santa Catarina, Só espero ser felizTordilho negro, Triste madrugada, Tropeiro velho, Última carta, Última ginetiada, Um mundo de amor, Vai cantador, Velho casarão, Veneno da terra, Verde e amarelo, Vida de solteiro

Veja também:


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira. Ed. Publifolha.

Pedro Raimundo

O grande catarinense Pedro Raimundo
Pedro Raimundo, compositor, cantor e instrumentista, nasceu em Imaruí (SC) em 29/6/1906, e faleceu no Rio de Janeiro (RJ)  em 9/7/1973. Filho do pescador e sanfoneiro João Felisberto Raimundo, começou a tocar sanfona aos oito anos.

Mais tarde integrou, em sua cidade, a banda Amor à Ordem, além de se apresentar em festinhas. Foi pescador até os 17 anos, quando passou a trabalhar na construção da Estrada de Ferro Esplanada-Rio Deserto( SC).

Casado desde 1926, morou em Lauro Muller, Blumenau e Laguna (SC), fixando-se em Porto Alegre (RS) em 1929. Na capital gaúcha foi condutor de bondes e inspetor de tráfego, tocando sanfona em cafés do Mercado, nas horas de folga.

Em 1939 foi chamado a trabalhar na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, onde organizou o Quarteto dos Tauras. Em 1942 excursionou pelo interior do Rio Grande do Sul e no ano seguinte foi ao Rio de Janeiro, onde se apresentou no Show Muraro, da Rádio Mayrink Veiga, e em programas da Rádio Tupi.

Em seguida Almirante o levou para a Rádio Nacional. Contratado pela emissora, transferiu-se definitivamente para o Rio de Janeiro, lançando ainda em 1943, pela Columbia, seu primeiro disco, com o choro Tico-tico no terreiro e o xótis Adeus Mariana (ambos de sua autoria).

Sua descontração e exuberância valeram-lhe o slogan de O gaúcho alegre do rádio: alternava, em suas apresentações, músicas alegres com outras sentimentais. Foi o primeiro artista típico gaúcho a alcançar fama nacional. Apresentava-se com bombachas, lenço no pescoço, botas, esporas, chapéu e guaiaca. Percebendo a aceitação do seu traje regional, Luiz Gonzaga sentiu-se estimulado a apresentar-se como sertanejo nordestino.

Atuou nos filmes Uma luz na estrada, de Alberto Pieralise, em 1949, e Natureza gaúcha, de Rafael Mancini, em 1958.


Obra

Adeus, Mariana, xótis, 1943; Adeus, moçada, polca, 1944; Chico da roda, chorinho, 1947; Escadaria, choro, 1944; Gaúcho largado, toada, 1944; Mágoas de amor, tango, 1945; Meu coração te fala, valsa, 1945; Na casa do Zé Bedeu, polquinha, 1947; Oriental, baião, 1954; Prece, tango, 1950; Sanfoninha, velha amiga, polca, 1961; Saudade de Laguna, valsa, 1943; Se Deus quiser, xótis, 1943; Tá tudo errado (c/Jeová Rodrigues Portela.); polca, 1948; Tico-tico no terreiro, choro, 1943.

Músicas e artigos

Adeus Mariana, Escadaria, Gaúcho largado, Na casa do Zé Bedeu, Pedro Raimundo e a música gaúcha, Prece, Sanfoninha, velha amiga e Saudade de Laguna.

Veja também: A música gaúcha ou nativista, Califórnia da Canção Nativa, Cifras de músicas gaúchas, Dicionário regionalista, Gaúcho da Fronteira, Conjuntos ou grupos gaúchos, Dilu Melo, Ovídio Chaves, Os Monarcas, Os Serranos, Pedro Raimundo e Teixeirinha.

Gaúcho da Fronteira

GAUCHO DA FRONTEIRA - DE VANERAO A CHAMAME

Gaúcho da Fronteira (Heber Artigas Fróis), compositor e instrumentista, nasceu em Santana do Livramento-RS, em 23/6/ 1947. Aos sete anos de idade, iniciou-se na gaita de botão com quatro baixos; aos nove, já tocava acordeom, bandoneom e violão.

Foi motorista de táxi e de caminhão até 1968, quando ingressou no conjunto Os Vaqueanos, com o qual trabalharia oito anos e gravaria dois discos. Em 1975 gravou pela Beverly seu primeiro LP individual, Gaúcho da Fronteira, consolidando o apelido pelo qual já era conhecido.

Em 1979 mudou-se para Porto Alegre-RS e foi convidado pela gravadora WEA para inaugurar o selo Rodeio com Meu rasto, seu terceiro LP individual, que incluiu seu maior sucesso, o vanerão Nhecovari Nhecofum.

Representante da cultura e das tradições do Rio Grande do Sul, conquistou popularidade em todo o Brasil com sua música bem-humorada, que mistura os ritmos sulinos ao samba, forró, country e até rock.

Em 1989 foi uma das atrações do 1 Festival Internacional de Música Country, apresentando-se em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Belo Horizonte. Em seus 30 anos de carreira, gravou, entre outros, os discos:

Gaita companheira (1982, WEA/Rodeio), O toque do gaiteiro (1987, WEA), Gaitaço (1990, Continental/Chantecler), Gaúcho negro (1991, Som Livre), Tão pedindo um vanerão (1994, Chantecler), Amizade de gaiteiro (1996).

domingo, 3 de outubro de 2010

Ivan Taborda

Ivan Taborda nasceu em São Gabriel, RS,  e iniciou sua carreira nos anos de 1958 e 1959 cantando sozinho e já fazendo humorismo em suas apresentações. Em 1974 junto de Benone Botega formou a dupla “Os Maragatos”, a primeira gravação da dupla foi “O baile do seu Amaranto”.

Consta que a dupla chegou a fazer uma apresentação musical, na época, para o presidente Geisel.

Autentica imagem gaúcha, de bombacha larga, vocabulário carregado com palavras regionais e sotaque sulino. Em suas prosas sempre gosta de ressaltar algum acontecido, contando causos muitas vezes cômicos, outros carregados de saudade.

Ex-motorista do Palácio Iguaçu nos anos 60, o gaúcho Ivan Taborda acabou encontrando seu espaço no Sudoeste do Paraná. Acordeonista e cantor, Taborda - gaúcho de vastos bigodes, aparência saudável do homem do Sul (o que o fez, inclusive, ser requisitado para muitos comerciais de televisão) tem já uma discografia ampla. 

Buscando o humor e o informal em suas gravações - preferindo, aliás, algumas vezes ficar mais como contador de causos do que cantador, Taborda tem um público seguro que garante a absorção de seus discos no interior do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

Seu novo lp ("As Proezas do Pedro Bino", Chantecler) - 15º de uma carreira de muitos êxitos - alterna as suas próprias (e bem humoradas) composições - como o contrapasso que dá título ao disco, os xotes "Gaúcho de Bossoroca", a toada milongueira "Cantigas do Cruzador", a chamarrita "Minha Filha", também músicas de outros autores do Sul. 

É o caso do delicioso "É Mentira Dele" do saudoso Pedro Raimundo (Imaruí, SC, 29/6/1906 - Rio de Janeiro, 9/7/1973) - intérprete regionalista cuja vida e obra acaba de merecer um ensaio do pesquisador Israel Lopes, de Santa Maria, RS - com edição prevista pela Editora Tchê!, de Porto Alegre, na série "Esses Gaúchos" (embora Pedro Raimundo fosse catarinense de nascimento). 

Ivan Taborda é um intérprete e criador de forte personalidade, que sem se fixar no Nativismo - inclusive por estar há anos fora do Rio Grande do Sul - traz músicas interessantes e bem-humoradas, que merecem atenção.



Versão gaudéria da Bíblia

A versão gaudéria da Bíblia ou "O causo das escrituras"

Pois não sei se já les contei o causo das Escritura Sagrada. Se não les contei, les conto agora. A história essa é meio comprida, mas vale a pena contá por causo dos revertério. De Adão e Eva acho que não é perciso contá os causo, porque todo mundo sabe que os dois foram corrido do Paraíso por tomá banho pelado numa sanga. Naqueles tempo, esse mundaréu todo era um pasto só sem dono, onde não tinha nem dele nem meu.

O primeiro índio a botá cerca de arame foi um tal de Abel. Mas nem chegou a estendê o primeiro fio porque levou um pontaço no peito, do irmão dele, um tal de Caim, que tava meio desconforme com a divisão. O Caim, estonces, ameaçado de processo feio, se bandeou pro Uruguai.

Deixou o filho dele, um tal de Nóe, tomando conta da estância. A estância essa ficava nas barranca de uma corredera e o Noé, uns anos despois, pegou uma enchente muito feia pela frente. Cosa muito séria. Caiu água uma barbaridade. Caiu tanta água que tinha até índio pescando jundiá em cima de cerro.

O Noé entonces botou as criação em cima de uma balsa e se alargou nas correnteza, eta índio velho. A enchente era tão braba que quando o Nóe se deu conta a balsa tava atolada num banhado chamado Dilúvio. Foi aí que um tal de Moiséis varou aquela água toda com vinte junta de boi e tirou a balsa do atoleiro. Bueno, aí com aquele desporpósito, as família ficaram amiga.

A filha mais velha do Noé se casou-se com o filho mais novo do Moisés e os dois foram morá numa estância muito linda, chamada estância da Babilônica.

Bueno, tavam as família ali, tomando mate no galpão, quando se chegou um correntino chamado Golias, com mais uns trinta castelhano do lado dele.

Abriaram a cordeona e quiseram obrigá as prenda a dançá uma milonga. Foi quando os velho, que eram de muito respeito, se queimaram e deu-se o entrevero. Pelia braba, seu. O correntino Golias, na voz de vamo, já se foi e degolou de um talho só o Noé e o velho Moisés.

E já tava largando planchaço em cima do mulherio quando um piazito carreteo, de seus dez ano e pico, chamado Davi, largou um bodocaço no meio da testa do infeliz que não teve nem graça! Foi me acudam e tou morto.

Aí a indiada toda se animou e degolaram os castelhano. Dois que tinham desrespeitado as prenda foram degolado com o lado cego do facão. Foi uma sangüera danada. Tanto que até hoje aquele capão é chamado de Mar Vermelho.

Mas entonces foi nomeado delegado um tal de major Salomão. Homem de cabelo nas venta, o major Salomão. Nem les conto!

Um dia o índio tava sesteando quando duas velha se bateram em cima dum guri de seus seis ano que tava vendendo pastel. O major Salomão, muito chagado ao piazito, passou a mão no facão e de um talho só, cortou as velha em dois. Esse é o muito falado causo do Prejuízo de Salomão que contam por aí.

Mas, por essas estimativas, o major Samolão, o que tinha de brabo tinha de mulherengo. Eta índio bueno, seu. Onde boleava a perna, já deixava filho feito. E como vivia boleando a perna, teve filho que Deus nos livre. E tudo com a cara dele, que era pra não havê discordância. Só que quando Deus nosso Senhor quer, até égua véia nega estribo.

Logo a filha das predileção do major Salomão, a tal de Maria Madalena, fugiu da estância e foi sê china no bolicho. Uma vergonhera pra família. Mas ela puxou a mãe, que era uma paraguaia meio gaudéria que nunca tomô jeito na vida.
O pobre do major Salomão se matou-se de sentimento, com uma pistola Eclesiaste de dois cano.

Mas, vejam como é a vida. Pois essa mesma Maria Madalena se casou-se três ano despois com um tal coronel Ponciano Pilatos.

Foi ele que tirou ela da vida. Eu conheço uns três caso do mesmo feitio e nem um deles deu certo. Como dizia muito bem o finado meu pai, mulher quando toma mate em muita bomba, nunca mais se acostuma com uma só. Mas nesses contraproducente, até que houve uma contrapartida.

O coronel Ponciano Pilatos e a Maria Madalena tiveram doze filho, os tal de aposto, que são muito conhecido pelas caridade que fizeram. Foi até na casa deles que Jesus Cristo churrasqueou com a cunhada de Maria Madalena, que despois foi santa muito afamada. A tal de Santa Ceia.

Pois era uns tempo muito mal definido. Andava uma seca braba pelos campo. São José e a Virge Maria tinham perdido todo o gado e só tavam com uma mula branca no potrero, chamada Samaritana. Um rico animal, criado em casa, que só faltava falá. Pois tiveram que se desfazê do pobre.

E como as desgraça quando vem, já vem de braço dado, foi bem aí que estouraram as revolução. Os maragato, chefiado por um tal coronel Jordão, acamparam na entrada da vila.

Só não entraram proque tava lá um destacamento comandado pelo tenente Lazo, aquele mesmo que por duas vezes foi dado por morto.

Mas aí um cabo dos provisório, um tal de cabo Judas, se passou-se pros maragato e já se veio uns tal de Romano, que tavam numas várzeas, e ocuparam a vila. Nosso Senhor foi preso pra ser degolado por um guasca muito forte e muito feio chamado Calvário. Pois vejam como é a vida. Esse mesmo Calvário, degolador muito mal afamado, era filho da velha Palestina, que tinha sido cozinheira da Virge Maria.

Degolador é como cobra, desde pequeno já nasce ingrato. Mas entonces botaram Nosso Senhor na cadeia, junto com dois abigeatário, um tal de João Batista e o primo dele, Heródio dos Reis.

Os dois tinham peleado por causo de uma baiana chamada Salomé e no entrevero balearam dois padre, Monsenhor Caifás e Cônego Atanásio.

Mas aí veio uma força da Brigada, comandada pelo coronel Jesus Além, que era meio parente do homem por parte de mãe e com ele veio mais três corpo de provisório e se pegaram com os maragatos. Foi a peleia mais feia que se tem conhecimento, Foi quarenta dia e quarenta noite de bala e bala.

Morreu três santo na luta: São Lucas, São João e São Marco. São Mateus fico três mês morre não morre, mas teve umas atenunante a favor e salvou-se de lado a lado. Ainda levou mais um pontaço do mais velho dos Romano, o César Romano, na altura da costela.

Ferimento muito grave que Nosso Senhor curou tomando vinagre na Sexta-feira da paixão. Mas aí, Nosso Senhor se disiludiu-se nos home, subiu na cruz, disse adeus pros amigo e se mandou-se de volta pro céu. Mas deixou os dez mandamentos, que são cinco e que pode mutio bem acolher em dois "não se mata home pelas costa, nem se cobiça mulher dos outro pela frente."

Fonte: Puxa o banco e senta, que tá na hora do chimarrão - cifraclub.

Os dez mandamentos do chimarrão

Os dez mandamentos do chimarrão ou "As regras do bom comportamento numa roda de mate" :

Não peças nunca açúcar no mate

O gaúcho aprende desde piazito que e por que o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, amargo apenas. Mas, se tu és dos que vêm de outros pagos, mesmo sabendo poderás achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar neste pedaço de Brasil: pedir açúcar. Pode-se por água, ervas exóticas, cana, frutas, dólar, etc..., mas jamais açúcar. O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo, mas não merece ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece amargo demais, não hesites, pede uma Coca-Cola com canudinho que tu vais te sentir bem melhor...

Não digas que o chimarrão é anti-higiênico

Tu podes achar que é anti-higiênico pôr a boca onde todo mundo põe. Claro que é, só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando de Chimarrão. Repito, pede uma Coca-Cola com canudinho. O canudo é puro como água de sanga (pode haver coliformes fecais e estafilococos dentro da garrafa. Não nele).

Não digas que o mate está quente demais

Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume e não te fresqueis. Se, porém te julgas perfeitamente igual as demais, faze o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vais adorar o chimarrão de lá.

Não deixes um mate pela metade

Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Com o cachimbo da paz, cada um dá uma tragada e passa adiante. Já o chimarrão, não. Tu deves tomar toda a água servida, até ouvir o ronco da cuia vazia. A propósito, leia logo o mandamento seguinte.

Não te envergonhes do ronco no fim do mate

Se, ao acabar o mate, sem querer fizeres a bomba "roncar", não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar um mal educado. Este negócio de chupar sem fazer barulho vale para a Coca-Cola com canudinho, que tu podes até tomar com o dedinho levantado.

Não mexas na bomba

A bomba do chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesmo, da erva ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas, por favor, não mexas na bomba. Fale com quem lhe ofereceu o mate ou com quem lhe passou a cuia. Mas não mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba.

Não alteres a ordem em que o mate é servido

Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão, sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve, mas, depois de entrar, espera sempre a tua vez, e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do Estado.

Não durmas com a cuia na mão

Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando. E às vezes, te surpreendes até imaginando que a cuia não é cuia, mas o quente seio moreno daquela chinoca faceira que, apareceu no baile do Gaudério... Agora, tomar chimarrão numa roda é muito diferente. Aí, o fundamental não é meditar e sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão tu falas, discutes, ris, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que esta tua participação não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer da cuia que está em tua mão. Fala quanto quiseres mas não esqueças de tomar teu mate, que a moçada tá esperando.

Não condenes o dono da casa por tomar o 1º mate

Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio primeiro, saibas que o grosso és tu. O pior mate é o primeiro e quem toma está te prestando um favor.

Não digas que o chimarrão dá câncer na garganta

Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pegas na cuia, que irás dizer, com ar de entendido, que o chimarrão é cancerígeno. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esquece o câncer. Se não der pra esquecer, faze o seguinte: pede uma Coca-Cola com canudinho que ela.... etc... etc...

Na casa do Zé Bedeu

Pedro Raimundo
Na casa do Zé Bedeu (polquinha, 1947) - Pedro Raimundo

Título da música: Na casa do Zebedeu / Gênero musical: Tanguinho / Intérprete: Pedro Raimundo / Compositor: Pedro Raimundo / Gravadora Phonodisc / Nome do Álbum: Adeus Mariana / Número do Álbum 0.30-404-122 / Data de Gravação 00/1977 / Data de Lançamento 00/1977 / Lado: lado B/ / Rotações Disco 33 1/3 rpm / Estereo:



Eu vou contá pra vocês / Tudo que aconteceu
Na noite de São João / Na casa do Zé Bedeu
Pela volta das seis horas / Tava grossa a brincadeira
Zé Bedeu gritou: / -Moçada, vâmo acender a fogueira!

Nos fomos todo pra rua / Fizemo roda cantá
Quando fogueira acendeu / Todo mundo quis pulá:
Zé Bedeu foi o primeiro / A cair na brincadeira
Foi pulá de mão no bolso / Caiu dentro da fogueira!

A velha Chica Lorota / Que estava toda animada
Foi pulá caiu a saia / Ficou toda sapecada!
Quando foi as nove hora / Zé Bedeu veio avisar:
-Vamos todos pro salão / Que o baile vai começar!

Quando foi as onze hora / Zé Bedeu gritou assim:
-Vamos todos na cozinha / Tem batata e aipim
Os véio tão proibido / De comer amendoim!
Todo mundo foi comendo / Inté alta madrugada
Zé Bedeu gritou assim: / -Atenção, minha moçada
Vamos todo pro salão / Prá soltar a foguetada!

Os menino e as menina / Só por serem pequenino
Não deixaram soltá bomba / Mas soltavam foguetinho
Estas mocinha de hoje / Toda cheia de coisinha
Não quiseram soltá bomba / Pra mode soltá rodinha

O rapaz envergonhado / Só pro mode as muié
Não quiseram soltá bomba / Mas soltavam buscapé
Os velhos foram chegando / Todos de chapéu na mão
Soltaram um no meio da sala / E soltaram um bomba-rojão

A sogra do Zé Bedeu / Também se alvoroçou
Foi soltá um foguetão / Mas o marvado faió
As velha se revoltaram / Deram logo um contra-ataque
Como não tinha mais bomba / Só soltaram um trique-traque

Zé Bedeu ficou danado / Com tamanha confusão
Chegou no meio da sala / E deu um tiro de canhão
Tinha gente que anuncia lá / Que tudo isto aconteceu
Na noite de São João / Na casa do Zé Bedeu
A todos muito obrigado / Quem vai se embora sou eu...


Pedro Raimundo e a música gaúcha

A música regionalista do Rio Grande do Sul teve uma grande contribuição da música portuguesa e espanhola (da Península Ibérica) que vieram na alma dos colonizadores, como também recebeu a contribuição do imigrante alemão, do imigrante italiano, a influência do índio, do negro e do platino, conforme as pesquisas dos folcloristas Barbosa Lessa e Paixão Côrtes, registradas no livro Danças e Andanças da Tradição Gaúcha (1975).

Mas eles também registram, como adiante irei mencionar, que a música regionalista do Rio Grande do Sul, teve grande influência da milonga argentina e da música sertaneja, principalmente na música caipira de São Paulo, através dos programas de rádio.

Pedro Raimundo foi o grande pioneiro da música regionalista do Rio Grande do Sul. Barbosa Lessa e Paixão Côrtes, no livro mencionado, registraram:

“Nos cafés e bares “da volta do Mercado”, concorridíssimos, ganha aplausos um cantador de nome Pedro Raimundo – natural de Santa Catarina mas bem representativo do Rio Grande na sua maneira “largada” de interpretar, à gaita-piano, animados xotes e polquinhas”.

Em 1940 Pedro Raimundo criou o Programa “Pedro Raimundo e seu conjunto Quarteto dos Tauras”, ao microfone da Rádio Gaúcha de Porto Alegre, e passou a divulgar os nossos ritmos gauchescos. Paixão e Lessa, na obra citada, ainda registram o grande pioneirismo do catarinense, gaúcho de coração:

“Pedro Raimundo deixa em seu lugar, nos shows da “volta do Mercado”, um outro gaiteiro, Oswaldinho, e vai tentar a sorte no Rio. Pouco depois está colhendo aplausos no auditório da Rádio Nacional. E grava a primeira música gauchesca de sucesso nacional: o xote “Adeus, Mariana!

Isso foi em 1943, que Pedro Raimundo radicou-se no Rio de Janeiro e gravou essa música. Cantava na Rádio Nacional, que era a maior vitrine, a maior mídia da época, na divulgação dos artistas brasileiros, sintonizada em todo Brasil. Nesses programas de auditórios, como aquele do Almirante, ele se apresentava pilchado, de bombachas, botas, esporas, lenço ao pescoço, chapéu preto de barbicacho, jogado às costas, representando os usos e costumes do Rio Grande do Sul.

Excursionou por todo o Brasil, vestindo a pilcha gaúcha, e interpretando com sua cordeona, animados xotes, rancheiras, polcas, toadas, valsas e milongas, conforme registramos com o jornalista Vitor Minas, em nosso livro Pedro Raymundo, da coleção Esses Gaúchos (1986).

Sobre o trabalho de Pedro Raimundo, registrei, na Folha de São Borja, um depoimento de Almirante, o grande programador da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, que disse:  “Pedro Raymundo: sem o menor favor eu o considero o mais típico e o mais expressivo e legítimo dos artistas gaúchos que já ouvi”.

Registramos em nosso livro com Vitor Minas, que nada menos que Luiz Gonzaga, “O Rei do Baião”, em entrevista ao jornal O Pasquim, em agosto de 1971, declarou ter-se inspirado em Pedro Raimundo, ao constatar que aquele gaúcho tinha o seu traje típico, e porque o nordestino não o tinha, por isso vestiu-se de “cangaceiro”.

Por aí dá para se constatar a projeção a nível nacional que o Pedro Raimundo deu à música do Rio Grande do Sul, cantando xotes e rancheiras, entre outros ritmos gauchescos, por este Brasil afora, numa época que não tinha nem televisão, mas o rádio era um veículo de comunicação de massa, que chegava longe e veio contribuir com essa propagação da Música Popular Brasileira de todas as matizes.


Prece

Pedro Raimundo
Prece (tango, 1950) - Pedro Raimundo

A descontração e exuberância de Pedro Raimundo valeu-lhe o slogan de "O gaúcho alegre do rádio": alternava, em suas apresentações, músicas alegres com outras sentimentais. Foi o primeiro artista típico gaúcho a alcançar fama nacional. 

Apresentava-se com bombachas, lenço no pescoço, botas, esporas, chapéu e guaiaca. Percebendo a aceitação do seu traje regional, Luiz Gonzaga sentiu-se estimulado a apresentar-se como sertanejo nordestino.”

