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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Língua de preto

Honorino Lopes (28/8/1884 - 19/8/1909 Rio de Janeiro, RJ) foi o compositor do clássico choro Língua de preto, gravado pela primeira vez pela Banda da Força Policial do Estado de São Paulo, na Odeon, entre 1907 e 1912.

Em 1913, foi gravada pela Banda da Casa Edison. Obra que faz parte do repertório de chorões, conta com gravações de músicos como Henrique Cazes, entre outros. Abaixo uma interpretação de Garoto.

Título da música: Língua de preto / Gênero musical: Choro / Intérprete: Garoto / Compositor: Honorino Lopes / Gravadora Odeon / Número do Álbum 12966 / Data de Gravação: 00/1949 / Data de Lançamento 00/1949 / Lado: lado A  /  Acervo Humberto Franceschi  /  Disco 78 rpm:

Língua de preto

Honorino Lopes (28/8/1884 - 19/8/1909 Rio de Janeiro, RJ) foi o compositor do clássico choro Língua de preto, gravado pela primeira vez pela Banda da Força Policial do Estado de São Paulo, na Odeon, entre 1907 e 1912.

Em 1913, foi gravada pela Banda da Casa Edison. Obra que faz parte do repertório de chorões, conta com gravações de músicos como Henrique Cazes, entre outros. Abaixo uma interpretação de Garoto.

Título da música: Língua de preto / Gênero musical: Choro / Intérprete: Garoto / Compositor: Honorino Lopes / Gravadora Odeon / Número do Álbum 12966 / Data de Gravação: 00/1949 / Data de Lançamento 00/1949 / Lado: lado A  /  Acervo Humberto Franceschi  /  Disco 78 rpm:

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O primeiro disco do Brasil

Em 1912 surgiu o primeiro disco totalmente produzido no Brasil, data em que Fred Figner se viu forçado a firmar um contrato com a International Talking Machine para a instalação de uma fábrica de discos no Rio de Janeiro.

O contrato previa a instalação de uma fábrica em um terreno de propriedade de Figner, situado na Rua 28 de Setembro (atual Rua João Alfredo, no bairro da Tijuca). Este fato acabaria por tolher Figner e engolir vagarosamente a Casa Edison.

A fábrica Odeon, que se instalou no Rio de Janeiro, tinha os mais modernos equipamentos da época. Era capaz de produzir um 1.500.000 discos por ano, num ritmo de cerca de um disco a cada três minutos. Empregava pouco mais de 150 operários e possuía até mesmo um programa de reciclagem, que incluía o reaproveitamento dos produtos rejeitados e discos encalhados nas prateleiras dos revendedores (!!!).

O processo industrial era completo, desde a obtenção da matriz até a prensagem. A massa (que prensada se transformava em disco) já era produzida pela fábrica na época, sendo composta por negro de fumo, resina de jatobá ou cera de carnaúba, ardósia e goma laca.

Na esteira da fábrica Odeon surgiu a Fábrica Phonographica União (1919) e a Fábrica Popular (1920). Estava consolidada a indústria dos discos no Brasil. A partir daí, outras empresas se instalaram no Brasil, como a Victor Talking Machine Co. of Brazil (que em 1929 passaria a se chamar RCA Victor Brazileira Inc.), Columbia Phonograph e Sociedade Anônima Brunswick do Brasil.

Esta última instalada em 1927 teve vida curta. Os artistas que nela gravaram não ganharam grande destaque e hoje são ilustres desconhecidos. Para piorar, quando encerrou suas atividades no Brasil, a Brunswick remeteu todas as suas matrizes para a sede da companhia em Chicago. Só recentemente o selo Revivendo reeditou algumas das gravações feitas pela Brunswick, encontradas em poder de alguns colecionadores.

Em 1924, a Western Electric dos E.U.A. desenvolveu o revolucionário sistema de gravação elétrico. Nele a corneta de gravação foi substituída por um microfone, sendo possível captar e registrar a mais ampla gama de sons. A evolução foi tão significativa que alterou o próprio ambiente musical da época. A potência da voz deu lugar à interpretação e se tornaram cada vez mais comuns as gravações de grandes formações orquestrais.

O primeiro disco do Brasil

Em 1912 surgiu o primeiro disco totalmente produzido no Brasil, data em que Fred Figner se viu forçado a firmar um contrato com a International Talking Machine para a instalação de uma fábrica de discos no Rio de Janeiro.

O contrato previa a instalação de uma fábrica em um terreno de propriedade de Figner, situado na Rua 28 de Setembro (atual Rua João Alfredo, no bairro da Tijuca). Este fato acabaria por tolher Figner e engolir vagarosamente a Casa Edison.

A fábrica Odeon, que se instalou no Rio de Janeiro, tinha os mais modernos equipamentos da época. Era capaz de produzir um 1.500.000 discos por ano, num ritmo de cerca de um disco a cada três minutos. Empregava pouco mais de 150 operários e possuía até mesmo um programa de reciclagem, que incluía o reaproveitamento dos produtos rejeitados e discos encalhados nas prateleiras dos revendedores (!!!).

O processo industrial era completo, desde a obtenção da matriz até a prensagem. A massa (que prensada se transformava em disco) já era produzida pela fábrica na época, sendo composta por negro de fumo, resina de jatobá ou cera de carnaúba, ardósia e goma laca.

Na esteira da fábrica Odeon surgiu a Fábrica Phonographica União (1919) e a Fábrica Popular (1920). Estava consolidada a indústria dos discos no Brasil. A partir daí, outras empresas se instalaram no Brasil, como a Victor Talking Machine Co. of Brazil (que em 1929 passaria a se chamar RCA Victor Brazileira Inc.), Columbia Phonograph e Sociedade Anônima Brunswick do Brasil.

Esta última instalada em 1927 teve vida curta. Os artistas que nela gravaram não ganharam grande destaque e hoje são ilustres desconhecidos. Para piorar, quando encerrou suas atividades no Brasil, a Brunswick remeteu todas as suas matrizes para a sede da companhia em Chicago. Só recentemente o selo Revivendo reeditou algumas das gravações feitas pela Brunswick, encontradas em poder de alguns colecionadores.

Em 1924, a Western Electric dos E.U.A. desenvolveu o revolucionário sistema de gravação elétrico. Nele a corneta de gravação foi substituída por um microfone, sendo possível captar e registrar a mais ampla gama de sons. A evolução foi tão significativa que alterou o próprio ambiente musical da época. A potência da voz deu lugar à interpretação e se tornaram cada vez mais comuns as gravações de grandes formações orquestrais.

