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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Índios Tabajaras


Índios Tabajaras - Dupla formada pelos irmãos Antenor Moreira Lima (Tianguá CE) e Natalício Moreira Lima (Crato CE 1918—). Índios da tribo Tabajara, Muçaperê e Erundi (Terceiro e Quarto, em língua tupi) saíram de sua terra com a família em 1933, a pé, rumo do Rio de Janeiro RJ. Nos três anos de caminhada em que atravessaram o país, entraram em contato com violeiros e cantadores.

No Rio de Janeiro, por iniciativa do tenente Hildebrando Moreira Lima, registraram-se como cariocas: Muçaperê tornou-se Antenor e Erundi, Natalício. Por volta de 1945, cantaram pela primeira vez na Rádio Cruzeiro do Sul, do Rio de Janeiro, com o nome de Índios Tabajaras, assinando contrato com a emissora.


Doze anos depois excursionaram pela Argentina, Venezuela e México, onde estudaram música. Natalício compôs então uma série de músicas eruditas para violão.

Seguiram para os EUA, onde durante três anos se apresentaram em shows com repertório variado: de smoking, executavam obras eruditas, sobretudo Villa-Lobos; e com trajes indígenas, sambas e motivos folclóricos.

Voltaram ao Brasil em 1960, interrompendo a carreira por três anos, quando excursionaram novamente pelos EUA. Em meados da década de 1960 exibiram-se no Japão, Europa, China e outros países da Ásia, voltando ao Brasil em 1968, ano em que gravaram um disco com músicas havaianas.

Instalados em Nova York, EUA, lançaram em 1969-1970 um LP de músicas japonesas, onde se destaca Sakura-Sakura.

Gravaram 48 discos LP, que venderam milhões de cópias. O maior sucesso da dupla foi o fox Maria Helena, incluído em LP que vendeu um milhão e meio de exemplares.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Oscar Guanabarino

Oscar Guanabarino
Oscar Guanabarino (Oscar Guanabarino de Sousa e Silva), pianista, compositor e crítico, nasceu em Niterói, RJ, em 29/11/1851, e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, RJ, em 17/1/1937.

Aos seis anos iniciou-se no piano com Achille Arnaud, estreando como recitalista aos 15 anos de idade, em concerto realizado no Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro.

Aperfeiçoou-se em harmonia com Gioacchino Giannini, tendo recebido lições de piano de Louis Moreau Gottschalk. Ainda jovem, escreveu a comédia As filhas da titia, encenada no Coliseu Teatro, do Rio de Janeiro, de propriedade de seu pai, o escritor, historiador, poeta e comediógrafo Joaquim Norberto de Sousa e Silva.

Manteve durante muito tempo curso de piano numa das salas do antigo Teatro Lírico e exerceu durante vinte anos a crítica musical no Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro.

Publicou O professor de piano (coletânea de artigos para a Revista Musical), Rio de Janeiro, 1881.

Inimigos íntimos

Heitor Villa-Lobos sofreu ataques desde que começou a apresentar suas peças de vanguarda, no Rio, em 1918. Foi chamado de bárbaro, louco, petulante, autodidata. Esse professor de piano e folhetinista atuou como flagelo do modernismo e do nacionalismo.

Fã do canto lírico de Carlos Gomes, iniciou fama de mal-humorado por volta de 1890, ao atacar os primeiros músicos que usavam o folclore em suas peças. Quando Villa-Lobos apareceu com suas suítes sincopadas e dissonantes, o velho crítico fulminou-o com todo o seu arsenal de conceitos. Os dois chegaram a trocar bengaladas em um concerto nos anos 20. Guanabarino atacou-o até morrer.

Na coluna Pelo Mundo das Artes, do Jornal do Commercio (uma das últimas a levar a rubrica de 'folhetim'), em 1934, comentou uma festa orfeônica organizada pelo compositor informando que 'a concorrência foi diminutíssima - apenas 100 pessoas na platéia, se tanto, o que quer dizer que o público rejeita o sr. Villa-Lobos e a sua música, mesmo quando lhe é oferecida gratuitamente'.

Guanabarino inspirou novos rivais, como Gondim da Fonseca e Carlos Maul (1887-1971). Este último publicou, em 1962, o ensaio A Glória Escandalosa de Villa-Lobos. Ali, acusava o compositor de haver rapinado o folclore. Villa-Lobos achava graça das acusações. A posteridade não as levou a sério.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha- 2a. Edição - 1998; Revista Época on line.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Lorenzo Fernandez

Oscar Lorenzo Fernandez
Lorenzo Fernandez (Oscar Lorenzo Fernandez), regente, professor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 4/11/1897, e faleceu na mesma cidade, em 27/8/1948. Filho de espanhóis, desde criança demonstrou vocação para a música, embora pretendesse seguir a carreira de médico.

Após concluir o curso secundário, entretanto, foi acometido de doença nervosa que o impediu de continuar os estudos, permanecendo inativo durante vários meses. Em 1917 decidiu ingressar no I.N.M., onde teve como principal orientador Frederico Nascimento. Estudou teoria e piano com J. Otaviano e em 1918 passou a freqüentar a classe de harmonia de Frederico Nascimento, enquanto seguia as aulas de piano de Henrique Oswald.

Mais tarde foi aluno de Francisco Braga, estudando contraponto, fuga, composição e instrumentação. Por essa época freqüentava com Luciano Gallet a casa de Frederico Nascimento, onde Alberto Nepomuceno passava seus últimos dias, para ouvir-lhe os conselhos, que muito o influenciaram.

