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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Noel Rosa de Oliveira

Noel Rosa de Oliveira
Noel Rosa de Oliveira, compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 15/7/1920, e faleceu na mesma cidade, em 19/3/1988. Nascido e criado no morro do Salgueiro, era tido como mascote da roda de partido-alto que se reunia em frente à venda do pai.

Com 13 anos, começou a compor para um bloco de morro, sendo sua primeira música Adeus, minha companheira. Pouco depois, por intermédio de um amigo do pai — Casimiro Calça Larga — foi admitido na Unidos do Salgueiro, uma das três escolas de samba daquele morro, na época.

Nos anos seguintes, passou por outras escolas: Príncipe da Floresta, Azul e Branco e Depois Eu Digo, onde ficou cerca de cinco anos. Trabalhou nesse período como pedreiro, serviu o Exército de 1939 a 1942, e foi funcionário do Ministério da Guerra.

Em 1939 voltou para a Unidos do Salgueiro, onde foi diretor de harmonia até 1954.

Na década de 1940 cursou escola de Aeronáutica, trabalhou numa cervejaria e numa cerâmica e tornou-se motorista profissional, trabalhando nessa função até se aposentar duplamente, como motorista e músico.

Falam de mim (com Éden Silva e Aníbal Silva) foi sua primeira composição gravada, em selo Continental, em 1948, pela dupla Zé da Zilda e Zilda do Zé

Compôs em 1952 o samba-enredo da Unidos do Salgueiro, Homenagem a Getúlio Vargas e, em 1955, acompanhou a fusão das escolas do morro, passando a fazer parte do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro. 

Com Nilo Moreira da Silva, fez o samba Assim não é legal, em 1957, e três anos depois compôs, em parceria com Anescar do Salgueiro e Walter Moreira, o samba-enredo Quilombo dos Palmares, que obteve o primeiro lugar no desfile da avenida. 

Em 1963, novamente conseguiu o primeiro lugar no desfile das escolas, com Chica da Silva (com Anescar do Salgueiro), samba-enredo que lhe deu fama. 

No ano de 1965, o cantor Noite Ilustrada gravou com sucesso a música O neguinho e a senhorita, regravada pela cantora Elza Soares em compacto simples pela gravadora Odeon e  no ano seguinte, Jair Rodrigues obteve sucesso com Vem chegando a madrugada, de sua autoria com Zuzuca do Salgueiro.

Atuou como cantor em shows, rádio e televisão, participou de 1966 a 1968 do conjunto A Voz do Samba, e desde 1972 do grupo Partideiros do Plá. 

Tocava todos os instrumentos de percussão e compôs mais de quarenta músicas, entre sambas, partidos-altos e batucadas, em parceria com Aníbal Silva, Haydée Bandina de Almeida, Iraci Antônio Serra, Abelardo Silva, Duduca (Eduardo de Oliveira) e Zuzuca, entre outros. 

Obra

Água do rio (c/Anescar do Salgueiro), samba, 1964; Assim não é legal (c/Nilo Moreira da Silva), samba, 1957; Chica da Silva (c/Anescar do Salgueiro), samba-enredo, 1963; Falam de mim (c/Éden Silva e
Aníbal Silva), samba, 1948; Homenagem a Getúlio Vargas, samba-enredo, 1952; O neguinho e a senhorita (c/Abelardo da Silva), samba, 1964; Quilombo dos Palmares (c/Anescar do Salgueiro e Walter Moreira), samba-enredo, 1960; Vem chegando a madrugada (c/Zuzuca), batucada, 1965.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - 1998.

Anescar do Salgueiro

Anescar Pereira Filho
Anescar do Salgueiro (Anescar Pereira Filho), compositor, cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 04/07/1929, e faleceu na mesma cidade, em 22/02/2000. Nascido no bairro de Laranjeiras, logo mudou-se para a Tijuca, onde hoje fica o Salgueiro.

Seu primeiro samba foi Maravilhas do Brasil, composto em 1949, mas os que obtiveram maior êxito foram Quilombo dos Palmares, Mártires da Independência, Água do Rio e Chica da Silva (todos ao lado do parceiro Noel Rosa de Oliveira). 

Teve grande importância na consolidação da forma do samba-enredo, sendo um dos primeiros a homenagear heróis da história não oficial, como Zumbi e Chica da Silva.

Integrou os conjuntos A Voz do Morro, Rosa de Ouro e Os Cinco Crioulos, ao lado de figuras como Zé Keti,  Elton Medeiros, Paulinho da Viola, Nelson Sargento e outros, gravando com eles sambas como Vou partir, Carnaval que passou, Meus dias são de sol e Bom Conselho.

Fonte: Cliquemusic : Artista : Anescar do Salgueiro.

Duduca

Duduca do Salgueiro
Duduca (Eduardo de Oliveira), compositor e gráfico de profissão, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 8/6/1926, e faleceu na mesma cidade, em 29/6/1978. 

Desde os sete anos viveu no morro do Salgueiro, participando, ainda rapaz, da escola de samba Depois Eu Digo, uma das três existentes no morro (as outras duas eram Unidos do Salgueiro e Azul e Branco).

Tocava tamborim e por 1943 começou a fazer sambas para a Depois Eu Digo, onde chegou a diretor de harmonia, cargo que manteve com a fusão das três escolas e a criação do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro, em 1953.

Em 1954, foi um dos autores de Romaria à Bahia (com Abelardo e Juca), um dos primeiros sambas-enredo do Salgueiro. Compôs ainda os sambas-enredo Epopéia do samba (com Bala e Juca), que alcançou o quarto lugar no desfile de escolas de samba de 1955, e Vida e obra do Aleijadinho (com Bala), segundo classificado no desfile de 1961. 

No ano de 1964, assumiu o cargo de presidente da Ala dos Compositores da Acadêmicos do Salgueiro, que ocupou até a sua morte.

Em 1974, Elza Soares gravou em LP uma composição sua, "Nem vem", em parceria com Noel Rosa de Oliveira e José Alves.

Faleceu em 1978, quando ainda estava em plena criação artística.

Obra

Epopéia do samba (com Bala e Juca), samba-enredo, 1955; Exaltação a Debret (com Djalma), samba-enredo, 1975; Romaria à Bahia (com Abelardo e Juca), samba-enredo, 1954; Vida e obra do Aleijadinho (com Bala), samba-enredo, 1961. 

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - 2a. Edição - 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Chica da Silva

Noel Rosa de Oliveira
Chica da Silva (samba-enredo/carnaval, 1963) - Anescar do Salgueiro e Noel Rosa de Oliveira

Apesar... de não possuir grande beleza
Chica da Silva surgiu no seio da mais alta nobreza
O contratador, João Fernandes de Oliveira
A comprou para ser sua companheira
E a mulata, que era escrava
Sentiu forte transformação
Trocando o gemido da senzala
Pela fidalguia do salão
Monsueto
Com a influencia e poder do seu amor
Que superou a barreira da cor
Francisca da Silva do cativeiro zombou
No arraial do Tijuco
Lá no estado de Minas
Hoje lendária cidade
Seu lindo nome é Diamantina
Onde viveu a Chica, que manda
Deslumbrando a sociedade
Com orgulho e capricho da mulata
Importante majestosa invejada
Para que a vida lhe tornasse mais bela
João Fernandes de Oliveira
Mandou construir um vasto lago
E uma belíssima galera
E uma riquíssima liteira
Para conduzi-la
Quando ia assistir à missa na capela

Chica da Silva

Chica da Silva (samba-enredo/carnaval, 1963) - Anescar e Noel Rosa de Oliveira - Interpretação: Monsueto Menezes

Apesar... de não possuir grande beleza
Chica da Silva surgiu no seio da mais alta nobreza
O contratador, João Fernandes de Oliveira
A comprou para ser sua companheira
E a mulata, que era escrava
Sentiu forte transformação
Trocando o gemido da senzala
Pela fidalguia do salão
Com a influencia e poder do seu amor
Que superou a barreira da cor
Francisca da Silva do cativeiro zombou


Monsueto
No arraial do Tijuco
Lá no estado de Minas
Hoje lendária cidade
Seu lindo nome é Diamantina
Onde viveu a Chica, que manda
Deslumbrando a sociedade
Com orgulho e capricho da mulata
Importante majestosa invejada
Para que a vida lhe tornasse mais bela
João Fernandes de Oliveira
Mandou construir um vasto lago
E uma belíssima galera
E uma riquíssima liteira
Para conduzi-la
Quando ia assistir à missa na capela