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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Valsa do amor

Nelson Gonçalves
Valsa do amor (valsa, 1946) - Orestes Barbosa e Roberto Martins

Título da música: Valsa do amor / Gênero musical: Valsa / Intérprete: Nelson Gonçalves / Compositores: Barbosa, Orestes - Martins, Roberto / Acompanhamento Orquestra / Gravadora Victor / Número do Álbum 800444 / Data de Gravação 17/06/1946 / Data de Lançamento 09/1946 / Lado A / Disco 78 rpm


Amor é ânsia incontida
É sonho, é sol, é luar
É o claro-escuro da vida
É borboleta a voar
É beija-flor que não sabe
Quantas traições tem a flor
E beija-flor da saudade
Pensando que beija o amor

Amor, amor, amor
Amor que me fez triste assim
Amor que me fez colorida esta vida
E agora não gosta de mim

Amor, amor, amor
Amor que me fez triste assim
Amor que me fez colorida esta vida
E agora não gosta de mim

Amor as vezes parece
Que esquece seu bem-querer
Parece, mas não esquece
Porque não pode esquecer
Amor não vê os defeitos
Amor não sabe o que diz
Na luta dos preconceitos
O coração é o juíz

Amor, amor, amor
Amor que me fez triste assim
Amor que me fez colorida esta vida
E agora não gosta de mim

Amor, amor, amor
Amor que me fez triste assim
Amor que me fez colorida esta vida
E agora não gosta de mim

quinta-feira, 6 de março de 2008

Dona da minha vontade

Dona da minha vontade (valsa, 1933) - Francisco Alves e Orestes Barbosa
Francisco Alves

Saudade
De quando em quando
Passarinhos segredando
Voam tontos, rente ao chão
Felizes na primavera
Na busca da paz sincera
Do ninho do coração.

Ela, distante, sorrindo
Talvez esteja me ouvindo
Mas me ouvindo sem saber
Que o canto que eu solto, há medo
É o nostálgico segredo
Do que eu não posso dizer.

Coração

Ninho de penas
No arminho de almas serenas
Tem perfume, tem calor
Pobre de mim, ave tonta
A lua, triste, desponta
E eu vou ficar sem amor.

Dona da minha vontade
Escravo da ansiedade
Serei o que ela quiser
Coração, porque preferes
Amar todas as mulheres
No amor de uma só mulher...

Dona da minha vontade

Dona da minha vontade (valsa, 1933) - Francisco Alves e Orestes Barbosa
Francisco Alves

Saudade
De quando em quando
Passarinhos segredando
Voam tontos, rente ao chão
Felizes na primavera
Na busca da paz sincera
Do ninho do coração.

Ela, distante, sorrindo
Talvez esteja me ouvindo
Mas me ouvindo sem saber
Que o canto que eu solto, há medo
É o nostálgico segredo
Do que eu não posso dizer.

Coração

Ninho de penas
No arminho de almas serenas
Tem perfume, tem calor
Pobre de mim, ave tonta
A lua, triste, desponta
E eu vou ficar sem amor.

Dona da minha vontade
Escravo da ansiedade
Serei o que ela quiser
Coração, porque preferes
Amar todas as mulheres
No amor de uma só mulher...

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

A mulher que ficou na taça

A mulher que ficou na taça (valsa, 1934)  - Francisco Alves e Orestes Barbosa

Fugindo da nostalgia
Vou procurar alegria
Na ilusão dos cabarés
Sinto beijos no meu rosto
E bebo por meu desgosto
Relembrando o que tu és

Francisco Alves
E quando bebendo espio
Uma taça que esvazio
Vejo uma visão qualquer
Não distingo bem o vulto
Mas deve ser do meu culto
O vulto dessa mulher...

Quanto mais ponho bebida
Mais a sombra colorida
Aparece em meu olhar
Aumentando o sofrimento
No cristal em que, sedento
Quero a paixão sufocar

E no anseio da desgraça
Encho mais a minha taça
Para afogar a visão
Quanto mais bebida eu ponho
Mais cresce a mulher no sonho
Na taça, e no coração.

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Meu erro

Meu erro (valsa, 1936) - Orestes Barbosa e Sílvio Caldas

Fiz mal, confesso o meu erro
Chorando no meu desterro
A alma não sabe o que quer

E a dor é que me suplanta
A voz de amor na garganta
Por causa desta mulher

Eu tento dizer no canto
A mágoa que fulge tanto
Que a minha vida mudou

E a frase mais linda e louca
Cortada fica na boca
Porque o soluço cortou

Tu tens no peito um castigo
Que eu tão triste imagino
As noites do teu fulgor

No meio das luzes loucas
Servindo de boca em boca
O vinho do teu amor

E ao ver a tua alegria
No cambio da hipocrisia
Mercadejando ilusão

Fico a pensar no que disse
Fico a pensar na tolice
Da gente ter coração

O nome dela não digo

O nome dela não digo (valsa, 1936) - Orestes Barbosa e Sílvio Caldas

A mágoa não me abandona
Uma mulher telefona
Há de ser para indagar

Que grande paixão é esta
Que fez de um viver de festa
Esta tragédia sem par

A culpa foi do ciúme
A causa foi um perfume
Um beijo frio e depois

As discussões repetidas
Um drama de duas vidas
A culpa foi de nos dois

O nome dela eu não digo
O nome eu guardo comigo
Na urna do coração

Meu coração um bandido
Que até a mim tem traído
Na febre desta ilusão
E agora vivo mentindo

Como quem cresça não acha
Como que passa a borracha
Num lindo trecho que errou

Vestido de lágrimas

Vestido de lágrimas (valsa, 1935) - Orestes Barbosa e Sílvio Caldas

Vou me mudar soluçante
Do apartamento elegante
Que tem, do antigo fulgor
Lindos Biombos ornados
De Crisântemos doirados
Cenário do nosso amor

A nossa vida era calma
Más eu sentia em minh'alma
Um medo não sei de que
E um dia quanta tristeza
Achei a lâmpada acesa
E não achei mais você

Fechei a luz com vergonha
Da minha face tristonha
Para a mim mesmo enganar
Para não ver nos espelhos
Meus olhos muito vermelhos
De tanto e tanto chorar


E solucei, vou ser franco
Só o luar cisne branco
Ouviu o meu soluçar
Um soluçar comovido
Com que eu molhava o vestido
Que você deixou ficar

Soluços

Soluços (valsa, 1935) - Orestes Barbosa e Sílvio Caldas

Amei tantas mulheres loucamente
Tantas bocas beijei no meu desejo
Sem pensar que deixava, ingenuamente,
Um pouco de mim mesmo em cada beijo.

Bem fez o meu soluço
É de saudade
A mágoa em meu sentir
Tudo suplanta
Este canto por ti, diz a verdade
Cortando as minhas frases na garganta
Lua - lâmpada acesa da tristeza
Magnólia do céu, que aqui ouvís
Ilumina com a tua singeleza
A casa da mulher que não me quis.

Quisera na amargura deste canto
Cristalizar as lágrimas de dor
E ver lá no cristal deste meu pranto,
Sorrindo, o funeral do meu amor !

Torturante ironia

Torturante ironia (valsa, 1935) - Orestes Barbosa e Sílvio Caldas
Sílvio Caldas

Que mágoa neste abandono
Que ânsia perdi o sono
Vivo em tristonho cantar

Porque a canção mais aflita
É a forma que há mais bonita
Da gente poder chorar

Sobes este barranco
Sujando o vestido branco
Pisando as pedras do chão

Mas sem saber na verdade
Que desde lá da cidade
Tu pisas meu coração

Por ser do morro e moreno
É que eu soluço, é que eu peno
Bebendo meu amargor

Por que me negam querida
Esta alegria da vida
De possuir teu amor

Que torturante ironia
O amor com categoria
Eu amo e não posso amar

Porque a mulher que eu adoro
Não mora aqui onde eu moro
Deixa então soluçar

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Araruta

Araruta - Orestes Barbosa e Noel Rosa
Intr.: Ab / / C / A7 A/G D7/F# D/C G7/B G7 A7 Bb7 A7 /
Ab / / C / A7 A/G D7/F# D/C G7/B G7 C G7 C

C C/E G7 C A7 Bb7
Tu pedes mandando, "faça o favor"
A7 Dm A7
a tua boca nunca diz
Dm G7
Tu cedes negando,
com esses olhos que pra mim são dois fuzis
C C/E G7 C
Sou mole, ma_nhoso
A7 Bb7 A7 Dm
Teus impropérios retribuo com brandura
C7 F Fm/Ab C/G A7
Pois água mole
D7 G7 C G7 C
na pedra dura tanto bate até que fura!,/pre>
Ab / / C / A7 A/G D7/F# D/C G7/B G7 A7 Bb7 A7 /
Ab / / C / A7 A/G D7/F# D/C G7/B G7 C G7 C

C/E G7 C A7 Bb7
Tu beijas mentindo, a tua boca
A7 Dm A7
beija e mente sem sentir
Dm G7
Desejas sorrindo que o teu perdão humildemente eu vá pedir
C C/E G7 C A7 Bb7 A7 Dm
Não peço, es_pero ainda ver-te entre lágrimas bem mal
C7 F Fm/Ab C/G A7
Meu bem, escuta:
D7 G7 C
A araruta tem seu dia de mingau!

Positivismo

Positivismo (samba, 1933) - Noel Rosa e Orestes Barbosa


Noel Rosa

D           A7        D      D7
A verdade meu amor mora num poço
G D7 G
É Pilatos, lá na Bíblia, quem nos diz
Gm D C
E também faleceu por ter pescoço
B E7
O (infeliz) autor
A7 D G D
da guilhotina de Paris
 D7
Vai orgulhosa, querida
G
Mais aceita esta lição
Gm D B7
No câmbio incerto da vida
E7 A7 D G D
A libra sempre é o coração
  D                A7                 D      D7
O amor vem por princípio, a ordem por base.
G D7 G
Bis O progresso é que deve vir por fim
Gm D C B
Desprezastes esta lei de Augusto Conté
E7 A7 D G D
E fostes ser feliz longe de mim
 D7
Vai coração que não vibra
G
Com teu juro exorbitante
Gm D B7
Transformar mais outra libra
E7 A7 D G D
Em dívida flutuante
   D                A7       D           D7
A intriga nasce num café pequeno
G D7 G
Bis Que se toma para ver quem vai pagar
Gm D C B
Para não sentir mais o teu veneno
E7 A7 D G D
Foi que eu já resolvi me envenenar

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Suburbana

Suburbana (valsa-canção, 1939) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa
Sílvio Caldas

-------Dm----------------- Gm
Olhando o céu me demoro
---------A7------------------- Dm
Num verso triste é que choro
-------------Bb7----------- A7--- D7-- Gm-- Gm6--------- Dm
Ninguém vê o pranto meu /------- Há muita lágrima triste
----------------------------E7-------------- A7 --------D7 -----Gm
Que em seu sorriso consiste / Como o poeta escreveu

-----------Gm6-------- Dm--------------------- E7
Minha linda suburbana / Por trás da veneziana
-------------A7 ----------D7--- Gm----- Gm6-------- Dm
Vem sorrir nesta canção / Com teus lábios de doçuras
---------------------------E7-------- A7 ----------Dm----- D7
Que são tâmaras maduras / Da flora do coração

----Gm--- Gm6----- Dm----------------------- A7
Zona norte da cidade / Residência da saudade
---------------------------Dm--- D7-- Gm -----Gm6------- Dm
Onde nasceu o teu cantor / -------No teu cantor comovido
----------------------------Bb7 ------------------------A7-------- D7
Que sonha com teu vestido / Que morre por teu amor

-----Gm----- Gm6 ------Dm ---------------------------A7
Olho as estrelas cansadas / Que são lágrimas doiradas
----------------------Dm--- D7 ----Gm ---Gm6----- Dm
No lenço azul do céu /--------- Estrelas são reticências
----------------------E7
Estrelas são confidências
---------------A7 ---------Dm
Do meu romance e do teu

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Chão de Estrelas

Numa visita ao poeta Guilherme de Almeida, em 1935, Sílvio Caldas (foto) mostrou-lhe uma canção inédita, intitulada "Foste a Sonoridade Que Acabou". Terminada a apresentação, a canção recebeu um novo nome: "Chão de Estrelas". Aconteceu a mudança por sugestão de Guilherme, tomado de súbito entusiasmo pelos versos, que eram de Orestes Barbosa.

Sobre o fato, ele escreveria trinta anos depois (em crônica incluída no livro Chão de Estrelas, de Orestes): "Nem de nome eu conhecia o autor. Mas o que então dele pensei e disse, hoje o repito: uma só dessas duas imagens - o varal das roupas coloridas e as estrelas no chão (... ) - é quanto basta para que ainda haja um poeta sobre a terra".

Mas não pára em Guilherme de Almeida o fascínio despertado por "Chão de Estrelas" entre nossos poetas. Em 1956, numa crônica em louvor a Orestes, Manuel Bandeira terminava assim: "Se se fizesse aqui um concurso (...) para apurar qual o verso mais bonito de nossa língua, talvez eu votasse naquele de Orestes: ‘tu pisavas os astros distraída..."'.

Composto por Sílvio Caldas sobre um poema em decassílabos - que Orestes relutou em consentir que fosse musicado -, "Chão de Estrelas" é a obra-prima da dupla, que produziu um total de quinze canções, a maioria de muito boa qualidade ("Quase Que Eu Disse", "Suburbana", "Torturante Ironia" etc.). Essas composições cantam amores perdidos ou impossíveis, tratados do ponto de vista masculino e quase sempre localizados em cenários urbanos arranha-céus, apartamentos, cinemas... Embora tenha se destacado no seu lançamento em 1937, "Chão de Estrelas" só se tornaria um sucesso nacional na década de 1950, quando Sílvio Caldas a gravou pela segunda vez.

Chão de Estrelas (canção, 1937) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa
Sílvio Caldas
Tom: Am

Am E7 Am
minha vida era um palco iluminado
  E7 Gm6
eu vivia vestido de dourado
A7 Dm A7
palhaço das perdidas ilusões
Dm E7 Am
cheio dos guisos falsos da alegria 
B7
andei cantando a minha fantasia
E7
entre as palmas febris dos corações

Am    E7     Am
meu barracão no morro do salgueiro
E7                         Gm6
tinha o cantar alegre de um viveiro
A7 Dm A7
foste a sonoridade que acabou
Dm Dm6 Am
e hoje, quando do sol, a claridade
C7 A#7
forra o meu barracão, sinto saudade
E7 Am E7
da mulher pomba-rola que voou
F#m C#m
nossas roupas comuns dependuradas
D
na janela qual bandeiras agitadas
D7 C#7
pareciam um estranho festival
F#7 B7
festa dos nossos trapos coloridos
E7
a mostrar que nos morros mal vestidos
A C#7
é sempre feriado nacional
F#m C#m
a porta do barraco era sem trinco
D
mas a lua furando nosso zinco
D7 C#7
salpicava de estrelas nosso chão
F#7 B7
tu pisavas nos astros distraída
E7
sem saber que a ventura desta vida
A
é a cabrocha, o luar e o violão

Arranha-céu


Sílvio Caldas
Arranha-céu (valsa, 1937) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa

A----- E7----------------- A
Cansei de esperar por ela,
Gb7 ------------------B7 ----E7-------------- A---- E7/5+
Toda a noite na janela / Vendo a cidade luzir
----A------ Gbm -----Dbm
Nestes delírios nervosos
------------------------Ab7----------------------- Dbm----- E7
Que os anúncios luminosos / São a cidade a mentir.

A----------- E7 --------A
E toda a vez que descia
------Gb7------------ B7 ----D7 -------------Db7 -----A7
O elevador não trazia / Essa mulher-maldição
D -----------Eb0------ A
E quando lento gemia
-------Gb7 -----------B7 ----E7 --------------A----- E7
O elevador que descia / Subia o meu coração.

Am------------------------- G7
Cansei de olhar os reclames
---------------------------F7
E disse ao peito não ames
----------------------------E7---- (E7)
Que o teu amor não te quer
-----G7------------------ C-------- C7-------------- F7
Descansa fecha a vidraça / Esquece aquela desgraça
-----------------------E7
Esquece aquela mulher.

-----Am------------------ G7
Deitei, então, sobre o peito
-------------------------------F7
Vieste, em sonho, ao meu leito
----------------------E7------- A7
E acordei. Que aflição !
--------Dm-------------- Am------------------- B7
Pensando que te abraçava / Alucinado apertava
---------E7------------- Am----- (Am)
Eu mesmo, meu coração

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Serenata

Uma das primeiras composições da dupla Sílvio Caldas (foto) - Orestes Barbosa, "Serenata" foi adotada por Sílvio como marca musical de suas audições para o resto da carreira. Pela beleza de sua letra, carregada de romantismo - "Dorme, fecha este olhar entardecente / não me escutes nostálgico a cantar / pois não sei se feliz ou infelizmente / não me é dado, beijando, te acordar" -, muito bem musicada por Sílvio, "Serenata" é exemplo de modinha do século XX, indispensável em qualquer seresta de bom gosto. Seu sucesso, em 1935, abriu a grande safra de canções de amor que imperaria nos anos seguintes.

Serenata (canção, 1935) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa

Sívio Caldas

Am------------------------- F
Lá, rá, rá, rá, rá, rá,
----------------------------Am
Lá, rá, rá, rá, rá, rá
---------------------E7
Lá, rá, rá, rá, rá, ri
-------------Am -------E7
La, ri, ri, ri

---Am---------------- E7 ---------Am----- F7
Dorme fecha este olhar entardecente
----------------------------------Am------ F7
Não me escutes nostálgico a cantar
----------------------------------Am
Pois não sei se feliz ou infelizmente
B7 ---------------------------------E7
Não me é dado beijando te acordar
-----A7------------------------- Bb7 ------A7
Dorme deixa o meu canto delirante
---------------------------------------Dm
Dorme que eu olho o céu a contemplar
----------------Eb°-------- Am ---------F7
A lua que procura diamante
---------------------E7 -----------Am------ E7
Para o teu lindo sonho ornamentar
----------Am---------------------- G7
Na serpente de seda dos teus braços
---------------------------------F7
Alguém dorme ditoso sem saber
----------------------E7 ----------A7
Que eu vivo a padecer
Dm -------------Am---------------------- F7
E o meu coração feito em pedaços
Vai sorrindo ao teu amor
--------E7
Mascarado desta dor
Am----------------------------- G7
No teu quarto de sonho e perfume
--------------------------------F7
Onde vive a sorrir teu coração
----------------------E7------ A7
Que é teatro da ilusão
------Dm-------------- Am
Dorme junto a teus pés
--------------------F7
O meu ciúme
Enjeitado e faminto
--------------Am
Como um cão.

Quase que eu disse

silvio caldas

Quase que eu disse (valsa, 1935) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa

Sílvio Caldas

A --------------------- A-------------- E7-------- A
Na febre dos meus desejos / Fui à procura de beijos
---------Gb7--------- Bm --Gb7 --Bm----------------- E7
Em bocas tão desiguais / -------E agora de beijos farto
---Gb7 -------------------B7-------------------------- E7
Tristonho volto pro quarto / Quero chorar nada mais

A ------------------------ A------------ E7---------- A
Sabiam quanto eu te amava/ Sabiam porque eu falava
------Gb7 -----------Bm-- Gb7 --Bm ----------Dm ---------A
A todos do meu amor / ------------E logo a vespa da intriga
------Gb7--------- B7 -----Dm -----------E7--------- A ----E7
Originou esta briga /---- Oh! Minha amiga, que horror

Am-------- C7 ----------B7
Um coração sem carinho
E7
---------É como um galho que perde o ninho
------------------------A7 -------------Dm---- Dm6 ----Am
Na fúria de um vendaval / ------E é triste o ninho rolando
----------------------B7------------------------------ E7
Um passarinho cantando em busca de um canto igual

G7 ------------------------C------------------------ E7
Oh! Quanta desgraça junta / Toda a cidade pergunta
------------------------A7-------- Dm-------------- Am
E vai dizendo o que quer / Na mágoa que me devora
-------------------------B7 -------E7------------ Am
Quase que eu disse agora / O nome desta mulher

domingo, 23 de abril de 2006

Por teu amor

Por Teu Amor (valsa, 1934) - Francisco Alves e Orestes Barbosa

Francisco Alves

Ordena, fala, insinua
Diz o que queres de mim
Jardineiro da amargura
Eu tenho um triste jardim
As rosas nascem na mágoa
Só estas posso colher
Banhadas sempre na água
Do pranto do meu viver

Outras mulheres no meu cantar
Pensam que é delas a minha dor
Mas se tu queres manda calar
Tudo o que eu canto por teu amor
Só nesta valsa eu te diria
Como é tão falsa minha alegria
Como é mentira o meu cantar
Quando o teu nome vivo a ocultar

Há uma forte corrente contra você

Há uma forte corrente contra você (marcha/carnaval, 1934)
- Francisco Alves e Orestes Barbosa
Francisco Alves

Tom: C
Intr.:
F E Am C° C Am7 Dm7 G7 C G5+/7
C
Há uma forte corrente contra você
C#° G C#° G
Toma cuidado
G7
Que o seu vizinho do lado
C
Já anda desconfiado e você sabe o porquê
Dm7 D#° C Am7 Dm7
Se você continuar a viver dessa maneira
G7 C
Vai dar muito o que falar
Dm7 D#° C
Todo mundo já murmura
Am7 Dm7
Que a corrente deste caso
G7 C
É aquela criatura
C
Há uma forte corrente contra você
C#° G C#° G
Toma cuidado
G7
Que o seu vizinho do lado
C
Já anda desconfiado e você sabe o porquê
Dm7 D#° C
Não te faças de inocente
Am7 Dm7
Pois eu leio nos teus olhos
G7 C
Muito medo da corrente
Dm7 D#° C
Pois assim eu nunca vi
Am7 Dm7
Qualquer dia distraído
G7 C
Vais falar mesmo de ti
C
Há uma forte corrente contra você
C#° G C#° G
Toma cuidado
G7
Que o seu vizinho do lado
C
Já anda desconfiado e você sabe o porquê

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Orestes Barbosa

Orestes Barbosa , compositor, escritor e jornalista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 7/5/1893 e faleceu em 15/8/1966. Filho do major Caetano Lourenço da Silva Barbosa e de Maria Angélica Bragança Dias Barbosa, nasceu em Aldeia Campista, bairro perto de Vila Isabel. A família morou na ilha de Paquetá e, quando ele tinha sete anos, foi para o bairro da Gávea.

Aprendeu a ler, nos jornais e letreiros de bonde, com Clodoaldo Pereira de Moraes, pai de Vinícius de Moraes. Nessa época começou a se interessar por violão e com dez anos já sabia tocar. Durante a infância, a família viveu em dificuldades financeiras e somente aos doze anos entrou numa escola, o Liceu de Artes e Ofícios, onde aprendeu o ofício de revisor.

Em 1907 o menino, que já fazia alguns versos, conseguiu seu primeiro emprego como revisor no jornal O Século, dirigido por Rui Barbosa. Depois de algum tempo, deu início a uma longa militância jornalística, que se estenderia ao Diário de Notícias, O Imparcial, A Folha, A Crítica, A Manhã, A Gazeta e A Notícia. Estreou como poeta em 1917 com o livro de versos Penumbra sagrada.

Em 1920 foi a Portugal, onde entrevistou Teófilo Braga, estando também com Guerra Junqueiro pouco antes da morte deste. Como jornalista, incluía-se entre os que criticavam os acontecimentos e as autoridades da época, com destemor e ironia. Seus artigos levaram-no várias vezes à prisão, sendo que a primeira ocorreu em 1921, por haver denunciado o Grêmio Euclides da Cunha como aproveitador dos direitos autorais do patrono. Nesse mesmo ano publicou seu primeiro livro de crônicas-reportagens, Na prisão, que contava histórias de dentro do cárcere. Ainda em 1921 apareceu Água-marinha, seu segundo livro de poesias.

Mais ou menos em 1925, quando ainda existiam só três rádios no Rio de Janeiro - rádios Sociedade, Clube do Brasil e Mayrink Veiga -, foi um dos primeiros a manter uma coluna radiofônica no jornal A Manhã. Durante a presidência Artur Bernardes (1922-1926), esteve novamente preso, mas escrevendo sempre: Bam-bam-bam, 1923; Portugal de perto!, 1923; O português no Brasil, 1925; O pato preto, 1927; todos em prosa.

Estreou como letrista em 1930, com a música Bangalô (com Osvaldo Santiago), gravada por Alvinho, na Odeon, 1931. Nesse mesmo ano, duas músicas suas, em parceria com J. Tomás, foram gravadas na Victor: o fox Flor do asfalto e o samba Carioca, por Castro Barbosa. Ainda em 1931, cantou pela primeira vez em disco, Nega, meu bem (Heitor dos Prazeres), na Parlophon, e em 1933 sua marchinha As lavadeiras (com Nássara), na Columbia. Por essa época, com a colaboração de Nássara, fundou A Jornada, jornal que durou seis meses e que tinha como epígrafe "Não quero saber quem descobriu o Brasil; quero saber quem é que bota água no leite". As pautas mais constantes eram da língua brasileira e campanhas contra a Light. Foi influenciado por suas críticas que Noel Rosa compôs o samba Não tem tradução (1933), em que faz referência às particularidades próprias do idioma falado no Brasil.

Em 1933, com Noel Rosa, fez o samba Positivismo, gravado pelo próprio Noel na Columbia; com Nássara fez Caixa Econômica, samba, gravado por João Petra de Barros e Luís Barbosa, na Victor. Ainda nesse ano a Livraria Educadora, do Rio de Janeiro, editou Samba, livro de crônicas que, em estilo telegráfico, registra a ascensão do samba urbano. Assíduo freqüentador do Café Nice, foi parceiro de grandes compositores, como Custódio Mesquita, Nonô, Noel Rosa, Francisco Alves, Wilson Batista e, seu parceiro mais constante, Sílvio Caldas, com quem compôs valsas e canções que marcaram época na música popular e firmaram a fama de seresteiro do cantor.

Francisco Alves gravou em 1934, na Odeon, a marcha Há uma forte corrente contra você, e na Victor a valsa-canção A mulher que ficou na taça, a valsa Romance e a canção Adeus (todas em parceria com Francisco Alves). Nesse mesmo ano, compôs com Nonô a canção Olga, gravada por Castro Barbosa na Odeon. Ainda em 1934, Sílvio Caldas gravou na Victor Serenata e, no ano seguinte, na Odeon, a valsa-canção Quase que eu disse (ambas com o cantor). De 1934 é Santa dos meus amores, valsa registrada na Victor por Sílvio Caldas, que no ano seguinte gravou na Odeon Torturante ironia.

Em 1937 gravou, também na Odeon, Arranha-céu e a canção Chão de estrelas, hoje antológica. Em 1938 Sílvio Caldas gravou pela Columbia a valsa-canção Suburbana, outra grande criação da dupla. Ainda nesse ano compuseram A única rima, gravada mais tarde por Sílvio Caldas. Além das letras para valsas e canções, ponto forte de sua obra, fez ainda letras para sambas de outros parceiros: com Ataulfo Alves fez O negro e o café, que o próprio Ataulfo gravou na Victor em 1945; com Custódio Mesquita, o samba-choro Flauta, cavaquinho e violão, gravado por Araci de Almeida na Odeon em 1946; com Wilson Batista, Cabelo branco, gravado por Carlos Galhardo na Victor em 1946, e Abigail, gravado por Orlando Silva na Odeon em 1947; com Valzinho compôs Óculos escuros, gravado em 1955 por Zezé Gonzaga.

Na década de 1970 foi relembrado por Paulinho da Viola, que, no LP Paulinho da Viola, gravado na Odeon em 1971, regravou Óculos escuros. Em 1974 Macalé gravou Imagens (com Valzinho), em seu LP Aprender a nadar, pela Philips.

Orestes Barbosa

Orestes Barbosa , compositor, escritor e jornalista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 7/5/1893 e faleceu em 15/8/1966. Filho do major Caetano Lourenço da Silva Barbosa e de Maria Angélica Bragança Dias Barbosa, nasceu em Aldeia Campista, bairro perto de Vila Isabel. A família morou na ilha de Paquetá e, quando ele tinha sete anos, foi para o bairro da Gávea.

Aprendeu a ler, nos jornais e letreiros de bonde, com Clodoaldo Pereira de Moraes, pai de Vinícius de Moraes. Nessa época começou a se interessar por violão e com dez anos já sabia tocar. Durante a infância, a família viveu em dificuldades financeiras e somente aos doze anos entrou numa escola, o Liceu de Artes e Ofícios, onde aprendeu o ofício de revisor.

Em 1907 o menino, que já fazia alguns versos, conseguiu seu primeiro emprego como revisor no jornal O Século, dirigido por Rui Barbosa. Depois de algum tempo, deu início a uma longa militância jornalística, que se estenderia ao Diário de Notícias, O Imparcial, A Folha, A Crítica, A Manhã, A Gazeta e A Notícia. Estreou como poeta em 1917 com o livro de versos Penumbra sagrada.

Em 1920 foi a Portugal, onde entrevistou Teófilo Braga, estando também com Guerra Junqueiro pouco antes da morte deste. Como jornalista, incluía-se entre os que criticavam os acontecimentos e as autoridades da época, com destemor e ironia. Seus artigos levaram-no várias vezes à prisão, sendo que a primeira ocorreu em 1921, por haver denunciado o Grêmio Euclides da Cunha como aproveitador dos direitos autorais do patrono. Nesse mesmo ano publicou seu primeiro livro de crônicas-reportagens, Na prisão, que contava histórias de dentro do cárcere. Ainda em 1921 apareceu Água-marinha, seu segundo livro de poesias.

