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domingo, 28 de novembro de 2010

Errar é banal

Linda Batista
Errar é banal (samba, 1946) - Erasmo Silva e Arnô Provenzano

Título da música: Errar é banal / Gênero musical: Samba / Intérprete: Linda Batista / Compositores: Provenzano, Arno - Silva, Erasmo / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800422 / Data de Gravação 00/1946 / Data de Lançamento 00/1946 / Lado B / Disco 78 rpm:


O errar na vida / É uma coisa tão banal
Persistir no erro / É que não é natural
Persistindo assim / Você não tem termina bem
Não há ninguém neste mundo / Que faça algum mal
E não pague também

O errar na vida / É uma coisa tão banal
Persistir no erro / É que não é natural
Persistindo assim / Você não tem termina bem
Não há ninguém neste mundo / Que faça algum mal
E não pague também

Quem espera alcança / Eu não canso de esperar
Quem procura encontra / Você vai encontrar
Alguém que lhe maltrate / E lhe trate com desdém
Não há ninguém neste mundo / Que faça algum mal
E não pague também

Uma grande dor

Linda Batista
Uma grande dor (samba, 1959) -  Oldemar Magalhães, Otolindo Lopes e Arnô Provenzano

Título da música: Uma grande dor / Gênero musical: Samba / Intérprete: Linda Batista / Compositores: Provenzano, Arno - Magalhães, Oldemar - Lopes, Otolindo / Acompanhamento Coro / Orquestra / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 802019 / Data de Gravação 08/10/1958 / Data de Lançamento 01/1959 / Lado B / Disco 78 rpm:


Só quem perdeu um grande amor
É que pode avaliar
Uma grande dor
Uma grande dor

Só quem perdeu um grande amor
É que pode avaliar
Uma grande dor
Uma grande dor

Sofro
Pelo muito que eu chorei
Pra que serve essa vida
Que eu perdi
A quem tanto eu amei

Só quem perdeu um grande amor
É que pode avaliar
Uma grande dor
Uma grande dor

Só quem perdeu um grande amor
É que pode avaliar
Uma grande dor
Uma grande dor

Sofro
Pelo muito que eu chorei
Pra que serve essa vida
Que eu perdi
A quem tanto eu amei

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quem gosta de passado é museu

Linda Rodrigues
Quem gosta de passado é museu (samba, 1964) - Jorge de Castro e Florinda de Oliveira

Título da música: Quem gosta de passado é museu / Gênero musical: Samba / Intérprete: Linda Batista / Compositores: Oliveira, Florinda de - Castro, Jorge de / Gravadora Mocambo / Número do Álbum 15542 / Data de Lançamento 01/1964 / Lado A / Disco 78 rpm:


Não vou chorar o que perdi
Nem reclamar o que foi meu
Todo mundo sabe
Quem gosta de passado é museu

Não vou chorar o que perdi
Nem reclamar o que foi meu
Todo mundo sabe
Quem gosta de passado é museu

Meus amigos me abandonaram
Meu grande amor também
Já me esqueceu
Não quero reportar
O que o meu coração sofreu
Quem gosta de passado é museu

Qual é o caso

Linda Batista
Qual é o caso (samba, 1958) - Erasmo Silva e Jorge de Castro

Título da música: Qual é o caso / Gênero musical: Samba / Intérprete: Linda Batista / Compositores: Silva, Erasmo - Castro, Jorge de / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 801888 / Data de Gravação 00/1957 / Data de Lançamento 00/1958 / Lado B / Disco 78 rpm:


Qual é o caso
Deixe eu bater meu tamborim
O patrão me dispensou
Agora a escola vai por mim

Qual é o caso
Deixe eu bater meu tamborim
O patrão me dispensou
Agora a escola vai por mim

A bateria está completa
Pra fazer a marcação
Agora castigue no apito
Pra turma fazer evolução

Qual é o caso
Deixe eu bater meu tamborim
O patrão me dispensou
Agora a escola vai por mim

A bateria está completa
Pra fazer a marcação
Agora castigue no apito
Pra turma fazer evolução

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Perdão Senhor

Linda Batista
Perdão Senhor (samba, 1950) -  J. Piedade e W. Goulart

Título da música: Perdão senhor / Gênero musical: Samba / Intérprete: Linda Batista / Compositores: Piedade, J - Goulart, W / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800637 / Data de Gravação 00/1949 / Data de Lançamento 00/1950 / Lado B / Disco 78 rpm:


Perdão, Senhor! / Perdão, Senhor!
Se eu pequei / Porque arranjei um novo amor
Perdão, Senhor! / Perdão, Senhor!
Se eu pequei / Porque arranjei um novo amor

Não fui feliz / Nem por um dia
Pois em meu lar / Só existiu
Fantasia, ai, ai, ai...

Perdão, Senhor! / Perdão, Senhor!
Se eu pequei / Porque arranjei um novo amor
Perdão, Senhor! / Perdão, Senhor!
Se eu pequei / Porque arranjei um novo amor

Não fui feliz / Nem por um dia
Pois em meu lar / Só existiu
Fantasia, ai, ai, ai...

Papai não quer

Linda Batista
Papai não quer (marcha, 1950)- J. Piedade e W. Goulart

Título da música: Papai não quer / Gênero musical: Marcha / Intérprete: Linda Batista / Compositores: J. Piedade e W. Goulart / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800637 / Data de Gravação 00/1949 / Data de Lançamento 00/1950 / Lado A / Disco 78 rpm:


O Dedé nasceu para chorar
Acho que é perfeita pra chupar
Mamadeira é feita pra mamar
Mamãe eu quero
Eu quero me acabar!

Mamãe, mamãe
Eu quero me casar
Papai, papai
Papai não quer deixar
Disse que eu sou menor
E que a vida assim
É melhor!

A mão de piche

Linda Batista
A mão de piche (marcha, 1950) - Donga e J. Piedade

Título da música: A mão de piche / Gênero musical: Marcha / Intérprete: Linda Batista / Compositores: Donga - Piedade, J / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800632 / Data de Gravação 00/1949 / Data de Lançamento 1950-1950 / Lado B / Disco 78 rpm:


A mão de piche / A mão de pau
Qual é a mão que fica?
A mão do bem / A mão do mal
Tinta é tinta e é bom material

A mão de piche / A mão de pau
Qual é a mão que fica?
A mão do bem / A mão do mal
Tinta é tinta e é bom material!

Até no carnaval / Com a tinta
O pintor fez uma pinta / Na cabrocha
Houve a transformação / Do piche com o sal
E nasceu essa cabrocha infernal!

A mão de piche / A mão de pau
Qual é a mão que fica?
A mão do bem / A mão do mal
Tinta é tinta e é bom material!

Até no carnaval / Com a tinta
O pintor fez uma pinta / Na cabrocha
Houve a transformação / Do piche com o sal
E nasceu essa cabrocha infernal!

Macaco quer banana

Linda Batista
Macaco quer banana (marcha, 1940) -  J. Piedade e Sá Roris

Título da música: Macaco quer banana / Gênero musical: Marcha / Intérprete: Linda Batista / Compositores: Piedade, J - Sá Roris / Gravadora Odeon / Número do Álbum 11813 / Data de Gravação 00/1939 / Data de Lançamento 00/1940 / Lado A / Disco 78 rpm:


Macaco quando pula / Porque quer banana
(banana, oie, banana) / Menino quando chora
Porque quer mamar / Você não é macaco
Nem menino pra pular (oie)

Você quer apanhar / Você quer apanhar
(você quer apanhar) / (você quer apanhar)

Macaco quando pula / Porque quer banana
(banana, oie, banana) / Menino quando chora
Porque quer mamar / Você não é macaco
Nem menino pra pular (oie)

Conheço um chimpanzé / Que é uma perdição
Parece que foi gente / Noutra encarnação
Quando vê você / Mesmo não sei porque
Meu consolo é você / Meu consolo é você
(meu consolo é você) / (meu consolo é você)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

As rainhas do Rádio

Emilinha Borba quando eleita a "Rainha do Rádio" em 1953 (com Mary Gonçalves, rainha de 1952).
Introdução

O centenário da Independência do Brasil, em 1922, foi programado para ser um evento em que se pretendia demonstrar a pujança e o desenvolvimento de nosso País aos olhos do mundo. Manifestando interesse, vários países montaram pavilhões no Rio de Janeiro, então capital da República. A grande atração da festa, porém, foi a introdução da radiofonia no Brasil. Duas estações norte-americanas de pequena potência foram instaladas: a Westinghouse e Western Eletric. Alguns aparelhos receptores foram espalhados em praças públicas, a fim de que a população acompanhasse as transmissões. A novidade, segundo Roquette Pinto, um dos pioneiros do rádio no Brasil, não surtiu maiores efeitos:

"A verdade é que durante as solenidades comemorativas de 1922, muito pouca gente se interessou pelas demonstrações então realizadas pelas companhias Westinghouse (Estação do Corcovado) e Western Eletric (Estação da Praia Vermelha). Creio que a causa principal desse desinteresse foram os alto-falantes instalados nas torres do Serviço de Meteorologia (Pavilhão dos Estados). Eram discursos e músicas reproduzidos no meio de um barulho infernal, tudo roufenho, distorcido, arranhando os ouvidos. Era uma curiosidade sem maiores conseqüências.

No começo de 1923, desmontava-se a estação do Corcovado e a da Praia Vermelha ia seguir o mesmo destino se o Governo não a comprasse. O Brasil ficaria sem rádio. Eu vivia angustiado porque já tinha a convicção profunda do valor informativo e cultural do sistema, desde que ouvira as transmissões que foram dirigidas na época pelos engenheiros J.C. Stroebel, J.Jonotskoff e Mario Liberalli. Uma andorinha só não faz verão; por isso resolvi interessar no problema a Academia de Ciências, presidida pelo nosso querido mestre Henrique Morize. E foi assim que nasceu a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, a 20 de abril de 1923."

A partir daí, aconteceram iniciativas isoladas, principalmente no Rio de Janeiro. Eram os chamados rádios-clubes ou rádios-educadoras, cuja programação era custeada por seus sócios-ouvintes, consistindo, basicamente, em difusão de música erudita e conferências culturais. Recorde-se que até 1932 o governo não autorizava a veiculação de publicidade pelo rádio.

A própria Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, anos depois, teve sua concessão e bens devolvidos ao governo pelos fundadores, que não conseguiram mais mantê-la apenas com o apoio dos ouvintes. Ela se transformaria, em 1936, na Rádio Ministério da Educação e Saúde, atualmente conhecida como Rádio MEC. Anos antes, em 1932, Getúlio Vargas já criara o Serviço de Radiodifusão Educativa, objetivando ordenar o surgimento de várias emissoras pelo País. Dessa fase pioneira são originárias a Rádio Sociedade (1923), a Rádio Clube do Brasil (1924), a Educadora do Brasil (1926), Mayrink Veiga (1926), Rádio Cruzeiro do Sul (1933) e a Rádio Transmissora Brasileira (1936).

Acrescente-se ao grupo a Rádio Philips, de 1930, que “representava os interesses da empresa holandesa fabricante de discos, receptores e transmissores radiofônicos, disposta a entrar no mercado sulamericano”. Tal emissora tem especial importância, pois foi por sua compra, por meio da Sociedade Civil Brasileira Rádio Nacional, em 1936, que ela viria a apresentar papel quase monopolístico nas transmissões radiofônicas, de forma mais ou menos parecida com a atuação da Rede Globo na televisão.

Num tempo de um Brasil com boa parte de sua população ainda analfabeta (2) e dado o alcance das então chamadas “ondas hertzianas”, que moldavam a opinião pública em seus vários aspectos, a Rádio Nacional viria, por seu longo alcance – abrangia todo o território nacional e vários países estrangeiros, por meio das ondas curtas – trazer para quase todos os lares as últimas notícias, moldando a opinião pública, vendendo produtos, lançando modas, além de alimentar os sonhos dos ouvintes com a voz de atores e atrizes, astros e estrelas.

Está no ar a PRE-8, Rádio Nacional do Rio de Janeiro

Ao som da conhecida canção Luar do sertão, de Catulo da Paixão Cearense, o locutor anunciava estar no ar a Rádio Nacional. Era 21h de 12 de setembro de 1936, um sábado. Já mesmo neste ano começou a se diferenciar de suas concorrentes. Reunia alguns dos maiores nomes da música nacional, tais como Orlando Silva, Araci de Almeida e Francisco Alves.

Abrigava também os melhores maestros em seu corpo de profissionais, tais como Radamés Gnattali e Romeu Ghipsman. Praticamente introduziu os programas de auditório, com Ademar Casé e Almirante. Reunia também os melhores locutores (3), tais como Oduvaldo Cozzi e Heron Domingues (4). E, finalmente, investia no rádioteatro, precursor das novelas de rádio, com nomes como Ismênia dos Santos e Rodolfo Mayer. Pouco depois, a 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas criava o Estado Novo, outorgando uma nova Constituição ao País.

Algumas das conseqüências imediatas foram fechar o Poder Legislativo e amordaçar o Judiciário e a imprensa, por meio de severa censura. Não passara despercebido ao ditador o imenso poder que o rádio poderia desempenhar, e, particularmente, o que a Rádio Nacional já vinha exercendo no País todo (5). Foi assim que, a 8 de março de 1940 editou o Decreto-lei n. 2.073, criador das chamadas “Empresas Incorporadas ao Patrimônio da União”. Por tal norma, em virtude de dívidas, era incorporado (6) ao patrimônio da União o acervo da Rede Ferroviária São Paulo-Rio Grande e os bens das sociedades “A Noite”, “Rio Editora” e “Rádio Nacional”.

Essas últimas, sem passivos que justificassem a medida, eram trazidas para a área do governo por representarem instrumento poderoso de manipulação social, presente, principalmente, na atuação da Rádio Nacional. O fato de pertencer à estrutura da União, isto é, de ser “rádio do governo”, fez com que a Nacional se tornasse, efetivamente, nas décadas de 40 e 50 do século passado, a principal emissora dos chamados “anos de ouro do rádio”.

A partir dessa injeção maciça de recursos, a programação sofreu incremento ainda maior, e, transmitida ao vivo, passou a operar uma espécie de integração cultural brasileira, ainda que extremamente massificada, criando audaciosos programas, como foi o caso de Um Milhão de Melodias.

Particularmente interessa a penetração que teve a Rádio Nacional no que diz respeito à música popular brasileira. Ao lado de poderosas gravadoras de então, tais como Odeon, Columbia, Pharlophon e RCA Victor, ser divulgado ou não poderia ser o sucesso ou o fracasso de muitas carreiras. Não se pode esquecer, ainda, do cinema e de vários órgãos de imprensa, que faziam com o que cantor “ouvido” pudesse ser “visto” por todo o Brasil, corporificando a voz que já era transmitida por meio de discos e de programas radiofônicos.

Os fãs-clubes que então surgem são um reflexo popular e, organizados em pequenos grupos ou células, divulgavam material do ídolo, servindo como uma ponte interessante para as gravadoras e para o próprio intérprete, que, por essas agremiações, poderia ter exata noção da própria popularidade, servindo-se delas para a maior aquisição de seus discos. Essas entidades acompanhavam os seus ídolos em qualquer aparição pública. “O auditório da Rádio Nacional era o ponto de encontro preferido dos fãs, mesmo porque era ali, no palco da emissora, que estavam as vozes mais cobiçadas do momento”.

Sua Majestade, a Rainha do Rádio

A primeira cantora eleita Rainha do Rádio foi indicada por um colégio eleitoral formado por diretores e representantes da direção das emissoras presentes ao baile précarnavalesco. Na noite de 18 de fevereiro de 1936, Linda Batista (7) (1919-1988) recebeu o cetro e coroa do que seria o mais longo “reinado” do rádio.

Somente doze anos após, o concurso teria uma nova feição. E uma finalidade beneficente. A sucessão ficaria em família, com Dircinha Batista (8) (1922-1999), sua irmã, sendo coroada em 1948. Já a eleição do ano seguinte seria bem menos tranqüila, pois envolveu Emilinha Borba (9) (1923-2005), que já era a chamada Favorita da Marinha e com cinco anos dedicados à Nacional. Além disso, Emilinha havia emplacado em 1947 o seu primeiro grande sucesso, a rumba Escandalosa tendo por concorrente a recém-chegada Marlene (10) (1924), que partiu sem temor rumo a disputa da Coroa de Rainha do Rádio. A massa extravasava seu delírio pelos fãs-clubes. Homens e principalmente mulheres, de aparência desleixada e pobre, acotovelavam-se nos corredores da Nacional e nos diversos teatros das cidades. A histeria era tanta que o jornalista Nestor de Holanda cunhou a expressão “macacas de auditório” – o que atingiu, é verdade que de forma preconceituosa, especialmente o contingente negro dessas formações.

Mas, no fundo, o fenômeno trazia uma carga espontânea, sincera: a ansiosa necessidade de fruição do sucesso e de participação na glória artística, mesmo efêmera. A votação se fazia por meio de cupons a serem recortados das revistas especializadas – como Radiolândia e, especialmente a Revista do Rádio. O resultado deixou surpreendido o mais ortodoxo ouvinte, pois o fã-clube de Marlene foi mais eficiente e elegeu a paulista, para Rainha do Rádio de 1949 e 1950. O título possibilitou que a estrela ganhasse um programa próprio na Rádio Nacional. Nesse ínterim, a disputa entre os dois grandes fãs-clubes (Marlene versus Emilinha) continuava acesa. Essa rivalidade, criada muito mais pelas gravadoras de discos, não atingia, ao que parece, as duas cantoras, em âmbito pessoal. Ficavam muito mais para estimular o consumo de seus fãs e a sua própria alienação.

O fã clube de Emilinha reverteria a derrota apenas na eleição de 1953, quando a cantora foi eleita com mais de um milhão de votos. Na seqüência foram eleitas Dalva de Oliveira (11) (1917-1972) em 1951, Mary Gonçalves (12) (1927) em 1952, Emilinha Borba (1923-2005) em 1953, Ângela Maria (13) (1928) em 1954, a portuguesa Vera Lucia em 1955, Dóris Monteiro (14) (1934) em 1956 e Julie Joy (15) em 1958.

Declínio

A concretização dos conceitos modernos de manipulação publicitária de um ídolo dos auditórios chegou ao seu apogeu com Cauby Peixoto (1934) ao longo da década de 1950. Seu empresário, Di Veras, foi o baluarte dessa técnica, que consistia em seduzir as fãs, chegando a pagá-las para gritar, desmaiar e arrancar as roupas do ídolo, em suas passagens. Aliás, a transição para a década de 1950 trouxera muitas novidades, nem todas cercadas de aprovação unânime, apesar do sucesso. O centro das atenções musicais passava a ser ocupado pelo brasileiro cosmopolita, urbano, industrializado, pronto a gozar das delícias do litoral à beira do asfalto. A maior tradução desse novo personagem foi o cantor Dick Farney (16) (1921-1987), transformado pela Nacional em novo ídolo, cantando Copacabana:

Existem praias tão lindas, cheias de luz  /   Nenhuma tem o encanto que tu possuis   / Tuas areias  /  Teu céu tão lindo  /  Tuas sereias sempre sorrindo  /  Copacabana princesinha do mar   /  Pelas manhãs tu és a vida a cantar  /  E a tardinha ao sol poente  /  Deixa sempre uma saudade /  Na gente  /  Copacabana o mar etermo cantor  /  Ao te beijar ficou perdido de amor   / E hoje vive a murmurar   / Só a ti Copacabana  /  Eu hei de amar...

A nascente industrialização do Brasil gerava novos espaços urbanos destinados ao lazer das classes em ascensão. Já então a influência da Nacional na canção brasileira não se limitava ao que era produzido em seus estúdios ou no palco-auditório. Também ali estava o celeiro de novas idéias e sons, de talentos capazes de saciar a fome de sucesso da demanda de um mercado interno exigente. Na Praça Mauá, n. 7, havia um elenco à disposição, uma constelação em que brilhavam astros e rainhas do rádio. A essa altura, o cast da Nacional podia resistir até mesmo à perda do Rei da Voz (Francisco Alves), tragicamente desaparecido em desastre rodoviário em 1952. O patrocinador e a emissora se incumbiram de manter viva a memória desse cantor pela continuidade de seu programa (domingos, às 12h). Na primeira transmissão sem o cantor, Linda Batista interpreta emocionada a canção feita por Antonio Nássara e Wilson Batista, intitulada Chico Viola:

Chora Estácio, Salgueiro e Mangueira, / Todo o Brasil emudeceu, / Chora o mundo inteiro, / O Chico Viola morreu. / Na voz do seu plangente violão, / Ele deixou, seu coração, / Partiu, disse adeus, foi pro céu, / Foi fazer, foi fazer,/ Companhia a Noel.

Mas ali estavam outros astros e estrelas de primeira grandeza. O rádio assumia a tarefa de estimular a produção carnavalesca, secundado pelos musicais da companhia cinematográfica Atlântida, já que a urbanização crescente e as limitações da Guerra estavam acabando com as “batalhas de confete”, os corsos e outras manifestações populares. Nem sempre a realidade social e política inspiravam os compositores carnavalescos.

Mesmo assim, a produção musical do começo da década de 1950 já comportava o lirismo crítico da sociedade. Atento às modificações e influências sofridas pela nossa canção, os responsáveis providenciaram uma nova subdivisão para o Departamento Musical da Nacional, surgindo então o Departamento de Canção Brasileira, uma das atrações do então recém-criado Departamento foi o programa Cancioneiro Royal. Era a Nacional acompanhando os tempos e decretando praticamente a sua condição de veículo de comunicação subalterno. Curiosamente, a primeira tentativa de transmissões de imagens por televisão no Brasil foi feita na Nacional, numa noite de 1950, antes mesmo da inauguração da TV Difusora de São Paulo, empresa dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand.

No ano seguinte surgia a primeira emissora carioca, a TV Tupi, também dos Diários Associados. O poderio das empresas presididas por Assis Chateaubriand foi reforçado com a expansão da rede de televisão, que logo chegara a dezoito canais em todo o país, completando o império de comunicação formado por quarenta e três jornais, trinta e seis emissoras de rádio, uma agência de notícias, a revista semanal O Cruzeiro, dez revistas infantis e uma editora, além de laboratórios farmacêuticos e investimentos agropecuários.

A atração do novo veículo preocupava e rondava a sede da Nacional, no prédio de A Noite. Enquanto alguns artistas e administradores se deslumbravam com a expectativa do novo veículo, os verdadeiros homens de rádio se preocupavam com o futuro impacto da telinha sobre o microfone, a quem tanto deviam. Algumas perguntas rondavam as conversas de bares ou os travesseiros dos produtores enquanto o sono não vinha: que problemas traria a vulgarização da TV entre as donas de casa, fiéis consumidoras de radio-novelas? E até quando os patrocinadores continuariam a investir no rádio os anúncios que chegavam a 24% do volume total das verbas publicitárias? Sem recursos para manter elencos estáveis, como fazer um rádio criativo e atraente

Ao lado disso, a competição entre os canais de TV (principalmente entre a Difusora de São Paulo e a Tupi do Rio de Janeiro) ampliaria rapidamente a opção de programas para o público, acarretando a venda de televisores e revolucionando a mídia das agências de publicidade e dos anunciantes diretos. Tampouco estaria nas imediações da Nacional o principal vendedor de programas: depois de dezesseis anos dirigindo a Rádio Nacional, Victor Costa pediu exoneração e transferiu-se para São Paulo, em meio a uma das maiores crises políticas do Brasil e da própria Rádio Nacional.

Quanto ao rádio, Vargas conhecia muitíssimo a penetração da emissora que ele mesmo incorporara à União em 1940 e a cobiça despertada pelo posto de diretor-geral da Nacional. Desde 1938, Victor Costa ocupava tal cargo, e sabia que, com o suicídio de Vargas, seria acusado pela oposição de pôr os microfones da emissora à serviço do getulismo. Ele não seria perdoado pelo jornalista da UDN Carlos Lacerda e pelos militares da Aeronáutica que compunham a chamada República do Galeão, e assim pediu sua exoneração em caráter irrevogável, tendo elogiado a indicação de Heron Domingues para substituí-lo na Nacional.

Mas os dias de glória da Nacional estavam contados, governos se sucederam, privatizações aconteceram e o antigo brilho se apagou. O rádio chegava ao final dos anos 50 e início dos anos 60 consolidado em sua posição de meio de comunicação de massa, como elemento fundamental na formação de hábitos e costumes da sociedade brasileira, mas sua importância foi sendo progressivamente eclipsada pela televisão. No apagar das luzes do século XX e no limiar do século XXI, pode-se dizer que infelizmente a Era do Rádio, e, com ela, os concursos de Rainha do Rádio, perderam lugar para o imediatismo dos acontecimentos e a sua direta proporcionalidade de divulgação para o mundo.

Por: Wagner Tadeu Pietropoli Morais Luiz Eduardo Alves de Siqueira -
(www.escoladeradio.com.br).

(2) Conforme o recenseamento de 1920, havia 71,2% de analfabetos, taxa que decresceu para 61,2% no Censo seguinte, ocorrido em 1940 (FERRARO, 2002). (3) Então chamados speakers. (4) Que imortalizou o Repórter Esso, no ar entre 1941 e 1968. (5) Tanto assim que em fins de 1939 criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), nos moldes do Ministério da Propaganda da Alemanha nazista, visando controlar todos os canais de comunicação (rádio, imprensa e teatro), para que divulgassem apenas feitos laudatórios ou inofensivos ao Estado Novo. (6) O termo jurídico para tal ato é reversão, a qual, segundo a doutrina da Professora Irene Patrícia Nohara, é “uma conseqüência da extinção da concessão e implica a incorporação, pelo poder concedente, dos bens do concessionário necessários à prestação do serviço público”. (7) Nome artístico de Florinda Grandino de Oliveira.(8) Nome artístico de Dirce Grandino de Oliveira.(9) Nome artístico de Emília Savana da Silva Borba. (10) Nome artístico de Vitória Bonaiutti De Martino. (11) Nome artístico de Vicentina de Paula Oliveira. (12) Nome artístico de Nice Figueiredo Rocha. (13) Nome artístico de Abelim Maria da Cunha. (14) Nome artístico de Adelina Dóris Monteiro. (15) Nome artístico de Julie Joy Winniamin Farberow. (16) Nome artístico de Farnésio Dutra e Silva.

As rainhas do Rádio

Emilinha Borba quando eleita a "Rainha do Rádio" em 1953 (com Mary Gonçalves, rainha de 1952).
Introdução

O centenário da Independência do Brasil, em 1922, foi programado para ser um evento em que se pretendia demonstrar a pujança e o desenvolvimento de nosso País aos olhos do mundo. Manifestando interesse, vários países montaram pavilhões no Rio de Janeiro, então capital da República. A grande atração da festa, porém, foi a introdução da radiofonia no Brasil. Duas estações norte-americanas de pequena potência foram instaladas: a Westinghouse e Western Eletric. Alguns aparelhos receptores foram espalhados em praças públicas, a fim de que a população acompanhasse as transmissões. A novidade, segundo Roquette Pinto, um dos pioneiros do rádio no Brasil, não surtiu maiores efeitos:

"A verdade é que durante as solenidades comemorativas de 1922, muito pouca gente se interessou pelas demonstrações então realizadas pelas companhias Westinghouse (Estação do Corcovado) e Western Eletric (Estação da Praia Vermelha). Creio que a causa principal desse desinteresse foram os alto-falantes instalados nas torres do Serviço de Meteorologia (Pavilhão dos Estados). Eram discursos e músicas reproduzidos no meio de um barulho infernal, tudo roufenho, distorcido, arranhando os ouvidos. Era uma curiosidade sem maiores conseqüências.

No começo de 1923, desmontava-se a estação do Corcovado e a da Praia Vermelha ia seguir o mesmo destino se o Governo não a comprasse. O Brasil ficaria sem rádio. Eu vivia angustiado porque já tinha a convicção profunda do valor informativo e cultural do sistema, desde que ouvira as transmissões que foram dirigidas na época pelos engenheiros J.C. Stroebel, J.Jonotskoff e Mario Liberalli. Uma andorinha só não faz verão; por isso resolvi interessar no problema a Academia de Ciências, presidida pelo nosso querido mestre Henrique Morize. E foi assim que nasceu a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, a 20 de abril de 1923."

A partir daí, aconteceram iniciativas isoladas, principalmente no Rio de Janeiro. Eram os chamados rádios-clubes ou rádios-educadoras, cuja programação era custeada por seus sócios-ouvintes, consistindo, basicamente, em difusão de música erudita e conferências culturais. Recorde-se que até 1932 o governo não autorizava a veiculação de publicidade pelo rádio.

A própria Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, anos depois, teve sua concessão e bens devolvidos ao governo pelos fundadores, que não conseguiram mais mantê-la apenas com o apoio dos ouvintes. Ela se transformaria, em 1936, na Rádio Ministério da Educação e Saúde, atualmente conhecida como Rádio MEC. Anos antes, em 1932, Getúlio Vargas já criara o Serviço de Radiodifusão Educativa, objetivando ordenar o surgimento de várias emissoras pelo País. Dessa fase pioneira são originárias a Rádio Sociedade (1923), a Rádio Clube do Brasil (1924), a Educadora do Brasil (1926), Mayrink Veiga (1926), Rádio Cruzeiro do Sul (1933) e a Rádio Transmissora Brasileira (1936).

Acrescente-se ao grupo a Rádio Philips, de 1930, que “representava os interesses da empresa holandesa fabricante de discos, receptores e transmissores radiofônicos, disposta a entrar no mercado sulamericano”. Tal emissora tem especial importância, pois foi por sua compra, por meio da Sociedade Civil Brasileira Rádio Nacional, em 1936, que ela viria a apresentar papel quase monopolístico nas transmissões radiofônicas, de forma mais ou menos parecida com a atuação da Rede Globo na televisão.

Num tempo de um Brasil com boa parte de sua população ainda analfabeta (2) e dado o alcance das então chamadas “ondas hertzianas”, que moldavam a opinião pública em seus vários aspectos, a Rádio Nacional viria, por seu longo alcance – abrangia todo o território nacional e vários países estrangeiros, por meio das ondas curtas – trazer para quase todos os lares as últimas notícias, moldando a opinião pública, vendendo produtos, lançando modas, além de alimentar os sonhos dos ouvintes com a voz de atores e atrizes, astros e estrelas.

Está no ar a PRE-8, Rádio Nacional do Rio de Janeiro

Ao som da conhecida canção Luar do sertão, de Catulo da Paixão Cearense, o locutor anunciava estar no ar a Rádio Nacional. Era 21h de 12 de setembro de 1936, um sábado. Já mesmo neste ano começou a se diferenciar de suas concorrentes. Reunia alguns dos maiores nomes da música nacional, tais como Orlando Silva, Araci de Almeida e Francisco Alves.

Abrigava também os melhores maestros em seu corpo de profissionais, tais como Radamés Gnattali e Romeu Ghipsman. Praticamente introduziu os programas de auditório, com Ademar Casé e Almirante. Reunia também os melhores locutores (3), tais como Oduvaldo Cozzi e Heron Domingues (4). E, finalmente, investia no rádioteatro, precursor das novelas de rádio, com nomes como Ismênia dos Santos e Rodolfo Mayer. Pouco depois, a 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas criava o Estado Novo, outorgando uma nova Constituição ao País.

Algumas das conseqüências imediatas foram fechar o Poder Legislativo e amordaçar o Judiciário e a imprensa, por meio de severa censura. Não passara despercebido ao ditador o imenso poder que o rádio poderia desempenhar, e, particularmente, o que a Rádio Nacional já vinha exercendo no País todo (5). Foi assim que, a 8 de março de 1940 editou o Decreto-lei n. 2.073, criador das chamadas “Empresas Incorporadas ao Patrimônio da União”. Por tal norma, em virtude de dívidas, era incorporado (6) ao patrimônio da União o acervo da Rede Ferroviária São Paulo-Rio Grande e os bens das sociedades “A Noite”, “Rio Editora” e “Rádio Nacional”.

Essas últimas, sem passivos que justificassem a medida, eram trazidas para a área do governo por representarem instrumento poderoso de manipulação social, presente, principalmente, na atuação da Rádio Nacional. O fato de pertencer à estrutura da União, isto é, de ser “rádio do governo”, fez com que a Nacional se tornasse, efetivamente, nas décadas de 40 e 50 do século passado, a principal emissora dos chamados “anos de ouro do rádio”.

A partir dessa injeção maciça de recursos, a programação sofreu incremento ainda maior, e, transmitida ao vivo, passou a operar uma espécie de integração cultural brasileira, ainda que extremamente massificada, criando audaciosos programas, como foi o caso de Um Milhão de Melodias.

Particularmente interessa a penetração que teve a Rádio Nacional no que diz respeito à música popular brasileira. Ao lado de poderosas gravadoras de então, tais como Odeon, Columbia, Pharlophon e RCA Victor, ser divulgado ou não poderia ser o sucesso ou o fracasso de muitas carreiras. Não se pode esquecer, ainda, do cinema e de vários órgãos de imprensa, que faziam com o que cantor “ouvido” pudesse ser “visto” por todo o Brasil, corporificando a voz que já era transmitida por meio de discos e de programas radiofônicos.

Os fãs-clubes que então surgem são um reflexo popular e, organizados em pequenos grupos ou células, divulgavam material do ídolo, servindo como uma ponte interessante para as gravadoras e para o próprio intérprete, que, por essas agremiações, poderia ter exata noção da própria popularidade, servindo-se delas para a maior aquisição de seus discos. Essas entidades acompanhavam os seus ídolos em qualquer aparição pública. “O auditório da Rádio Nacional era o ponto de encontro preferido dos fãs, mesmo porque era ali, no palco da emissora, que estavam as vozes mais cobiçadas do momento”.

Sua Majestade, a Rainha do Rádio

A primeira cantora eleita Rainha do Rádio foi indicada por um colégio eleitoral formado por diretores e representantes da direção das emissoras presentes ao baile précarnavalesco. Na noite de 18 de fevereiro de 1936, Linda Batista (7) (1919-1988) recebeu o cetro e coroa do que seria o mais longo “reinado” do rádio.

Somente doze anos após, o concurso teria uma nova feição. E uma finalidade beneficente. A sucessão ficaria em família, com Dircinha Batista (8) (1922-1999), sua irmã, sendo coroada em 1948. Já a eleição do ano seguinte seria bem menos tranqüila, pois envolveu Emilinha Borba (9) (1923-2005), que já era a chamada Favorita da Marinha e com cinco anos dedicados à Nacional. Além disso, Emilinha havia emplacado em 1947 o seu primeiro grande sucesso, a rumba Escandalosa tendo por concorrente a recém-chegada Marlene (10) (1924), que partiu sem temor rumo a disputa da Coroa de Rainha do Rádio. A massa extravasava seu delírio pelos fãs-clubes. Homens e principalmente mulheres, de aparência desleixada e pobre, acotovelavam-se nos corredores da Nacional e nos diversos teatros das cidades. A histeria era tanta que o jornalista Nestor de Holanda cunhou a expressão “macacas de auditório” – o que atingiu, é verdade que de forma preconceituosa, especialmente o contingente negro dessas formações.

Mas, no fundo, o fenômeno trazia uma carga espontânea, sincera: a ansiosa necessidade de fruição do sucesso e de participação na glória artística, mesmo efêmera. A votação se fazia por meio de cupons a serem recortados das revistas especializadas – como Radiolândia e, especialmente a Revista do Rádio. O resultado deixou surpreendido o mais ortodoxo ouvinte, pois o fã-clube de Marlene foi mais eficiente e elegeu a paulista, para Rainha do Rádio de 1949 e 1950. O título possibilitou que a estrela ganhasse um programa próprio na Rádio Nacional. Nesse ínterim, a disputa entre os dois grandes fãs-clubes (Marlene versus Emilinha) continuava acesa. Essa rivalidade, criada muito mais pelas gravadoras de discos, não atingia, ao que parece, as duas cantoras, em âmbito pessoal. Ficavam muito mais para estimular o consumo de seus fãs e a sua própria alienação.

O fã clube de Emilinha reverteria a derrota apenas na eleição de 1953, quando a cantora foi eleita com mais de um milhão de votos. Na seqüência foram eleitas Dalva de Oliveira (11) (1917-1972) em 1951, Mary Gonçalves (12) (1927) em 1952, Emilinha Borba (1923-2005) em 1953, Ângela Maria (13) (1928) em 1954, a portuguesa Vera Lucia em 1955, Dóris Monteiro (14) (1934) em 1956 e Julie Joy (15) em 1958.

Declínio

A concretização dos conceitos modernos de manipulação publicitária de um ídolo dos auditórios chegou ao seu apogeu com Cauby Peixoto (1934) ao longo da década de 1950. Seu empresário, Di Veras, foi o baluarte dessa técnica, que consistia em seduzir as fãs, chegando a pagá-las para gritar, desmaiar e arrancar as roupas do ídolo, em suas passagens. Aliás, a transição para a década de 1950 trouxera muitas novidades, nem todas cercadas de aprovação unânime, apesar do sucesso. O centro das atenções musicais passava a ser ocupado pelo brasileiro cosmopolita, urbano, industrializado, pronto a gozar das delícias do litoral à beira do asfalto. A maior tradução desse novo personagem foi o cantor Dick Farney (16) (1921-1987), transformado pela Nacional em novo ídolo, cantando Copacabana:

Existem praias tão lindas, cheias de luz  /   Nenhuma tem o encanto que tu possuis   / Tuas areias  /  Teu céu tão lindo  /  Tuas sereias sempre sorrindo  /  Copacabana princesinha do mar   /  Pelas manhãs tu és a vida a cantar  /  E a tardinha ao sol poente  /  Deixa sempre uma saudade /  Na gente  /  Copacabana o mar etermo cantor  /  Ao te beijar ficou perdido de amor   / E hoje vive a murmurar   / Só a ti Copacabana  /  Eu hei de amar...

A nascente industrialização do Brasil gerava novos espaços urbanos destinados ao lazer das classes em ascensão. Já então a influência da Nacional na canção brasileira não se limitava ao que era produzido em seus estúdios ou no palco-auditório. Também ali estava o celeiro de novas idéias e sons, de talentos capazes de saciar a fome de sucesso da demanda de um mercado interno exigente. Na Praça Mauá, n. 7, havia um elenco à disposição, uma constelação em que brilhavam astros e rainhas do rádio. A essa altura, o cast da Nacional podia resistir até mesmo à perda do Rei da Voz (Francisco Alves), tragicamente desaparecido em desastre rodoviário em 1952. O patrocinador e a emissora se incumbiram de manter viva a memória desse cantor pela continuidade de seu programa (domingos, às 12h). Na primeira transmissão sem o cantor, Linda Batista interpreta emocionada a canção feita por Antonio Nássara e Wilson Batista, intitulada Chico Viola:

Chora Estácio, Salgueiro e Mangueira, / Todo o Brasil emudeceu, / Chora o mundo inteiro, / O Chico Viola morreu. / Na voz do seu plangente violão, / Ele deixou, seu coração, / Partiu, disse adeus, foi pro céu, / Foi fazer, foi fazer,/ Companhia a Noel.

Mas ali estavam outros astros e estrelas de primeira grandeza. O rádio assumia a tarefa de estimular a produção carnavalesca, secundado pelos musicais da companhia cinematográfica Atlântida, já que a urbanização crescente e as limitações da Guerra estavam acabando com as “batalhas de confete”, os corsos e outras manifestações populares. Nem sempre a realidade social e política inspiravam os compositores carnavalescos.

Mesmo assim, a produção musical do começo da década de 1950 já comportava o lirismo crítico da sociedade. Atento às modificações e influências sofridas pela nossa canção, os responsáveis providenciaram uma nova subdivisão para o Departamento Musical da Nacional, surgindo então o Departamento de Canção Brasileira, uma das atrações do então recém-criado Departamento foi o programa Cancioneiro Royal. Era a Nacional acompanhando os tempos e decretando praticamente a sua condição de veículo de comunicação subalterno. Curiosamente, a primeira tentativa de transmissões de imagens por televisão no Brasil foi feita na Nacional, numa noite de 1950, antes mesmo da inauguração da TV Difusora de São Paulo, empresa dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand.

No ano seguinte surgia a primeira emissora carioca, a TV Tupi, também dos Diários Associados. O poderio das empresas presididas por Assis Chateaubriand foi reforçado com a expansão da rede de televisão, que logo chegara a dezoito canais em todo o país, completando o império de comunicação formado por quarenta e três jornais, trinta e seis emissoras de rádio, uma agência de notícias, a revista semanal O Cruzeiro, dez revistas infantis e uma editora, além de laboratórios farmacêuticos e investimentos agropecuários.

A atração do novo veículo preocupava e rondava a sede da Nacional, no prédio de A Noite. Enquanto alguns artistas e administradores se deslumbravam com a expectativa do novo veículo, os verdadeiros homens de rádio se preocupavam com o futuro impacto da telinha sobre o microfone, a quem tanto deviam. Algumas perguntas rondavam as conversas de bares ou os travesseiros dos produtores enquanto o sono não vinha: que problemas traria a vulgarização da TV entre as donas de casa, fiéis consumidoras de radio-novelas? E até quando os patrocinadores continuariam a investir no rádio os anúncios que chegavam a 24% do volume total das verbas publicitárias? Sem recursos para manter elencos estáveis, como fazer um rádio criativo e atraente

Ao lado disso, a competição entre os canais de TV (principalmente entre a Difusora de São Paulo e a Tupi do Rio de Janeiro) ampliaria rapidamente a opção de programas para o público, acarretando a venda de televisores e revolucionando a mídia das agências de publicidade e dos anunciantes diretos. Tampouco estaria nas imediações da Nacional o principal vendedor de programas: depois de dezesseis anos dirigindo a Rádio Nacional, Victor Costa pediu exoneração e transferiu-se para São Paulo, em meio a uma das maiores crises políticas do Brasil e da própria Rádio Nacional.

Quanto ao rádio, Vargas conhecia muitíssimo a penetração da emissora que ele mesmo incorporara à União em 1940 e a cobiça despertada pelo posto de diretor-geral da Nacional. Desde 1938, Victor Costa ocupava tal cargo, e sabia que, com o suicídio de Vargas, seria acusado pela oposição de pôr os microfones da emissora à serviço do getulismo. Ele não seria perdoado pelo jornalista da UDN Carlos Lacerda e pelos militares da Aeronáutica que compunham a chamada República do Galeão, e assim pediu sua exoneração em caráter irrevogável, tendo elogiado a indicação de Heron Domingues para substituí-lo na Nacional.

Mas os dias de glória da Nacional estavam contados, governos se sucederam, privatizações aconteceram e o antigo brilho se apagou. O rádio chegava ao final dos anos 50 e início dos anos 60 consolidado em sua posição de meio de comunicação de massa, como elemento fundamental na formação de hábitos e costumes da sociedade brasileira, mas sua importância foi sendo progressivamente eclipsada pela televisão. No apagar das luzes do século XX e no limiar do século XXI, pode-se dizer que infelizmente a Era do Rádio, e, com ela, os concursos de Rainha do Rádio, perderam lugar para o imediatismo dos acontecimentos e a sua direta proporcionalidade de divulgação para o mundo.

Por: Wagner Tadeu Pietropoli Morais Luiz Eduardo Alves de Siqueira -
(www.escoladeradio.com.br).

(2) Conforme o recenseamento de 1920, havia 71,2% de analfabetos, taxa que decresceu para 61,2% no Censo seguinte, ocorrido em 1940 (FERRARO, 2002). (3) Então chamados speakers. (4) Que imortalizou o Repórter Esso, no ar entre 1941 e 1968. (5) Tanto assim que em fins de 1939 criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), nos moldes do Ministério da Propaganda da Alemanha nazista, visando controlar todos os canais de comunicação (rádio, imprensa e teatro), para que divulgassem apenas feitos laudatórios ou inofensivos ao Estado Novo. (6) O termo jurídico para tal ato é reversão, a qual, segundo a doutrina da Professora Irene Patrícia Nohara, é “uma conseqüência da extinção da concessão e implica a incorporação, pelo poder concedente, dos bens do concessionário necessários à prestação do serviço público”. (7) Nome artístico de Florinda Grandino de Oliveira.(8) Nome artístico de Dirce Grandino de Oliveira.(9) Nome artístico de Emília Savana da Silva Borba. (10) Nome artístico de Vitória Bonaiutti De Martino. (11) Nome artístico de Vicentina de Paula Oliveira. (12) Nome artístico de Nice Figueiredo Rocha. (13) Nome artístico de Abelim Maria da Cunha. (14) Nome artístico de Adelina Dóris Monteiro. (15) Nome artístico de Julie Joy Winniamin Farberow. (16) Nome artístico de Farnésio Dutra e Silva.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Risque

Foi talvez para mostrar que sabia fazer samba-de-fossa tão bem quanto os especialistas - e, de quebra, faturar em cima da moda do momento que Ary Barroso compôs "Risque". Compôs e se deu bem, pois a música, lançada por Aurora Miranda em 52, firmou-se como um dos grandes sucessos do ano seguinte, na voz de Linda Batista.

Na realidade, porém, "Risque" não chega a alcançar o nível das melhores obras de Ary, limitando-se a repetir lugares comuns do gênero ( o "Inferno do amor fracassado", a "Saudade afogada nos copos de um bar"...), sobre uma melodia também comum. Muito mais interessante, pelo menos do ponto de vista melódico, é um outro samba-de-fossa de sua autoria, "Folha morta", lançado à mesma época com menor repercussão.

Risque (samba-canção, 1953) - Ary Barroso

Linda Batista

-------Am7--- G7 -----------------------C7M
Risque ......----- meu nome do seu caderno
Bm7/-5 -------E7 --------Am7 ------Bm7/-5
Pois não suporto o inferno
----------------E7 --------Am7 --------E7
Do nosso amor fracassado
------Am7----- G7 -----------------------C7M
Deixe ........----- que eu siga novos caminhos
Bm7/-5 ----------E7 --------Am7 -------Bm7/-5
Em busca de outros carinhos
---------------E7 -------Am7
Matemos nosso passado

---A7 ----------Bb7--- A7 ------Bb7------ A7
Mas, se um dia, talvez, a saudade apertar
Dm7 ----------A7 ------Dm7 -------G7
Não se perturbe, afogue a saudade
-----------C7M -------E7
Nos copos de um bar

-----Am7 ----G7---------------------- C7M
Creia..... -------toda a quimera se escoa
Bm7/-5---------- E7-------- Am7 --------Bm7/-5
Como a brancura da espuma
-----------------E7 ---------Am7
Que se desmancha na areia

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Me deixa em paz

Linda Batista
Me deixa em paz (samba/carnaval, 1952) - Monsueto e Aírton Amorim

Em               Em7/9
Se você não me queria
Am7
Não devia me procurar
Am7b Am6b B7/9+
Não devia me iludir
Em7/9









Linda Batista
Nem deixar eu me apaixonar
Am7 D7/9
Evitar a dor
G6/9
É impossível
Am7
Evitar esse amor
D7/9 Am6b B7/9+
É muito mais
Am7 B7 Em7
Você arruinou a minha vida
F# B7/9+ Em7/9
Me deixa em paz

Vingança

Lupicínio Rodrigues
Realmente não poderia faltar na polêmica Dalva/Herivelto uma composição de Lupicínio Rodrigues, especialista no gênero. Só que esta composição, o samba "Vingança", não seria inspirada pelo caso em questão e sim por mais um episódio da vida sentimental do autor.

Lupicínio vivia havia alguns anos com uma moça chamada Mercedes, mais conhecida por Carioca, quando ela tentou traí-lo com um rapazola, seu empregado. Denunciada pelo garoto, Carioca foi abandonada pelo compositor que, tempos depois, ao saber de seu desespero, "Chorando e bebendo na mesa de um bar", fez o samba amaldiçoando em versos candentes o destino da traidora.

Linda Batista
Em 1963, numa crônica para o jornal gaúcho Última Hora, Lupicínio justificou a veemência dos versos: "Nunca se está livre de ter, num momento de rancor, algum desejo de vingança". O primeiro cantor a tomar conhecimento de "Vingança" foi Jorge Goulart, que chegou a interpretá-la na noite do Rio. No entanto Goulart, artista da Continental, não pôde gravá-la por estar Lupicínio na ocasião com um contrato de exclusividade com a RCA. Em vista disso, o autor ofereceu a canção a Herivelto Martins, que a lançou com o Trio de Ouro, embora achando que a música não se adaptava ao estilo do conjunto.

Foi então que Linda Batista, entusiasmada ao ouvi-la na voz de Goulart, gravou "Vingança" que se tornaria o maior sucesso de sua carreira. Aliás, gravou-a duas vezes: a primeira com o conjunto do violinista Fafá Lemos, que foi a gravação consagrada e a segunda, com uma orquestra de cordas, um fonograma pouco conhecido, que só saiu em elepê.

Vingança (samba-canção, 1951) - Lupicínio Rodrigues

F                D#º                 Gm
Eu gostei tanto, tanto quando me contaram
C7/9 C7/9- F
Que lhe encontraram chorando e bebendo na mesa de um bar
Am G#m Gm
E que quando os amigos do peito por mim perguntaram
G# F# Gm C7/9 G# C# Gm C
Um soluço cortou sua voz, não lhe deixou falar
F
Ah, mas eu gostei tanto,
D#º D7/9
Tanto quando me contaram
G6 G5+ Gm C7/9
Que tive mesmo que fazer esforço
F A7
Pra ninguém notar
Dm A7 Gm
O remorso talvez seja a causa do seu desespero
C7 G# C# Gm C
Você deve estar bem consciente do que praticou
A#7+ F# Gm C
Me fazer passar essa vergonha com um companheiro
Gm C7
E a vergonha é a herança maior
Am G# C#
Que meu pai me deixou
Gm C7/9 F F#5+
Mas enquanto houver força em meu peito
A#
Eu não quero mais nada
Gm C7 G# C# Gm C
Só vingança, vingança, vingança aos santos clamar
A# F
Você há de rolar como as pedras
F# Gm C7/9
Que rolam na estrada
Gm C7/9
Sem ter nunca um cantinho de seu
F
Pra poder descansar

Madalena (A.Amorim)

Linda Batista
Madalena (samba/carnaval, 1951) - Ari Macedo e Aírton Amorim

Chorar, como eu chorei
Ninguém deve chorar
Amar, como eu amei

Ninguém deve amar

Chorava que dava pena

Por amor a Madalena



Linda Batista
E ela, me abandonou

Diminuindo num jardim
Uma linda flor

Ela, que para mim

Era um anjo de bondade
Partiu, me deixando saudade

Eu que era feliz
Tornei-me um sofredor

Porque perdi, um grande amor

domingo, 7 de maio de 2006

Nega maluca

Fernando Lobo e Evaldo Rui eram amigos de todos os dias, ou melhor, de todas as noites. Uma ocasião, no final dos anos quarenta, Rui descreveu para Fernando uma cena curiosa que presenciara num bar, entre um jogador de sinuca e uma crioula, com uma criança nos braços: a mulher insistia desesperadamente em entregar a criança ao sujeito, aos berros de "Toma que o filho é seu", enquanto ele se limitava a dizer que a mulher estava maluca, pois o filho não podia ser dele...

Daí nasceu um baião, com a primeira parte do Rui ("Tava jogando sinuca / uma nega maluca me apareceu / vinha com um filho no colo / e dizia pro povo que o filho era meu / não senhor! / toma que o filho e seu / não senhor! / guarde o que Deus lhe deu") e a segunda de Rui e Fernando. Então, os dois procuraram Luiz Gonzaga que não se interessou em gravá-lo.

Tempos depois, na boate Casablanca, mostraram a música a Francisco Alves. O cantor achou o baião divertido, mas fora de seu estilo. Colaborou, porém, com uma preciosa sugestão: "Por que vocês não transformam esse baião num samba de carnaval?". Naquela mesma noite Fernando e Rui estariam mostrando o samba "Nega Maluca" para a cantora Linda Batista, que prometeu gravá-lo no dia seguinte.

Linda Batista

Sucesso total no carnaval de 1950, premiado pela prefeitura e o jornal A Noite, "Nega Maluca" ainda rendeu um dinheiro extra para os autores: a loja A Exposição propôs-lhe a exploração de uma fantasia de "nega maluca" e Fernando, lembrando-se da personagem Topsy de A Cabana do Pai Tomás, desenhou o modelo que se tornaria um recordista de venda - um espalhafatoso vestido vermelho, com bolas brancas, que poderia ser completado com uma carapinha de tranças e o rosto da usuária pintado de preto, se necessário.

Nega maluca (samba/carnaval, 1950) - Evaldo Rui e Fernando Lobo

Tava jogando sinuca
Uma nega maluca me apareceu
Vinha com um filho no colo
E dizia pro povo
que o filho era meu (bis)

Toma que o filho é seu
Não senhor ....
Guarda o que Deus lhe deu
Não senhor ......


Há tanta gente no mundo
Mas meu azar é profundo
Veja você, meu irmão,
A bomba estourou na minha mão
Tudo acontece comigo
Eu que nem sou do amor
Até parece castigo
Ou então é influência da cor (bis)

Tava jogando sinuca ....
Não senhor ...

sexta-feira, 5 de maio de 2006

General da banda

Linda Batista
Uma das músicas mais cantadas no carnaval de 1950 foi o samba "General da Banda", inspirado num ponto de macumba. Daí seus versos estranhos - "Mourão, mourão, vara madura que não cai / Mourão, mourão, oi catuca por baixo que ele vai" -, razão principal do sucesso.

Embora gravado também por Linda Batista, este samba teve como intérprete principal o cantor Blecaute, que se identificou com a composição a tal ponto que, a partir de então, passou a ostentar em suas apresentações uma colorida fantasia de "General da Banda", cheia de alamares e dragonas

General da banda (samba/carnaval, 1950) - Satyro de Melo, Tancredo Silva e José Alcides

-----C ------------------F ------C ------Am
Chegou o general da banda ê! ê!
-------D7 ---------------G7----- C -----G7
Chegou o general da banda ê! á!
-----C------------------ F------ C
Chegou o general da banda ê! ê!
Am--- D7--------------- G7----- C
Chegou o general da banda ê! á!

Mourão! Mourão!
------------F -------------C
Vara madura que não cai
------------------F
Mourão! Mourão!
--------------------G7------------ C----- G7
Oi, catuca por baixo / Que ela vai (ôba)

sábado, 8 de abril de 2006

Linda Batista

Linda Batista (Florinda Grandino de Oliveira), cantora e compositora, nasceu em São Paulo SP (14/6/1919) e faleceu no Rio de Janeiro RJ (17/4/1988). Filha do ventríloquo e humorista Batista Júnior (João Batista de Oliveira) e irmã da cantora Dircinha Batista, sua família já residia no Rio de Janeiro, no bairro do Catete, quando nasceu na casa da avó.

Fez o curso primário no Colégio Sion. Por essa época, levada pela empregada, costumava ouvir música na Corbeille de Flores, gafieira próxima de sua casa. Aos dez anos começou a aprender violão com o cantor Patrício Teixeira, chegando a compor uma música intitulada Tão sozinha. Aos 12 anos passou a freqüentar programas de rádio, acompanhando a irmã Dircinha ao violão. Terminado o ginásio no Colégio São Marcelo iniciou cursos de contabilidade e corte-e-costura.

Em 1936, por um atraso de Dircinha, substituiu-a, estreando como cantora no programa que Francisco Alves fazia na Rádio Cajuti, interpretando Malandro, de Claudionor Cruz. Obteve sucesso, sendo convidada para outras apresentações nessa emissora. No ano seguinte foi eleita Rainha do Rádio, num concurso promovido no Iate dos Laranjas, barco carnavalesco atracado na Esplanada do Castelo, título que manteve durante 11 anos consecutivos.

A 31 de março de 1937 casou com Paulo Bandeira, de quem se separou menos de seis meses depois. Ainda em 1937 atuou no filme Maridinho de luxo, de Luís de Barros, e realizou uma excursão ao Nordeste. Tornou-se crooner da orquestra de Kolman, no Cassino da Urca e, em 1938, pela Odeon, lançou seu primeiro disco, em que interpretava, em dupla com Fernando Álvarez, Chimarrão (Djalma Esteves) e Churrasco (Djalma Esteves e Augusto Garcez).

Em 1939 participou do filme Banana da terra, de J. Rui, e, no mesmo ano, quando viajou a São Paulo, para uma temporada na Rádio Cultura, foi convidada para se apresentar na inauguração do cassino da Ilha Porchat, em São Vicente SP, onde acabou ficando por seis meses. Retornou ao Rio de Janeiro em abril de 1939 e começou a atuar no Cassino da Urca, onde foi atração até 1946; nesse período lançou vários sucessos, inclusive do compositor Chiquinho Sales, contratado pelo cassino especialmente para compor para ela.

Em 1940 transferiu-se para a Victor, onde sua primeira gravação foi a marcha-conga Passei na ponte (Ary Barroso). Em 1941 fez uma excursão a Buenos Aires, Argentina, e lançou Tudo é Brasil (Vicente Paiva e Sá Róris) e Batuque no morro (Russo do Pandeiro e Sá Róris), com muito sucesso; nesse mesmo ano, apresentou-se na Rádio Nacional. No ano seguinte viajou novamente à Argentina e em 1943 assinou contrato com a Rádio Tupi. Para o Carnaval de 1944 lançou Clube dos barrigudos (Cristóvão de Alencar e Haroldo Lobo).

Em 1946 excursionou pelas capitais brasileiras e no ano seguinte, além de atuar no filme Caídos do céu, de Luís de Barros, gravou com êxito No boteco do José (Wilson Batista e Augusto Garcez). Em 1947 foi contratada pela boate Vogue, onde permaneceu até 1952.

Em 1948 gravou Enlouqueci (Luís Soberano, Valdomiro Pereira e João Sales). Nega maluca (Fernando Lobo e Evaldo Rui), samba lançado para o Carnaval de 1950, foi um dos seus maiores sucessos, chegando a ser nome de uma rua no bairro paulistano do Jabaquara.

Em 1951 voltou à Rádio Nacional, com o programa Coisinha Linda. Também nesse ano atuou no filme Agüenta firme, Isidoro, dirigido por Luís de Barros e Ademar Gonzaga; viajou à Europa, apresentando-se em Portugal, na boate Vogue, em Paris, França, na televisão, e na boate Open Gate, em Roma, Itália; e lançou o samba-canção Vingança (Lupicínio Rodrigues), o maior sucesso de sua carreira.

Em 1952 trabalhou nos filmes Tudo azul, de Moacir Fenelon, Está com tudo, de Luís de Barros, e É fogo na roupa, de Watson Macedo. Em 1954 participou dos filmes Carnaval em Caxias, de Paulo Wanderley, e O petró!eo é nosso, de Watson Macedo.

Em 1955 passou para a Rádio Mayrink Veiga e atuou no filme Carnaval em Marte, de Watson Macedo. No ano seguinte transferiu-se para a Rádio Tupi e atuou nos filmes Tira a mão daí, de J. Rui, e Depois eu conto, de José Carlos Burle, e, em 1957, em Metido a bacana, de J. B. Tanko. Nesse ano e no seguinte excursionou pelo Uruguai, tendo ainda participado do filme É de xuá, de Vítor Lima.

Após uma viagem à Argentina, em 1959 voltou à Rádio Nacional e recebeu da UBC e da SBACEM o troféu Noel Rosa, por gravar exclusivamente música brasileira. A partir de 1960 lançou principalmente músicas de Carnaval (inclusive algumas de sua autoria), participando de programas de televisão. Seguindo a trajetória de suas companheiras Emilinha Borba, Marlene, Nora Ney e a irmã Dircinha Batista, autênticas representantes da fase áurea do rádio carioca, também afastou-se a partir dos anos de 1960 das atívidades artísticas.