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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A canção dos seus olhos

A canção dos seus olhos (samba-canção, 1960) - Pernambuco e Antônio Maria
Elizeth Cardoso

Ai, você foi embora, era hora de ir
Depois quem sabe que tristeza haveria
Ai, foi bom separar os meus sonhos dos seus
No meu olhar, o poder do seu olhar

Ai, não faz mal a distâcia
Ai, não faz mal a saudade
Hoje é melhor eu saber
Que você não sofreu
Se eu sofri não faz mal

Ai, nasceu no sofrimento
Na esperança e no amor
Nasceu de mim
A canção dos seus olhos

A canção dos seus olhos

A canção dos seus olhos (samba-canção, 1960) - Pernambuco e Antônio Maria
Elizeth Cardoso

Ai, você foi embora, era hora de ir
Depois quem sabe que tristeza haveria
Ai, foi bom separar os meus sonhos dos seus
No meu olhar, o poder do seu olhar

Ai, não faz mal a distâcia
Ai, não faz mal a saudade
Hoje é melhor eu saber
Que você não sofreu
Se eu sofri não faz mal

Ai, nasceu no sofrimento
Na esperança e no amor
Nasceu de mim
A canção dos seus olhos

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Cifras de Antônio Maria

Faça o que quiser

Faça o que quiser (1959) - Luiz Bonfá e Antônio Maria

Faça o que quiser,
Em cada erro seu existe o meu perdão,
Perdão de quem só sabe querer bem,
Perdão de quem nasceu pra perdoar.

Vá, aonde for,
O seu caminho é só seguir o meu caminho,
Amor, para você é meu carinho,
Amor, é tudo que sou, tudo o que sei de amor.

Faça o que quiser,
Em cada erro seu existe o meu perdão,
Perdão de quem só sabe querer bem,
Perdão de quem nasceu pra perdoar.

Vá, aonde for,
O seu caminho é só seguir o meu caminho,
Amor, para você é meu carinho,
Amor, é tudo que sou, tudo o que sei de amor....

Frevo nº 2 do Recife

Frevo nº 2 do Recife (1951) - Antônio Maria

Ai, ai, saudade
Saudade tão grande
Saudade que eu sinto
Do Clube dos Pás, dos Vassouras
Passistas traçando tesouras
Nas ruas repletos de lá
Batidas de bumbo
São maracatus retardados '
Que voltam pra casa cansados
Com seus estandartes pro ar
Quando eu me lembro
O Recife tá longe
A saudade é tão grande
Eu até me embaraço
Parece que eu vejo
O Haroldo Matias no passo
Valfrido e Cebola, Colasso
Recife tá perto de mim
Saudade que eu tenho

São maracatus retardados
Que voltam pra casa cansados
Com seus estandartes pro ar

segunda-feira, 31 de julho de 2006

O amor e a rosa

Agostinho dos Santos
O amor e a rosa (samba, 1960) - Pernambuco e Antônio Maria

A7M         Bb°   Bm7       C°
Guarda a rosa que eu te dei
Dbm7 Db7/5+ Dm7 G9
Esquece os males que eu te fiz
Dbm7 C7 Bm11 Bb11+
A rosa vale mais
A A7/5+
que a tua dor
 D7M                Dm7  







Agostinho dos Santos
Se tudo passou se o amor acabou
A A7
A rosa deve ficar
D7M Dm7
Num canto qualquer do teu coração
C7+ F7+ Bm11 Bb11+
O amor reviverá
 A7M       F#7       Bm7    E7
Guarda a rosa que eu te dei
A7M A7 Dm7
Esquece os males que eu te fiz
A7M Cº Bm7 E7 A
A rosa vale mais que a tua dor

terça-feira, 20 de junho de 2006

Preconceito

Maria Bethânia

Preconceito - Fernando Lobo e Antônio Maria
[Intro:] E D E D E D E B7

Em Em(#5) B7 Em
Por que você me olha com esses olhos de loucura?
Em(#5) B7 Em
Por que você diz meu nome? Por que você me procura?
Em(#5) B7 Em D
Se as nossas vidas juntas vão ter sempre um triste fim
C G
Se existe um preconceito muito forte
F#m7(b5) B7(b9) Em
separando você de mim

D7(4) D7 G9 G F#m7(b5) B7(b9) Em9 Em
Pra que este beijo agora? Por que me amor este abraço?
F#m7(b5) B7(b9) Em9 Em/D C#m7(b5)
Um dia você vai embora sem sofrer
B7(4) B7 D7(4)
os tormentos que eu passo
D7 G9 G F#m7(b5) B7(b9)
De que vale sonhar um minuto se a verdade
Em9 Em
da vida é ruim?
C G
Se existe um preconceito muito forte
F#m7(b5) B7(b9) Em
separando você de mim

domingo, 4 de junho de 2006

Suas mãos

Nelson Gonçalves
Suas mãos (samba-canção, 1958) - Pernambuco e Antônio Maria

A7+ ----------E7/5+
Ah, suas mãos
Dbm7/-5 ---Gb7/5+
Onde estão ?
---------Bm7
Onde está o seu carinho ?
-----------E7---- A7+ ------Gb7/5+------ Bm7------ E7
Nelson Gonçalves
Onde está você ?

A7+ -------E7/5+ ---Dbm7/-5------ Gb7/5+
Se eu pudesse buscar
------------Bm7
Seu soubesse onde está
----------E7------ A7+----- Dm7------ A7+------ A7/5+
Seu amor . . . você . . .

--------Dm7 ---------------G7
Um dia há de chegar
------A7+-- Bm7--Dbm7----- A7/5+
Quando eu não sei
-----Dm7 ---------G7------------ C7+
Você vai procurar onde eu estiver
-----------E7
Sem amor . . . sem você . . .

terça-feira, 23 de maio de 2006

Manhã de Carnaval

Quando Sacha Gordine resolveu filmar a peça “Orfeu da Conceição” (filme que se chamaria “Orfeu do Carnaval”), exigiu que fosse criada uma nova trilha sonora, especialmente para a produção. Motivo: o francês queria faturar em cima da edição das músicas. Dessa trilha destacaram-se os sambas “A Felicidade” e “Manhã de Carnaval”, duas canções que se tornaram clássicos do repertório internacional. Aliás, “Manhã de Carnaval” se tornaria um dos temas brasileiros preferidos na área do jazz, com dezenas de versões gravadas por grandes músicos do gênero, sob o inacreditável título de “A Day in the Life of a Fool”.

Agostinho dos Santos

Formada por sugestão de Rubem Braga, a dupla Luís Bonfá-Antônio Maria compôs “Manhã de Carnaval” e “Samba de Orfeu”, na realidade temas instrumentais já existentes, que Maria demorou a letrar, para a aflição de Bonfá que tinha compromissos profissionais a atender nos Estados Unidos. Uma bonita composição, “Manhã de Carnaval” tem os compassos iniciais semelhantes aos do tema do terceiro movimento da “Humoresque em Si Bemol, opus 20”, de Robert Schumann. (A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Manhã de Carnaval (samba, 1959) - Luiz Bonfá e Antônio Maria
Gm7         Cm7 D7   Gm7   Cm7  D7
Manhã tão boni- ta manhã
Gm7 Cm7 F7 Bbmaj7 Bmaj9 Dm7/-5 G7
Na vida uma no- va canção
Cm7 F7
cantando só teus olhos
Bbmaj7 Gm7
teu riso e tuas mãos
Adim D7/+9 Adim
pois há de haver um dia
Gm7 Cm7 D7
em que virás

Gm7 Cm7 D7 Gm7 Cm7 D7
Das cordas do meu violão
Dm7/-5 G7 Cm7
que só teu amor procurou
Adim Gm7 Bbm6 D7/A D7/+9 Adim
vem uma voz falar dos beijos perdidos
Gm7
nos lábios teus

Cm7 Bbmaj7 Ebmaj7 Dm7
canta o meu coração alegria voltou
Cm7 Adim Ebmaj7 Gm9
tão feliz a manhã desde amor

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Canção da volta

Canção da volta (samba-canção, 1955) - Ismael Neto e Antônio Maria
Dolores Duran

---------------------Cm
Nunca mais vou ouvir
----------------------F----- G7 --------Cm
O que o meu coração pedir
Nunca mais vou fazer
---------------------F-------- G7
O que o meu coração mandar ...
C---------- E7
O coração
----------Am-------- F ------G7
Fala muito e não sabe ajudar
C-----------F7
Sem refletir
---------------------E7 -----F-- E7-- F
Qualquer um vai errar, penar ...
------------------G7
Eu fiz mal em sair
--------------------C7+
Eu fiz mal em deixar
-------------E7-------- Am ----Am/G---- D/Gb
O que eu tinha em você
----------------D7
E errei em dizer
-----------------------Dm
Que não voltava mais
------------G5+------- Cm
Nunca mais ...
Hoje eu volto vencida
-----------------F---- G7----- Cm
A pedir pra ficar aqui
Meu lugar é aqui
-------------------------F-- Cm-- F --Cm
Faz de conta que eu não sai

Valsa de uma cidade

Esta canção é uma crônica de amor ao Rio de Janeiro. Realmente, seus versos iniciais com um enfoque descritivo - "Vento do mar no meu rosto / e o sol a queimar, queimar / calçada cheia de gente / a passar e a me ver passar" - têm a marca inconfundível do grande cronista que foi Antônio Maria, autor da letra, e bem poderiam servir de abertura a uma de suas crônicas.



Lúcio Alves
Abrem, porém, uma das mais belas canções, entre tantas, que louvam o Rio de Janeiro, uma canção em ritmo de valsa, ao contrário da maioria que canta a cidade em ritmo de samba. Em tempo: nenhum dos autores de "Valsa de Uma Cidade" era carioca, sendo Antônio Maria pernambucano e Ismael Neto paraense.

Valsa de uma cidade (valsa, 1954) - Ismael Neto e Antônio Maria
Bb7/9+   Gm7/9      Cm7/9
Vento do mar no meu rosto
F7/9- Bb7/13 Gm7 C7/4 F7
E o sol a queimar, queimar
Bb7/9+ Gm7/9 Cm7/9
Calçada cheia de gente
F7/9- Bb7/13 Gm7 E7/4 A7
A passar e a me ver passar
D Bm7 Em7 A7 D Bm7 Em7 A7
Rio de Janeiro, gosto de você
D Bm7 Em7
Gosto de quem gosta
A7 D7 G7/4+
Deste céu, desse mar,
C7/4 F7
Dessa gente feliz
Bb7/9+ Gm7/9 Cm7/9
Bem que eu quis escrever
F7/9- Bb7/13 Gm7 C7/4 F7
Um poema de amor e o amor
Bbm7/5+ Bbm/Ab Gm11 Gb7/4+
Estava em tudo que eu quis
Bbm7/5+ Bbm/Ab Gm11 F7
Em tudo quanto eu amei
Bb7/9+ Gm7/9 Cm7/9
E no poema que eu fiz
F7/9- Cm7 F7 Bb Gm7 Cm7
Tinha alguém mais feliz que eu
F9 Bb Gm7 Cm7
O meu amor
F9 Bb7/9+ Gm7/9 C7/4 F7/9-
Que não me quis

Bbm7/5+ Bbm/Ab Gm11 F7
Em tudo quanto eu amei
Bb7/9+ Gm7/9 Cm7/9
E no poema que eu fiz
F7/9- Cm7 F7 Bb Gm7 Cm7
Tinha alguém mais feliz que eu
F9 Bb Gm7 Cm7
O meu amor
F9 Bb7/9+ Gm7/9 C7/4 F7/9-
Que não me quis

Se eu morresse amanhã de manhã

Se eu morresse amanhã de manhã (samba-canção, 1953) - Antônio Maria



Dircinha Batista

D     A6/C# Bm Bm/A         F#m7 B7/9-
De que serve viver tantos anos sem amor
Em Em7+ Em7 C#m7/5- A7/6 A7 A7/5+
Se viver é juntar desenganos de amor
D Am7 D7/9
Se eu morresse amanhã de manhã
G7+ C#m7/5- F#7
Não faria falta a ninguém
Bm A#5+ Bm/A G#m7/5-
Eu seria um enterro qualquer
G/A A7/6
Sem saudade, sem luto também
Em7 A7/9-
Ninguém telefona, ninguém
Am7 Am/C B7/9-
Ninguém me procura, ninguém
Em7/9 G F#7 B7/9-
Eu grito e um eco responde: "ninguém!" 
Em F°
Se eu morresse amanhã de manhã
F#m B7/5+
Minha falta ninguém sentiria
Em7
Do que eu fui, do que eu fiz
Gm7 E7 A7/6
Ninguém se lembraria..

Onde anda você?

Onde Anda Você? (samba-canção, 1953) - Antônio Maria e Reinaldo Dias Leme
Nora Ney

Nesta noite comprida
Onde anda você?
Neste instante da vida
Onde anda você?
Por que você não vem
Meu bem, por quê?
Nesta hora perdida
Eu queria você
Fui como um resto de bebida
Que você jogou fora
E na hora
Farto de mim
Me esqueceu
Eu fui mais uma taça desprezada
Quis ser tudo e não fui nada
Ninguém é mais triste do que eu

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Ninguém me ama

A onda do bolero que invadiu o Brasil no final dos anos quarenta, acabou por influenciar o surgimento do fenômeno "samba-de-fossa" que marcou a década seguinte.

Nora Ney
Surgiriam, assim, dezenas de composições que contavam desenganos, solidão, amores infelizes, muitas delas tendo com cenário bares e boates.

Como figuras primordiais, responsáveis mesmo pela iniciação do movimento, podem ser apontadas o compositor Antônio Maria e a cantora Nora Ney. Dele são as melhores peças do gênero e dela as melhores interpretações, como acontece em "Ninguém Me Ama", paradigma do samba-de-fossa e sucesso nacional.

Ninguém me ama (samba-canção, 1952) - Fernando Lobo e Antônio Maria

Am --------------Dm/F ------C7+ ------------F7+---- Dm
Ninguém me ama . . . . . . / Ninguém me quer
--------------------Dm6 ------------------E ------E5/-9
Ninguém me chama --------de meu amor
------------A9 -----Am7 -----------------Dm/F------ Dm
A vida passa . . . . -------e eu sem ninguém
------------------Dm/F -----E------------------- A9
E quem me abraça . . . . . -------não me quer bem

Em7/-5----------------- A7
Vim pela noite tão longa
-------------------------Dm
De fracasso em fracasso
--------------------------G7
E hoje descrente de tudo
--------------------C
Me resta o cansaço
-----------------E7 ---------------Am
Cansaço da vida, cansaço de mim
------------------E7
Velhice chegando
----------------------Am
E eu chegando ao fim

Am -------------Dm/F -------E7------------------ Am
Ninguém me ama . . . . . . ---------ninguém me quer . . .

Menino grande

Menino grande (samba-canção, 1952) - Antônio Maria
Nora Ney

Tom: Fm
Intro: Fm Gm5-/7C7 Fm C7


Fm Dm5-/7 C7 Gm C7
Eu gosto tanto do carinho que ele me faz
Gm5-/7 C7 Fm
Faz tanto bem o beijo que ele me traz
F7
As horas passam, ligeiras, felizes
Bbm
Sem a gente sentir
Eb7 Ab Gm5-/7
Ele está ao meu lado, com o corpo cansado
C7 F Gm C7
Precisa dormir
F F#º Gm
Dorme, menino grande
Dm C7 F
Que eu estou perto de ti
F#º Gm C7
Sonha o que bem quiseres
G7 C7 F
Que eu não sairei daqui
Am Abº Gm C7
Oh vento não faz barulho
F F#º F
Meu amor está dormindo
Am Abº Gm C7
E o mar não bata com força
F F#º C7
Porque ele está dormindo
F F#º Gm
Dorme, menino grande
Dm C7 F
Que eu estou perto de ti
F#º Gm C7
Sonha o que bem quiseres
G7 C7 F
Que eu não sairei daqui

domingo, 9 de abril de 2006

Antônio Maria

Antônio Maria Araújo de Morais, compositor e jornalista, nasceu no Recife PE (17/3/1921) e faleceu no Rio de Janeiro RJ (15/10/1964). Nasceu numa casa grande da Rua União, e seu avô materno, Rodolfo Araújo, era rico proprietário na região, dono do Engenho Cachoeira Lisa. Sua infância passou-se entre o velho sobrado da cidade e o engenho do avô, onde costumava ir durante as férias escolares, com os irmãos e primos. Recebeu formação típica das famílias ricas da época, tendo aulas particulares de piano e de francês. O padrão econômico da família, porém, caiu muito, quando o pai, também usineiro, enfrentou uma crise financeira, vindo a morrer pouco depois.

Freqüentou o Colégio Marista, em Recife, e no final do curso, aos 18 anos, já se tornara amigo de Fernando Lobo, Arlindo Gouveia e Hugo Gonçalves Ferreira (Hugo Peixa). Por essa época, começou sua vida boêmia pelos bares e cabarés da cidade. Foi estudante de agronomia e, na usina da família, exerceu atividades de técnico de irrigação de cana-de-açúcar.

Em 1934, conseguiu seu primeiro emprego como locutor e apresentador de programas musicais, feitos com discos, na Rádio Clube de Pernambuco e, em 1940, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde já se encontrava seu amigo Fernando Lobo. Ali, seu primeiro emprego foi como locutor esportivo da Rádio Ipanema, dirigida na época por Carlos Frias, da qual acabou sendo dispensado por seu estilo inovador de irradiar jogos (criou várias expressões novas para esse tipo narração). Com Fernando Lobo, viveu algum tempo na boêmia e, tornando-se famoso nos bares cariocas, onde já improvisava alguns sambas, resolveu voltar para Recife, já que não conseguia trabalho fixo. Lá, trabalhou em jornais, fez músicas para publicidade e foi também locutor esportivo.

Em maio de 1944, casou com Mariinha Gonçalves Ferreira, filha do usineiro Tonico Ferreira e irmã de seu amigo Hugo Peixa. Foi então para Fortaleza CE, onde trabalhou como locutor esportivo da Rádio Clube do Ceará. Ficou quase um ano nessa emissora e, em seguida, passou a diretor de produção das Emissoras Associadas, em Salvador BA, onde conheceu Dorival Caymmi, de quem se tornou grande amigo.

Em 1948 mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro, passando a exercer o cargo de diretor de produção na Rádio Tupi, também das Emissoras Associadas, e assinando em O Jornal uma coluna que se tornou famosa - o "Jornal de Antônio Maria", onde escrevia diariamente crônicas sobre os mais diversos assuntos. Foi o primeiro diretor de produção da TV Tupi, inaugurada a 20 de janeiro de 1951, e até essa data já havia feito muitos jingles, principalmente com Geraldo Mendonça e o maestro Aldo Taranto. Não tocava instrumento e compunha cantarolando a música, fazendo a letra à medida que compunha. Em Recife, já havia composto um frevo (de uma série de cinco) chamado Frevo número um , gravado pelo Trio de Ouro, em 9 de agosto de 1951; o Frevo nº 2 do Recife foi gravado por Luís Bandeira, acompanhado de Severino Araújo e sua Orquestra.

Em 1951, fez com Fernando Lobo o samba Querer bem, gravado por Araci de Almeida. Mas até essa época ainda não se tornara conhecido como compositor. No início de 1952, com outros colegas da Rádio Tupi, transferiu-se para a Rádio Mayrink Veiga, ganhando o maior salário de rádio daquela época: 50.000 cruzeiros por mês. Nessa emissora, atuou como locutor esportivo e produziu vários programas que iam ao ar à noite e tinham grande audiência, como Alegria da Rua, Regra Três e Musical Antártica.

Seu sucesso como compositor começou em 1952, quando Nora Ney, então cantora estreante, lançou de sua autoria o samba-acalanto Menino grande e o samba-canção Ninguém me ama (com Fernando Lobo). Por volta de 1953, compôs com Vinícius de Moraes o samba Quando tu passas por mim, gravado por Araci de Almeida na Continental e, depois, por Dóris Monteiro, e o Dobrado de amor a São Paulo (gravado por Araci de Almeida), homenagem que os dois amigos prestavam à cidade de que tanto gostavam e que costumavam visitar juntos.

Ainda em 1953, compôs com Zé da Zilda os sambas Não fiz nada, Não vá embora e Meu contrabaixo, os dois primeiros gravados pelo próprio Zé da Zilda, na Odeon, e o último gravado por Araci de Almeida, na Continental. No ano seguinte, conheceu Ismael Neto, líder de Os Cariocas, e do primeiro encontro dos dois nasceu a Valsa de uma cidade; ainda em 1954, fizeram juntos o choro lento Carioca 1954, o samba-canção Sei perder e Canção da volta, que lançou Dolores Duran como cantora.

Parceria, última composição feita com Ismael Neto, foi gravada, em 1956, pelo conjunto Os Cariocas. Nos anos seguintes, teve novos parceiros como Manezinho Araújo, em Cajueiro doce, e Evaldo Gouveia, em Canção ninar gente grande. Com Luiz Bonfá, compôs Manhã de Carnaval, com numerosas gravações, e Samba de Orfeu, em 1959, ambos para o filme Orfeu do Carnaval, de Marcel Camus; e, com o mesmo parceiro, fez ainda Faça o que quiser, em 1959, e Canção da mulher amada, em 1960. Nesse ano, compôs com Pernambuco Mais que a minha vida, A canção dos olhos, Suas mãos, um de seus maiores sucessos, e O amor e a rosa.

Vítima de um segundo enfarte, faleceu em 1964. Depois de sua morte, foi homenageado num espetáculo só com músicas suas e de Dolores Duran - Brasileiro profissão esperança - escrito por Paulo Pontes, que estreou em 1970, com Maria Bethânia e Raul Cortês, no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro, e que, em 1974, foi levado na cervejaria carioca Canecão por Ciara Nunes e Paulo Gracindo. Em 1997 a cantora Marisa Gata Mansa, lançou o CD Encontro com Antônio Maria, em que interpreta 14 músicas do compositor, entre elas o Frevo n. 2 do Recife, clássico do gênero, Manhã de Carnaval, Samba de Orfeu, A canção dos seus olhos e O amor e a rosa.

Algumas músicas



Obra completa

Aconteceu (c/Ismael Neto), choro, 1954; Aconteceu em São Paulo, samba, 1954; Ai! que medo (c/Ismael Neto), mambo, 1954; Amor de janela (c/Pernambuco), samba, 1961; O amor e a rosa (c/Pernambuco), samba, 1960; O amor que Deus nos deu (c/João Roberto Kelly), samba-canção, s.d.; Bate, coração (c/Vinícius de Moraes), samba-canção, 1960; Cajueiro doce (c/Manezinho Araújo), toada, 1957; Canção da mulher amada (c/Luís Bonfá), 1960; Canção da volta (c/Ismael Neto), samba-canção, 1954; A canção dos seus olhos (c/Pernambuco), samba, 1960; Canção para ninar gente grande (c/Evaldo Gouveia), samba-canção, 1958; Carioca 1954 (c/Ismael Neto), choro lento, 1955; Cartas (c/Ismael Neto), samba-canção, 1955; Coisas do amor (c/Pernambuco), samba, s.d.; Concerto no céu (c/Pernambuco), fox, s.d.; Desse amor melhor (c/Pernambuco), samba, s.d.; Dez noites (c/lsmael Neto), toada, s.d.; Dobrado de amor a São Paulo (c/Vinícius de Moraes), dobrado, 1954; Domingo, samba-canção, s.d.; Dorme (c/Pernambuco), beguine, s.d.; Faça o que quiser (c/Luís Bonfá), samba-canção, 1959; Fique comigo (c/Moacir Silva), samba-canção, s.d.; Frevo número dois do Recife, frevo-canção, 1954; Frevo número três do Recife, frevo, s.d.; Frevo número um do Recife, frevo, 1951; Fulana de Tal, samba-canção, 1954; Gostar de alguém (c/Zacarias), samba, s.d.; Hoje não (c/Zé da Zilda), samba, s.d.; Insensato coração (c/Paulo Soledade), samba, 1956; Madrugada 3 e 5 (c/Ismael Neto e Reinaldo Dias Leme), samba, 1955; Mais que a minha vida (c/Pernambuco), samba, 1960; Manhã de Carnaval (c/Luís Bonfá), samba-canção, 1959; Menino grande, samba-acalanto, 1952; Meu contrabaixo (c/Zé da Zilda), samba, 1953; Minha amada dormiu, samba-canção, 1954; Não fiz nada (c/Zé da Zilda), samba, 1953; Não vá embora (c/Zé da Zilda), samba, 1953; Ninguém me ama (c/Fernando Lobo), samba, 1952; Ninguém sabe de nós (c/Moacir Silva), samba-canção, 1962; A noite é grande (c/Fernando Lobo), marcha, s.d.; Nós era sete (c/Zé Gonzaga), polca, 1952; Onde anda você (c/Reinaldo Dias Leme), samba, 1953; Parceria (c/Ismael Neto), samba, 1956; Pense em mim, samba-canção, 1954; Podem falar (c/Ismael Neto), samba-canção, 1953; Portão antigo, samba-canção, 1955; Preconceito (c/Fernando Lobo), samba, 1953; Quando ela se foi (c/Moacir Silva), samba-canção, s.d.; Quando tu passas por mim (c/Vínícíus de Moraes), samba, 1953; Querer bem (c/Fernando Lobo), samba, 1951; Recife, frevo-canção, 1952; O Rio amanhecendo (c/Ismael Neto), samba, 1955; Rio-São Paulo (c/Reinaldo Dias Leme), maxixe, s.d.; Samba de Orfeu (c/Luís Bonfá), samba, 1959; Sangue quente (c/Moacir Silva), samba, 1963; São Paulo (c/Paulo Soledade), samba, s.d.; Se eu morresse amanhã, samba-canção, 1953; Sei perder (c/Ismael Neto), samba-canção, 1955; Suas mãos (c/Pernambuco), samba, 1960; O tempo marcou (c/Reinaldo Dias Leme), samba, s.d.; Os teus encantos (c/Moacir Silva), samba, s.d.; Valsa de uma cidade (c/Ismael Neto), valsa, 1954; Vem hoje (c/Moacir Silva), samba, 1960; Vou pra Paris (c/Fernando Lobo), samba, 1954.

Antônio Maria

Antônio Maria Araújo de Morais, compositor e jornalista, nasceu no Recife PE (17/3/1921) e faleceu no Rio de Janeiro RJ (15/10/1964). Nasceu numa casa grande da Rua União, e seu avô materno, Rodolfo Araújo, era rico proprietário na região, dono do Engenho Cachoeira Lisa. Sua infância passou-se entre o velho sobrado da cidade e o engenho do avô, onde costumava ir durante as férias escolares, com os irmãos e primos. Recebeu formação típica das famílias ricas da época, tendo aulas particulares de piano e de francês. O padrão econômico da família, porém, caiu muito, quando o pai, também usineiro, enfrentou uma crise financeira, vindo a morrer pouco depois.

Freqüentou o Colégio Marista, em Recife, e no final do curso, aos 18 anos, já se tornara amigo de Fernando Lobo, Arlindo Gouveia e Hugo Gonçalves Ferreira (Hugo Peixa). Por essa época, começou sua vida boêmia pelos bares e cabarés da cidade. Foi estudante de agronomia e, na usina da família, exerceu atividades de técnico de irrigação de cana-de-açúcar.

Em 1934, conseguiu seu primeiro emprego como locutor e apresentador de programas musicais, feitos com discos, na Rádio Clube de Pernambuco e, em 1940, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde já se encontrava seu amigo Fernando Lobo. Ali, seu primeiro emprego foi como locutor esportivo da Rádio Ipanema, dirigida na época por Carlos Frias, da qual acabou sendo dispensado por seu estilo inovador de irradiar jogos (criou várias expressões novas para esse tipo narração). Com Fernando Lobo, viveu algum tempo na boêmia e, tornando-se famoso nos bares cariocas, onde já improvisava alguns sambas, resolveu voltar para Recife, já que não conseguia trabalho fixo. Lá, trabalhou em jornais, fez músicas para publicidade e foi também locutor esportivo.

Em maio de 1944, casou com Mariinha Gonçalves Ferreira, filha do usineiro Tonico Ferreira e irmã de seu amigo Hugo Peixa. Foi então para Fortaleza CE, onde trabalhou como locutor esportivo da Rádio Clube do Ceará. Ficou quase um ano nessa emissora e, em seguida, passou a diretor de produção das Emissoras Associadas, em Salvador BA, onde conheceu Dorival Caymmi, de quem se tornou grande amigo.

Em 1948 mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro, passando a exercer o cargo de diretor de produção na Rádio Tupi, também das Emissoras Associadas, e assinando em O Jornal uma coluna que se tornou famosa - o "Jornal de Antônio Maria", onde escrevia diariamente crônicas sobre os mais diversos assuntos. Foi o primeiro diretor de produção da TV Tupi, inaugurada a 20 de janeiro de 1951, e até essa data já havia feito muitos jingles, principalmente com Geraldo Mendonça e o maestro Aldo Taranto. Não tocava instrumento e compunha cantarolando a música, fazendo a letra à medida que compunha. Em Recife, já havia composto um frevo (de uma série de cinco) chamado Frevo número um , gravado pelo Trio de Ouro, em 9 de agosto de 1951; o Frevo nº 2 do Recife foi gravado por Luís Bandeira, acompanhado de Severino Araújo e sua Orquestra.

Em 1951, fez com Fernando Lobo o samba Querer bem, gravado por Araci de Almeida. Mas até essa época ainda não se tornara conhecido como compositor. No início de 1952, com outros colegas da Rádio Tupi, transferiu-se para a Rádio Mayrink Veiga, ganhando o maior salário de rádio daquela época: 50.000 cruzeiros por mês. Nessa emissora, atuou como locutor esportivo e produziu vários programas que iam ao ar à noite e tinham grande audiência, como Alegria da Rua, Regra Três e Musical Antártica.

Seu sucesso como compositor começou em 1952, quando Nora Ney, então cantora estreante, lançou de sua autoria o samba-acalanto Menino grande e o samba-canção Ninguém me ama (com Fernando Lobo). Por volta de 1953, compôs com Vinícius de Moraes o samba Quando tu passas por mim, gravado por Araci de Almeida na Continental e, depois, por Dóris Monteiro, e o Dobrado de amor a São Paulo (gravado por Araci de Almeida), homenagem que os dois amigos prestavam à cidade de que tanto gostavam e que costumavam visitar juntos.

Ainda em 1953, compôs com Zé da Zilda os sambas Não fiz nada, Não vá embora e Meu contrabaixo, os dois primeiros gravados pelo próprio Zé da Zilda, na Odeon, e o último gravado por Araci de Almeida, na Continental. No ano seguinte, conheceu Ismael Neto, líder de Os Cariocas, e do primeiro encontro dos dois nasceu a Valsa de uma cidade; ainda em 1954, fizeram juntos o choro lento Carioca 1954, o samba-canção Sei perder e Canção da volta, que lançou Dolores Duran como cantora.

Parceria, última composição feita com Ismael Neto, foi gravada, em 1956, pelo conjunto Os Cariocas. Nos anos seguintes, teve novos parceiros como Manezinho Araújo, em Cajueiro doce, e Evaldo Gouveia, em Canção ninar gente grande. Com Luiz Bonfá, compôs Manhã de Carnaval, com numerosas gravações, e Samba de Orfeu, em 1959, ambos para o filme Orfeu do Carnaval, de Marcel Camus; e, com o mesmo parceiro, fez ainda Faça o que quiser, em 1959, e Canção da mulher amada, em 1960. Nesse ano, compôs com Pernambuco Mais que a minha vida, A canção dos olhos, Suas mãos, um de seus maiores sucessos, e O amor e a rosa.

Vítima de um segundo enfarte, faleceu em 1964. Depois de sua morte, foi homenageado num espetáculo só com músicas suas e de Dolores Duran - Brasileiro profissão esperança - escrito por Paulo Pontes, que estreou em 1970, com Maria Bethânia e Raul Cortês, no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro, e que, em 1974, foi levado na cervejaria carioca Canecão por Ciara Nunes e Paulo Gracindo. Em 1997 a cantora Marisa Gata Mansa, lançou o CD Encontro com Antônio Maria, em que interpreta 14 músicas do compositor, entre elas o Frevo n. 2 do Recife, clássico do gênero, Manhã de Carnaval, Samba de Orfeu, A canção dos seus olhos e O amor e a rosa.

Algumas músicas



Obra completa

Aconteceu (c/Ismael Neto), choro, 1954; Aconteceu em São Paulo, samba, 1954; Ai! que medo (c/Ismael Neto), mambo, 1954; Amor de janela (c/Pernambuco), samba, 1961; O amor e a rosa (c/Pernambuco), samba, 1960; O amor que Deus nos deu (c/João Roberto Kelly), samba-canção, s.d.; Bate, coração (c/Vinícius de Moraes), samba-canção, 1960; Cajueiro doce (c/Manezinho Araújo), toada, 1957; Canção da mulher amada (c/Luís Bonfá), 1960; Canção da volta (c/Ismael Neto), samba-canção, 1954; A canção dos seus olhos (c/Pernambuco), samba, 1960; Canção para ninar gente grande (c/Evaldo Gouveia), samba-canção, 1958; Carioca 1954 (c/Ismael Neto), choro lento, 1955; Cartas (c/Ismael Neto), samba-canção, 1955; Coisas do amor (c/Pernambuco), samba, s.d.; Concerto no céu (c/Pernambuco), fox, s.d.; Desse amor melhor (c/Pernambuco), samba, s.d.; Dez noites (c/lsmael Neto), toada, s.d.; Dobrado de amor a São Paulo (c/Vinícius de Moraes), dobrado, 1954; Domingo, samba-canção, s.d.; Dorme (c/Pernambuco), beguine, s.d.; Faça o que quiser (c/Luís Bonfá), samba-canção, 1959; Fique comigo (c/Moacir Silva), samba-canção, s.d.; Frevo número dois do Recife, frevo-canção, 1954; Frevo número três do Recife, frevo, s.d.; Frevo número um do Recife, frevo, 1951; Fulana de Tal, samba-canção, 1954; Gostar de alguém (c/Zacarias), samba, s.d.; Hoje não (c/Zé da Zilda), samba, s.d.; Insensato coração (c/Paulo Soledade), samba, 1956; Madrugada 3 e 5 (c/Ismael Neto e Reinaldo Dias Leme), samba, 1955; Mais que a minha vida (c/Pernambuco), samba, 1960; Manhã de Carnaval (c/Luís Bonfá), samba-canção, 1959; Menino grande, samba-acalanto, 1952; Meu contrabaixo (c/Zé da Zilda), samba, 1953; Minha amada dormiu, samba-canção, 1954; Não fiz nada (c/Zé da Zilda), samba, 1953; Não vá embora (c/Zé da Zilda), samba, 1953; Ninguém me ama (c/Fernando Lobo), samba, 1952; Ninguém sabe de nós (c/Moacir Silva), samba-canção, 1962; A noite é grande (c/Fernando Lobo), marcha, s.d.; Nós era sete (c/Zé Gonzaga), polca, 1952; Onde anda você (c/Reinaldo Dias Leme), samba, 1953; Parceria (c/Ismael Neto), samba, 1956; Pense em mim, samba-canção, 1954; Podem falar (c/Ismael Neto), samba-canção, 1953; Portão antigo, samba-canção, 1955; Preconceito (c/Fernando Lobo), samba, 1953; Quando ela se foi (c/Moacir Silva), samba-canção, s.d.; Quando tu passas por mim (c/Vínícíus de Moraes), samba, 1953; Querer bem (c/Fernando Lobo), samba, 1951; Recife, frevo-canção, 1952; O Rio amanhecendo (c/Ismael Neto), samba, 1955; Rio-São Paulo (c/Reinaldo Dias Leme), maxixe, s.d.; Samba de Orfeu (c/Luís Bonfá), samba, 1959; Sangue quente (c/Moacir Silva), samba, 1963; São Paulo (c/Paulo Soledade), samba, s.d.; Se eu morresse amanhã, samba-canção, 1953; Sei perder (c/Ismael Neto), samba-canção, 1955; Suas mãos (c/Pernambuco), samba, 1960; O tempo marcou (c/Reinaldo Dias Leme), samba, s.d.; Os teus encantos (c/Moacir Silva), samba, s.d.; Valsa de uma cidade (c/Ismael Neto), valsa, 1954; Vem hoje (c/Moacir Silva), samba, 1960; Vou pra Paris (c/Fernando Lobo), samba, 1954.