Mais ou menos em 1925, quando ainda existiam só três rádios no Rio de Janeiro - rádios Sociedade, Clube do Brasil e Mayrink Veiga -, foi um dos primeiros a manter uma coluna radiofônica no jornal A Manhã. Durante a presidência Artur Bernardes (1922-1926), esteve novamente preso, mas escrevendo sempre: Bam-bam-bam, 1923; Portugal de perto!, 1923; O português no Brasil, 1925; O pato preto, 1927; todos em prosa.

Estreou como letrista em 1930, com a música Bangalô (com Osvaldo Santiago), gravada por Alvinho, na Odeon, 1931. Nesse mesmo ano, duas músicas suas, em parceria com J. Tomás, foram gravadas na Victor: o fox Flor do asfalto e o samba Carioca, por Castro Barbosa. Ainda em 1931, cantou pela primeira vez em disco, Nega, meu bem (Heitor dos Prazeres), na Parlophon, e em 1933 sua marchinha As lavadeiras (com Nássara), na Columbia. Por essa época, com a colaboração de Nássara, fundou A Jornada, jornal que durou seis meses e que tinha como epígrafe "Não quero saber quem descobriu o Brasil; quero saber quem é que bota água no leite". As pautas mais constantes eram da língua brasileira e campanhas contra a Light. Foi influenciado por suas críticas que Noel Rosa compôs o samba Não tem tradução (1933), em que faz referência às particularidades próprias do idioma falado no Brasil.

Em 1933, com Noel Rosa, fez o samba Positivismo, gravado pelo próprio Noel na Columbia; com Nássara fez Caixa Econômica, samba, gravado por João Petra de Barros e Luís Barbosa, na Victor. Ainda nesse ano a Livraria Educadora, do Rio de Janeiro, editou Samba, livro de crônicas que, em estilo telegráfico, registra a ascensão do samba urbano. Assíduo freqüentador do Café Nice, foi parceiro de grandes compositores, como Custódio Mesquita, Nonô, Noel Rosa, Francisco Alves, Wilson Batista e, seu parceiro mais constante, Sílvio Caldas, com quem compôs valsas e canções que marcaram época na música popular e firmaram a fama de seresteiro do cantor.

Francisco Alves gravou em 1934, na Odeon, a marcha Há uma forte corrente contra você, e na Victor a valsa-canção A mulher que ficou na taça, a valsa Romance e a canção Adeus (todas em parceria com Francisco Alves). Nesse mesmo ano, compôs com Nonô a canção Olga, gravada por Castro Barbosa na Odeon. Ainda em 1934, Sílvio Caldas gravou na Victor Serenata e, no ano seguinte, na Odeon, a valsa-canção Quase que eu disse (ambas com o cantor). De 1934 é Santa dos meus amores, valsa registrada na Victor por Sílvio Caldas, que no ano seguinte gravou na Odeon Torturante ironia.

Em 1937 gravou, também na Odeon, Arranha-céu e a canção Chão de estrelas, hoje antológica. Em 1938 Sílvio Caldas gravou pela Columbia a valsa-canção Suburbana, outra grande criação da dupla. Ainda nesse ano compuseram A única rima, gravada mais tarde por Sílvio Caldas. Além das letras para valsas e canções, ponto forte de sua obra, fez ainda letras para sambas de outros parceiros: com Ataulfo Alves fez O negro e o café, que o próprio Ataulfo gravou na Victor em 1945; com Custódio Mesquita, o samba-choro Flauta, cavaquinho e violão, gravado por Araci de Almeida na Odeon em 1946; com Wilson Batista, Cabelo branco, gravado por Carlos Galhardo na Victor em 1946, e Abigail, gravado por Orlando Silva na Odeon em 1947; com Valzinho compôs Óculos escuros, gravado em 1955 por Zezé Gonzaga.

Na década de 1970 foi relembrado por Paulinho da Viola, que, no LP Paulinho da Viola, gravado na Odeon em 1971, regravou Óculos escuros. Em 1974 Macalé gravou Imagens (com Valzinho), em seu LP Aprender a nadar, pela Philips.