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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Vou pra roça

Luiz Gonzaga
Vou pra roça (marcha, 1947) - Luiz Gonzaga e Zé Ferreira

Título da música: Vou pra roça / Gênero musical: Marcha / Intérprete: Gonzaga, Luiz / Compositores: Gonzaga, Luiz - Ferreira, Zé / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800510 / Data de Gravação 00/1947 / Data de Lançamento 00/1947 / Lado: lado A / Acervo Humberto Franceschi / Rotações Disco: 78 rpm


Eu vou pra roça com muié e fio
Vivê pertinho do paió de mío
Riscá a viola junto do paio
A gente brinca até o nasce do sol
(Já vou)

Cá na cidade é um ta de berreiro
E não si vévi sem tê dinheiro
Mas lá na roça é tudo mai mio
Até as muié gosta de um só

Vou pra roça

Luiz Gonzaga
Vou pra roça (marcha, 1947) - Luiz Gonzaga e Zé Ferreira

Título da música: Vou pra roça / Gênero musical: Marcha / Intérprete: Gonzaga, Luiz / Compositores: Gonzaga, Luiz - Ferreira, Zé / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800510 / Data de Gravação 00/1947 / Data de Lançamento 00/1947 / Lado: lado A / Acervo Humberto Franceschi / Rotações Disco: 78 rpm


Eu vou pra roça com muié e fio
Vivê pertinho do paió de mío
Riscá a viola junto do paio
A gente brinca até o nasce do sol
(Já vou)

Cá na cidade é um ta de berreiro
E não si vévi sem tê dinheiro
Mas lá na roça é tudo mai mio
Até as muié gosta de um só

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O chero da Carolina

O chero da Carolina (xote, 1956) - Amorim Rego e Zé Gonzaga
Luiz Gonzaga

Carolina foi pro samba (Carolina)
Pra dançá o xenhenhém (Carolina)
Todo mundo é caidinho (Carolina)
Pelo chero que ela tem (Carolina)
Hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum (Carolina)
Pelo chero que ela tem (Carolina)

Gente que nunca dançou (Carolina)
Nesse dia quis dançá (Carolina)
Só por causa do cherinho (Carolina)
Todo mundo tava lá (Carolina)
Hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum (Carolina)
Todo mundo tava lá (Carolina)

Foi chegando o Delegado
Pra oiá os que dançava (Carolina)
O Xerife entrou na dança (Carolina)
E no fim também cherava (Carolina)
Hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum (Carolina)
E no fim também cheirava (Carolina)

Falando:
Aí chegou dono da casa
O dono da casa chegou com a mulesta
Chamou atenção de D. Carolina e:
- D. Carolina venha cá. O povo anda falando aí
que a senhora tem um chero diferente, é verdade?
- Moço, sei disso não, é invenção do povo.
- Ah, é invenção do povo, não é?
- É sim senhor
- Então dá licença
Hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum
Carolina

Eu quisera está por lá (Carolina)
Pra dançar contigo o xote (Carolina)
Pra também dá um cheirinho (Carolina)
E fungar no teu cangote (Carolina)
Hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum
Carolina
E fungá no teu cangote
Carolina

Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá...

O chero da Carolina

O chero da Carolina (xote, 1956) - Amorim Rego e Zé Gonzaga
Luiz Gonzaga

Carolina foi pro samba (Carolina)
Pra dançá o xenhenhém (Carolina)
Todo mundo é caidinho (Carolina)
Pelo chero que ela tem (Carolina)
Hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum (Carolina)
Pelo chero que ela tem (Carolina)

Gente que nunca dançou (Carolina)
Nesse dia quis dançá (Carolina)
Só por causa do cherinho (Carolina)
Todo mundo tava lá (Carolina)
Hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum (Carolina)
Todo mundo tava lá (Carolina)

Foi chegando o Delegado
Pra oiá os que dançava (Carolina)
O Xerife entrou na dança (Carolina)
E no fim também cherava (Carolina)
Hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum (Carolina)
E no fim também cheirava (Carolina)

Falando:
Aí chegou dono da casa
O dono da casa chegou com a mulesta
Chamou atenção de D. Carolina e:
- D. Carolina venha cá. O povo anda falando aí
que a senhora tem um chero diferente, é verdade?
- Moço, sei disso não, é invenção do povo.
- Ah, é invenção do povo, não é?
- É sim senhor
- Então dá licença
Hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum
Carolina

