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domingo, 30 de julho de 2006

Táxi lunar

Alceu Valença
De:Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Alceu Valença


Tom: Bm

Intr.: Bm7 C#m7 D7+ C#m7 Bm7
C#m7 D7+ C#m7 Bm7


G/E Em9/D C7+ Bm7
Ela me deu o seu amor eu tomei
A G F#m
No dia dezesseis de maio viajei
G/E Em9/D C7+ Bm7
Espaçonave atropelado procurei
A G F#m
O meu amor aperreado


Bm7 C#m7
Apenas apanhei na beira mar
D7+ C#m7 Bm7
Um táxi pra estação lunar
Bm7 C#m7
Apenas apanhei na beira mar
D7+ C#m7 Bm7
Um táxi


G/E Em9/D C7+ Bm7
Bela linda criatura bonita
A G F#m
Meio menina meio mulher
G/E Em9/D C7+ Bm7
Tem um espelho no seu rosto de neve
A G F#m
Meio menina meio mulher


Bm7 C#m7
Apenas apanhei na beira mar
D7+ C#m7 Bm7
Um táxi pra estação lunar
Bm7 C#m7
Apenas apanhei na beira mar
D7+ C#m7 Bm7
Um táxi


G/E Em9/D C7+ Bm7
Pela sua cabeleira vermelha
A G F#m
Pelos raios desse sol lilás
G/E Em9/D C7+ Bm7
Pelo fogo do seu corpo centelha
A G F#m
Pelos raios desse sol


Bm7 C#m7
Apenas apanhei na beira mar
D7+ C#m7 Bm7
Um táxi pra estação lunar
Bm7 C#m7
Apenas apanhei na beira mar
D7+ C#m7 Bm7
Um táxi

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Mote das amplidões

Mote das amplidões - Zé Ramalho
G                          Em            G   Em
montado no meu cavalo pégaso me leve além
Bm G Em
daquilo que me convém relançar pelo que falo
G Em
bebendo pelo gargalo enchentes e ribeirões
G Bm G
na terra tem tem mil vulcões no tempo só tem espaço
Em Bm G (Em G)
nada digo e tudo faço viajo nas amplidões
G Em G Em
por entre pedras e rios planetas e hemisférios
Bm G Em
há poderes e impérios há sérios homens e fios
G Em
há beijos que são macios há bocas e palavrões
G Bm
há facas e cinturões
G Em
há dor e muito cansaço
Bm G ( Em G)
nada digo e tudo faço viajo nas amplidões
G Em G Em
bem no tempo do estio no inverno e no verão
Bm G Em
no eixo e na rotação no plano que lhe envio
G Em
nos deuses em que confio no poder das orações
G Bm G
no sangue desses canhões no cabelo e no cangaço
Em Bm G (Em G)
nada digo e tudo faço viajo nas amplidões
G Em G Em
conheço tantos caminhos retenho preso na mão
Bm G Em
as chaves da viração das aves que não têm ninhos
G Em
das uvas que não dão vinhos dos erros das intenções
G Bm G
do fogo desses dragões do pau, do ferro e do aço
Em Bm Em (G Em)
nada digo e tudo faço viajo nas amplidões.

Mistérios da meia-noite

Mistérios da meia-noite - Zé Ramalho
(intro) D G A G D G A G Bm Bm/A G D/F# Em   G A D

D G
Mistérios da meia-noite
D
Que voam longe
G
Que você nunca
Bm
Nao sabe nunca
A
Se vão se ficam
D
Quem vai quem foi

D G
Impérios de um lobisomem
D
Que fosse um homem
G Bm
De uma menina tão desgarrada
A D
Desamparada se apaixonou
E7
Naquele mesmo tempo
A A7/G D
No mesmo povoado se entregou
F# Bm Bm/A
Ao seu amor porque
E7 Em7
Não quis ficar como os beatos
A
Nem mesmo entre Deus ou o capeta
G D G A G D G A G D
Que viveu na feira

D G
Mistérios da meia-noite
D
Que voam longe
G
Que você nunca
Bm
Nao sabe nunca
A
Se vão se ficam
D
Quem vai quem foi

D G
Impérios de um lobisomem
D
Que fosse um homem
G Bm
De uma menina tão desgarrada
A D
Desamparada, seu professor...

(repete tudo 4x)

Kriptônia

Kriptônia - Zé Ramalho
intro. (B A G E) (B A G E A A# B) A

D F#m
Não admito que me fale assim
D F#m
Eu sou o seu décimo-sexto pai
Bm F#m
Sou primogênito do teu avô, primeiro curandeiro
Bm F#m
Alcoviteiro das mulheres que corriam sob o teu nariz

F#m G A C#
Me deves respeito, pelo menos dinheiro
D A
Ele é o cometa fulgurante que espatifou

G D B |
Um asteróide pequeno que todos chamam de terra |refrão
G D B |
Um asteróide pequeno que todos chamam de terra |

(B A G E) (B A G E A A# B) A

D F#m
De Kryptônia desce teu olhar
D F#m
E quatro elos prendem tua mão
Bm F#m
Cala-te boca, companheiro, vá embora, que má criação!
Bm F#m
De outro jeito não se dissimularia a suma criação

F#m G A C#
E foi o silêncio que habitou-se no meio
D A
Ele é o cometa fulgurante que espatifou

(repete refrão)

Jardim das Acácias

Jardim das Acácias - Zé Ramalho
Intro (C D Em) 
C D Em
Nada vejo por esta cidade 
C D Em
que não passe de um lugar comum 
C D Em
Mas o solo é de fertilidade 
C D Em
no jardim dos animais em jejum 
C D Em
Esperando alvorecer de novo 
G D Am
esperando anoitecer pra ver
G D Am
A clareza da oitava estrela
G D Am
esperando a madrugada vir
C D Em
E eu não posso com a mão retê-la
G D Am
e eu na passo de um rapaz comum
G D Am
Como e corro trafego na rua
G D Am
fui graveto no bico do anum
C D Em
Vez em quando sou dragão da lua
C D Em
momentânea aliení..........gena
C D Em
A formiga em viva carne crua
C D Em
perecendo e naufragando o mar
C D Em
Uê oh.......oh.......oh..... naufragando no mar

(C D Em)

C D Em
E a papoula na terra do fogo
C D Em
sanguessuga sedenta de calor
C D Em
Desemboco o canto nesse jogo
C D Em
como a cobra se contorce de dor
C D Em
Renegando a honra da família
G D Am
venerando todo ser criador
G D Am
No avesso de um espelho claro
G D Am
no chicote da barriga do boi
C D Em
No mugido de uma vaca mansa
C D Em
foragido como Judas em paz
C D Em
A pessoa que você mais ama
C D Em
no planeta vendo o mundo girar
c D Em
Uê oh.......oh.......oh..... vendo o mundo girar.

(C D Em)
ah ah ah.....

Garoto de aluguel

Garoto de aluguel - Zé Ramalho
(intro) Am Em Dm E

Am Em
Baby, dê-me seu dinheiro que eu quero viver
Dm
Dê-me seu relógio que eu quero saber
E
Quanto tempo falta para lhe esquecer
Am
Quanto vale um homem para amar você
Am Em
Minha profissão e suja e vulgar
Dm
Quero um pagamento para me deitar
E
Junto com você estrangular meu riso
Am ( Em Am )
Dê-me seu amor que dele não preciso

Am Em
Baby, nossa relação acaba-se assim
Dm
Como um caramelo que chegasse ao fim
E
Na boca vermelha de uma dama louca
Am
Pague meu dinheiro e vista sua roupa
Am Em
Deixe a porta aberta quando for saindo
Dm
Você vai chorando e eu fico sorrindo
E
Conte pras amigas que tudo foi mal
Am
Nada me preocupa de um marginal

(solo) Am Em D7 E

Eternas ondas

Como vários outros compositores, Zé Ramalho também fez uma música para Roberto Carlos gravar. Então, participando de um passeio no iate Lady Laura, ele apresentou-lhe “Eternas Ondas”, uma canção inspirada no tema bíblico do dilúvio, que expõe o contraste entre a grande força da natureza e a fragilidade humana: “Quanto tempo temos / antes de voltarem aquelas ondas / que vieram como gotas em silêncio / tão furioso / derrubando homens entre outros animais...”