Em 1920 foi um dos fundadores da Sociedade de Cultura Musical, onde ocupou diversos cargos, até sua extinção em 1926. Em 1922 começou a se destacar como compositor, participando de um concurso com as peças Noturno e Arabesca, para piano, e Cisnes e Ausência, para canto e orquestra. No ano seguinte substituiu interinamente Frederico Nascimento na cátedra de harmonia superior do I.N.M., sendo efetivado no posto dois anos depois.

Em 1924 obteve o primeiro lugar em concurso de composição da Sociedade de Cultura Musical, com o Trio brasileiro, sua primeira obra importante, que assinala o rumo definitivo de sua orientação nacionalista.

A 17 de novembro de 1925 estreou sua Suíte sinfônica (sobre três temas populares brasileiros), sua primeira obra orquestral, regida por Nicolino Milano, com a orquestra do I.N.M. Outro trabalho importante desse período é o Quinteto — Suíte para quinteto de sopro.

Nova versão da Suíte sinfônica, com a instrumentação completamente refeita, foi executada em 1929 nos Festivais íbero-Americanos de Barcelona, Espanha, onde alcançou êxito. Mas seu primeiro grande sucesso foi o bailado Imbapara, baseado em temas recolhidos por Roquete Pinto entre os índios Pareci da serra do Norte, no Mato Grosso, que estreou a 2 de setembro de 1929 sob a regência de Francisco Braga.

Dessa época são também os Três estudos em forma de sonatina, para piano. No ano seguinte compôs a suíte Reisado do pastoreio, cujo “Batuque” final se tornou autêntico clássico da música erudita brasileira, gravado por Hans Kindler (1892—1949) e a Sinfônica Nacional, de Washington D.C., EUA, com grande êxito comercial, e executado por regentes famosos.

Ainda em 1930 fundou a revista mensal Ilustração Musical, que durou até o oitavo número, de março de 1931. Sua ligação com os artistas do movimento modernista resultou na ópera Malasarte, com texto de Graça Aranha. Com a morte deste, teve apenas alguns de seus trechos executados a 21 de outubro de 1933, no I.N.M., e somente foi encenada a 30 de setembro de 1941, no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro.

Em 1935 regeu em São Paulo SP um concerto na Sociedade de Cultura Artística, e dois anos depois, sob regência de Villa-Lobos, estreou no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, seu poema coreográfico Amaya, inspirado em argumentos e temas musicais de caráter incaico.

Uma de suas maiores realizações foi a fundação, em 1936, do Conservatório Nacional de Música, no Rio de Janeiro, para o qual obteve, em 1940 uma sede própria no centro da cidade, com salão de concertos, sala de conferências, biblioteca etc. Foi diretor da entidade até a morte, promovendo recitais, concertos e cursos livres, e incentivando a aplicação da moderna pedagogia à iniciação musical infantil.

Em 1938 empreendeu sua primeira tournée como regente e conferencista pela América Latina (Colômbia, Panamá, Cuba, Peru, Chile, Argentina e Uruguai) divulgando, além de suas obras, as de autores brasileiros como Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno e Henrique Oswald. Nesse mesmo ano, o “Batuque” extraído do final do primeiro ato de sua ópera Malasarte foi executado no festival comemorativo do IV Centenário de Bogotá, obtendo o primeiro prêmio, instituido pela New Music Association da Califórnia, EUA.

Foi em seguida convidado pelo prefeito da capital colombiana a musicar o Hino à raça, de Guillermo Valencia, executado simultaneamente a 12 de outubro no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, e no Teatro Colón, de Bogotá, com irradiação para todo o continente.

Em junho de 1940, o “Batuque” do Reisado do pastoreio foi executado em concerto no Rio de Janeiro pela orquestra da National Broadcasting Corporation, dos EUA., sob a regência de Arturo Toscanini (1867—1957).

Em 1941 participou em Santiago do Chile, com Aaron Copland e Honorio Siccardi, do júri de um concurso de composição, cujo resultado, anulado pelo governo chileno, provocou grande controvérsia na imprensa e nos círculos musicais chilenos.

Seu Primeiro concerto, para violino e orquestra, foi executado por Oscar Borgeth a 13 de junho de 1945, sob regência de Erich Kleiber (1890—1956). Nesse ano compôs a Primeira sinfonia, estreada em 1948 pela Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência de Eleazar de Carvalho.

Em 1947 terminou de compor a Segunda sinfonia, inspirada em “O caçador de esmeraldas”, de Olavo Bilac, que não chegou a ser executada durante sua vida. Seu cinqüentenário foi comemorado em vários círculos musicais do país, tendo sido recebido festivamente em Curitiba PR pela Sociedade Brasílio ltiberê, regido a Orquestra Sinfônica do Recife PE e o Coral Villa-Lobos, em João Pessoa PB.

Sua última aparição em público ocorreu no dia de sua morte, a 27 de agosto de 1948, quando regeu um concerto sinfônico com a orquestra da E.N.M.U.B., no Rio de Janeiro.

Em 1997, em comemoração do centenário de nascimento do compositor, foi realizada uma série de concertos e um recital multimídia com o barítono Walter Weiszflog e o pianista Achille Picchi. Foi lançado também o livro Roteiro interior de amor e renúncia, uma seleção de poesias do compositor, organizada por Helena Lorenzo Fernandez.

Obra completa 

Música dramática
Ópera: Malasarte, 1931-1933.
Música orquestral
Amaya, poema coreográfico, 1930; Imbapara, bailado, 1928; Primeira sinfonia, 1945; Primeiro concerto, p/piano e orquestra, 1924; Primeiro concerto, p/viouno e orquestra, 1941-1942; Reisado do pastoreio, suíte, 1930; Segunda sinfonia, 1946-1947; Suíte do Malasarte (Malasartiana), 1941; Suíte sinfônica, 1925; Variações sinfônicas, p/piano e orquestra, 1948.
Música de câmara
Trios: Duas invenções seresteiras, p/flauta, clarineta e fagote, 1944; Idílio romântico, p/piano, violino e celo, 1924; Primeiro trio, p/piano, violino e cela, 1921; Trio brasileiro, p/piano, violino e celo, 1924.
Quartetos: Aquarelas, p/arcos, 1927; Primeiro quarteto, p/dois violinos, viola e cela, 1927; Segundo quarteto, p/dois violinos, viola e celo, 1946.
Quinteto: Quinteto —Suíte p/quinteto de sopro, 1926. Música instrumental
Solos p/piano: Acalanto da saudade, 1928; Arabesca, 1920; Bazar, 1933; Berceuse da boneca triste, 1926; Boneca Iaiá, 1944; Bonecas, 1932; Dança lânguida, 1927; Duas miniaturas, 1918; Folhas d’álbum, 1927; Historieta ingênua, 1925; Historietas maravilhosas, 1922; Marcha dos soldadinhos desafinados, 1927; Minhas férias, 1937; Miragem, 1919; Noturno, 1919; Pequena série infantil, 1937; Poemetos brasileiros — la série, 1926; Poemetos brasileiros — 2 série, 1928; Prelúdio fantástico, 1924; Prelúdios do crepúsculo, 1922; Presentes de Noel, 1927; Primeira brasiliana, 1927; Primeira suíte brasileira, 1936; Recordações da infância, 1935; Rêverie, 1923; Segunda suíte brasileira, 1938; Sonata breve, 1947; Suíte das cinco notas, 1942; Terceira suíte brasileira, 1938; Três estudos em forma de sonatina, 1929; Valsa exótica, 1927; Valsa suburbana, 1932; Visões infantis, 1923.
Solos p/violão: Ponteio, 1938; Saudosa seresta, 1938; Suave acalanto, 1938; Velha modinha, 1938.
Duos: Melodia, p/violino e piano, 1926; Moda, p/violino e piano, 1927; Noturnal, p/violino e piano, 1924; Noturno elegíaco, p/celo e piano, 1923; Romança, p/violino e piano, 1921; Romance elegíaco, p/celo e piano, 1924; Toada e dança, p/celo e piano, 1926. 
Música vocal
Canto e piano: Aveludados sonhos, 1947; Canção ao luar, 1933; A canção da fonte, 1936; Canção do berço, 1925; Canção do mar, 1934; Canção do violeiro, 1926; Canção sertaneja, 1924; Coração inquieto, 1938; Dentro da noite, 1946; Dois epigramas, 1925; Duas canções, 1922; Duas modinhas, 1928; Elegia da manhã, 1946; Essa negra fulô, 1934; O horizonte vazio, 1933; Macumba, 1926; Madrigal, 1943; Meu coração, 1926; Meu pensamento, 1934; Noite de junho, 1933; Ó vida de minha vida, 1923; Samaritana da floresta, 1936; A saudade, 1921; Serenata, 1930; Solidão, 1922; A sombra suave, 1929; Suave acalanto, 1936; Tapera, 1929; Toada para você, 1928; Toi, 1923; Trovas do amor, 1947; As tuas mãos, 1935; Vesperal, 1946.
Canto e orquestra: Ausência, 1922; Berceuse da onda, 1928; Canção do poço, 1931-1933; Cisnes, 1921; Do outro lado do mar, 1931-1933; As estrelas, 1923; Eu sou aquela que amam os homens, 1931-1933; Modinha de Malasarte, 1931-1933; Noturno, 1934; Quando eu era pequenino, 1931-1933; A samaritana, 1920; Seus olhos eram verdes, 1931-1933; Surdina, 1922; Um beijo, 1920; Velas ao mar, 1919.
Canto coral: Canção panteísta, 1933; Canções da infância, 1926; Cantigas de minha terra, 1935; Coros do Malasarte, 1931-1933; Os dois céus, 1944; Duas evocações, 1930; Duas noturnais, 1930; Epigramas matinais, 1936; Hino à raça, 1939; Motete, 1924; Noturno das folhas soltas, 1936; Ode a Santa Cecília, 1933; Oração ao sol, 1924; A tarde lenta, 1933; As tuas mãos, 1935. 

CDs

A obra de canto de Oscar Lorenzo Fernandez, Maria Lúcia Godoy e Talitha Peres, 1993, Conversatório Brasileiro de Música 107.224; Lorenzo Fernandez — Obras (2 CDs), 1997, Rádio M.E.C. 5011 e 5012.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - 2a. Edição - 1998.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Jaime Ovalle

Jaime Ovalle (Jaime Rojas de Aragón y Ovalle), compositor e poeta, nasceu em Belém PA em 5/8/1894 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 9/9/1955. Influenciado pela irmã, que estudava piano e bandolim com Eduardo Pierantoni, dedicou-se a esses instrumentos e, sempre como autodidata, mais tarde aprendeu violino e violão.

Ainda jovem, transferiu-se para o Rio de Janeiro, relacionando-se ali com intelectuais e músicos. Poeta, conhecedor da música popular brasileira e violonista de choros e serestas, foi freqüentador assíduo da casa de Heitor Villa-Lobos. Nomeado por concurso para a Fazenda Nacional, ocupou cargos em New York, EUA, e Londres, Inglaterra, onde escreveu grande parte de sua obra.

Regressando ao Rio de Janeiro, por volta de 1937 publicou, por conta própria, toda a sua obra musical, na Casa Artur Napoleão. Nunca realizou a apresentação pública dessas composições, mas exibiu-as em audição privada em casa do poeta Augusto Frederico Schmidt (1906—1 965), na interpretação do pianista Mário Neves.

Suas canções Azulão e Modinha, ambas com versos de seu grande amigo Manuel Bandeira, são consideradas suas obras mais importantes.

Membro fundador da Academia Brasileira de Música, teve sua obra apresentada formalmente pela primeira vez, em 1959, no programa Música e Músicos do Brasil, da Rádio MEC em palestra de Andrade Murici, ilustrada pelo soprano Gelsa Ribeiro da Costa e pela pianista Ana Cândida.

Não publicou livros, deixando uma obra inédita, The Foolish Bird (O pássaro tolo), poemas escritos em inglês.

Obras
 
Música orquestral: Pedro Álvares Cabral, opus 16, poema sinfônico, s.d.; Música de câmara: Dois improvisos, p/três clarinetas, s.d.; Música instrumental: Desafio, opus 6, n 2, p/plano, s.d.; Dois retratos: n° 1 — Manuel Bandeira; o 2— Maria do Carmo, opus 14, p/piano, s.d.; Noturno, opus 25, p/piano, s.d.; Scherzo, opus 9, n° 2, p/piano, s.d.; Música vocal: Azulão, opus 21, p/canto e piano, s. d.; Berimbau, opus 4, p/canto e piano, s.d.; Modinha, opus 5, p/canto e piano, s.d.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Violeta Cavalcanti

Violeta Cavalcanti
Violeta Cavalcanti, cantora, nasceu em 1/7/1923, em Manaus, Amazonas. Foi para o Rio de Janeiro, juntamente com a família, aos 9 anos. Estudava na Escola Paraná, no bairro carioca de Madureira, quando, com apenas 10 anos, conheceu Heitor Villa-Lobos, sendo selecionada pelo maestro para cantar no Conjunto Orfeônico Infantil organizado por ele, integrado por crianças das escolas públicas da capital, onde se apresentou no Teatro Municipal.

Em 1940, com apenas 14 anos, participou do programa de calouros de Ary Barroso, onde se apresentou cantando O samba e o tango, um sucesso de Carmen Miranda, cantora de quem era fã. A interpretação impecável, sem imitar Carmen, lhe garantiu o primeiro lugar, contestado pelo próprio Ary Barroso, que afirmou: "Ganhou, mas não leva. Você já é herdeira de Carmen Miranda, portanto, profissional, e o prêmio é para calouros." Foi grande a dificuldade para convencer Ary Barroso de que aquela era a primeira vez que a moça se apresentava no rádio.

A ida de Carmen Miranda para os Estados Unidos favoreceu o início de sua carreira no rádio, onde a jovem passou a cantar os sucessos da "Pequena Notável", compensando o espaço deixado e a saudade dos fãs de Carmen.

Trabalhou nas Rádios Tupi, Educadora, Ipanema, onde assinou seu primeiro contrato, consagrando-se principalmente pela interpretação original de Camisa listrada, outro sucesso de Carmen, de autoria de Assis Valente.

Gravou o primeiro disco em 1940, com Vou sair de Pai João, marcha de J. Cascata e Leonel Azevedo e Pulo do gato, de J. Cascata e Correia da Silva pela Victor. Assinou contrato com a Rádio Nacional em 1941, onde permaneceu até 1957.

Em 1955, fez sucesso com o samba-canção Cartas, composição de Antônio Maria, gravado pela Odeon, com arranjos do então jovem maestro Tom Jobim. Destacou-se como intérprete das canções de Dorival Caymmi, com destaque para o samba-canção Só louco, gravado em 1956 na Odeon. O maior sucesso veio com o samba "Fita meus olhos", de Peterpan, gravado no mesmo ano pela Odeon.

Abandonou a carreira em 1957, para casar-se. Depois de longo afastamento da vida artística, convidada por Albino Pinheiro para shows da série "Seis e meia", retomou a carreira 20 anos mais tarde, incentivada por Paulinho da Viola, se apresenando no projeto ao lado de Paulinho.

Em 1987, passou a integrar o grupo vocal As Cantoras do Rádio, juntamente com Nora Ney, Rosita Gonzalez, Zezé Gonzaga, Ellen de Lima, Carmélia Alves e Ademilde Fonseca. Gravou com outros cantores os Lps Velhos sambas - velhos bambas, Vols. 1 e 2 e Ary Barroso - 90 anos, em 1992, ambos editados pela Fenab.

No fim da década de 1980 e início da de 1990, com As Cantoras do Rádio, gravou dois CDs e fez vários shows pelo Brasil. Participou ainda em 1988 do LP duplo Há sempre um nome de mulher, produzido por Ricardo Cravo Albin e que alcançou a tiragem de 600 mil cópias, em benefício da Campanha do Aleitamento Materno (LBA/ Banco do Brasil).

Em 13 de junho de 2001, estreou, ao lado de Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas e Ellen de Lima o show As Cantoras do Rádio: Estão voltando as flores, com roteiro e direção de Ricardo Cravo Albin, no Teatro-Café Arena, em Copacabana, no Rio. Nesse show, Violeta personificava Elizeth Cardoso, Aracy de Almeida, Nora Ney e Dalva de Oliveira, cantando alguns dos sucessos que marcaram as carreiras dessas cantoras, como Mulata Assanhada (Ataulfo Alves) e Não me diga adeus ( Paquito/ L. Soberano/ J.C. Silva).