Eu quisera está por lá (Carolina)
Pra dançar contigo o xote (Carolina)
Pra também dá um cheirinho (Carolina)
E fungar no teu cangote (Carolina)
Hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum
Carolina, hum, hum, hum
Carolina
E fungá no teu cangote
Carolina

Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Chofer de praça

Chofer de praça (mazurca, 1950) - Fernando Lobo e Evaldo Rui
Luiz Gonzaga

Juntei dinheiro quase um ano inteiro,
Entrei pra escola para ser chofer,
Dessa maneira, sem fazer besteira,
Tirei a carteira, butei meu boné,
Bantendo pino sigo o meu destino
Caminhando para onde Deus quiser
A vida passa, eu vou fazendo a praça
Primeira, segunda, pisa em marcha ré

Se o freguês reclama que eu sou vagaroso
Que meu carro é velho e faz muita fumaça
Eu não me zango, não faço arruaça
Sou bem educado,
Sou chofer de praça,
Ai, ai, não nego a minha raça
Ai, ai, eu sou chofer de praça

Para casamento tenho um terno branco,
Para batizado tenho um terno azul,
Tiro o boné se vou pra zona norte,
Boto o boné se vou pra zona sul,
Se apanho um casal,
Pros lados do Neblon,
Sei que vou parar na gota da impresa,
Viro o espelho, não fale, não veja,
Vou dá meu cortejo, espero a recompensa

-Taxi...
-Tá Ocupado.
-Táxi!
-Oficina!
-Doutor,
-O senhor não leva a mal doutor, mas pra onde é que o senhor vai hein?
-Vou pra Jacarépaguá.
-Tá doido.
-O senhor vai pagar a ida e a volta.
-Pois não, doutor.
-Vamos nós!
-Doutor, trabalho a quilometro, tenho oito filho pra sustentar doutor
-Vamos nós doutor, o senhor foi madado de Deus, "vamu simbora"
-Táxi!
-Vou almoçar!

Chofer de praça

Chofer de praça (mazurca, 1950) - Fernando Lobo e Evaldo Rui
Luiz Gonzaga

Juntei dinheiro quase um ano inteiro,
Entrei pra escola para ser chofer,
Dessa maneira, sem fazer besteira,
Tirei a carteira, butei meu boné,
Bantendo pino sigo o meu destino
Caminhando para onde Deus quiser
A vida passa, eu vou fazendo a praça
Primeira, segunda, pisa em marcha ré

Se o freguês reclama que eu sou vagaroso
Que meu carro é velho e faz muita fumaça
Eu não me zango, não faço arruaça
Sou bem educado,
Sou chofer de praça,
Ai, ai, não nego a minha raça
Ai, ai, eu sou chofer de praça

Para casamento tenho um terno branco,
Para batizado tenho um terno azul,
Tiro o boné se vou pra zona norte,
Boto o boné se vou pra zona sul,
Se apanho um casal,
Pros lados do Neblon,
Sei que vou parar na gota da impresa,
Viro o espelho, não fale, não veja,
Vou dá meu cortejo, espero a recompensa

-Taxi...
-Tá Ocupado.
-Táxi!
-Oficina!
-Doutor,
-O senhor não leva a mal doutor, mas pra onde é que o senhor vai hein?
-Vou pra Jacarépaguá.
-Tá doido.
-O senhor vai pagar a ida e a volta.
-Pois não, doutor.
-Vamos nós!
-Doutor, trabalho a quilometro, tenho oito filho pra sustentar doutor
-Vamos nós doutor, o senhor foi madado de Deus, "vamu simbora"
-Táxi!
-Vou almoçar!

sábado, 12 de abril de 2008

Cortando pano

Cortando pano (mazurca, 1946) - Luiz Gonzaga , M. Lima e J. Portela
Luiz Gonzaga

Errei no corte, seu Zé Mariano
Peço desculpas pelo meu engano
Sou alfaiate do primeiro ano
Pego na tesoura e vou cortando o pano

Ai, ai
Que vida ingrata o alfaiate tem
Quando ele erra estraga o pano todo
Quando ele acerta a roupa não convém

Fiz um terno pro José meu mano
Só ficou curto porque houve engano
Sou alfaiate do primeiro ano
Pego na tesoura e vou cortando o pano

Ai, ai
Que vida ingrata o alfaiate tem
Quando ele erra estraga o pano todo
Quando ele acerta a roupa não convém

Se chegar seu mano ?
- Vou cortando o pano
Se houver engano ?
- Vou cortando o pano
Vai cortando o pano ?
- Vou cortando o pano
Vai cortando o pano ?
- Vou cortando o pano

Sai daqui Germano
Está me perturbando
Sou alfaiate do primeiro ano
Mas faço roupa pra qualquer fulano
Só não acerto quando há engano
Se Deus ajuda...pelo sistema norte-americano
Sou alfaiate do primeiro ano
Pego na tesoura e vou cortando pano

Se chegar seu mano ?
- Vou cortando o pano
Se houver engano ?
- Vou cortando o pano
Vai cortando o pano ?
- Vou cortando o pano
Vai cortando o pano ?
- Vou cortando o pano

Cortando pano

Cortando pano (mazurca, 1946) - Luiz Gonzaga , M. Lima e J. Portela
Luiz Gonzaga

Errei no corte, seu Zé Mariano
Peço desculpas pelo meu engano
Sou alfaiate do primeiro ano
Pego na tesoura e vou cortando o pano

Ai, ai
Que vida ingrata o alfaiate tem
Quando ele erra estraga o pano todo
Quando ele acerta a roupa não convém

Fiz um terno pro José meu mano
Só ficou curto porque houve engano
Sou alfaiate do primeiro ano
Pego na tesoura e vou cortando o pano

Ai, ai
Que vida ingrata o alfaiate tem
Quando ele erra estraga o pano todo
Quando ele acerta a roupa não convém

Se chegar seu mano ?
- Vou cortando o pano
Se houver engano ?
- Vou cortando o pano
Vai cortando o pano ?
- Vou cortando o pano
Vai cortando o pano ?
- Vou cortando o pano

Sai daqui Germano
Está me perturbando
Sou alfaiate do primeiro ano
Mas faço roupa pra qualquer fulano
Só não acerto quando há engano
Se Deus ajuda...pelo sistema norte-americano
Sou alfaiate do primeiro ano
Pego na tesoura e vou cortando pano

Se chegar seu mano ?
- Vou cortando o pano
Se houver engano ?
- Vou cortando o pano
Vai cortando o pano ?
- Vou cortando o pano
Vai cortando o pano ?
- Vou cortando o pano

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Penerô xerem

Penerô xerem (chamego, 1945) - Miguel Lima e Luiz Gonzaga
Luiz Gonzaga

Oi pisa o milho
Penerô xerem
Oii!

Oi pisa o milho
Penerô xerem
Oi pisa o milho
Penerô xerem
Eu não vou criar galinha
Pra dá pinto pra ninguém

Na minha terra dá de tudo que plantar
O Brasil dá tanta coisa que eu nem
posso decorar
Dona Chiquinha bota o milho pra pilar
Pro angú, pra canjiquinha, pro xerem, pro mugunzá
Só passa fome quem não sabe trabalhar
Essa vida é muito boa pra quem sabe aproveitar
Pego na peneira, me dá na saculejada
De um lado fica o xerem de outro sai o fubá
Saculeja, saculeja, saculeja
Penerô xerem
Saculeja, saculeja, saculeja já

Penerô xerem

Oi pisa o milho
Penerô xerem
Oi pisa o milho
Penerô xerem
Eu não vou criar galinha
Pra dá pinto pra ninguém

Na minha terra dá de tudo que plantar
O Brasil dá tanta coisa que eu nem
posso decorar
Dona Chiquinha bota o milho pra pilar
Pro angú, pra canjiquinha, pro xerem, pro mugunzá
Só passa fome quem não sabe trabalhar
Essa vida é muito boa pra quem sabe aproveitar
Pego na peneira, me dá na saculejada
De um lado fica o xerem de outro sai o fubá
Saculeja, saculeja, saculeja
Penerô xerem
Saculeja, saculeja, saculeja

Oi pisa o milho
Penerô xerem
Oi pisa o milho
Penerô xerem
Eu não vou criar galinha
Pra dá pinto pra ninguém

Penerô xerem
Penerô xerem
Penerô xerem

Penerô xerem

Penerô xerem (chamego, 1945) - Miguel Lima e Luiz Gonzaga
Luiz Gonzaga

Oi pisa o milho
Penerô xerem
Oii!

Oi pisa o milho
Penerô xerem
Oi pisa o milho
Penerô xerem
Eu não vou criar galinha
Pra dá pinto pra ninguém

Na minha terra dá de tudo que plantar
O Brasil dá tanta coisa que eu nem
posso decorar
Dona Chiquinha bota o milho pra pilar
Pro angú, pra canjiquinha, pro xerem, pro mugunzá
Só passa fome quem não sabe trabalhar
Essa vida é muito boa pra quem sabe aproveitar
Pego na peneira, me dá na saculejada
De um lado fica o xerem de outro sai o fubá
Saculeja, saculeja, saculeja
Penerô xerem
Saculeja, saculeja, saculeja já

Penerô xerem

Oi pisa o milho
Penerô xerem
Oi pisa o milho
Penerô xerem
Eu não vou criar galinha
Pra dá pinto pra ninguém

Na minha terra dá de tudo que plantar
O Brasil dá tanta coisa que eu nem
posso decorar
Dona Chiquinha bota o milho pra pilar
Pro angú, pra canjiquinha, pro xerem, pro mugunzá
Só passa fome quem não sabe trabalhar
Essa vida é muito boa pra quem sabe aproveitar
Pego na peneira, me dá na saculejada
De um lado fica o xerem de outro sai o fubá
Saculeja, saculeja, saculeja
Penerô xerem
Saculeja, saculeja, saculeja

Oi pisa o milho
Penerô xerem
Oi pisa o milho
Penerô xerem
Eu não vou criar galinha
Pra dá pinto pra ninguém

Penerô xerem
Penerô xerem
Penerô xerem

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Luiz Bandeira

Luiz Bandeira, cantor, músico e compositor, nasceu a 25 de dezembro de 1923, no Recife/PE, onde iniciou a carreira artística em 1939, em um programa de calouros da Rádio Clube de Pernambuco, que o contratou em seguida.

Foi também violonista, radio-ator e cantor de orquestra. Ainda no Recife, em 1948 participou da inauguração da Rádio Jornal do Commercio.

Considerado um dos maiores compositores de frevo, autor, entre outros, dos frevos-canções Voltei, Recife e É de Fazer Chorar (mais conhecida como Quarta-Feira Ingrata).

Além de músicas carnavalescas, também é autor de sucessos gravados por Luiz Gonzaga (Onde Tu Tá, Nenem), Clara Nunes (Viola de penedo) e outros grandes nomes da música popular brasileira. Sua música Na cadência do samba (também conhecida como Que Bonito É) por muitos anos foi tema dos jogos de futebol exibidos pelo jornal do cinema.

Em 1950 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como crooner no Copacabana Palace e na Rádio Nacional. Nessa década sua atuação como compositor se destaca como no baião Maria Joana (1952).

Em 1977, participou, no Japão, do Festival Internacional da Canção, com a música Bia. Em 1984, retornou ao Recife, onde morreria, a 22 de fevereiro de 1998, um domingo de carnaval.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Cifras e letras de Luiz Gonzaga

Cifras e letras de Luiz Gonzaga

Nem se despediu de mim

Nem se despediu de mim - Luiz Gonzaga e João Silva


Nem se despediu de mim
Nem se despediu de mim
Já chegou contando as horas
Bebeu água e foi-se embora
Nem se despediu de mim

Te assossega coração
Esse amor renascerá
Vai-se um dia mais vem outro
Aí então, quando ele voltar
Quebre o pote e a quartinha
Bote fogo na tamarinha
Que ele vai se declarar

Nem se despediu de mim

Nem se despediu de mim - Luiz Gonzaga e João Silva


Nem se despediu de mim
Nem se despediu de mim
Já chegou contando as horas
Bebeu água e foi-se embora
Nem se despediu de mim

Te assossega coração
Esse amor renascerá
Vai-se um dia mais vem outro
Aí então, quando ele voltar
Quebre o pote e a quartinha
Bote fogo na tamarinha
Que ele vai se declarar