As mulheres nos discos

Aracy Cortes
No Brasil, assim como nos Estados Unidos, a produção de músicas populares em estúdio foi predominantemente masculina, principalmente no que diz respeito à música cantada. Muitos trabalhos sobre o assunto afirmam que a ausência feminina ocorria, entre fatores de cunho sociocultural, devido às condições técnicas das gravações mecânicas.

Tais estudos têm se baseado em análises auditivas dos discos e, comumente às listas de artistas das gravadoras presentes em revistas especializadas e notas de jornais do período em questão.

De fato, praticamente não se tem referência na literatura consultada, o fato de que alguma cantora tivesse alcançado sucesso substancial, antes da década de 1920.

Segundo Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello (1999, p. 18), isto ocorre...

Pepa Delgado
"...simplesmente, à não existência desse tipo de atividade profissional em nossa sociedade machista de então. O que havia eram atrizes do teatro musicado que às vezes gravavam. As exceções seriam talvez as duas moças que, no suplemento inicial de discos da Casa Edison, aparecem cerimoniosamente tratadas com Srta. Odete e Srta. Consuelo. Sobre essas moças, as primeiras brasileiras a gravarem, têmse apenas uma informação biográfica: eram senhoritas..." (SEVERIANO, 1997).

Na verdade o primeiro volume da Discografia Brasileira de 78 r.p.m. nos apresenta um panorama um pouco mais diverso em relação às intérpretes femininas da era mecânica. Foram identificadas cerca de 340 gravações com cantoras na era mecânica no Brasil. Este valor é aproximado tendo em vista a ausência de informações em relação a muitos dos discos contidos na Discografia 78 r.p.m.

Dos 13 selos existentes, 9 (1) gravaram músicas populares com mulheres como solistas ou formando duos, sendo Zon-O-Phone, Odeon, Favorite Record, Victor Record, Columbia, Brazil, Imperador, Phoenix e Gaúcho.

Abigail Maia
As intérpretes da era mecânica no Brasil foram: Abigail Maia, Albertina Rosa, Arminda, Araci Cortes, Leontina, Aura Abranches, Srta. Consuelo, Berta Santos, Delfina Victor, Dolores de Córdoba, Emília de Oliveira, Florisbela, Amélia de Oliveira, Iracema Bastos, Isaura Lopes, Isolina Santori, Maria Roldan, Alice, Júlia Martins, Laís Areda, Laís Marival, Lili Hartlieb, Malvina Pereira, Maria Pinto, Medina de Souza, Nina Teixeira, Odaléa Sodré, Leonor Pires, Iracema, Pepa Delgado, Risoleta, Rosa Pinto, Rosália Pombo, Senhora Augusta, Srta. Consuelo, Srta. Diva, Srta. Odette, Stella Gil, Virgínia Aço e Zaíra de Oliveira. (2)

Foram analisados também os catálogos da Casa Edison dos anos: 1902, 1913, 1914, 1915, 1918, 1919, 1920, 1925 e 1926. (3) Os fonogramas femininos estão presentes em todos esses, mas observou-se que, como meio de divulgação, a gravadora não fez esforço algum para dar relevo às suas cantoras nos seus catálogos iniciais. Em contraposição, desde o início os catálogos contam com fotografias dos intérpretes masculinos e seções próprias (destacadas em negrito) e agrupadas ora por gênero, ora por acompanhamento. Geralmente as gravações femininas encontravam-se dispersas em tais seções.

Em relação ao catálogo de 1928, pôde-se observar um fato curioso. Neste documento, a divulgação das peças eruditas gravadas no exterior e lançadas no Brasil sob o selo Fonotipia, tanto as cantoras, quanto os cantores tinham o mesmo peso na divulgação. As seções de árias de óperas italianas geralmente são subdivididas pelo destaque do nome do intérprete e de sua respectiva classificação vocal.

Zaíra de Oliveira
Sendo os catálogos das gravadoras as primeiras formas de divulgação do seu repertório disponível, percebemos que os consumidores de música erudita, geralmente selecionavam suas escolhas partindo dos intérpretes célebres, das obras gravadas e da sua classificação vocal. Tal fato pode ser observado desde o primeiro catálogo de 1902.

Como a música erudita era reconhecida mundialmente como a verdadeira produção artística (os discos de óperas, orquestras sinfônicas, solos instrumentais e coros eram classificados como “Discos Artísticos”). Percebe-se que a grande divulgação de tais cantoras que, como foi dito, eram em sua maioria atrizes, se dava, sobretudo nos periódicos especializados de teatro.

Já o catálogo de 1926 traz, pela primeira vez, fotos de intérpretes femininas e uma divulgação mais ativa em relação aos intérpretes masculinos. As cantoras Zaíra de Oliveira e Rosália Pombo ganharam espaço privilegiado nas páginas 9 e 10, respectivamente. Araci Cortes também começa a ganhar destaque a partir deste último catálogo de gravações mecânicas.

(1) Zon-o-Phone, Odeon, Odeonette, Faulhaber, Favorite Record, Victor Record, Columbia, Brazil, Popular, Jurity, Imperador, Phoenix, Gaúcho.; (2) É bom ressaltar que nem todas essas artistas eram de nacionalidade brasileira. Outro ponto a ser lembrado é que, eventualmente, pode constar nesta lista alguma instrumentista. Na medida do possível tentamos identificar informações sobre cada uma delas. Foi um trabalho árduo em sites e enciclopédias de música, mas sem grandes resultados.; (3) Os únicos catálogos existentes da primeira e maior gravadora brasileira no começo do século XX e disponibilizados nos fotoCDs do livro A Casa Edison e seu tempo de Humberto Franceschi, 2002.

As mulheres nos discos

Aracy Cortes
No Brasil, assim como nos Estados Unidos, a produção de músicas populares em estúdio foi predominantemente masculina, principalmente no que diz respeito à música cantada. Muitos trabalhos sobre o assunto afirmam que a ausência feminina ocorria, entre fatores de cunho sociocultural, devido às condições técnicas das gravações mecânicas.

Tais estudos têm se baseado em análises auditivas dos discos e, comumente às listas de artistas das gravadoras presentes em revistas especializadas e notas de jornais do período em questão.

De fato, praticamente não se tem referência na literatura consultada, o fato de que alguma cantora tivesse alcançado sucesso substancial, antes da década de 1920.

Segundo Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello (1999, p. 18), isto ocorre...

Pepa Delgado
"...simplesmente, à não existência desse tipo de atividade profissional em nossa sociedade machista de então. O que havia eram atrizes do teatro musicado que às vezes gravavam. As exceções seriam talvez as duas moças que, no suplemento inicial de discos da Casa Edison, aparecem cerimoniosamente tratadas com Srta. Odete e Srta. Consuelo. Sobre essas moças, as primeiras brasileiras a gravarem, têmse apenas uma informação biográfica: eram senhoritas..." (SEVERIANO, 1997).

Na verdade o primeiro volume da Discografia Brasileira de 78 r.p.m. nos apresenta um panorama um pouco mais diverso em relação às intérpretes femininas da era mecânica. Foram identificadas cerca de 340 gravações com cantoras na era mecânica no Brasil. Este valor é aproximado tendo em vista a ausência de informações em relação a muitos dos discos contidos na Discografia 78 r.p.m.

Dos 13 selos existentes, 9 (1) gravaram músicas populares com mulheres como solistas ou formando duos, sendo Zon-O-Phone, Odeon, Favorite Record, Victor Record, Columbia, Brazil, Imperador, Phoenix e Gaúcho.

Abigail Maia
As intérpretes da era mecânica no Brasil foram: Abigail Maia, Albertina Rosa, Arminda, Araci Cortes, Leontina, Aura Abranches, Srta. Consuelo, Berta Santos, Delfina Victor, Dolores de Córdoba, Emília de Oliveira, Florisbela, Amélia de Oliveira, Iracema Bastos, Isaura Lopes, Isolina Santori, Maria Roldan, Alice, Júlia Martins, Laís Areda, Laís Marival, Lili Hartlieb, Malvina Pereira, Maria Pinto, Medina de Souza, Nina Teixeira, Odaléa Sodré, Leonor Pires, Iracema, Pepa Delgado, Risoleta, Rosa Pinto, Rosália Pombo, Senhora Augusta, Srta. Consuelo, Srta. Diva, Srta. Odette, Stella Gil, Virgínia Aço e Zaíra de Oliveira. (2)

Foram analisados também os catálogos da Casa Edison dos anos: 1902, 1913, 1914, 1915, 1918, 1919, 1920, 1925 e 1926. (3) Os fonogramas femininos estão presentes em todos esses, mas observou-se que, como meio de divulgação, a gravadora não fez esforço algum para dar relevo às suas cantoras nos seus catálogos iniciais. Em contraposição, desde o início os catálogos contam com fotografias dos intérpretes masculinos e seções próprias (destacadas em negrito) e agrupadas ora por gênero, ora por acompanhamento. Geralmente as gravações femininas encontravam-se dispersas em tais seções.

Em relação ao catálogo de 1928, pôde-se observar um fato curioso. Neste documento, a divulgação das peças eruditas gravadas no exterior e lançadas no Brasil sob o selo Fonotipia, tanto as cantoras, quanto os cantores tinham o mesmo peso na divulgação. As seções de árias de óperas italianas geralmente são subdivididas pelo destaque do nome do intérprete e de sua respectiva classificação vocal.

Zaíra de Oliveira
Sendo os catálogos das gravadoras as primeiras formas de divulgação do seu repertório disponível, percebemos que os consumidores de música erudita, geralmente selecionavam suas escolhas partindo dos intérpretes célebres, das obras gravadas e da sua classificação vocal. Tal fato pode ser observado desde o primeiro catálogo de 1902.

Como a música erudita era reconhecida mundialmente como a verdadeira produção artística (os discos de óperas, orquestras sinfônicas, solos instrumentais e coros eram classificados como “Discos Artísticos”). Percebe-se que a grande divulgação de tais cantoras que, como foi dito, eram em sua maioria atrizes, se dava, sobretudo nos periódicos especializados de teatro.

Já o catálogo de 1926 traz, pela primeira vez, fotos de intérpretes femininas e uma divulgação mais ativa em relação aos intérpretes masculinos. As cantoras Zaíra de Oliveira e Rosália Pombo ganharam espaço privilegiado nas páginas 9 e 10, respectivamente. Araci Cortes também começa a ganhar destaque a partir deste último catálogo de gravações mecânicas.

(1) Zon-o-Phone, Odeon, Odeonette, Faulhaber, Favorite Record, Victor Record, Columbia, Brazil, Popular, Jurity, Imperador, Phoenix, Gaúcho.; (2) É bom ressaltar que nem todas essas artistas eram de nacionalidade brasileira. Outro ponto a ser lembrado é que, eventualmente, pode constar nesta lista alguma instrumentista. Na medida do possível tentamos identificar informações sobre cada uma delas. Foi um trabalho árduo em sites e enciclopédias de música, mas sem grandes resultados.; (3) Os únicos catálogos existentes da primeira e maior gravadora brasileira no começo do século XX e disponibilizados nos fotoCDs do livro A Casa Edison e seu tempo de Humberto Franceschi, 2002.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Farrula

Farrula (valsa, 1905) - Anacleto de Medeiros

Farrula, valsa composta pelo maestro Anacleto Augusto de Medeiros (foto) e interpretada pela Banda do Corpo de Bombeiros (sob a regência do próprio maestro) em um disco da Casa Edison do ano de 1904.

Figurou entre os discos mais vendidos daquele ano.

Mais dados: gravadora Odeon; álbum número 40111; data de gravação / lançamento: 1904 / 1907; lado: único; disco 78 rpm.

Farrula

Farrula (valsa, 1905) - Anacleto de Medeiros

Farrula, valsa composta pelo maestro Anacleto Augusto de Medeiros (foto) e interpretada pela Banda do Corpo de Bombeiros (sob a regência do próprio maestro) em um disco da Casa Edison do ano de 1904.

Figurou entre os discos mais vendidos daquele ano.

Mais dados: gravadora Odeon; álbum número 40111; data de gravação / lançamento: 1904 / 1907; lado: único; disco 78 rpm.

terça-feira, 28 de março de 2006

Perdão, Emília

Primeira modinha gravada em 1902 pela Casa Edison. Almirante no programa "O Pessoal da Velha Guarda" de 13 de março de 1952 afirmava: "Entre as velhas e mais plangentes modinhas do Brasil figura a célebre “Perdão Emília”, soturna cantiga que foi [flor?] pelo Brasil afora no tempo das serenatas. Jamais se apurou quem a escreveu. Aproveitando-se dessas circunstâncias, um cantor paulista apossou-se dela, gravando-a em discos com o seu nome. É uma desfaçatez, que foi uma nódoa na decência da profissão de autores e de cantores nessa terra.

“Perdão Emília”, segundo informação de antigos ouvintes, informações a que dão curso sem apoiar ou desapoiar, foi composta por um português chamado José Henrique da Silva, que residiu longo tempo em São João da Barra. Foi escrita há 63 anos, em 1889, quando o seu autor contava 24 anos de idade. Isso, repito, é a informação de um ouvinte que nos deu por carta, e que jamais pudemos apurar."

Perdão, Emília (modinha, 1889) - José Henrique da Silva e Juca Pedaço
Paraguassu

Já tudo dorme, vem a noite em meio, a turva lua se surgindo além: / Tudo é silêncio; só se vê nas campas, piar o mocho no cruel desdém. / Depois, um vulto de roupagem preta, no cemitério com vagar entrou. / Junto ao sepulcro, se curvando a medo, com triste frase nesta voz falou:

"Perdão, Emília, se roubei-te a vida, se fui impuro, fui cruel, ousado... / Perdão, Emília, se manchei teus lábios. / Perdão, Emília, para um desgraçado." / "Monstro tirano, por que vens agora, lembrar-me as mágoas que por ti passei? / Lá nesse mundo em que vivi chorando, desde o instante em que te vi e amei.

Chegou a hora de tomar vingança, mas tu, ingrato, não terás perdão... / Deus não perdoa as tuas culpas todas, / Castigo justo tu terás, então. / Perdi as flores da capela virgem, / Cedi ao crime, que perdão não tinha, mas, tu, manchaste a minha vida honesta, / Depois, zombaste da fraqueza minha...

Ai, quantas vezes, aos meus pés, curvado, davas-me prova de teu puro amor. / Quando eu julgava que fosses um anjo, não via fundo nesse olhar traidor. / Mas vês agora, que o corpo em terra tombou, de chofre, sobre a lousa fria."

E quando a hora despontou, na lousa um corpo inerte a dormitar se via: / "Perdão, Emília, se manchei-te a vida, se fui impuro, fui cruel, ousado... / Perdão, Emília, se manchei teus lábios. / Perdão, Emília, para um desgraçado."....

Perdão, Emília

Primeira modinha gravada em 1902 pela Casa Edison. Almirante no programa "O Pessoal da Velha Guarda" de 13 de março de 1952 afirmava: "Entre as velhas e mais plangentes modinhas do Brasil figura a célebre “Perdão Emília”, soturna cantiga que foi [flor?] pelo Brasil afora no tempo das serenatas.

Jamais se apurou quem a escreveu. Aproveitando-se dessas circunstâncias, um cantor paulista apossou-se dela, gravando-a em discos com o seu nome. É uma desfaçatez, que foi uma nódoa na decência da profissão de autores e de cantores nessa terra.

“Perdão Emília”, segundo informação de antigos ouvintes, informações a que dão curso sem apoiar ou desapoiar, foi composta por um português chamado José Henrique da Silva, que residiu longo tempo em São João da Barra.
Paraguassu


Foi escrita há 63 anos, em 1889, quando o seu autor contava 24 anos de idade. Isso, repito, é a informação de um ouvinte que nos deu por carta, e que jamais pudemos apurar."

Perdão, Emília (modinha, 1889) - José Henrique da Silva e Juca Pedaço
Já tudo dorme, vem a noite em meio, a turva lua se surgindo além: / Tudo é silêncio; só se vê nas campas, piar o mocho no cruel desdém. / Depois, um vulto de roupagem preta, no cemitério com vagar entrou. / Junto ao sepulcro, se curvando a medo, com triste frase nesta voz falou:

"Perdão, Emília, se roubei-te a vida, se fui impuro, fui cruel, ousado... / Perdão, Emília, se manchei teus lábios. / Perdão, Emília, para um desgraçado." / "Monstro tirano, por que vens agora, lembrar-me as mágoas que por ti passei? / Lá nesse mundo em que vivi chorando, desde o instante em que te vi e amei.

Chegou a hora de tomar vingança, mas tu, ingrato, não terás perdão... / Deus não perdoa as tuas culpas todas, / Castigo justo tu terás, então. / Perdi as flores da capela virgem, / Cedi ao crime, que perdão não tinha, mas, tu, manchaste a minha vida honesta, / Depois, zombaste da fraqueza minha...

Ai, quantas vezes, aos meus pés, curvado, davas-me prova de teu puro amor. / Quando eu julgava que fosses um anjo, não via fundo nesse olhar traidor. / Mas vês agora, que o corpo em terra tombou, de chofre, sobre a lousa fria."

E quando a hora despontou, na lousa um corpo inerte a dormitar se via: / "Perdão, Emília, se manchei-te a vida, se fui impuro, fui cruel, ousado... / Perdão, Emília, se manchei teus lábios. / Perdão, Emília, para um desgraçado."....

terça-feira, 14 de março de 2006

A Casa Edison

Frederico Figner
13 de novembro de 1889. Na presença do imperador D. Pedro II, da princesa Isabel e seu marido, o conde D’Eu, um de seus filhos, o príncipe do Grão-Pará, falou e o outro, o príncipe D. Pedro Augusto, solfejou. Era a primeira gravação de sons feita no Brasil, ao ser apresentado à Corte o grafofone (modelo mais avançado de Thomas Edison para seu gramofone). Portanto, D. Pedro Augusto foi o primeiro brasileiro a ter sua voz gravada, cantando.

O Brasil foi dos primeiros países a ter a novidade do final do século XIX – a máquina que aprisionava sons -, já que em 1878, um ano apenas depois de ter registrado sua invenção, Edison receberia autorização do imperador para comercializar a aparelho no país.

A princípio a coisa foi atração de feira, circense, teatral, sendo exibida por camelôs onde encontrassem espaço para reunir meia dúzia de embasbacados cidadãos dispostos a pagar um níquel para ver e ouvir aquela incrível máquina falante. Saída das páginas da ficção registraria poderosa influência na cultura de todos os povos.

Em 1900: anúncio das últimas novidades em aparelhos
No Brasil o primeiro a se interessar comercialmente pelas máquinas falantes foi o imigrante tchecoslovaco, de origem judaica, Frederico Figner. Menino, emigrou para os Estados Unidos e lá, já adulto, ao tomar conhecimento da invenção, que ainda funcionava de forma primitiva com rolos de cera e deixava de ser curiosidade para se transformar em atividade comercial, comprou um fonógrafo, com alguns rolos de cera, e saiu a exibi-los pelas Américas. De volta àquele país resolve explorar um mercado virgem e parte rumo ao Brasil, onde entra por Belém do Pará no final de 1891. Percebendo o sucesso de suas apresentações, envereda pelo Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Bahia e dá com os costados no Rio de Janeiro, em abril de 1892.

Instala-se na Rua do Ouvidor, 135, com sua “machina que falla”, como anunciavam os jornais, sem saber que iria interferir profundamente na cultura popular do país que escolhera ao acaso para ganhar dinheiro.

Das sessões diárias para a apresentação da novidade até perceber a mina de ouro, Fred Figner – como se tornou conhecido – foi um passo. Importa e comercializa aparelhos e cilindros que vendem como água, pois eram encontrados com vários preços, acessíveis e sofisticados. Com a sua famosa Casa Edison era o dono absoluto do mercado.

Mas, nos últimos anos do século XIX, começa a enfrentar concorrência e sua criatividade é chamada para manter a liderança. Até então se vendiam cilindros de música estrangeira, importados. Fred convida os cantores Cadete (Antonio da Costa Moreira) e Bahiano (Manuel Pedro dos Santos) para gravar fonogramas brasileiros, ganhando um mil-réis por cilindro. Mais tarde o palhaço Eduardo das Neves (Dudu), famoso por seus lundus e canções, veio juntar-se à dupla. Com isso o pioneirismo foi acrescido à biografia de Fred Figner, o de profissionalizar a música popular no Brasil.

Em 1904 entra no mercado o gramofone, com discos de cera cuja reprodução do som era feita através de uma agulha metálica presa a um diafragma de mica, que Émile Berliner lançara. Fred Figner garante para si, através de contrato com a International Zonophone Company, o direito de fabricação de chapas prensadas dos dois lados, o disco, que em muito pouco tempo eliminaria o sistema de gravações por cilindro. Surgem as séries Zon-O-Phone 10.000 e X-1000 que podem ser consideradas as primeiras do disco brasileiro. 

O sistema de gravação era mecânico, obrigando o intérprete a cantar gritado na boca de uma enorme corneta. O “técnico de som” tinha que empurra-lo à frente pelos ombros nas notas graves, ou puxa-lo para longe, nas notas agudas. Quando gravavam bandas ou conjuntos, os músicos se amontoavam na frente do “microfone”. Depois da gravação, a cera era enviada para a Alemanha e voltava transformada em disco seis meses mais tarde.

O enorme repertório do cantor Bahiano na Edison
Mais tarde Figner fundou filiais em São Paulo e Porto Alegre, montando um estúdio na capital gaúcha, onde registrou artistas locais como o cantor modinheiro Xiru e o grupo de choro Terror dos Facões.

Em 1911, associando-se à Odeon, pertencente à firma holandesa Transoceanic, Figner importa o equipamento da Alemanha e instala no Brasil a primeira fábrica de discos, a Odeon, no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, e mantém a liderança até 1924, quando a Victor Talking Machine cria o processo de gravação elétrica, do qual o cantor Francisco Alves seria o pioneiro no Brasil em 1927.

Em 1930, a Transoceanic obrigou Figner a vender todo o patrimônio da Casa Edison, dominando, a partir de então, o processo de gravação no Brasil, ao lado de outras multinacionais, como a Columbia e a RCA Victor. Com 40 mil títulos lançados ao longo de 28 anos, a Casa Edison marca a etapa heróica da gravação de discos no Brasil. A empresa funcionou até os anos 50, mas mudou de ramo: abandonando as máquinas falantes, passou a comercializar mimeógrafos e máquinas de escrever.

Fontes: Construindo o Som e História do Samba – Ed. Globo

A Casa Edison

Frederico Figner
13 de novembro de 1889. Na presença do imperador D. Pedro II, da princesa Isabel e seu marido, o conde D’Eu, um de seus filhos, o príncipe do Grão-Pará, falou e o outro, o príncipe D. Pedro Augusto, solfejou. Era a primeira gravação de sons feita no Brasil, ao ser apresentado à Corte o grafofone (modelo mais avançado de Thomas Edison para seu gramofone). Portanto, D. Pedro Augusto foi o primeiro brasileiro a ter sua voz gravada, cantando.

O Brasil foi dos primeiros países a ter a novidade do final do século XIX – a máquina que aprisionava sons -, já que em 1878, um ano apenas depois de ter registrado sua invenção, Edison receberia autorização do imperador para comercializar a aparelho no país.

A princípio a coisa foi atração de feira, circense, teatral, sendo exibida por camelôs onde encontrassem espaço para reunir meia dúzia de embasbacados cidadãos dispostos a pagar um níquel para ver e ouvir aquela incrível máquina falante. Saída das páginas da ficção registraria poderosa influência na cultura de todos os povos.

Em 1900: anúncio das últimas novidades em aparelhos
No Brasil o primeiro a se interessar comercialmente pelas máquinas falantes foi o imigrante tchecoslovaco, de origem judaica, Frederico Figner. Menino, emigrou para os Estados Unidos e lá, já adulto, ao tomar conhecimento da invenção, que ainda funcionava de forma primitiva com rolos de cera e deixava de ser curiosidade para se transformar em atividade comercial, comprou um fonógrafo, com alguns rolos de cera, e saiu a exibi-los pelas Américas. De volta àquele país resolve explorar um mercado virgem e parte rumo ao Brasil, onde entra por Belém do Pará no final de 1891. Percebendo o sucesso de suas apresentações, envereda pelo Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Bahia e dá com os costados no Rio de Janeiro, em abril de 1892.

Instala-se na Rua do Ouvidor, 135, com sua “machina que falla”, como anunciavam os jornais, sem saber que iria interferir profundamente na cultura popular do país que escolhera ao acaso para ganhar dinheiro.

Das sessões diárias para a apresentação da novidade até perceber a mina de ouro, Fred Figner – como se tornou conhecido – foi um passo. Importa e comercializa aparelhos e cilindros que vendem como água, pois eram encontrados com vários preços, acessíveis e sofisticados. Com a sua famosa Casa Edison era o dono absoluto do mercado.

Mas, nos últimos anos do século XIX, começa a enfrentar concorrência e sua criatividade é chamada para manter a liderança. Até então se vendiam cilindros de música estrangeira, importados. Fred convida os cantores Cadete (Antonio da Costa Moreira) e Bahiano (Manuel Pedro dos Santos) para gravar fonogramas brasileiros, ganhando um mil-réis por cilindro. Mais tarde o palhaço Eduardo das Neves (Dudu), famoso por seus lundus e canções, veio juntar-se à dupla. Com isso o pioneirismo foi acrescido à biografia de Fred Figner, o de profissionalizar a música popular no Brasil.

Em 1904 entra no mercado o gramofone, com discos de cera cuja reprodução do som era feita através de uma agulha metálica presa a um diafragma de mica, que Émile Berliner lançara. Fred Figner garante para si, através de contrato com a International Zonophone Company, o direito de fabricação de chapas prensadas dos dois lados, o disco, que em muito pouco tempo eliminaria o sistema de gravações por cilindro. Surgem as séries Zon-O-Phone 10.000 e X-1000 que podem ser consideradas as primeiras do disco brasileiro. 

O sistema de gravação era mecânico, obrigando o intérprete a cantar gritado na boca de uma enorme corneta. O “técnico de som” tinha que empurra-lo à frente pelos ombros nas notas graves, ou puxa-lo para longe, nas notas agudas. Quando gravavam bandas ou conjuntos, os músicos se amontoavam na frente do “microfone”. Depois da gravação, a cera era enviada para a Alemanha e voltava transformada em disco seis meses mais tarde.

O enorme repertório do cantor Bahiano na Edison
Mais tarde Figner fundou filiais em São Paulo e Porto Alegre, montando um estúdio na capital gaúcha, onde registrou artistas locais como o cantor modinheiro Xiru e o grupo de choro Terror dos Facões.

Em 1911, associando-se à Odeon, pertencente à firma holandesa Transoceanic, Figner importa o equipamento da Alemanha e instala no Brasil a primeira fábrica de discos, a Odeon, no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, e mantém a liderança até 1924, quando a Victor Talking Machine cria o processo de gravação elétrica, do qual o cantor Francisco Alves seria o pioneiro no Brasil em 1927.

Em 1930, a Transoceanic obrigou Figner a vender todo o patrimônio da Casa Edison, dominando, a partir de então, o processo de gravação no Brasil, ao lado de outras multinacionais, como a Columbia e a RCA Victor. Com 40 mil títulos lançados ao longo de 28 anos, a Casa Edison marca a etapa heróica da gravação de discos no Brasil. A empresa funcionou até os anos 50, mas mudou de ramo: abandonando as máquinas falantes, passou a comercializar mimeógrafos e máquinas de escrever.

Fontes: Construindo o Som e História do Samba – Ed. Globo

quinta-feira, 9 de março de 2006

Nozinho


Nozinho (Carlos Vasquez), cantor, nasceu em Macau, Rio Grande do Norte, em 04/11/1887 e faleceu no Rio de Janeiro em 20/03/1962. Foi para o Rio de Janeiro em 1897, iniciando a carreira profissional como humorista. Gravou então, para a Casa Edison, o lundu cômico O Padre e o Sacristão.

Mais tarde, destacou-se entre os seresteiros por sua voz clara e emotiva, e passou a integrar o primeiro grupo de cantores profissionais da Casa Edison, ao lado de Mário Pinheiro, Eduardo das Neves, Cadete e Bahiano. Em 1917 foi nomeado oficial de justiça, tornando-se colega de Donga e Bororó.

Considerado um dos grandes intérpretes de Catulo da Paixão Cearense, possuía extenso repertório de modinhas dos fins do século XIX e inícios do século XX. Deixou algumas dezenas de discos gravados pela Odeon (Casa Edison), Faulhaber e Columbia. Afirmava ser um dos anunciadores das músicas nas gravações mecânicas da Odeon, mas na verdade a norma era cada cantor anunciar sua própria gravação.

Fontes: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000

Mário Pinheiro

Mário Pinheiro, cantor, nasceu em Campos RJ (1880) e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 10/1 /1923. Estreou como palhaço de um circo do bairro carioca da Piedade. Passou depois a atuar como cantor, sendo logo contratado com exclusividade por Fred Figner, fundador e proprietário da Casa Edison, do Rio de Janeiro.

Com Bahiano, Cadete, Nozinho e Eduardo das Neves, formou o quadro de cantores profissionais que realizaram as primeiras gravações de discos de gramofone no Brasil, iniciadas em 1902.

Sua dicção impecável levou-o a tornar-se o principal anunciador de discos da Casa Edison. Contratado pela Victor norte-americana, esteve nos E.U.A. e Itália, onde estudou canto, chegando a cantar no Teatro Alla Scala, de Milão. Voltou ao Brasil como baixo-cantante de uma companhia lírica.

Representando Tapir na ópera Moema, de Delgado de Carvalho, fez parte do programa de inauguração do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, a 27 de julho de 1909.

Sua discografia, a mais extensa realizada por qualquer cantor de sua época, inclui gravações que vão de 1902 a 1919, para as etiquetas Odeon-Record, Columbia, Phonograph e Victor Record. Com o soprano Zola Amaro, cantou em 1920, no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, a ópera Condor (Carlos Gomes).

Detentor de grandes sucessos da música popular brasileira das duas primeiras décadas do século, entre suas interpretações destacam-se Ai, Maria (Edi Capua, versão de Russo), canção; Ao som da viola, desafìo; O boêmio (Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense), tango; A brisa dizia à rosa, canção; Canção mineira, dueto; Na casa branca da serra (Miguel Emídio Pestana e Guimarães Passos), modinha; A casaca do homem, lundu; Casinha Pequenina (domínio público), canção; Clélia (Luís de Sousa e Catulo da Paixão Cearense), modinha; De Marília os lindos olhos, modinha; É loucura, meu anjo, modinha; Gentil Maria, modinha; Gondoleiro do Amor, modinha; As horas que passo, modinha; Isto é bom, lundu; Luar do Sertão (João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense), toada; Lundu infernal, lundu; Minha viola, toada; Mulata vaidosa, lundu; Nas horas mortas da noite, modinha; Ó pálida madona, modinha; Os olhos de Marília, modinha; Perdão Emília, modinha; Pierrot, canção; Pinica-pau, chula; Por um beijo, modinha; Primeiro amor, modinha; Quando morre o amor, valsa; Quando o meu peito, modinha; Quitutes, lundu; O rouxinol, modinha; Sertanejo enamorado, tango; Sô angu, lundu; Sou teu escravo, modinha; Stella, modinha; Talento e formosura (Edmundo Otávio Ferreira e Catulo da Paixão Cearense), modinha; e Teu pé, modinha.

Mário Pinheiro

Mário Pinheiro, cantor, nasceu em Campos RJ (1880) e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 10/1 /1923. Estreou como palhaço de um circo do bairro carioca da Piedade. Passou depois a atuar como cantor, sendo logo contratado com exclusividade por Fred Figner, fundador e proprietário da Casa Edison, do Rio de Janeiro.

Com Bahiano, Cadete, Nozinho e Eduardo das Neves, formou o quadro de cantores profissionais que realizaram as primeiras gravações de discos de gramofone no Brasil, iniciadas em 1902.

Sua dicção impecável levou-o a tornar-se o principal anunciador de discos da Casa Edison. Contratado pela Victor norte-americana, esteve nos E.U.A. e Itália, onde estudou canto, chegando a cantar no Teatro Alla Scala, de Milão. Voltou ao Brasil como baixo-cantante de uma companhia lírica.

Representando Tapir na ópera Moema, de Delgado de Carvalho, fez parte do programa de inauguração do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, a 27 de julho de 1909.

Sua discografia, a mais extensa realizada por qualquer cantor de sua época, inclui gravações que vão de 1902 a 1919, para as etiquetas Odeon-Record, Columbia, Phonograph e Victor Record. Com o soprano Zola Amaro, cantou em 1920, no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, a ópera Condor (Carlos Gomes).

Detentor de grandes sucessos da música popular brasileira das duas primeiras décadas do século, entre suas interpretações destacam-se Ai, Maria (Edi Capua, versão de Russo), canção; Ao som da viola, desafìo; O boêmio (Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense), tango; A brisa dizia à rosa, canção; Canção mineira, dueto; Na casa branca da serra (Miguel Emídio Pestana e Guimarães Passos), modinha; A casaca do homem, lundu; Casinha Pequenina (domínio público), canção; Clélia (Luís de Sousa e Catulo da Paixão Cearense), modinha; De Marília os lindos olhos, modinha; É loucura, meu anjo, modinha; Gentil Maria, modinha; Gondoleiro do Amor, modinha; As horas que passo, modinha; Isto é bom, lundu; Luar do Sertão (João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense), toada; Lundu infernal, lundu; Minha viola, toada; Mulata vaidosa, lundu; Nas horas mortas da noite, modinha; Ó pálida madona, modinha; Os olhos de Marília, modinha; Perdão Emília, modinha; Pierrot, canção; Pinica-pau, chula; Por um beijo, modinha; Primeiro amor, modinha; Quando morre o amor, valsa; Quando o meu peito, modinha; Quitutes, lundu; O rouxinol, modinha; Sertanejo enamorado, tango; Sô angu, lundu; Sou teu escravo, modinha; Stella, modinha; Talento e formosura (Edmundo Otávio Ferreira e Catulo da Paixão Cearense), modinha; e Teu pé, modinha.

Cadete

Cadete (Manuel Evêncio da Costa Moreira) foi cantor, compositor e instrumentista. Nasceu em Tibagi, PR em 03/05/1874 e faleceu em 25/07/1960. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1887, a fim de matricular-se na Escola Militar, onde ganhou o apelido de “Cadete” e chegou a receber uma medalha das mãos de Pedro II, por ser o único a responder uma pergunta sobre o valor do grama. Preso mais de uma vez por indisciplina, convenceu-se da impossibilidade de conciliar a boêmia com a rigidez da vida militar e abandonou a farda, aproximando-se dos chorões e seresteiros da época.

Conheceu Sátiro Bilhar, que o apresentou a Catulo da Paixão Cearense, em 1896, e, por seu intermédio, integrou-se na roda dos grandes chorões: Anacleto de Medeiros, Irineu de Almeida, Mário Pinheiro, Neco, Pedro de Alcântara, Juca Kalut, Eduardo das Neves, Quincas Laranjeiras, Cantalice, Luís de Souza e outros. Com Bahiano, Mário Pinheiro e Nozinho, formou o primeiro elenco de cantores profissionais da Casa Edison, introdutora no Brasil da gravação de discos de gramofone.

Principiando nos fins do séc. XIX com a gravação de cilindros metálicos (fonogramas), Fred Finger, proprietário do estabelecimento, lançou em 1902 o primeiro catálogo de discos (chapas de cera). Nele seu nome aparece gravado com a sigla K. D. T., cantando para a etiqueta Zon-O-phone cerca de 65 modinhas e lundus, todos da série em cuja lista já se encontravam alguns dos grandes sucessos do seresteiro, destacando-se a modinha Bem-te-vi (Miguel Emídio Pestana e Melo Morais Filho) e o lundu A mulata (Xisto Bahia e Melo Morais Filho). Fez também anúncios para a Casa Edison.

Em 1906 percorreu o Norte do país, apresentando-se no Ceará, Maranhão, Amazonas e Acre, excursionando depois pelo Uruguai e Argentina. No ano seguinte mudou-se para o Paraná e formou-se em farmácia em 1910, tendo morado em Tibagi, Campina Alta e Reserva. Fixou-se definitivamente em Tibagi, abriu uma farmácia e elegeu-se vereador.

Casou em 1908, enviuvou em 1937, casando novamente no ano seguinte. Visitava periodicamente o Rio de Janeiro para fazer gravações, tendo-se apresentado pela última vez nessa cidade em 1942, cantando em programa da Rádio Nacional. Afastando-se do meio artístico, quando morreu deixou grande coleção de discos, muitos dos quais são verdadeiras raridades.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira.

Cadete

Cadete (Manuel Evêncio da Costa Moreira) foi cantor, compositor e instrumentista. Nasceu em Tibagi, PR em 03/05/1874 e faleceu em 25/07/1960. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1887, a fim de matricular-se na Escola Militar, onde ganhou o apelido de “Cadete” e chegou a receber uma medalha das mãos de Pedro II, por ser o único a responder uma pergunta sobre o valor do grama. Preso mais de uma vez por indisciplina, convenceu-se da impossibilidade de conciliar a boêmia com a rigidez da vida militar e abandonou a farda, aproximando-se dos chorões e seresteiros da época.

Conheceu Sátiro Bilhar, que o apresentou a Catulo da Paixão Cearense, em 1896, e, por seu intermédio, integrou-se na roda dos grandes chorões: Anacleto de Medeiros, Irineu de Almeida, Mário Pinheiro, Neco, Pedro de Alcântara, Juca Kalut, Eduardo das Neves, Quincas Laranjeiras, Cantalice, Luís de Souza e outros. Com Bahiano, Mário Pinheiro e Nozinho, formou o primeiro elenco de cantores profissionais da Casa Edison, introdutora no Brasil da gravação de discos de gramofone.

Principiando nos fins do séc. XIX com a gravação de cilindros metálicos (fonogramas), Fred Finger, proprietário do estabelecimento, lançou em 1902 o primeiro catálogo de discos (chapas de cera). Nele seu nome aparece gravado com a sigla K. D. T., cantando para a etiqueta Zon-O-phone cerca de 65 modinhas e lundus, todos da série em cuja lista já se encontravam alguns dos grandes sucessos do seresteiro, destacando-se a modinha Bem-te-vi (Miguel Emídio Pestana e Melo Morais Filho) e o lundu A mulata (Xisto Bahia e Melo Morais Filho). Fez também anúncios para a Casa Edison.

Em 1906 percorreu o Norte do país, apresentando-se no Ceará, Maranhão, Amazonas e Acre, excursionando depois pelo Uruguai e Argentina. No ano seguinte mudou-se para o Paraná e formou-se em farmácia em 1910, tendo morado em Tibagi, Campina Alta e Reserva. Fixou-se definitivamente em Tibagi, abriu uma farmácia e elegeu-se vereador.

Casou em 1908, enviuvou em 1937, casando novamente no ano seguinte. Visitava periodicamente o Rio de Janeiro para fazer gravações, tendo-se apresentado pela última vez nessa cidade em 1942, cantando em programa da Rádio Nacional. Afastando-se do meio artístico, quando morreu deixou grande coleção de discos, muitos dos quais são verdadeiras raridades.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira.

quarta-feira, 8 de março de 2006

Bahiano, o primeiro cantor profissional

Não fora a introdução do fonógrafo no Brasil, talvez a carreira de um dos mais celebrados intérpretes da música popular brasileira tivesse se perdido. Mas foi o fonógrafo o responsável por ser possível avaliar a obra do cantor Bahiano, logo após a implantação do aparelho no Brasil.

Quando em 1903 Fred Figner, o proprietário da Casa Edison, fez editar o primeiro catálogo comercial de discos de sua fábrica, quem encabeçava a lista das primeiras 73 gravações era exatamente Bahiano, por ele contratado - junto com Cadete, outro intérprete popular - para ser o primeiro a gravar comercialmente no Brasil (Foto ao lado: o cantor Bahiano).

Nascido em 5 de dezembro de 1887, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, Manuel Pedro dos Santos, que viveria no Rio de Janeiro até sua morte em 15 de julho de 1944, ganhou fama ao se tornar cançonetista com o apelido de Bahiano. Especializado em modinhas e lundus, que cantava acompanhando-se ao violão, teve a chance de se tornar conhecido e ganhar lugar definitivo na história da música popular brasileira e do samba em particular, ao gravar para a Casa Edison o considerado primeiro samba levado ao disco, o Pelo Telefone, em 1917.

Primeiro cantor a se profissionalizar no Brasil, gravou também o primeiro disco, que substituiu os cilindros gravados, como de hábito na época, em apenas uma das faces. Esse registro foi feito com o lundu de Xisto Bahia, Isto é bom, no selo Zon-O-Phone n° 10.001.

Fez sucesso até meados dos anos 20, gravando composições consideradas clássicas entre as centenas de sua discografia. A modinha Perdão Emília, de Eduardo das Neves, o tango de Arthur Azevedo, As Laranjas da Sabina, e a toada Caboca de Caxangá, de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco, são exemplos.

No final da carreira grava Quem Eu Sou, lamentoso e autobiográfico: "Quem eu sou? / Um baiano atirado / Nessas vagas soberbas do mar / Já sem leme, bem perto da rocha / Desse abismo que vai me tragar" - e fecha com uma fala inesperada: "Canto há tantos anos e nunca arranjei nada. Finalmente, consegui um empregozinho nesta casa, com o que vou vivendo, graças a Deus".

bahiano 03
O Echo Phonographico de São Paulo, homenageava em 1904 o cantor Bahiano. Com ele nascia a profissão de cantor.

Bahiano, o primeiro cantor profissional

Não fora a introdução do fonógrafo no Brasil, talvez a carreira de um dos mais celebrados intérpretes da música popular brasileira tivesse se perdido. Mas foi o fonógrafo o responsável por ser possível avaliar a obra do cantor Bahiano, logo após a implantação do aparelho no Brasil.

Quando em 1903 Fred Figner, o proprietário da Casa Edison, fez editar o primeiro catálogo comercial de discos de sua fábrica, quem encabeçava a lista das primeiras 73 gravações era exatamente Bahiano, por ele contratado - junto com Cadete, outro intérprete popular - para ser o primeiro a gravar comercialmente no Brasil (Foto ao lado: o cantor Bahiano).

Nascido em 5 de dezembro de 1887, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, Manuel Pedro dos Santos, que viveria no Rio de Janeiro até sua morte em 15 de julho de 1944, ganhou fama ao se tornar cançonetista com o apelido de Bahiano. Especializado em modinhas e lundus, que cantava acompanhando-se ao violão, teve a chance de se tornar conhecido e ganhar lugar definitivo na história da música popular brasileira e do samba em particular, ao gravar para a Casa Edison o considerado primeiro samba levado ao disco, o Pelo Telefone, em 1917.

Primeiro cantor a se profissionalizar no Brasil, gravou também o primeiro disco, que substituiu os cilindros gravados, como de hábito na época, em apenas uma das faces. Esse registro foi feito com o lundu de Xisto Bahia, Isto é bom, no selo Zon-O-Phone n° 10.001.

Fez sucesso até meados dos anos 20, gravando composições consideradas clássicas entre as centenas de sua discografia. A modinha Perdão Emília, de Eduardo das Neves, o tango de Arthur Azevedo, As Laranjas da Sabina, e a toada Caboca de Caxangá, de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco, são exemplos.

No final da carreira grava Quem Eu Sou, lamentoso e autobiográfico: "Quem eu sou? / Um baiano atirado / Nessas vagas soberbas do mar / Já sem leme, bem perto da rocha / Desse abismo que vai me tragar" - e fecha com uma fala inesperada: "Canto há tantos anos e nunca arranjei nada. Finalmente, consegui um empregozinho nesta casa, com o que vou vivendo, graças a Deus".

bahiano 03
O Echo Phonographico de São Paulo, homenageava em 1904 o cantor Bahiano. Com ele nascia a profissão de cantor.