Violeta Cavalcanti

Violeta Cavalcanti, cantora, nasceu em 1/7/1923, em Manaus, Amazonas. Foi para o Rio de Janeiro, juntamente com a família, aos 9 anos. Estudava na Escola Paraná, no bairro carioca de Madureira, quando, com apenas 10 anos, conheceu Heitor Villa-Lobos, sendo selecionada pelo maestro para cantar no Conjunto Orfeônico Infantil organizado por ele, integrado por crianças das escolas públicas da capital, onde se apresentou no Teatro Municipal.

Em 1940, com apenas 14 anos, participou do programa de calouros de Ary Barroso, onde se apresentou cantando O samba e o tango, um sucesso de Carmen Miranda, cantora de quem era fã. A interpretação impecável, sem imitar Carmen, lhe garantiu o primeiro lugar, contestado pelo próprio Ary Barroso, que afirmou: "Ganhou, mas não leva. Você já é herdeira de Carmen Miranda, portanto, profissional, e o prêmio é para calouros." Foi grande a dificuldade para convencer Ary Barroso de que aquela era a primeira vez que a moça se apresentava no rádio.

A ida de Carmen Miranda para os Estados Unidos favoreceu o início de sua carreira no rádio, onde a jovem passou a cantar os sucessos da "Pequena Notável", compensando o espaço deixado e a saudade dos fãs de Carmen.

Trabalhou nas Rádios Tupi, Educadora, Ipanema, onde assinou seu primeiro contrato, consagrando-se principalmente pela interpretação original de Camisa listrada, outro sucesso de Carmen, de autoria de Assis Valente.

Gravou o primeiro disco em 1940, com Vou sair de Pai João, marcha de J. Cascata e Leonel Azevedo e Pulo do gato, de J. Cascata e Correia da Silva pela Victor. Assinou contrato com a Rádio Nacional em 1941, onde permaneceu até 1957.

Em 1955, fez sucesso com o samba-canção Cartas, composição de Antônio Maria, gravado pela Odeon, com arranjos do então jovem maestro Tom Jobim. Destacou-se como intérprete das canções de Dorival Caymmi, com destaque para o samba-canção Só louco, gravado em 1956 na Odeon. O maior sucesso veio com o samba "Fita meus olhos", de Peterpan, gravado no mesmo ano pela Odeon.

Abandonou a carreira em 1957, para casar-se. Depois de longo afastamento da vida artística, convidada por Albino Pinheiro para shows da série "Seis e meia", retomou a carreira 20 anos mais tarde, incentivada por Paulinho da Viola, se apresenando no projeto ao lado de Paulinho.

Em 1987, passou a integrar o grupo vocal As Cantoras do Rádio, juntamente com Nora Ney, Rosita Gonzalez, Zezé Gonzaga, Ellen de Lima, Carmélia Alves e Ademilde Fonseca. Gravou com outros cantores os Lps Velhos sambas - velhos bambas, Vols. 1 e 2 e Ary Barroso - 90 anos, em 1992, ambos editados pela Fenab.

No fim da década de 1980 e início da de 1990, com As Cantoras do Rádio, gravou dois CDs e fez vários shows pelo Brasil. Participou ainda em 1988 do LP duplo Há sempre um nome de mulher, produzido por Ricardo Cravo Albin e que alcançou a tiragem de 600 mil cópias, em benefício da Campanha do Aleitamento Materno (LBA/ Banco do Brasil).

Em 13 de junho de 2001, estreou, ao lado de Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas e Ellen de Lima o show As Cantoras do Rádio: Estão voltando as flores, com roteiro e direção de Ricardo Cravo Albin, no Teatro-Café Arena, em Copacabana, no Rio. Nesse show, Violeta personificava Elizeth Cardoso, Aracy de Almeida, Nora Ney e Dalva de Oliveira, cantando alguns dos sucessos que marcaram as carreiras dessas cantoras, como Mulata Assanhada (Ataulfo Alves) e Não me diga adeus ( Paquito/ L. Soberano/ J.C. Silva).

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Heitor Villa-Lobos

Heitor Villa-Lobos

A 5 de março de 1887, nascia Heitor Villa-Lobos, na Rua Ipiranga, bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro. Sua mãe, Noêmia Villa-Lobos, cuidava dos filhos e da casa. Seu pai, Raul Villa-Lobos, era funcionário da Biblioteca Nacional e dedicava-se à música, como amador.

Na casa dos Villa-Lobos, todos os sábados, nomes respeitados da época reuniam-se para tocar até altas horas da madrugada. Esse hábito, que durou anos, influiu decisivamente na formação musical de Villa-Lobos que, logo cedo, iniciou-se na música. Aos seis anos de idade, aprendeu a tocar violoncelo com o pai, em uma viola especialmente adaptada.

Foi também nessa época - e graças à sua tia Fifinha que lhe apresentou os Prelúdios e Fugas do "Cravo Bem Temperado" - que "Tuhú" (seu apelido de infância) fascinou-se pela obra de Johann Sebastian Bach, compositor que acabou por lhe servir de fonte de inspiração para a criação de um de seus mais importantes ciclos, o das nove "Bachianas Brasileiras".

Além da cidade do Rio de Janeiro, Villa-Lobos residiu com a família em cidades do interior do Estado e também de Minas Gerais. Nessas viagens, entrou em contato com uma música diferente da que estava acostumado a ouvir: modas caipiras, tocadores de viola, enfim, uma parte do folclore musical brasileiro que, mais tarde, viria a universalizar-se através de suas obras.

Ao voltar ao Rio de Janeiro, a música praticada nas ruas e praças da cidade também passou a exercer-lhe um atrativo especial. Era o "choro", composto e executado pelos "chorões", músicos que se reuniam regularmente para tocar por prazer e, ainda, em festas e durante o carnaval. Tal interesse levou-o a estudar violão escondido de seus pais, que não aprovavam sua aproximação com os autores daquele gênero, pois eram considerados marginais.

Com a morte de Raul Villa-Lobos, em 1899, D. Noêmia não conseguiu mais conter o filho. No início dos anos 20, como conseqüência desse envolvimento com o choro, começaria a compor um ciclo de quatorze obras, para as mais diversas formações, intitulado "Choros"; nascia aí uma nova forma musical, onde aquela música urbana se mesclava as modernas técnicas de composição.

Em 1905, Villa-Lobos partiu em viagens pelo Brasil. Visitou os estados do Espírito Santo, Bahia e Pernambuco, passando temporadas em engenhos e fazendas do interior, em busca do folclore local. Tempos depois, seguia para outra viagem - uma excursão pelo interior dos estados do Norte e Nordeste - que se estenderia por mais de três anos. Foi nesse momento que teria conhecido a Amazônia - fato ainda não comprovado - o que teria marcado profundamente sua obra.

Por onde passava, Villa-Lobos ia recolhendo temas folclóricos que utilizaria em suas composições, como no "Uirapuru", e em seu futuro trabalho de educação musical, através da coleção "Guia Prático".

O ano de 1915 marca o início da apresentação oficial de Villa-Lobos como compositor, com uma série de concertos no Rio de Janeiro. Na época, casado com a pianista Lucília Guimarães, ganhava a vida tocando violoncelo nas orquestras dos teatros e cinemas cariocas, ao mesmo tempo em que escrevia suas obras. Os jornais publicavam críticas contra a modernidade de sua música. Anos mais tarde, o compositor fez questão de explicar:

"Não escrevo dissonante para ser moderno. De maneira nenhuma. O que escrevo é conseqüência cósmica dos estudos que fiz, da síntese a que cheguei para espelhar uma natureza como a do Brasil. Quando procurei formar a minha cultura, guiado pelo meu próprio instinto e tirocínio, verifiquei que só poderia chegar a uma conclusão de saber consciente, pesquisando, estudando obras que, à primeira vista, nada tinham de musicais. Assim, o meu primeiro livro foi o mapa do Brasil, o Brasil que eu palmilhei, cidade por cidade, estado por estado, floresta por floresta, perscrutando a alma de uma terra. Depois, o caráter dos homens dessa terra. Depois, as maravilhas naturais dessa terra. Prossegui, confrontando esses meus estudos com obras estrangeiras, e procurei um ponto de apoio para firmar o personalismo e a inalterabilidade das minhas idéias".

No Brasil do início do século, a influência européia e a permanência do espírito conservador do fim de século incomodavam a juventude, que começava a reagir a tudo isso. Surgiu, então, um movimento chamado Modernista que, em fevereiro de l922, foi oficializado em São Paulo, através da Semana de Arte Moderna. Atividades de vários campos da arte foram apresentadas no Teatro Municipal daquela cidade.

Convidado por Graça Aranha, Villa-Lobos aceitou participar dos três espetáculos da "Semana", apresentando, dentre outras obras, as "Danças Características Africanas".

Já bastante conhecido no meio musical brasileiro, alguns de seus amigos começaram a incentivá-lo a ir à Europa, e apresentaram à Câmara dos Deputados um projeto para financiar sua ida a Paris. A proposta foi aprovada e Villa-Lobos partiu, em 1923, para o que seria sua primeira viagem ao Velho Continente. Chegou com mentalidade própria e se impôs em menos de um ano. Um grupo de amigos ajudou-o nas despesas e apresentou-o aos editores Max-Eschig, enquanto o pianista Arthur Rubinstein - que já o conhecia do Brasil - e a soprano Vera Janacópulus divulgavam suas obras em recitais por vários países.

De volta ao Rio de Janeiro, em 1924, Villa-Lobos foi assim saudado pelo poeta Manuel Bandeira: "Villa-Lobos acaba de chegar de Paris. Quem chega de Paris espera-se que chegue cheio de Paris. Entretanto, Villa-Lobos chegou cheio de Villa-Lobos. Todavia uma coisa o abalou perigosamente: a "Sagração da Primavera", de Stravinsky. Foi, confessou-me ele, a maior emoção musical da sua vida.(...)".

Em 1927, o compositor retornou a Paris para organizar concertos e publicar várias obras. Fez amigos, e muitos artistas de renome freqüentavam sua casa e participavam das feijoadas dos domingos. A partir dessa segunda temporada na capital francesa, ganhou prestígio internacional, apresentando suas composições em recitais e regendo orquestras nas principais capitais européias, causando forte impressão, ao mesmo tempo em que provocava reações por suas ousadias musicais.

No segundo semestre de 1930, Villa-Lobos - a convite - retornava provisoriamente ao Brasil para a realização de um concerto em São Paulo. Contudo, não previa que, neste seu retorno, estaria inaugurando um novo capítulo em sua biografia.

Villa-Lobos preocupava-se com o descaso com que a música era tratada nas escolas brasileiras e acabou por apresentar um revolucionário plano de Educação Musical à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. A aprovação do seu projeto levou-o a mudar-se definitivamente para o Brasil.

Em 1931, reunindo representações de todas as classes sociais paulistas, organizou uma Concentração Orfeônica chamada "Exortação Cívica ", com a participação de cerca de 12 mil vozes.

Após dois anos de trabalho em São Paulo, Villa-Lobos foi convidado oficialmente pelo Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro - Anísio Teixeira - para organizar e dirigir a Superintendência de Educação Musical e Artística (SEMA), que introduzia o ensino da Música e o Canto Coral nas escolas.

Como conseqüência do seu trabalho educativo, viajou de Zeppelin, em 1936, para a Europa, representando o Brasil no Congresso de Educação Musical em Praga.

Com o apoio do então Presidente da República, Getúlio Vargas, organizou Concentrações Orfeônicas grandiosas que chegaram a reunir, sob sua regência, até 40 mil escolares e, em 1942, terminou por criar o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, cujo objetivo era formar candidatos ao magistério orfeônico nas escolas primárias e secundárias, estudar e elaborar diretrizes para o ensino do Canto Orfeônico no Brasil, promover trabalhos de musicologia brasileira, realizar gravações de discos, etc.

"Irei aos Estados Unidos somente quando os americanos quiserem me receber como eles recebem a um artista europeu, isto é, em razão das minhas próprias qualidades e não por considerações políticas..."

Apesar dessa resistência inicial (era o momento da chamada "política da boa vizinhança" praticada pelos EUA com aliados na 2ª Guerra Mundial), Villa-Lobos, convencido pelo Maestro Leopold Stokowski, seu amigo desde Paris, aceitou o convite do Maestro norte-americano Werner Janssen para uma turnê pelos EUA, em 1944.

A partir daí, retornou àquele país várias vezes, onde regeu e gravou suas obras, recebeu homenagens e encomendas de novas partituras, além de ter travado contato com grandes nomes da música norte-americana, fechando, assim, o ciclo de sua consagração internacional. Villa-Lobos morreu de câncer em 17 de novembro de 1959, no Rio de Janeiro.

Fonte: Museu Villa-Lobos

Heitor Villa-Lobos

Heitor Villa-Lobos

A 5 de março de 1887, nascia Heitor Villa-Lobos, na Rua Ipiranga, bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro. Sua mãe, Noêmia Villa-Lobos, cuidava dos filhos e da casa. Seu pai, Raul Villa-Lobos, era funcionário da Biblioteca Nacional e dedicava-se à música, como amador.

Na casa dos Villa-Lobos, todos os sábados, nomes respeitados da época reuniam-se para tocar até altas horas da madrugada. Esse hábito, que durou anos, influiu decisivamente na formação musical de Villa-Lobos que, logo cedo, iniciou-se na música. Aos seis anos de idade, aprendeu a tocar violoncelo com o pai, em uma viola especialmente adaptada.

Foi também nessa época - e graças à sua tia Fifinha que lhe apresentou os Prelúdios e Fugas do "Cravo Bem Temperado" - que "Tuhú" (seu apelido de infância) fascinou-se pela obra de Johann Sebastian Bach, compositor que acabou por lhe servir de fonte de inspiração para a criação de um de seus mais importantes ciclos, o das nove "Bachianas Brasileiras".

Além da cidade do Rio de Janeiro, Villa-Lobos residiu com a família em cidades do interior do Estado e também de Minas Gerais. Nessas viagens, entrou em contato com uma música diferente da que estava acostumado a ouvir: modas caipiras, tocadores de viola, enfim, uma parte do folclore musical brasileiro que, mais tarde, viria a universalizar-se através de suas obras.

Ao voltar ao Rio de Janeiro, a música praticada nas ruas e praças da cidade também passou a exercer-lhe um atrativo especial. Era o "choro", composto e executado pelos "chorões", músicos que se reuniam regularmente para tocar por prazer e, ainda, em festas e durante o carnaval. Tal interesse levou-o a estudar violão escondido de seus pais, que não aprovavam sua aproximação com os autores daquele gênero, pois eram considerados marginais.

Com a morte de Raul Villa-Lobos, em 1899, D. Noêmia não conseguiu mais conter o filho. No início dos anos 20, como conseqüência desse envolvimento com o choro, começaria a compor um ciclo de quatorze obras, para as mais diversas formações, intitulado "Choros"; nascia aí uma nova forma musical, onde aquela música urbana se mesclava as modernas técnicas de composição.

Em 1905, Villa-Lobos partiu em viagens pelo Brasil. Visitou os estados do Espírito Santo, Bahia e Pernambuco, passando temporadas em engenhos e fazendas do interior, em busca do folclore local. Tempos depois, seguia para outra viagem - uma excursão pelo interior dos estados do Norte e Nordeste - que se estenderia por mais de três anos. Foi nesse momento que teria conhecido a Amazônia - fato ainda não comprovado - o que teria marcado profundamente sua obra.

Por onde passava, Villa-Lobos ia recolhendo temas folclóricos que utilizaria em suas composições, como no "Uirapuru", e em seu futuro trabalho de educação musical, através da coleção "Guia Prático".

O ano de 1915 marca o início da apresentação oficial de Villa-Lobos como compositor, com uma série de concertos no Rio de Janeiro. Na época, casado com a pianista Lucília Guimarães, ganhava a vida tocando violoncelo nas orquestras dos teatros e cinemas cariocas, ao mesmo tempo em que escrevia suas obras. Os jornais publicavam críticas contra a modernidade de sua música. Anos mais tarde, o compositor fez questão de explicar:

"Não escrevo dissonante para ser moderno. De maneira nenhuma. O que escrevo é conseqüência cósmica dos estudos que fiz, da síntese a que cheguei para espelhar uma natureza como a do Brasil. Quando procurei formar a minha cultura, guiado pelo meu próprio instinto e tirocínio, verifiquei que só poderia chegar a uma conclusão de saber consciente, pesquisando, estudando obras que, à primeira vista, nada tinham de musicais. Assim, o meu primeiro livro foi o mapa do Brasil, o Brasil que eu palmilhei, cidade por cidade, estado por estado, floresta por floresta, perscrutando a alma de uma terra. Depois, o caráter dos homens dessa terra. Depois, as maravilhas naturais dessa terra. Prossegui, confrontando esses meus estudos com obras estrangeiras, e procurei um ponto de apoio para firmar o personalismo e a inalterabilidade das minhas idéias".

No Brasil do início do século, a influência européia e a permanência do espírito conservador do fim de século incomodavam a juventude, que começava a reagir a tudo isso. Surgiu, então, um movimento chamado Modernista que, em fevereiro de l922, foi oficializado em São Paulo, através da Semana de Arte Moderna. Atividades de vários campos da arte foram apresentadas no Teatro Municipal daquela cidade.

Convidado por Graça Aranha, Villa-Lobos aceitou participar dos três espetáculos da "Semana", apresentando, dentre outras obras, as "Danças Características Africanas".

Já bastante conhecido no meio musical brasileiro, alguns de seus amigos começaram a incentivá-lo a ir à Europa, e apresentaram à Câmara dos Deputados um projeto para financiar sua ida a Paris. A proposta foi aprovada e Villa-Lobos partiu, em 1923, para o que seria sua primeira viagem ao Velho Continente. Chegou com mentalidade própria e se impôs em menos de um ano. Um grupo de amigos ajudou-o nas despesas e apresentou-o aos editores Max-Eschig, enquanto o pianista Arthur Rubinstein - que já o conhecia do Brasil - e a soprano Vera Janacópulus divulgavam suas obras em recitais por vários países.

De volta ao Rio de Janeiro, em 1924, Villa-Lobos foi assim saudado pelo poeta Manuel Bandeira: "Villa-Lobos acaba de chegar de Paris. Quem chega de Paris espera-se que chegue cheio de Paris. Entretanto, Villa-Lobos chegou cheio de Villa-Lobos. Todavia uma coisa o abalou perigosamente: a "Sagração da Primavera", de Stravinsky. Foi, confessou-me ele, a maior emoção musical da sua vida.(...)".

Em 1927, o compositor retornou a Paris para organizar concertos e publicar várias obras. Fez amigos, e muitos artistas de renome freqüentavam sua casa e participavam das feijoadas dos domingos. A partir dessa segunda temporada na capital francesa, ganhou prestígio internacional, apresentando suas composições em recitais e regendo orquestras nas principais capitais européias, causando forte impressão, ao mesmo tempo em que provocava reações por suas ousadias musicais.

No segundo semestre de 1930, Villa-Lobos - a convite - retornava provisoriamente ao Brasil para a realização de um concerto em São Paulo. Contudo, não previa que, neste seu retorno, estaria inaugurando um novo capítulo em sua biografia.

Villa-Lobos preocupava-se com o descaso com que a música era tratada nas escolas brasileiras e acabou por apresentar um revolucionário plano de Educação Musical à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. A aprovação do seu projeto levou-o a mudar-se definitivamente para o Brasil.

Em 1931, reunindo representações de todas as classes sociais paulistas, organizou uma Concentração Orfeônica chamada "Exortação Cívica ", com a participação de cerca de 12 mil vozes.

Após dois anos de trabalho em São Paulo, Villa-Lobos foi convidado oficialmente pelo Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro - Anísio Teixeira - para organizar e dirigir a Superintendência de Educação Musical e Artística (SEMA), que introduzia o ensino da Música e o Canto Coral nas escolas.

Como conseqüência do seu trabalho educativo, viajou de Zeppelin, em 1936, para a Europa, representando o Brasil no Congresso de Educação Musical em Praga.

Com o apoio do então Presidente da República, Getúlio Vargas, organizou Concentrações Orfeônicas grandiosas que chegaram a reunir, sob sua regência, até 40 mil escolares e, em 1942, terminou por criar o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, cujo objetivo era formar candidatos ao magistério orfeônico nas escolas primárias e secundárias, estudar e elaborar diretrizes para o ensino do Canto Orfeônico no Brasil, promover trabalhos de musicologia brasileira, realizar gravações de discos, etc.

"Irei aos Estados Unidos somente quando os americanos quiserem me receber como eles recebem a um artista europeu, isto é, em razão das minhas próprias qualidades e não por considerações políticas..."

Apesar dessa resistência inicial (era o momento da chamada "política da boa vizinhança" praticada pelos EUA com aliados na 2ª Guerra Mundial), Villa-Lobos, convencido pelo Maestro Leopold Stokowski, seu amigo desde Paris, aceitou o convite do Maestro norte-americano Werner Janssen para uma turnê pelos EUA, em 1944.

A partir daí, retornou àquele país várias vezes, onde regeu e gravou suas obras, recebeu homenagens e encomendas de novas partituras, além de ter travado contato com grandes nomes da música norte-americana, fechando, assim, o ciclo de sua consagração internacional. Villa-Lobos morreu de câncer em 17 de novembro de 1959, no Rio de Janeiro.

Fonte: Museu Villa-Lobos