Título da música: Prece / Gênero musical: Tango / Intérprete: Pedro Raimundo / Compositor: Pedro Raimundo / Gravadora Phonodisc / Nome do Álbum: Adeus Mariana / Número do Álbum 0.30-404-122 / Data de Gravação 00/1977 / Data de Lançamento 00/1977 / Lado: lado A / / Rotações Disco 33 1/3 rpm / Estereo:

"És
Palavra de Conforto
Que ameniza os corações sofredores
Quantos por este mundo afora
Aguardam a Oração da Ave-Maria
Para contigo, Palavra Bendita
E juntinho à Deus
Pedir alívio aos seus sofrimentos
E é só em ti Palavra Santa
Que encontramos sempre o bálsamo suavizador..."

Sanfoninha, velha amiga

Pedro Raimundo
Sanfoninha, velha amiga (polca, 1961) - Pedro Raimundo

A última canção do "gaúcho alegre do rádio brasileiro" foi a polca Sanfoninha, velha amiga em 1961, quando já estava inativo profissionalmente.  

Título da música: Sanfoninha, velha amiga / Gênero musical: Polca / Intérprete: Pedro Raimundo / Compositor: Pedro Raimundo / Gravadora Phonodisc / Nome do Álbum: Adeus Mariana / Número do Álbum 0.30-404-122 / Data de Gravação 00/1977 / Data de Lançamento 00/1977 / Lado: lado A / / Rotações Disco 33 1/3 rpm / Estereo:



Gaúcho largado

Pedro Raimundo: divulgador pioneiro.
Em palestra histórica feita junto ao parlamento estadual rio-grandense, em Porto Alegre (1992), o tradicionalista Paixão Cortes enfatizou a condição de ter sido o artista Pedro Raimundo o pioneiro em divulgação de músicas regionalistas em todo o país. De certa forma com razão, pois Luiz Gonzaga, nordestino de Exú, Ceará, espelhado no sucesso de Pedro, apareceu com o seu “baião” no Rio e São Paulo e triunfou.

Pois Pedro Raimundo foi mesmo o precursor brasileiro da música regionalista gaúcha no Brasil. Só depois de muitos anos viria Teixeirinha. Só que o velho e querido Paixão Cortes extrapolou em sua paixão, “contabilizando” Pedro como “gaúcho”. É que o Rio Grande do Sul exerce um certo fascínio para os brasileiros em geral, pois até sua constituição (Farroupilha) tem diferenças da institucional nacional, no que cabe ao estado inserir…

Assim, quando “carimbaram” Pedro como “o gaúcho alegre do rádio brasileiro”, ele nem negou e nem confirmou a alusão: deixou como estava para ver como ficava. Para quem nasceu, como ele, nas costas encharcadas da Lagoa do Imaruí, zona pobre e inexpressiva em termos de representatividade nacional, nesta altura tudo era lucro (fonte:Lagunista).

Título da música: Gaúcho largado / Gênero musical: Toada / Intérprete: Pedro Raimundo / Compositor: Pedro Raimundo / Gravadora Phonodisc / Nome do Álbum: Adeus Mariana / Número do Álbum 0.30-404-122 / Data de Gravação 00/1977 / Data de Lançamento 00/1977 / Lado: lado A / / Rotações Disco 33 1/3 rpm / Estereo:


Saudade de Laguna

Pedro Raimundo
Saudade de Laguna (valsa, 1943) - Pedro Raimundo

Pedro Raimundo gravou e compôs entre 1943 e 1961: Adeus Mariana, Adeus moçada, Chico da Roda, Escadaria, Gaúcho largado, Mágoas de amor, Meu coração te fala, Na casa do Zé Bedeu, Oriental, Prece, Sanfoninha, Velha amiga (última, já na inatividade profissional), Saudades de Laguna, Se Deus quiser, Tá tudo errado (a única composição que teve um parceiro, Jeová R. Portela) e Tico tico no terreiro.

Comentam que Saudades de Laguna encerraria um segredo (que Pedro levou para o túmulo, sem confirmar nem desmentir). Quando morou em Laguna dizem que se apaixonara por uma jovem. Frustrado em seu intento pelos pais da moça, Pedro jamais a teria esquecido. Como não pudesse “homenagear” diretamente a moça, resolveu fazê-lo com a bela valsa, seguramente a melhor composição que fez (com dolente declamação): Saudades de Laguna !  (fonte: Lagunista).

Título da música: Saudade de Laguna / Gênero musical: Valsa / Intérprete: Pedro Raimundo / Compositor: Pedro Raimundo / Gravadora Phonodisc / Nome do Álbum: Adeus Mariana / Número do Álbum 0.30-404-122 / Data de Gravação 00/1977 / Data de Lançamento 00/1977 / Lado: lado A / / Rotações Disco 33 1/3 rpm / Estereo:


"Sinto em meu coração
Uma saudade daquela terra amada
Onde vivi
Saudade que hoje eu choro
Saudade sem fim
Saudade de Laguna
Que é tudo, tudo para mim
Quando de ti me lembro
Laguna amada
Minh'alma triste canta esta saudade
Parece que te vejo
Diante dos meus olhos
Laguna dos meus sonhos
Hoje eu choro...
"

Adeus Mariana


Adeus Mariana (xote, 1943) - Pedro Raimundo

Título da música: Adeus Mariana/ Gênero musical: Xote / Intérprete: Pedro Raimundo / Compositor: Pedro Raimundo / Gravadora Phonodisc / Nome do Álbum: Adeus Mariana / Número do Álbum 0.30-404-122 / Data de Gravação 00/1977 / Data de Lançamento 00/1977 / Lado: lado A / / Rotações Disco 33 1/3 rpm / Estereo:


E B7 A B7 A G#m7 B7 E

Nasci lá na cidade me casei na serra
B7
Com a minha Mariana moça lá de fora
A B7 Bis
Um dia eu estranhei os carinhos dela
A G#m7 F#m7 E
E disse adeus Mariana que eu já vou me embora
Int.

É gaúcha de verdade dos quatro costados
B7
Que usa chapéu grande bombacha e esporas
A B7 Bis
E eu que estava vendo o caso complicado
A G#m7 F#m7 E
Disse adeus Mariana que eu já vou me embora
Int.

Nem bem rompeu o dia me tirou da cama
B7
Encilhou o tordilho e saiu campo a fora
A B7 Bis
E eu aproveitei e saí dizendo
A G#m7 F#m7 E
Adeus Mariana que eu já vou me embora
Int.

Ela não disse nada mas ficou cismando
B7
Que era desta que eu daria o fora
A B7 Bis
Pegou uma açoiteira e veio contra mim
A G#m7 F#m7 E
Eu disse larga Mariana que eu não vou me embora
Int.

Ela ficou zangada e foi quebrando tudo
B7
Pegou a minha roupa e jogou porta afora
A B7 Bis
Agarrei fiz uma trouxa e saí dizendo
A G#m7 F#m7 E
Adeus Mariana que eu já vou me embora

Escadaria

Pedro Raimundo
Escadaria (choro, 1944) - Pedro Raimundo

Pedro Raimundo (29/6/1906 Imaruí, SC - 9/7/1973 Rio de Janeiro, RJ), cantor, compositor e instrumentista, nasceu em berço pobre, e seu pai, João Felisberto, era pescador e sanfoneiro. Aos oito anos começou a tocar sanfona. Até os 17, trabalhou como pescador. Trabalhou na Estrada de Ferro Esplanada-Rio Deserto, em Santa Catarina.

Em 1929, mudou-se para Porto Alegre, onde trabalhou como condutor de bondes, inspetor de tráfego, guarda-freios, maquinista de usina, balconista e oleiro. Foi também chaveiro da estrada de ferro D. Teresa Cristina, onde foi vítima de um acidente que lhe deixou um defeito na mão, o que, entretanto, não o impediu de tornar-se um dos mais brilhantes sanfoneiros do Brasil.

Título da música: Escadaria / Gênero musical: Choro / Intérprete: Pedro Raimundo / Compositor: Pedro Raimundo / Gravadora Phonodisc / Nome do Álbum: Adeus Mariana / Número do Álbum 0.30-404-122 / Data de Gravação 00/1977 / Data de Lançamento 00/1977 / Lado: lado A / / Rotações Disco 33 1/3 rpm / Estereo: