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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Tudo eu fiz

Roberto Paiva
Tudo eu fiz (samba, 1943) - Jorge de Castro  e Ari Monteiro

Título da música: Tudo eu fiz / Gênero musical: Samba / Intérprete: Roberto Paiva /Compositores: Monteiro, Ari - Castro, Jorge de / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800126 / Data de Gravação 00/1943 / Data de Lançamento 00/1943 / Lado B / Disco 78 rpm:


Tudo eu fiz / Pra faze-la feliz
Dei carinhos e um lar / A ingrata não quis
Meu coração está cansado / Ai, ai, meu Deus
Tenho chorado!

Tudo eu fiz / Pra faze-la feliz
Dei carinhos e um lar / A ingrata não quis
Meu coração está cansado / Ai, ai, meu Deus
Tenho chorado!

Trocou meu lar / Tão somente por vaidade
Mais tarde há de sentir / Quanto dói uma saudade
Dei-lhe casa e comida / Dinheiro nunca faltou
Assim mesmo a ingrata / Me abandonou
(Tudo eu fiz!)

Trocou meu lar / Tão somente por vaidade
Mais tarde há de sentir / Quanto dói uma saudade
Dei-lhe casa e comida / Dinheiro nunca faltou
Assim mesmo a ingrata / Me abandonou
(Tudo eu fiz!)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Podes crer

Roberto Paiva
Podes crer (samba, 1943) - Ari Monteiro e Jorge de Castro

Título da música: Podes crer / Gênero musical: Samba / Intérprete: Roberto Paiva / Compositores: Monteiro, Ari - Castro, Jorge de / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800126 / Data de Gravação 00/1943 / Data de Lançamento 00/1943 / Lado A / Disco 78 rpm:


Podes crer
Que a tua volta era esperada
Tu erraste
Esqueceste que a justiça divina
Tarda, mas vem
Neste mundo só se deve
Praticar o bem
Sou feliz
Porque nunca eu
Fiz mal à ninguém

A sorte de quem erra
É voltar ao erro
Em que um dia se perdeu
Eu vou te socorrer mais uma vez
O teu passado para mim
Morreu (podes crer)

sábado, 6 de novembro de 2010

Boas Festas

Ruy de Almeida
Boas festas (valsa, 1954) - Ruy de Almeida e Guido Medina

Título da música:  Boas festas / Gênero musical:  Valsa / Intérprete: Roberto Paiva / Compositores:  Medina, Guido - Almeida, Rui de / Gravadora Odeon  /  Número do Álbum: 13751  / Data de Gravação:  00/1954 / Data de Lançamento:  00/1954  /  Lado:  lado B  / Rotações:  Disco 78 rpm:


Boas Festas , meu amor
Nesta noite de Natal
Te ofereço esta valsa, querida
Meu amor, minha vida

Boas Festas, te desejo
Nesta valsa, que leva o meu beijo
É um presente que vem lá do céu
Meu presente de Papai Noel!

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Roberto Paiva

Através de sua voz encorpada, os sambistas Geraldo Pereira e Nelson Cavaquinho estrearam em disco. Ele foi o primeiro a gravar a trilha da peça Orfeu do Carnaval de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, além de interpretar um dos grandes sucessos do carnaval de todos os tempos, o samba de protesto O trem atrasou (Paquito/Estanislau Silva/Villarinho), depois regravado por Nara Leão.

Pelo nome da identidade - Helim Silveira Neves, carioca da Vila Isabel, nascido em 1921 - ninguém o conhece. Mas Roberto Paiva, o cantor, entrou para a história da MPB por todas essas e várias outras façanhas.

Começou como calouro na era do rádio (Club Fluminense, em Niterói). Depois, Ciro Monteiro o levou para a Mayrink Veiga. Aí conheceu o pianista Nonô e o violonista Laurindo de Almeida, que o apresentaram na gravadora Odeon, onde ele estreou em disco, aos 17 anos, em 1938. Elogiado pelo rei da voz Francisco Alves, no primeiro disco cantou composições dos padrinhos, Jardim de flores raras (Nonô/Francisco Mattoso) e Último Samba (Laurindo).

O início de carreira foi difícil, com o pseudônimo usado para burlar a resistência familiar (o pai queria que ele terminasse os estudos) e a conciliação do tiro-de-guerra (o serviço militar da época) com o contrato de cinco discos (78 rotações) por ano. Gravou Se Você Sair Chorando, a primeira de Geraldo Pereira, em cuja pauta Pixinguinha anotou elogios, e estourou no carnaval de 41 com O Trem Atrasou.

Também emplacou uma versão (de Paulo Roberto) que virou hino estadual, Vienne sul mare ("Ó Minas Gerais"). "Foi a maior praga da minha vida. Nunca fui a uma cidade, por menor que fosse, que não me pedissem para cantá-la", confessou numa entrevista em 1979, ao Jornal do Brasil.

Guiando-se sempre pela intuição na escolha das músicas dos mais variados estilos, ele também lançou Nelson Cavaquinho ("o nome não aparece nos discos porque ele vendia os sambas") e Luís Vieira (Alguém que Não Vem, um samba-canção, e depois o estouro, O menino de Braçanã). Emplacou ainda sucessos como Tagarela (1946), do xará Roberto Martins, o compositor que mais gravou (16 músicas), ao lado de Paquito (o do Trem e de outro sucesso, A Marcha do Conselho, de 1957), com 10, e Geraldo Pereira (8).

Em 1957, na era de transição do 78 para o LP, ele gravou um 10 polegadas com as músicas (de Tom Jobim) da peça (de Vinícius) Orfeu da Conceição, incluindo a estréia do samba-canção sinfônico Se todos fossem iguais a você.

Em mais um lance de pioneirismo, participou (com Francisco Egídio), em 1953, da primeira gravação em disco da polêmica entre Noel Rosa e Wilson Batista, refeita 11 anos depois em outra gravadora, com o caricaturista do samba, Jorge Veiga.

Com sua onipresença de sensibilidade interpretativa e bom gosto na escolha do repertório, o cantor Roberto Paiva marcou a história da MPB.

Tarik de Souza - ENSAIO - 5/6/1974

Roberto Paiva

Através de sua voz encorpada, os sambistas Geraldo Pereira e Nelson Cavaquinho estrearam em disco. Ele foi o primeiro a gravar a trilha da peça Orfeu do Carnaval de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, além de interpretar um dos grandes sucessos do carnaval de todos os tempos, o samba de protesto O trem atrasou (Paquito/Estanislau Silva/Villarinho), depois regravado por Nara Leão.

Pelo nome da identidade - Helim Silveira Neves, carioca da Vila Isabel, nascido em 1921 - ninguém o conhece. Mas Roberto Paiva, o cantor, entrou para a história da MPB por todas essas e várias outras façanhas.

Começou como calouro na era do rádio (Club Fluminense, em Niterói). Depois, Ciro Monteiro o levou para a Mayrink Veiga. Aí conheceu o pianista Nonô e o violonista Laurindo de Almeida, que o apresentaram na gravadora Odeon, onde ele estreou em disco, aos 17 anos, em 1938. Elogiado pelo rei da voz Francisco Alves, no primeiro disco cantou composições dos padrinhos, Jardim de flores raras (Nonô/Francisco Mattoso) e Último Samba (Laurindo).

O início de carreira foi difícil, com o pseudônimo usado para burlar a resistência familiar (o pai queria que ele terminasse os estudos) e a conciliação do tiro-de-guerra (o serviço militar da época) com o contrato de cinco discos (78 rotações) por ano. Gravou Se Você Sair Chorando, a primeira de Geraldo Pereira, em cuja pauta Pixinguinha anotou elogios, e estourou no carnaval de 41 com O Trem Atrasou.

Também emplacou uma versão (de Paulo Roberto) que virou hino estadual, Vienne sul mare ("Ó Minas Gerais"). "Foi a maior praga da minha vida. Nunca fui a uma cidade, por menor que fosse, que não me pedissem para cantá-la", confessou numa entrevista em 1979, ao Jornal do Brasil.

Guiando-se sempre pela intuição na escolha das músicas dos mais variados estilos, ele também lançou Nelson Cavaquinho ("o nome não aparece nos discos porque ele vendia os sambas") e Luís Vieira (Alguém que Não Vem, um samba-canção, e depois o estouro, O menino de Braçanã). Emplacou ainda sucessos como Tagarela (1946), do xará Roberto Martins, o compositor que mais gravou (16 músicas), ao lado de Paquito (o do Trem e de outro sucesso, A Marcha do Conselho, de 1957), com 10, e Geraldo Pereira (8).

Em 1957, na era de transição do 78 para o LP, ele gravou um 10 polegadas com as músicas (de Tom Jobim) da peça (de Vinícius) Orfeu da Conceição, incluindo a estréia do samba-canção sinfônico Se todos fossem iguais a você.

Em mais um lance de pioneirismo, participou (com Francisco Egídio), em 1953, da primeira gravação em disco da polêmica entre Noel Rosa e Wilson Batista, refeita 11 anos depois em outra gravadora, com o caricaturista do samba, Jorge Veiga.

Com sua onipresença de sensibilidade interpretativa e bom gosto na escolha do repertório, o cantor Roberto Paiva marcou a história da MPB.

Tarik de Souza - ENSAIO - 5/6/1974

sábado, 29 de abril de 2006

O trem atrasou

Incluído por Roberto Paiva em seu disco de estréia na Victor, "O Trem Atrasou" foi o primeiro grande sucesso de sua carreira. Descoberto numa pilha de partituras rejeitadas pela gravadora, o samba chamou a atenção do cantor principalmente pelo tema da letra, que reproduzia uma situação vivida constantemente pelos trabalhadores cariocas: "Patrão o trem atrasou / por isso estou chegando agora / trago aqui o memorando da Central / o trem atrasou meia hora / o senhor não tem razão / pra me mandar embora".


Roberto Paiva
O próprio Roberto, ao tempo de estudante, quando morava no subúrbio de Riachuelo, teve várias vezes que recorrer a memorandos da Central para justificar atrasos de chegada ao colégio. Além de se destacar no repertório carnavalesco, "O Trem Atrasou" é uma das mais antigas canções de protesto de nossa música, tendo sido regravada por uma especialista do gênero, a cantora Nara Leão, no elepê "Cinco na Bossa", em 1965.

O Trem Atrasou (samba/carnaval, 1941)
- Paquito, E. Silva e A. Vilarinho

Patrão, o trem atrasou / Por isso estou chegando agora
Trago aqui um memorando da Central / O trem atrasou, meia hora
O senhor não tem razão / Pra me mandar embora !

O senhor tem paciência / É preciso compreender
Sempre fui obediente / Reconheço o meu dever
Um atraso é muito justo / Quando há explicação
Sou um chefe de família / Preciso ganhar meu pão
E eu tenho razão.