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quinta-feira, 9 de março de 2006

Sátiro Bilhar

Sátiro Bilhar
Instrumentista e compositor (Ceará 1869 - Rio de Janeiro RJ 1927). Foi telegrafista-chefe na Estrada de Ferro Central do Brasil. Era muito considerado entre os chorões antigos, como Catulo da Paixão Cearense, cujo grupo boêmio freqüentou, Villa-lobos e Donga, por sua capacidade de improvisar em sucessão de acordes, enquanto afinava o violão.

No dia 7 de setembro de 1903 participou da serenata organizada por Eduardo das Neves em homenagem a Santos Dumont. Tio da compositora Branca Bilhar, sua ação e importância como músico se desenvolve na área dos músicos de choro das gerações anteriores à profissionalização dos instrumentistas de música popular, primeiro no disco, depois no rádio.

De sua obra conhecem-se, entre outras, as composições: Gosto de ti, porque gosto... (com Catulo da Paixão Cearense), canção; Tira poeira, polca; Estudos de harpa, para violão; O que vejo em teus olhos, modinha; As ondas são anjos que dormem no mar (com Catulo da Paixão Cearense), modinha; Tu és uma estrela, modinha.

Fontes: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000.

O Velho Bilhar

"O inesquecível Satyro Bilhar foi um astro que só aparece de século a século, que neste planeta foi o farol, que iluminou a boêmia entre os grandes boêmios onde ele se destacava como um sol que brilha e rebrilha suplantando as tristezas, revivendo as alegrias. O seu desaparecimento deixou um grande vácuo, entre os chorões da velha guarda difícil de ser preenchido tal era a sua verve; a sua intelectualidade, e a sua palavra fácil de trocadilhos repentinos e inspirados pela bondade do seu grande coração.

Quem não conheceu o Velho Bilhar, amigo inseparável de Paula Ney? Chefe telegrafista da E. F. C. B. aposentando-se com quarenta anos de serviços sem ter nunca perdido um dia o Bilhar, além de ser um pouco gago sabia dizer com graça, era míope de verdade, o Bilhar, era um chorão que tinha primazia entre outros chorões nos acordes, nas harmonias, no mecanismo da dedilhação com que manejava agradavelmente o seu violão. Quando um flauta tocava um choro ele dizia: "Virgem Maria isso pra mim é água com açúcar". O Bilhar também conhecia as músicas clássicas, e tinha produções suas, como os “Arpejos d'arpa” e “Melodias”, as posições com que o Bilhar tirava os seus acordes eram tão difíceis que só ele sabia fazer, razão porque apesar de sua grande boêmia, Bilhar, era um chorão conquistado pelos seus amigos e por suas famílias.

Parece-me estar ouvindo ainda ele dizer: "Tu és uma estrela de primeira grandeza"! (tá doido Ave Maria) o que palpita lá palpita cá; minha família é minha vida inteira! E viva São João pro ano, ta errado com o velho Bilhar, gosto de ti porque gosto porque meu gosto é gostar, no rio o caudal da vida que tem por margem a descrença, as ondas são anjos que dormem no mar, porque vejo em teus olhos um luzeiro que me guia, eram estes os ditados e as modinhas do repertório de 40 anos do velho Bilhar, com o seu tradicional pince-nez, pois os grandes chorões ainda não conseguiram imitá-lo e reconhecem que Bilhar, foi o rei dos acordes.

Quando ele acompanhava um choro, e que tinha uma passagem que lhe agradava ele pedia ao cantante: repete por favor, era um encanto vê-lo solar a sua tradicional polca "Tira Poeira", no piano também era um chorão, afinal, o velho Bilhar, era uma casa cheia, onde ele estava, as moças o rodeavam, presas pelo seu fino espírito de graças atrativas imperadas pelo respeito e delicado trato de que era possuidor. Bilhar foi um chorão que deixou saudades ao pessoal da velha guarda e aos chorões modernos".

O Choro - Reminiscências dos chorões antigos - 1936 (Alexandre Gonçalves Pinto)

Sátiro Bilhar

Sátiro Bilhar
Instrumentista e compositor (Ceará 1869 - Rio de Janeiro RJ 1927). Foi telegrafista-chefe na Estrada de Ferro Central do Brasil. Era muito considerado entre os chorões antigos, como Catulo da Paixão Cearense, cujo grupo boêmio freqüentou, Villa-lobos e Donga, por sua capacidade de improvisar em sucessão de acordes, enquanto afinava o violão.

No dia 7 de setembro de 1903 participou da serenata organizada por Eduardo das Neves em homenagem a Santos Dumont. Tio da compositora Branca Bilhar, sua ação e importância como músico se desenvolve na área dos músicos de choro das gerações anteriores à profissionalização dos instrumentistas de música popular, primeiro no disco, depois no rádio.

De sua obra conhecem-se, entre outras, as composições: Gosto de ti, porque gosto... (com Catulo da Paixão Cearense), canção; Tira poeira, polca; Estudos de harpa, para violão; O que vejo em teus olhos, modinha; As ondas são anjos que dormem no mar (com Catulo da Paixão Cearense), modinha; Tu és uma estrela, modinha.

Fontes: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000.

O Velho Bilhar

"O inesquecível Satyro Bilhar foi um astro que só aparece de século a século, que neste planeta foi o farol, que iluminou a boêmia entre os grandes boêmios onde ele se destacava como um sol que brilha e rebrilha suplantando as tristezas, revivendo as alegrias. O seu desaparecimento deixou um grande vácuo, entre os chorões da velha guarda difícil de ser preenchido tal era a sua verve; a sua intelectualidade, e a sua palavra fácil de trocadilhos repentinos e inspirados pela bondade do seu grande coração.

Quem não conheceu o Velho Bilhar, amigo inseparável de Paula Ney? Chefe telegrafista da E. F. C. B. aposentando-se com quarenta anos de serviços sem ter nunca perdido um dia o Bilhar, além de ser um pouco gago sabia dizer com graça, era míope de verdade, o Bilhar, era um chorão que tinha primazia entre outros chorões nos acordes, nas harmonias, no mecanismo da dedilhação com que manejava agradavelmente o seu violão. Quando um flauta tocava um choro ele dizia: "Virgem Maria isso pra mim é água com açúcar". O Bilhar também conhecia as músicas clássicas, e tinha produções suas, como os “Arpejos d'arpa” e “Melodias”, as posições com que o Bilhar tirava os seus acordes eram tão difíceis que só ele sabia fazer, razão porque apesar de sua grande boêmia, Bilhar, era um chorão conquistado pelos seus amigos e por suas famílias.

Parece-me estar ouvindo ainda ele dizer: "Tu és uma estrela de primeira grandeza"! (tá doido Ave Maria) o que palpita lá palpita cá; minha família é minha vida inteira! E viva São João pro ano, ta errado com o velho Bilhar, gosto de ti porque gosto porque meu gosto é gostar, no rio o caudal da vida que tem por margem a descrença, as ondas são anjos que dormem no mar, porque vejo em teus olhos um luzeiro que me guia, eram estes os ditados e as modinhas do repertório de 40 anos do velho Bilhar, com o seu tradicional pince-nez, pois os grandes chorões ainda não conseguiram imitá-lo e reconhecem que Bilhar, foi o rei dos acordes.

Quando ele acompanhava um choro, e que tinha uma passagem que lhe agradava ele pedia ao cantante: repete por favor, era um encanto vê-lo solar a sua tradicional polca "Tira Poeira", no piano também era um chorão, afinal, o velho Bilhar, era uma casa cheia, onde ele estava, as moças o rodeavam, presas pelo seu fino espírito de graças atrativas imperadas pelo respeito e delicado trato de que era possuidor. Bilhar foi um chorão que deixou saudades ao pessoal da velha guarda e aos chorões modernos".

O Choro - Reminiscências dos chorões antigos - 1936 (Alexandre Gonçalves Pinto)

Cadete

Cadete (Manuel Evêncio da Costa Moreira) foi cantor, compositor e instrumentista. Nasceu em Tibagi, PR em 03/05/1874 e faleceu em 25/07/1960. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1887, a fim de matricular-se na Escola Militar, onde ganhou o apelido de “Cadete” e chegou a receber uma medalha das mãos de Pedro II, por ser o único a responder uma pergunta sobre o valor do grama. Preso mais de uma vez por indisciplina, convenceu-se da impossibilidade de conciliar a boêmia com a rigidez da vida militar e abandonou a farda, aproximando-se dos chorões e seresteiros da época.

Conheceu Sátiro Bilhar, que o apresentou a Catulo da Paixão Cearense, em 1896, e, por seu intermédio, integrou-se na roda dos grandes chorões: Anacleto de Medeiros, Irineu de Almeida, Mário Pinheiro, Neco, Pedro de Alcântara, Juca Kalut, Eduardo das Neves, Quincas Laranjeiras, Cantalice, Luís de Souza e outros. Com Bahiano, Mário Pinheiro e Nozinho, formou o primeiro elenco de cantores profissionais da Casa Edison, introdutora no Brasil da gravação de discos de gramofone.

Principiando nos fins do séc. XIX com a gravação de cilindros metálicos (fonogramas), Fred Finger, proprietário do estabelecimento, lançou em 1902 o primeiro catálogo de discos (chapas de cera). Nele seu nome aparece gravado com a sigla K. D. T., cantando para a etiqueta Zon-O-phone cerca de 65 modinhas e lundus, todos da série em cuja lista já se encontravam alguns dos grandes sucessos do seresteiro, destacando-se a modinha Bem-te-vi (Miguel Emídio Pestana e Melo Morais Filho) e o lundu A mulata (Xisto Bahia e Melo Morais Filho). Fez também anúncios para a Casa Edison.

Em 1906 percorreu o Norte do país, apresentando-se no Ceará, Maranhão, Amazonas e Acre, excursionando depois pelo Uruguai e Argentina. No ano seguinte mudou-se para o Paraná e formou-se em farmácia em 1910, tendo morado em Tibagi, Campina Alta e Reserva. Fixou-se definitivamente em Tibagi, abriu uma farmácia e elegeu-se vereador.

Casou em 1908, enviuvou em 1937, casando novamente no ano seguinte. Visitava periodicamente o Rio de Janeiro para fazer gravações, tendo-se apresentado pela última vez nessa cidade em 1942, cantando em programa da Rádio Nacional. Afastando-se do meio artístico, quando morreu deixou grande coleção de discos, muitos dos quais são verdadeiras raridades.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira.