Um tema folclórico muito antigo é a origem da toada "Asa Branca" (espécie de pomba brava que foge do sertão ao pressentir sinais de seca). Luiz Gonzaga o conhecia desde a infância, através da sanfona do pai, mas achava-o simples demais para transformá-lo numa canção. Assim, foi só para atender ao pedido de uma comadre que se dispôs a gravá-lo, levando-o antes para Humberto Teixeira dar-lhe uma "ajeitada" na letra.
Então, Teixeira ajeitou-lhe também a melodia, acrescentou-lhe versos inspirados ("Quando o verde dos teus óios se espaiá na prantação") e tornou "Asa Branca" uma obra-prima.
Reconhecida e gravada internacionalmente, a canção inspirou nos anos setenta a retomada da música nordestina, em geral, e o culto a Luiz Gonzaga, em particular, por iniciativa dos baianos Caetano e Gil. Sua construção, possibilitando boas oportunidades de explorações harmônicas, tem-lhe proporcionado o aproveitamento como peça de concerto.
Asa branca (toada, 1947) - Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga
C F
Quando oiei a terra ardendo
C G C
Qual fogueira de São João
F Fm
Eu perguntei a Deus do céu, ai
G C
Por quê tamanha judiação
F
Que braseiro, que fornaia
C G C
Nem um pé de prantação
F Fm
Por farta d'água perdi meu gado
G C
Morreu de sede, meu alazão
C F
Inté mesmo a asa branca
C G C
Bateu asas do sertão
F Fm
Entonce eu disse, adeus Rosinha
G C
Guarda contigo meu coração
F
Hoje longe muitas léguas
C G C
Numa triste solidão
F Fm
Espero a chuva cair de novo
G C
Pra mim vortá pro meu sertão
F
Quando o verde dos teus óio
C G C
Se espaiá na prantação
F Fm
Eu te asseguro, num chore não, viu?
G C
Que eu vortarei, viu, meu coração
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