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sábado, 5 de maio de 2007

Aldir Blanc

Aldir Blanc Mendes, compositor, nasceu no Rio de Janeiro, em 02 de agosto de 1946, no bairro do Estácio. Tinha 16 anos quando começou a compor e aos 17 anos aprendeu bateria, organizando um conjunto, o Rio Bossa Trio.

Com a inclusão de seu parceiro Sílvio Silva Júnior, que conhecera em Paquetá, em 1965, passou a se chamar GB-4. Nessa época atuou em diversos shows, como baterista do Teatro Azul. Em 1966 ingressou na faculdade de Medicina e Cirurgia, onde se especializou em psiquiatria.

Em 1968 sua composição A Noite, a maré e o amor (com Sílvio Silva Júnior) foi uma das classificadas no III FIC (Festival Internacional da Canção), da TV Globo. No II Festival Universitário de Música Popular Brasileira, no Rio de Janeiro, em 1969, conseguiu classificar três músicas: Nada sei de eterno (com Sílvio Silva Júnior), interpretada por Taiguara, Mirante (com César Costa Filho), interpretada por Maria Creuza, e De esquina em esquina (com César Costa Filho), interpretada por Clara Nunes.

No V FIC, em 1970, classificou Diva (com César Costa Filho) e, no mesmo ano, sua composição, em parceria com Sílvio Silva Júnior, Amigo é pra essas coisas, participou do III Festival Universitário de Música Popular Brasileira. Nessa época, com César Costa Filho e Ivan Lins, integrou o Movimento dos Artistas Universitários (MAU), que pretendia maior divulgação da música, independente da existência de festivais.

Ainda em 1970, através de um amigo, conheceu João Bosco, jovem compositor mineiro, estudante de engenharia em Ouro Preto MG, que começou a enviar-lhe fitas com suas composições para que colocasse letra.

Em 1972 lançaram sua primeira composição gravada, Agnus sei, interpretada e acompanhada ao violão por João Bosco, no primeiro Disco de Bolso, do semanário O Pasquim. Nesse mesmo ano, em LP da Phillips, Elis Regina gravou Bala com bala, primeiro sucesso da dupla.

Em 1973, a RCA Victor lançou um LP em que João Bosco interpreta composições de ambos, como Agnus sei, Bala com bala e Cabaré.

Foi um dos fundadores da SOMBRAS (Sociedade Musical Brasileira), entidade destinada a defender os compositores e os direitos autorais, e da Saci, Sociedade do Artista e Compositor Independente.

Em 1974, Elis Regina lançou outro LP pela Phillips incluindo novas composições da dupla: O mestre-sala dos mares, Dois pra lá, dois pra cá e Caça à raposa.

Em 1975, saiu pela RCA o LP Caça à raposa, de João Bosco, com De frente pro crime, Kid Cavaquinho, e outras, além daquelas lançadas por Elis Regina em 1974.

Em 1983 rompeu a parceria com Bosco. Com sua criatividade, riqueza e fluidez verbal, nem sempre é fácil encontrar um compositor que se adeqüe à poesia de Aldir. Teve vários outros parceiros, sendo os mais constantes Moacir Luz e Guinga.

Leila Pinheiro gravou em 1996 o disco Catavento e Girassol, exclusivamente com composições da dupla Guinga/Aldir Blanc. Com Moacir Luz e P.C. Pinheiro compôs Saudades da Guanabara. Maurício Tapajós é o parceiro de Querelas do Brasil. Com Guinga, além de Catavento e Girassol, escreveu Baião de Lacan, Canibaile, Chá de panela, O Coco do coco e outras. Aldir é também cronista, e escreve colunas no jornal carioca O Dia.

Em 1996 foi lançado o disco comemorativo Aldir Blanc - 50 Anos, com diversas participações especiais. Também foi encenado em 1999 o musical Aldir Blanc, Um Cara Bacana, escrito por Cláudio Tovar.

Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.

Aldir Blanc

Aldir Blanc Mendes, compositor, nasceu no Rio de Janeiro, em 02 de agosto de 1946, no bairro do Estácio. Tinha 16 anos quando começou a compor e aos 17 anos aprendeu bateria, organizando um conjunto, o Rio Bossa Trio.

Com a inclusão de seu parceiro Sílvio Silva Júnior, que conhecera em Paquetá, em 1965, passou a se chamar GB-4. Nessa época atuou em diversos shows, como baterista do Teatro Azul. Em 1966 ingressou na faculdade de Medicina e Cirurgia, onde se especializou em psiquiatria.

Em 1968 sua composição A Noite, a maré e o amor (com Sílvio Silva Júnior) foi uma das classificadas no III FIC (Festival Internacional da Canção), da TV Globo. No II Festival Universitário de Música Popular Brasileira, no Rio de Janeiro, em 1969, conseguiu classificar três músicas: Nada sei de eterno (com Sílvio Silva Júnior), interpretada por Taiguara, Mirante (com César Costa Filho), interpretada por Maria Creuza, e De esquina em esquina (com César Costa Filho), interpretada por Clara Nunes.

No V FIC, em 1970, classificou Diva (com César Costa Filho) e, no mesmo ano, sua composição, em parceria com Sílvio Silva Júnior, Amigo é pra essas coisas, participou do III Festival Universitário de Música Popular Brasileira. Nessa época, com César Costa Filho e Ivan Lins, integrou o Movimento dos Artistas Universitários (MAU), que pretendia maior divulgação da música, independente da existência de festivais.

Ainda em 1970, através de um amigo, conheceu João Bosco, jovem compositor mineiro, estudante de engenharia em Ouro Preto MG, que começou a enviar-lhe fitas com suas composições para que colocasse letra.

Em 1972 lançaram sua primeira composição gravada, Agnus sei, interpretada e acompanhada ao violão por João Bosco, no primeiro Disco de Bolso, do semanário O Pasquim. Nesse mesmo ano, em LP da Phillips, Elis Regina gravou Bala com bala, primeiro sucesso da dupla.

Em 1973, a RCA Victor lançou um LP em que João Bosco interpreta composições de ambos, como Agnus sei, Bala com bala e Cabaré.

Foi um dos fundadores da SOMBRAS (Sociedade Musical Brasileira), entidade destinada a defender os compositores e os direitos autorais, e da Saci, Sociedade do Artista e Compositor Independente.

Em 1974, Elis Regina lançou outro LP pela Phillips incluindo novas composições da dupla: O mestre-sala dos mares, Dois pra lá, dois pra cá e Caça à raposa.

Em 1975, saiu pela RCA o LP Caça à raposa, de João Bosco, com De frente pro crime, Kid Cavaquinho, e outras, além daquelas lançadas por Elis Regina em 1974.

Em 1983 rompeu a parceria com Bosco. Com sua criatividade, riqueza e fluidez verbal, nem sempre é fácil encontrar um compositor que se adeqüe à poesia de Aldir. Teve vários outros parceiros, sendo os mais constantes Moacir Luz e Guinga.

Leila Pinheiro gravou em 1996 o disco Catavento e Girassol, exclusivamente com composições da dupla Guinga/Aldir Blanc. Com Moacir Luz e P.C. Pinheiro compôs Saudades da Guanabara. Maurício Tapajós é o parceiro de Querelas do Brasil. Com Guinga, além de Catavento e Girassol, escreveu Baião de Lacan, Canibaile, Chá de panela, O Coco do coco e outras. Aldir é também cronista, e escreve colunas no jornal carioca O Dia.

Em 1996 foi lançado o disco comemorativo Aldir Blanc - 50 Anos, com diversas participações especiais. Também foi encenado em 1999 o musical Aldir Blanc, Um Cara Bacana, escrito por Cláudio Tovar.

Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Amanhã talvez

Joanna
Tom: D
Intro: D Am7 D Am7
D               Am7                     D
Faz, que desse jeito Só você sabe fazer
Am7 Gm7
Olhos nos olhos Tanta vida pra viver
C7 D
Charminho doce Pedacinho de você
Am7 D
Diz a frase certa Só você sabe me abrir
Am7 Gm7
É só assim que eu consigo descobrir
C7 D
Como é gostoso me entregar e te sentir
Em7 Bm7 Em7
É , quando se ama A gente finge que não vê
Bm7 Bm/A G
Que o tempo passa E mais um pouco de você
Em7 A7
Melhor assim Bom pra você
D Do Em7
Melhor pra mim E amanhã quem sabe
A7 D
A gente outra vez
F#m7 G A7 D
Só mais uma vez Amanhã talvez
F#m7 G A7 D BIS
Só mais uma vez O amor que a gente fez
INTRODUÇÃO E SOLO
Em7 Bm7 Em7
É quando se ama a gente finge que não vê
Bm7 Bm/A G
Que o tempo passa E mais um pouco de você
Em7 A
Melhor assim Bom pra você
D Do Em7 A7 D
Melhor pra mim e amanhã quem sabe a gente outra vez
REFRÃO

Vida noturna

João Bosco
Tom: C7+

Intro: F/G


C7+ A7 Dm7
Acendo um cigarro molhado de chuva até os ossos
G7 C7+ A7 Dm7 G7
E alguém me pede fogo - é um dos nossos
C7+ A7 Dm7
Eu sigo na chuva de mão no bolso e sorrio
G7 C7+ Gm7 C7
Eu estou de bem comigo e isto é difícil
Dm D#º
Eu tenho no bolso uma carta
Em7 A7/9-
Uma estúpida esponja de pó-de-arroz
Dm7 G7/9-
E um retrato meu e dela
C7+ C7
Que vale muito mais do que nós dois
Dm7 D#º
Eu disse ao garçom que quero que ela morra
Em7 A7/9-
Olho as luas gêmeas dos faróis
Dm G7/9-
E assobio, somos todos sós
C7+ A7
Mas hoje eu estou de bem comigo
Dm
E isso é difícil
D#º
Ah, vida noturna
Em7 A7/9-
Eu sou a borboleta mais vadia
Dm7 G7/9- C7+ G7/9- C7+
Na doce flor da tua hipocrisia

Transversal do tempo

João Bosco
Tom: Fm7
Intro: (Fm7 Eb/F Fm7 Eb/F Fm7 Eb/F D7/9+
E7/9+ F#7/9+ F7/9+ D7/9+) C#7/9+ C7/9+


Fm7 D7/9+ G5+/7
As coisas que eu sei de mim
Cm Cm7+ Cm7 Cm6
São pivetes da cidade
Bbm7 F5+/7
Pedem, insistem e eu
Bbm7 Bbm7+
Me sinto pouco à vontade
Db/Eb Eb7/9 Eb7/9-
Fechada dentro de um táxi
Ab7+ Gm7 Fm7
Numa transversal do tempo
G7/13 G5+/7 G7
Acho que o amor
C Dm7 D#º C/E
É a ausência de engarrafamento
Fm7 Abm7 B/C#
As coisas que eu sei de mim
Ebm7 F#m7 B7/13
Tentam vencer a distância
F7/13
E é como se aguardassem feridas
Bb7 Eb7/9
Numa ambulância
A7
As pobres coisas que eu sei
Ab7+ Fm7
Podem morrer, mas espero
G7
Como se houvesse um sinal
Bb/C
Sem sair do amarelo

Sinceridade

João Bosco
Tom: D6

Intro: D6 D6/B D6 D6/B F#6 Abm7 C#7/9- F#6
A7+ Bbº Bm7 E7 Em Em/G G/A Ab7/11+


G7+ G/A
Quero viver uma vez mais esse amor
Bm4/7 F/B
Que as margens lambe invade e traz
G/A Eb/A
Castanhas gotas de cristais
D6 Ab7/11+
Teu rio a beira do meu cais
G7+ G/A
0 amor é cego quando vê
Bm4/7 F/B
Que é o coração quem sabe escolher
G/A Eb/A D6
Haja razão prá entender esse simples querer
F#m7 Abm7/5- C#7/9- F#m7 Abm7/5- C#7/9-
Olha prá mim um remanso por fim
F#m7
Espelho d'água a refletir
A7+ Bbº Bm7 E7
Até que tudo resolva por si
Em Em/G G/A Ab7/11+
Novas canções vão surgir
G7+ G/A
Para viver uma vez mais
Bm4/7 F/B
Outro amor nascente dessas ancestrais
G/A Eb/A
Castanhas gotas de cristais
D6
Que não morrem jamais

Rancho da goiabada

João Bosco
[Intro:] Em Am B7 Em B7 Em E7 Am B7 Em 
Em7M
Em/D C#m7(9)(b5) F#7 B7 Em
Em
Os bóias-frias quando tomam
Am
Umas "birita" espantando a tristeza
B7
Sonham com um bife a cavalo,
Em B7
batata frita e a sobremesa
Em Bm7(b5) E7 Am
É goiabada cascão com muito queijo
B7 Em Em7M Em7 F#7
Depois café, cigarro e um beijo de uma mulata
B7 Em B7 E B7
Chamada Leonor ou Dagmar


E6
Amar, o rádio de pilha, o fogão, jacaré
C#7 F#m7
A marmita, o Domingo, o bar
B7
Onde tantos iguais se reúnem contando mentiras
Em/G F#m7(11)
Prá poder suportar ai

Em Em7M
São pais-de-santo, paus-de-araras,
Em/D C#m7(9)(b5)
são passistas
C B7 E
São flagelados, são pingentes, balconistas
C#7 F#m7
Palhaços, marcianos, canibais, lírios, pirados
Am7 D7(9)
Dançando, dormindo de olhos abertos
E C#7 C B7 E
Na sombra da alegoria dos faraós embalsamados

Quando o amor acontece

João Bosco
De: João Bosco e Abel Silva


Int.: D7+ Dm6 G7/9 A/C# C#m7 Bm7 Dm/E



A9
Coração sem perdão, diga fale por mim
Cº Bm7
Quem roubou toda a minha alegria
D/E Bm7 D/E Bm7
O amor me pegou, me pegou pra valer

É a dor do querer, muda o tempo e a maré
Dm/E A9
Vendaval sob o mar azul

Tantas vezes chorei, quase me desesperei
Cº Bm7
E jurei nunca mais seus carinhos
D/E Bm7 D/E
Ninguém tira do amor, ninguém tira, pois é
Dm/E
Nem doutor nem pajé, o que queima e seduz, enlouquece
A9
O veneno da mulher
Em7 A7/9
O amor quando acontece a gente esquece logo
D7+ Dm7 G7/9
que sofreu um dia, ilusão
A/C# F#7/9+
O meu coração marcado tinha um nome tatuado
Bm7 Dm/E A9
que ainda doía, cursava só a solidão
Em7 A7/9
O amor quando acontece a gente esquece logo
D7+ Dm7 G7/9
que sofreu um dia, esquece sim
A/C# F#7/9+
Quem mandou chegar tão perto se era certo
Bm7
obrigando um coração cigano
D/E Dm/E A
E agora eu choro assim
Em7 A7/9
O amor quando acontece a gente esquece logo
D7+ Dm7 G7/9
que sofreu um dia, esquece sim
A/C# F#7/9+
Quem mandou chegar tão perto se era certo
Bm7
obrigando um coração cigano
D/E Dm/E
E agora eu choro assim

Papel marchê

Inspirado pelas esculturas em papier marché de Ângela Bosco, mulher de João Bosco, o poeta José Carlos Capinan compôs a letra deste romântico bolero, mais cubano do que mexicano: “Cores do mar / festa do sol / vida é fazer todo o sonho brilhar / (...) / e depois acordar / sendo o seu colorido brinquedo / de papel marchê...”

Incluído em Gaga birô, um dos melhores discos de João Bosco, “Papel Marchê” tem na introdução um glissé do baixista Jamil Joanes que acabou se identificando à bela melodia. Cantando várias frases em falsete, o que fascina a platéia feminina, João arremata a canção com uma variação sobre o tema da segunda parte, entoando sons meio afros, que passaram a ser uma de suas marcas como intérprete e poderiam remeter a Clementina de Jesus, com quem ele realizara uma temporada anos antes, no Projeto Pixinguinha.

A popularidade de “Papel Marchê” duplicou quando a canção foi incluída na trilha da telenovela “Corpo a Corpo”, exibida no período de dezembro de 84 a junho de 85 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Papel marchê (1985) - João Bosco e Capinan

Tom: F7+

Intro: F7+ Dm7/9 C7+/5+ A7/5+
D7/9 G7/13 Db7/9+ C7+ C7/9


F7+
Cores do mar,
Dm7/9
Festa do sol,
C7+/5+ A7/5+
Vida é fazer todo sonho brilhar
Fm7
Ser feliz,
G7/13 Db7/9+
No teu colo dormir
C7+
E depois acordar,
A7/5+
Sendo o seu colorido
D7/9 G7/13 C7+ E7/9-
Brinquedo de papel machê
Am7+ F7+
Dormir no teu colo é tornar a nascer

Dm7/9
Violeta e azul
Em7 A7/5+
Outro ser, luz do querer
F7+
Não vá desbotar
Dm7/9
Lilás cor do mar
C7+/5+
Seda cor do batom
A7/5+
Arco-Íris crepom
D7/9
Nada vai desbotar
G7/13 Db7/9+ C7+ E7/9-
Brinquedo de papel machê
(Repete introdução)

O ronco da cuíca

João Bosco
Tom: Dm7

Intro: Dm7 D


Dm7 Dm Dm7
Roncou, roncou
Dm Dm7
Roncou de raiva a cuíca, roncou de fome
Dm Dm7
Alguém mandou
Dm
Mandou parar a cuíca
Dm7
É coisa dos home

Dm Dm7
A raiva dá pra parar, pra interromper
Dm Dm7
A fome não dá pra interromper
Dm Dm7
A raiva e a fome é coisa dos home

Dm Dm7
A fome tem que ter raiva pra interromper
Dm Dm7
A raiva e a fome de interromper
Dm Dm7
A fome e a raiva é coisa dos home
Dm
É coisa dos home
Dm7
É coisa dos home
Dm
A raiva e a fome
Dm7
Mexendo a cuíca
Dm
Vai ter que roncar

O mestre-sala dos mares

O mestre-sala dos mares (1975) - João Bosco e Aldir Blanc
Tom:  F

Intro: F C7 F
F
Há muito tempo
Bb9 F7+ Bb7
Nas águas da Guanabara
Am7 Abo Gm7 D9-
O dragão do mar reapareceu
Gm7 C7
Na figura de um bravo feiticeiro
Gm7 C7 F7+
A quem a história não esqueceu
Am5-   D7              Gm7
Conhecido como o navegante negro
Em5- A7 Dm7
Tinha dignidade de um mestre-sala
Bbm6 F Abo Gm7
E ao acenar pelo mar, na alegria das regatas
Gm7 C7
Foi saudado no ponto
Gm7 C7
Pelas mocinhas francesas
Gm7 Bbm6 C7 C9-
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Am5-  D9-   Gm7
Rubras cascatas
Bb C7
Jorravam das costas dos santos
F7+ Bb7 F
Entre cantos e chibatas
Abo Gm
Inundando o coração
C7 Gm7
Do pessoal do porão
Gm7 Bbm7 C7
Que a exemplo do feiticeiro
F
Gritava então
C913      Am7   Dm7    Gm7
Glória aos piratas
C
Às mulatas
F F7+
Às sereias
Am7 Gm7
Glória à farofa
C
À cachaça
F
Às baleias
Am5-  Am6           Am7    Am5-   Am6
Glória à todas as lutas inglórias
Am5- D7 Am5- Am6
Que através de nossa história
Cm7 F Bb7+ Bb5+ Bb6 Bb5+ Ab0
Não esquecemos jamais
                   Am7
Salve o navegante negro
D7 G7
Que tem por monumento
Gm7 C7 F
As pedras pisadas do cais

O bêbado e o equilibrista

Nossos compositores sempre tiveram o costume de registrar em música e verso acontecimentos relevantes, às vezes nem tanto, da vida brasileira. Um rápido exame do repertório nacional encontrará revoluções, campanhas políticas, feitos de brasileiros e outros fatos inspirando canções de crítica ou louvação. Nem mesmo a censura ferrenha de duas ditaduras foi capaz de impedir essa prática, muitas vezes disfarçada pelo uso de imagens alegóricas.

Este é o caso de “O Bêbado e a Equilibrista”, uma notável composição de João Bosco e Aldir Blanc, que focaliza uma promessa de abertura democrática, na ocasião cercada de incertezas. Parodiando a forma de um samba enredo, a canção descreve uma cena patética em que dois personagens — o bêbado e a equilibrista — movimentam-se ridiculamente num fim de tarde sombrio — “E nuvens / lá no mata-borrão do céu / chupavam manchas torturadas”. O bêbado, trajando luto e lembrando a figura de Carlitos — “Fazia irreverências mil / pra noite do Brasil / (...) / que sonha / com a volta do irmão do Henfil / e tanta gente que partiu” — ou seja, para a situação brasileira da época. Já a equilibrista era — “A esperança (que) dança / na corda bamba de sombrinha (e) em cada passo dessa linha / pode se machucar” — o que correspondia à expectativa ansiosa de um projeto de êxito imprevisível.

E a canção prossegue, utilizando conscientemente o mau-gosto e o lugar-comum como forma chocante de expressar a crítica a uma realidade indesejada — “Chora / a nossa pátria, mãe gentil / choram Marias e Clarisses / no solo do Brasil”. Diga-se de passagem, que “o irmão do Henfil” e as “Clarisses” citados nos versos referem-se a personagens reais, sendo o primeiro o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, irmão do cartunista Henfil, na época exilado, e a segunda, Clarisse, viúva do jornalista Wladimir Herzog, enforcado numa prisão da ditadura, em São Paulo.

“O Bêbado e a Equilibrista” foi lançado por Elis Regina em junho de 79, numa gravação orquestrada e dirigida por César Camargo Mariano, integrante do elepê Elis, essa mulher, o primeiro da cantora na gravadora WEA (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

O bêbado e a equilibrista (1979) - João Bosco e Aldir Blanc
Intro.: A7M
A7M
Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
C#m7(b5) F#7 Bm7 F#7(b13)
Me lembrou Carlitos

Bm7 D7M
A lua, tal qual a dona de um bordel
E7(9)
Pedia a cada estrela fria
Bm7 E7(9) C#m7 Cm7 Bm7 E7(9)
Um brilho de alu------guel
A7M                            C#m7
E nuvens, lá no mata-borrão do céu
Em/G F#7
Chupavam manchas tortura----das
C#m7(b5) F#7 Bm7
Que su---foco

Dm7 G7(13) D#º
Louco, o bêbado com chapéu-coco
A7M F#7 B7(13) B7(b13)
Fazia irreverências mil
Bm7 E7(9) A7M E7(9)
Pra noite do Bra----sil, meu Brasil
A7M
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
C#m7(b5) F#7 Bm7 F#7(b13)
Num rabo de foguete
Bm7 D7M
Chora a nossa pátria, mãe gentil
E7(9)
Choram Marias e Clarices
Bm7 E7(9) C#m7 Cm7 Bm7 E7(9)
No solo do Bra----sil
A7M                       C#m7
Mas sei que uma dor assim pungente
Em/G F#7
Não há de ser inutilmen----te
C#m7(b5) F#7 Bm7
A espe---rança

Dm7 G7(13) D#º
Dança na corda bamba de sombrinha
A7M F#7 B7(13) B7(b13)
E em cada passo dessa linha
Bm7 E7(9) F#7
Pode se ma----chu----car

Dm7 G7(13) D#º
Azar, a esperança equilibrista
A7M F#7 B7(13) B7(b13)
Sabe que o show de todo artista
Bm7 E7(9) A7M
Tem que conti---nu-----ar...

Nação

João Bosco
intro.: C7M


Dm Dm7M Dm7 Dm6
Dorival Caymmi falou pra Oxum
Ab7.5+ E Am7 Am7.14
Com Silas tô em boa companhia
F#dim C7M A7.5+
O céu abraça a terra
Dm7.9 G7.5+ C7M
Deságua o rio na Bahia

Jeje minha sede é dos rios

A minha cor é o arco-íris
A7.5+ Dm A7.5+ Eb7.9
Minha fome é tanta
Dm Dm7M Dm7
Planta florirmâ da bandeira
G7.13
A minha sina é verde-amarela
C#7.9 Dm7
Feito a bana...neira
C C5+7M C6.7M E7 Am7
Ou.......ro cobre o espelho esmeralda
Gm7 C7.9
No berço esplêndido a floresta em calda
C7.9- F7M F#dim
Manjedoura d'alma labarágua
C7M A7.5+ Eb7.9 Dm7.9
Sete queda em chama cobra de ferro
G7.13 C#7.9 C7M
Oxum-maré homem e mulher na cama

Jeje tuas asas de pomba

Presas nas costas com mel e dendê
A7.5+ Dm7.9 A7.5+ Eb7.9
Aguentam por um fio
Dm Dm7M Dm7
Sofrem o bafio da terra
G7.13
O bombardeiro de Caramuru
C#7.9 C7M.9
A sanha d'Anhanguera
C C5+7M C6.7M E7 Am7
Je....je tua boca do lixo
Gm7 C7.9
Escarra o sangue de outra hemoptise
C7.9- F7M
No canal do mangue
F#dim C7M A7.5+
O irapuru das cinzas chama
Eb7.9 Dm7.9 G7.13
Rebenta a louça Oxum-maré
C#7.9 C7M
Dança em teu mar de lama

Na venda

João Bosco
De:João Bosco / Aldir Blanc
[Intro:] D7(b9)/A


G6 F#m7(11) B7 Em7(9)
Eu fui na venda comprar pinga e pimentão
A7(b9) D7(13) B7(b13)
Pra fazer um xarope noventa que matasse a fome
E7(9) B7(b5) E7(9)
E limpasse o pulmão mas o caxeiro-cachorro!
Gm6
Tomou meu dinheiro,
F#7(13) F#7(b13) B7
mandou que eu ficasse calado, maneiro,
E7(9) A7(13)
Botou toda culpa na Dona Inflação
C7(#9) B7(#9)
-Essa não, seu Leitão!
E7(9) A7(13) D7
-Essa não, -Essa não, seu Leitão!

Dei-lhe uma descompostura, criei embaraço,
G7(b5) F#m7(b5) F7(b5) E7(9)
Os home arriaro a porta de aço
A7(13) Am7(9) D7(13)
E arrepiaro mais que porquispim...
G6 G#m7(b5) C#7(b9)
Tinha uma abertura nos fundo da venda,
F#m7 B7(b9) E7(9)
Corri como um cão, passaro um jornal nos meus treco
A7(13) C7(#9) B7(#9)
E o Leitão jogou o pacote por cima de mim
E7(9) A7(13) D7(9)
-Essa não, quase foi o meu fim!

Fim: E7(9) A7(13) D7(9) B7(b13)

Miss Suéter

João Bosco
Tom: A7+
A7+/9                          F#m7               F#7/C#
Fascínio tenho eu por falsas loiras, ai a negra lingière
B7/9 D7/13 E7/13 A7+/9
As sardas, sobrancelha feita à lápis e perfume da Coty
F#m7 F#7/C#
Na boca dois pivôs tão graciosos entre jóias naturais
B7/9 D7/13 E7/13 A7+/9
Os olhos dois minúsculos aquários de peixinhos tropicais
Bm4/7 E/F#
Eu conheço uma assim
Bm4/7 D7/13 E7/13 F#m7
Uma dessas mulheres que um homem não esquece
Bm4/7 E/F# Bm4/7 D7/13 E7/13 F#m7
Ex-atriz de TV, hoje é escriturária do INPS
Bm4/7 E/F# Bm4/7 D4/7 E7/13 A7+/9
E que dias atrás, venceu lá um concurso de Miss Suéter
F#m7 F#7/C#
Na noite da vitória, emocionada, entre lágrimas falou:
B7/9 D7/13
"Nem sempre a minha vida foi tão bela
E7/13 A7+/9
mas o que passou, passou
F#m7 F#7/C#
Dedico este título à mamãe que tantos sacrifícios fez
B7/9 D7/13
Pra que eu chegasse aqui ao apogeu
E7/13 A7+/9
com o auxílio de vocês"
Bm4/7 E/F# Bm4/7 D7/13
Guardarei para sempre seu retrato de Miss
E7/13 F#m7
com cetro e coroa
Bm4/7 E/F# Bm4/7 D7/13
Com a dedicatória que ela em letra miúda
E7/13 F#m7
insistiu em fazer
Bm4/7 E/F# Bm4/7 D7/13
"Pra que os olhos relembrem quando o teu coração
E7/13 A7+
infiel esquecer.
Um beijo, Margot"

Memória da pele

João Bosco
de: João Bosco & Waly Salomão
      E(add9)       G#7(#5)      C#m7
Eu já esqueci você Tento crer
F#m7 G#m7(11) C#7(b9)
Nesses lábios que meus lábios sugam
A7M/E A6/E B7(9/13)
De prazer
E(add9) G#7 Aº(7M) A6 D7(13)
Sugo sempre, busco sempre À sonhar em vão
E/G# C#m7* F#m7 B7(9) C7M
Cor vermelha, carne da sua boca Coração

E(add9) A(add9) E(add9) A(add9)
Eu já esqueci você Tento crer
E(add9) C#m7 B B/A
Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor
C#m7 G#m7 A(add9) A#º
Sua casa, sua cama Sua carne, seu suor
E(add9) B7(9)* E(add9) B7(#5)
Eu pertenço a raça da pedra dura

Em7(9/11)
Quando, enfim, juro que esqueci
F7M/C
Quem se lembra de você em mim Em mim
F(#11)
Não sou eu Sofro e sei
F#m7(b5) B7(b9)
Não sou eu Finjo que não sei
Em(7M) Em7 Em6 Em(b6)
Não sou eu
Em7(9/11)
Sonho bocas que murmuram
F7M/C
Tranço em pernas que procuram, enfim
F(#11)
Não sou eu Sofro e sei
F#m7(b5) B7(b9) E(add9) B7 E(add9)
Quem se lembra de você em mim Eu sei, eu sei

G D/F# Em7(9/11)
Bate é na memória da minha pele
F7M/C Em7(9/11)
Bate é no sangue que bombeia Na minha veia
G D/F# Em7(9/11)
Bate é no champagne que borbulhava na sua taça
F7M/C Em7(9/11)
Que borbulha agora na taça da minha cabeça

E(add9) G#7(#5) C#m7
Eu já esqueci você Tento crer
F#m7 G#m7
Nesses lábios que meus lábios sugam
A6 Am6 D7(13) E/G# C#m7*
De prazer Sugo sempre, busco sempre À sonhar em vão
F#m7 B7(9) C7M E(add9)
Cor vermelha, carne da sua boca Coração

Melodia sentimental

João Bosco
Tom: Dm
Intro: Gm Dm Bb A7 Dm


Dm Gm
Acorda, vem ver a lua
A7 Dm Dm7+ Dm7 Dm6
Que dorme na noite escura
E7
Que surge tão bela e branca
A7 D7 G7 F#m5-/7
Derramando doçura, clara e saliente
E7 A7
Ardendo meu sonhar
Dm Gm
As asas da noite que surgem
C7 F
E correm o espaço profundo
Bb Gm
Oh, doce amada, desperta
A7 Dm Dm7+ Dm7 Dm6
Vem dar teu calor ao luar
Dm Gm
Quisera saber-te minha
A7 Dm Dm7+ Dm7 Dm6
Na hora serena e calma
E7
A sombra confia ao vento
A7 E7
O limite da espera
Gm F#m5-/7
Quando dentro da noite
E7 A7
Reclama o teu amor
Dm Gm
Acorda, vem olhar a lua
C7 F
Que dorme na noite escura
Bb Gm
Querida, és linda e meiga
A7 Dm Dm7+ Dm7 Dm6
Sentir seu amor e sonhar (INTR.)

Linha de passe

Linha de passe (1979) - João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio
Tom: A7+

Intro: (A7+ D7/9) 3x


(A7+ D7/9)
Toca de tatu, lingüiça e paio e boi zebu
Rabada com angu, rabo-de-saia
Naco de peru, lombo de porco com tutu
A7+ D7/9 A7+ A7
E bolo de fubá, barriga d'água
D D#° A F#7
Há um diz que tem e no balaio tem também
B7 E7 A7+ A7
Um som bordão bordando o som, dedão, violação
D D#° A F#7
Diz um diz que viu e no balaio viu também
B7 E7 A
Um pega lá no toma-lá-dá-cá, do samba
C#7 F#m
Um caldo de feijão, um vatapá, e coração
C#7 F#m
Boca de siri, um namorado e um mexilhão
B7 E7
Água de benzê, linha de passe e chimarrão
B7 E7
Babaluaê, rabo de arraia e confusão...
...
(A7+ D7/9)
Eh, yeah, yeah . . .
(Valeu, valeu, Dirceu do seu gado deu...)
A7 D D#° A F#/7
Cana e cafuné, fandango e cassulê
B7 E7 A7+ A7 D D#°
Sereno e pé no chão, bala, camdomblé
A F#7 B7 E7 A
E o meu café, cadê? Não tem, vai pão com pão
C#7 F#m
Já era Tirolesa, o Garrincha, a Galeria
C#7 F#m
A Mayrink Veiga, o Vai-da-Valsa, e hoje em dia
B7 E7
Rola a bola, é sola, esfola, cola, é pau a pau
B7 E7
E lá vem Portela que nem Marquês de Pombal
(A7+ D7/9)
Mal, isso assim vai mal, mas viva o carnaval
Lights e sarongs, bondes, louras, King-Kongs
Meu pirão primeiro é muita marmelada
A7+ D7/9 A7+
Puxa saco, cata-resto, pato, jogo-de-cabresto
A7
E a pedalada
D D#° A F#7
Quebra outro nariz, na cara do juiz
B7 E7 A7+ A7
Aí, e há quem faça uma cachorrada
D D#° A F#7
E fique na banheira, ou jogue pra torcida
B7 E7 A
Feliz da vida
(A7+ D7/9)
Toca de tatu, lingüiça e paio e boi zebu
Rabada com angu, rabo-de-saia
Naco de peru, lombo de porco com tutu
A7+ D7/9 A7+ A7
E bolo de fubá, barriga d'água
D D#° A F#7
Há um diz que tem e no balaio tem também
B7 E7 A7+ A7
Um som bordão bordando o som, dedão, violação
D D#° A F#7
Diz um diz que viu e no balaio viu também
B7 E7 (A7+ D7/9)
Um pega lá no toma-lá-dá-cá do samba
Do samba, do samba, do samba, do samba

Latin Lover

João Bosco
De: João Bosco & Aldir Blanc


Cm7
Nos dissemos
Cm6 Bbm7
Que o começo é sempre, sempre inesquecível
Eb7/9 Dm5-/7
E no entanto, meu amor, que coisa incrível
G#5-/7 G4/7 Cm7+ Fm7/9 G7/9+
Esqueci nosso começo inesquecível

Cm7
Mas me lembro
Cm6 Bbm7
De uma noite, sua mãe tinha saído
Eb7/9 Dm5-/7
Me falaste de um sinal adquirido
G#5-/7 G4/7 C7+
Numa queda de patins em Paquetá


Gm7 C7/9-
Mostra... Doeu? Ainda dói?
Bm5-/7 E7/9-
A voz mais rouca
Am7 D6/7
E os beijos cometas percorrendo
Fm6 G4/7
O céu da boca

C7+
As lembranças acompanham até o fim
Bbm7 Eb7/9
O latin lover
Ab Ab5+
Que hoje morre
Ab6 Ab5+
Sem revólver, sem ciúmes,
G5+/7
Sem remédio
Cm7+
De tédio