Mas Roberto não aproveitou a composição, talvez trágica demais para o seu estilo, que Ramalho passou para o amigo Fagner. Faixa de abertura do álbum Raimundo Fagner, lançado no final de 1980, “Eternas Ondas” recebeu do cantor cearense uma interpretação definitiva, bem ao seu jeito, intenso, emocionado (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Eternas ondas (1981) - Zé Ramalho
Intro: E  G# D#m7/5- G# C#m

C#m D#m7/5- G# C#m
Quanto tempo temos antes de voltarem aquelas ondas
F#m B7 G# C#m
Que vieram como gotas em silêncio tão furioso;

E G#
Derrubando homens entre outros animais,
D#m7/5- G# C#m
Devastando a sede desses matagais (bis);

F#m G#
Devorando árvores, pensamentos seguindo
C#m F#m B7 Cº C#m
A linha do que foi escrito pelo mesmo lábio tão furioso,

E G# D#m7/5-
E se teu amigo vento não te procurar
G# C#m
É porque multidões ele foi arrastar (bis).

Entre a serpente e a estrela

Entre a serpente e a estrela - Zé Ramalho
(intro) Bb Dm Eb F Bb Dm Eb F

Bb Dm Eb Bb
Há um brilho de faca onde o amor vier
Bb Dm Eb F
E ninguém tem o mapa da alma da mulher
Eb F Bb Dm Eb
Ninguém sai com o coração sem sangrar ao tentar reve-la
Bb Dm Eb
Um ser maravilhoso, entre a serpente e a estrela

(Bb Dm Eb Bb Dm Eb)

Bb Dm Eb Bb
Um grande amor no passado se transforma em aversão
Bb Dm Eb F
E os dois lado à lado corroem o coração
Eb F Bb Dm Eb
Não existe saudade mais cortante que o de um grande amor ausente
Bb Dm Eb
Dura feito diamante corta a ilusão da gente

(Bb Dm Eb F G)

C Em F C
Toco a vida pra frente fingindo não sofrer
C Em F G
Mas o peito dormente espera um bem querer
F G C Em F
E sei que não será surpresa se o futuro me trouxer
C Em F C
O passado de volta num semblante de mulher

Chão de giz

Chão de giz - Zé Ramalho
Introdução: G D/F# Em C C D D4 D D9 (2x) 

G D/F# Em
Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz
C D G G9/F# Em
Há meros devaneios tolos a me torturar
C D G G9/F# Em
Fotografias recortadas em jornais de folhas a--mi--úde
Am Bm Am D
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Am Bm Am    D D4 D D9
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
  G D/F# Em
Disparo balas de canhão, é inútil pois existe um grão-vizir
C D G G9/F# Em
Há tantas violetas velhas sem um colibri
C D G G9/F# Em
Queria usar quem sabe, uma camisa de força ou de vênus
Am Bm Am D
Mas não vão gozar de nós apenas um cigarro
Am Bm Am D D4 D D9
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom

Solo: G D/F# Em C C D D4 D D9

G D/F# Em
Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez
C D G G9/F# Em
Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar
C D G G9/F# Em
Meus vinte anos de "boy", "that's over, baby" , Freud explica
Am Bm Am D
Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Am Bm Am D
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Am Bm Am D
Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval
Am Bm Am D
E isso explica porque o sexo é assunto popular

Am Bm
no mais estou indo embora
Am Bm
no mais estou indo embora
Am Bm
no mais estou indo embora
Am D D4 D D9
No mais...

G D/F# Em C D D4 D D9 G C9 G

Canção agalopada

Canção agalopada - Zé Ramalho
(intro) F#m E Bm G F#m Bm

Bm A Bm
Foi um tempo que o tempo não esquece
D Em Bm
Que os trovões eram roucos de se ouvir
F#m E Bm
Todo céu começou a se abrir
G A Bm
Numa fenda de fogo que aparece
D Em Bm
O poeta inicia sua prece
F#m E Bm
Pontiando em cordas e lamentos
G A Bm
Escrevendo seus novos mandamentos
G A Bm
Na fronteira de um mundo alucinado

F#m E Bm
Cavalgando em martelo agalopado
G A Bm (bis)
E viajando com loucos pensamentos

Bm A Bm
Sete botas pisaram no telhado
D Em Bm
Sete léguas comeram-se assim
F#m E Bm
Sete quedas de larva e marfim
G A Bm
Sete copos de sangue derramado
D Em Bm
Sete facas de fio amolado
F#m E Bm
Sete olhos atentos em ser rei
G A Bm
Sete vezes eu me ajoelhei
G A Bm
Na presença de ser iluminado

F#m E Bm
Como cego fiquei tão ofuscado
G A Bm (bis)
Ante o brilho dos olhos que olhei

Bm A Bm
Pode ser que ninguém me compreenda
D Em Bm
Quando digo que sou visionário
F#m E Bm
Pode a bíblia ser um dicionário
G A Bm
Pode tudo ser uma refazenda
D Em Bm
Mas a mente talvez não me atenda
F#m E Bm
Se eu quiser novamente retornar
G A Bm
Para o mundo de leis me obrigar
G A Bm
A lutar pelo erro do engano

F#m E Bm
Eu prefiro um galope soberano
G A Bm (bis)
A loucura do mundo me entregar.

Beira-mar

Beira-mar - Zé Ramalho
(intro) G Em

G Em
Eu entendo a noite como um oceano
G
Que banha de sombras o mundo de sol
C Am
Aurora que luta por um arrebol
Bm
De cores vibrantes e ar soberano
Am
Um olho que mira nunca o engano
Em
Durante o instante que vou contemplar
D Bm
Além, muito além onde quero chegar
G
Caindo a noite, me lanço no mundo
A F#7
Além do limite do vale profundo
Bm
Que sempre começa na beira do mar
G Em (G Em)
É na beira do mar...

G Em
Ói, por dentro das águas há quadros e sonhos
G
E coisas que sonham o mundo dos vivos
C Am
Há peixes milagrosos, insetos nocivos
Bm
Paisagens abertas, desertos medonhos
Am
Léguas cansativas, caminhos tristonhos
Em
Qua fazem o homem se desenganar
D Bm
Há peixes que lutam para se salvar
G
Daqueles que caçam em mar revoltoso
A F#7
E outros que devoram com gênio assombroso
Bm
As vidas que caem na beira do mar
G Em (G Em)
É na beira do mar...

G Em
E até que a morte eu sinta chegando
G
Prossigo cantando, beijando o espaço
C Am
Além do cabelo que desembaraço
Bm
Invoco as águas a vir inundando
Am
Pessoas e coisas que vão arrastando
Em
Do meu pensamento já podem lavar
D Bm
No peixe de asas eu quero voar
G
Sair do oceano de tez poluída
A F#7
Cantar um galope fechando a ferida
Bm
Que só cicatriza na beira do mar
G Em (G Em)
É na beira do mar...

Batendo na porta do céu

Batendo na porta do céu (Knockin' On Heaven's Door) - Zé Ramalho
(intro) G D Am C

E |--------7-5~---------8-----12---10-8-7----
B |-------------------8----------------------
G |-----5/7-7----7-7/9-9--9/12--12-12-9-7----

E |----7-5-------------------------
B |--------------------------8-----
G |-5/7-7---7h9p7-7p9---7-7h9-7h9-7
D |------------------10------------

G D Am
Mãe tire o distintivo de mim
G D C
Que eu não posso mais usá-lo
G D Am
Está escuro demais pra ver
G D C
Me sinto até batendo na porta do céu

(refrão)
G D Am
Bate,bate,bate na porta do céu
G D C (2x)
Bate,bate,bate na porta do céu
G D Am
Mãe guarde esses revólveres pra mim
G D C
Com eles nunca mais vou atirar
G D Am
A grande nuvem escura ja me envolveu

G D C
Me sinto até batendo na porta do céu

(repete refrão)
G D Am
Bate,bate,bate na porta do céu
G D C (4x)
Bate,bate,bate na porta do céu

Banquete de signos

Banquete de signos - Zé Ramalho
Intr.: ( Dm  C )

Dm
Discutir o cangaço com liberdade
C Am Dm
É saber da viola, da violência

Descobrir nos cabelos inocência
C Am Dm
É saber da fatal fertilidade

F E7 Am Am/G
Descobrir a cidade na natureza
F G C E7
Descobrir a beleza dessa mulher
D A Bm Bm/A
Descobrir o que der boniteza
G F#7 B7 A7 Dm ( Dm C )
Na peleja do homem que vier, quando vier

Dm
Descobrir o bagaço dos engenhos
C Am Dm
No melaço da cana mais um beijo


Descobrir os desejos que não tem cura
C Am Dm
Saracura do brejo na novena

F E7 Am Am/G
Descobrir a serena da natureza
F G C E7
Descobrir a beleza dessa mulher
D A Bm Bm/A
Descobrir o que der boniteza
G F#7 B7 A7 Dm ( Dm C )
Na peleja do homem que vier, quando vier

A terceira lâmina

A terceira lâmina - 1981 - Zé Ramalho
(intro) Bm C#m5-/7 D7+ Em Bm F#7 Bm

C#m5-/7 D7+
É aquela que fere, que virá mais tranqüila
Em Bm
com a fome do povo, com pedaços da vida
A G#° F#7
com a dura semente, que se prende no fogo de toda multidão
Bm
acho bem mais do que pedras na mão
C#m5-/7 D7+
dos que vivem calados, pendurados no tempo
Em Bm
esquecendo os momentos, na fundura do poço,
F#7 Bm
na garganta do fosso, na voz de um cantador

(intro)
C#m5-/7 D7+
e virá como guerra, a terceira mensagem,
Em Bm
na cabeça do homem, aflição e coragem
A G#º F#7
afastado da terra, ele pensa na fera, que o começa a devorar
Bm
acho que os anos irão se passar
C#m5-/7 D7+
com aquela certeza, que teremos no olho
Em Bm F#7
novamente a idéia , de sairmos do poço da garganta do fosso
Bm
{na voz de um cantador}(4x)

A peleja do diabo com o dono do céu

A peleja do diabo com o dono do céu - 1980 - Zé Ramalho
Intr.: ( B4/7(b9)  F#m7  G#m7(b9)  F#m7 ) x2

( B4/7(b9) F#m7 G#m7(b9) F#m7 )
Pa-la-le-le-le-le-le-le-lo-lo-lo-lo x4

B4/7(b9) F#m7 G#m7(b9)
Mas com tanto dinheiro girando no mundo
F#m7 B4/7(b9) F#m7
quem tem pede muito, quem não tem pede mais
G#m7(b9) F#m7 B4/7(b9)
cobiçam a terra e toda a riqueza
F#m7 G#m7(b9) F#m7
do reino dos homens e dos animais
C#m B F#m A
cobiçam até a planície dos sonhos
E F#m Abm F#m
lugares eternos para descansar
C#m B F#m A
a terra do verde que foi prometido
E F#m Abm F#m
até que se canse de tanto esperar
A B F#m Bm
que eu não vim de longe para me enganar!
A B F#m Bm
que eu não vim de longe para me enganar!
A B F#m Bm
que eu não vim de longe para me enganar!
( B4/7(b9) F#m7 G#m7(b9) F#m7 ) x2

B4/7(b9) F#m7 G#m7(b9)
o tempo do homem, a mulher, o filho,
F#m7 B4/7(b9) F#m7
o gado novilho urra no curral
G#m7(b9) F#m7 B4/7(b9)
vaqueiros que tangem a humanidade
F#m7 G#m7(b9) F#m7
em cada cidade em cada capital
C#m B F#m A
em cada pessoa de procedimento
E F#m Abm F#m
em cada lamento palavras de sal
C#m B F#m A
a nau que flutua no leito do rio
E F#m Abm F#m
conduz a velhice conduz à moral
A B F#m Bm
assim como Deus, parabéns o mal!
A B F#m Bm
assim como Deus, parabéns o mal!
A B F#m Bm
assim como Deus, parabéns o mal!
B4/7(b9) F#m7 G#m7(b9) F#m7 ) x2

B4/7(b9) F#m G#m7(b9)
já que tudo depende de boa vontade
F#m B4/7(b9) F#m
é de caridade que eu quero falar
G#m7(b9) F#m B4/7(b9)
daquela esmola da cuia tremendo
F#m G#m7(b9) F#m
ou me mato ou me rendo, é lei natural
C#m B F#m A
num muro de cal espirrado de sangue
E F#m Abm F#m
de lama de mangue, de rouge e baC#m B F#m A
o conversa que ouço me criva
E F#m Abm F#m
de setas e facas e favos de mel
A B F#m Bm
é a peleja do diabo com o dono do céu!
A B F#m Bm
é a peleja do diabo com o dono do céu!
A B F#m Bm
é a peleja do diabo com o dono do céu!
( B4/7(b9) F#m7 G#m7(b9) F#m7 ) x2

Admirável gado novo

Autor de uma obra surrealista, que funde o rock com o repente nordestino, o paraibano Zé Ramalho atinge um de seus melhores momentos com “Admirável Gado Novo” que, gravado no elepê A peleja do diabo com o dono do céu, o tornou conhecido em todo o país. Inspirada no título Admirável mundo novo, de um livro de Aldous Huxley, a composição comenta a sina do povão, que se repete em cada geração, manejada pelos interesses dos poderosos. Isso é exposto em três veementes estrofes, que são intercaladas por um refrão-aboio, seco e irônico: “Eh eh ô vida de gado / povo marcado, eh / povo feliz...”

Ramalho é o melhor intérprete de sua própria obra, com uma voz rude e cavernosa que complementa e dá convicção ao mundo contraditório, delirante e apocalíptico que a caracteriza. Dezesseis anos depois de seu lançamento, “Admirável Gado Novo” funcionaria como tema dos “sem terra”, na telenovela “O Rei do Gado”, da Rede Globo, puxando a vendagem do disco, recordista com quase dois milhões de cópias (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Admirável gado novo - 1980 - Zé Ramalho
(intro) ( D  D5+  D6  D5+ )

D Bb5+ Bm Bb5+
Vocês que fazem parte dessa massa
D Bb5+ Bm Bb5+
que passa nos projetos do futuro
D Bb5+ Bm Bb5+
É duro tanto ter que caminhar
D Bb5+ Bm Bb5+
e dar muito mais do que receber

Em F#7 Bm A
E ter que demonstrar sua coragem
Em F#7 Bm A
à margem do que possa parecer
Em F#7 Bm A
E ver que toda essa engrenagem
Em F#7 Bm A7
já sente a ferrugem lhe comer

(D G)
Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz

D Bb5+ Bm Bb5+
Lá fora faz um tempo confortável,
D Bb5+ Bm Bb5+
a vigilância cuida do normal
D Bb5+ Bm Bb5+
Os automóveis ouvem a notícia,
D Bb5+ Bm Bb5+
os homens a publicam no jornal
Em F#7 Bm A Em F#7 Bm A
E correm através da madrugada a única velhice que chegou
Em F#7 Bm A Em F#7 Bm A
Demoram-se na beira da estrada e passam a contar o que sobrou

(D G)
Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz

D Bb5+ Bm Bb5+
O povo foge da ignorância
D Bb5+ Bm Bb5+
apesar de viver tão perto dela
  D Bb5+ Bm Bb5+
E sonham com melhores tempos idos,
D Bb5+ Bm Bb5+
contemplam essa vida numa cela
Em F#7 Bm A Em F#7 Bm A
Esperam nova possibilidade de verem esse mundo se acabar
Em F#7 Bm A Em F#7 Bm A
A arca de Noé, o dirigível, não voam nem se pode flutuar

(D G)
Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz

Vila do Sossego

Vila do Sossego - 1979 - Zé Ramalho
Intr.: ( G5  G7+* C7+ ) Bm Am E 
G5 G7+ C7+
Oh, eu não sei se eram os antigos que diziam
G5 G7+ C7+
Em seus papiros Papillon já me dizia
Am Am/G D/F#
Que nas torturas toda carne se trai
Am Am/G D/F#
Que normalmente, comumente, fatalmente, felizmente,
F C G Am E
Displicentemente o nervo se contrai, oh,oh,oh,oh com precisão
G5 G7+ C7+
Nos aviões que vomitavam pára-quedas
G5 G7+ C7+
Nas casamatas, casas vivas, caso morras
Am Am/G D/F#
E nos delírios meus grilos temer
Am Am/G D/F#
O casamento, o rompimento, o sacramento, o documento
F C G Am E
Como um passatempo quero mais te ver, oh,oh,oh,oh,oh com aflição
G5 G7+ C7+
Meu treponema não é pálido nem viscoso
G5 G7+ C7+
E os meus gametas se agrupam no meu som
Am Am/G D/F#
E as querubinas meninas rever
Am Am/G D/F#
Um compromisso submisso, rebuliço no cortiço
F C
Chame o padre "Ciço" para me benzer,
G Am E
oh,oh,oh,oh,oh,oh com devoção

Frevo mulher

Um dos grandes sucessos de Zé Ramalho, “Frevo Mulher” foi composto num quarto do Hotel Plaza, no Rio, na noite em que o autor iniciava o seu romance com a cantora Amelinha. Em compasso binário, o seu ritmo, alcunhado de agalopado, é produto de uma alquimia idealizada por Ramalho, que mistura frevo e forró, gêneros dominantes nas festas juninas do Nordeste.

Apesar das previsões desanimadoras de um então diretor da gravadora de Amelinha, a quem “Frevo Mulher” fôra entregue, a música (“Quantos aqui ouvem / os olhos de fé / quantos elementos / amam aquela mulher / quantos homens eram inverno / outros verão...”) teve sucesso imediato, graças ao seu andamento frenético e o riff marcante do final. Essas seriam as razões que levaram “Frevo Mulher” a ser adotado em muitas academias de ginástica do Rio de Janeiro, espalhando-se o seu sucesso em seguida pelas discothèques e estações de rádio, em que era solicitado a todo o momento pelos ouvintes.

Isso obrigou a gravadora a lançar o fonograma também num compacto simples, o que acabou ajudando a consagração da canção e da intérprete. O melhor elogio a “Frevo Mulher” foi feito por Caetano Veloso ao afirmar que o carnaval da Bahia tomou novo rumo depois do seu sucesso (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Frevo mulher - 1980 - Zé Ramalho
(intro) Bm C

Bm C
E|-2--2-5-2--0---3---------|
B|-3-------3-1----5-3-1----|
G|-4---------0-------------|
D|-4---------2-------------|
A|-2---------3-------------|
E|-------------------------|

Bm C Bm C
Quantos aqui ouvem os olhos eram de fé
Am Am/G Em
Quantos elementos amam aquela mulher
G D Em
Quantos homens eram inverno outros verão
F Em
Outono caindo secos no solo da minha mão
Bm C Bm C
Gemeram entre as cabeças a ponta do esporão
Am Am/G Em
A folha do não-me-toque e o medo da solidão
G D Em
Veneno meu companheiro desata no cantador
F Em
E desemboca no primeiro açude do meu amor
D
É quando o vento sacode a cabeleira
Em
A trança toda vermelha
D D7 Em
Um olho cego vagueia procurando por um

Avôhai

Avôhai - 1977 - Zé Ramalho
(intro) Em  G   D 
D
Um velho cruza a soleira, de botas longas,
de barbas longas de ouro o brilho do seu colar
G/B A/C# D A/C# D
Na laje fria onde quardava sua camisa e seu alforje de caçador
Em G D
Oh, meu velho invisível Avôhai
Em G D
Oh, meu velho indivisível Avôhai
D Am G Am D
Neblina turva e brilhante em meu cérebro, coágulos de sol
Am G Am D
Amanita matutina e que transparente cortina ao meu redor
Em G D
E se eu disser que é meio sabido você diz que é meio pior
Em G D
E pior do que planeta quando perde o girassol
A G Bm A
É o terço de brilhante nos dedos de minha avó
A G
E nunca mais eu tive medo da porteira
Bm A
Nem também da companheira que nunca dormia só

(solo)
Em G D
AVÔHAI, avô e pai
Em G D
AVÔHAI
D
O brejo cruza a poeira,
de fato existe um tom mais leve na palidez desse pessoal
G/B A/C# D A/C#              D
Pares de olhos tão profundos que amargam as pessoas que fitar
Em G D
Mas que bebem sua vida, sua alma na altura que eu mandar
Em G D
São os olhos são as asas, cabelos de avôhai,
D Am G Am D
Na pedra de turmalina e no terreiro da usina eu me criei
D Am G Am D
Voava de madrugada e na cratera condenada eu me calei
Em G D
Se eu calei foi de tristeza você cala por calar
Em G D
E calado vai ficando só fala quando eu mandar
A G Bm A
Rebuscando a consciência com medo de viajar
A G
Até o meio da cabeça do cometa   
Bm A
girando na carrapeta no jogo de improvisar
A G
Entrecortando eu sigo dentro a linha reta
Bm A
eu tenho a palavra certa pra "dotor" num "reclamá"
Avohai
Avohai
Avohai
Avohai