Légua tirana

Légua tirana - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Oh, que estrada mais comprida
Oh, que légua tão tirana
Ai, se eu tivesse asa
Inda hoje eu via Ana

Quando o sol tostou as foia
E bebeu o riachão
Fui inté o juazeiro
Pra fazer a minha oração

Tô voltando estropiado
Mas alegre o coração
Padim Ciço ouviu a minha prece
Fez chover no meu sertão


Varei mais de vinte serras
De alpercata e pé no chão
Mesmo assim, como inda farta
Pra chegar no meu rincão

Trago um terço pra das dores
Pra Reimundo um violão
E pra ela, e pra ela
Trago eu e o coração

A triste partida

Luiz Gonzaga

A triste partida - Patativa de Assaré

Meu Deus, meu Deus
Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
Ai, ai, ai, ai

A treze do mês
Ele fez experiência
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
Ai, ai, ai, ai

Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois a barra não tem
Ai, ai, ai, ai

Sem chuva na terra
Descamba Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo
não chove mais não"
Ai, ai, ai, ai

Apela pra Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Senhor São José
Meu Deus, meu Deus
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé
Ai, ai, ai, ai

Agora pensando
Ele segue outra tria
Chamando a famia
Começa a dizer
Meu Deus, meu Deus
Eu vendo meu burro
Meu jegue e o cavalo
Nós vamos a São Paulo
Viver ou morrer
Ai, ai, ai, ai

Nós vamos a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus
Se o nosso destino
Não for tão mesquinho
Cá e pro mesmo cantinho
Nós torna a voltar
Ai, ai, ai, ai

E vende seu burro
Jumento e o cavalo
Inté mesmo o galo
Venderam também
Meu Deus, meu Deus
Pois logo aparece
Feliz fazendeiro
Por pouco dinheiro
Lhe compra o que tem
Ai, ai, ai, ai

Em um caminhão
Ele joga a famia
Chegou o triste dia
Já vai viajar
Meu Deus, meu Deus
A seca terrível
Que tudo devora
Lhe bota pra fora
Da terra natal
Ai, ai, ai, ai

O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
Meu Deus, meu Deus
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar
Ai, ai, ai, ai

No dia seguinte
Já tudo enfadado
E o carro embalado
Veloz a correr
Meu Deus, meu Deus
Tão triste, coitado
Falando saudoso
Com seu filho choroso
Exclama a dizer
Ai, ai, ai, ai

De pena e saudade
Papai sei que morro
Meu pobre cachorro
Quem dá de comer?
Meu Deus, meu Deus
Já outro pergunta
Mãezinha, e meu gado?
Com fome, sem trato
Mimi vai morrer
Ai, ai, ai, ai

E a linda pequena
Tremendo de medo
"Mamãe, meus brinquedo
Meu pé de fulô?"
Meu Deus, meu Deus
Meu pé de roseira
Coitado, ele seca
E minha boneca
Também lá ficou
Ai, ai, ai, ai

E assim vão deixando
Com choro e gemido
Do berço querido
Céu lindo azul
Meu Deus, meu Deus
O pai, pesaroso
Nos filho pensando
E o carro rodando
Na estrada do Sul
Ai, ai, ai, ai

Chegaram em São Paulo
Sem cobre quebrado
E o pobre acanhado
Procura um patrão
Meu Deus, meu Deus
Só vê cara estranha
De estranha gente
Tudo é diferente
Do caro torrão
Ai, ai, ai, ai

Trabaia dois ano,
Três ano e mais ano
E sempre nos prano
De um dia vortar
Meu Deus, meu Deus
Mas nunca ele pode
Só vive devendo
E assim vai sofrendo
É sofrer sem parar
Ai, ai, ai, ai

Se arguma notícia
Das banda do norte
Tem ele por sorte
O gosto de ouvir
Meu Deus, meu Deus
Lhe bate no peito
Saudade lhe molho
E as água nos óio
Começa a cair
Ai, ai, ai, ai

Do mundo afastado
Ali vive preso
Sofrendo desprezo
Devendo ao patrão
Meu Deus, meu Deus
O tempo rolando
Vai dia e vem dia
E aquela famia
Não vorta mais não
Ai, ai, ai, ai

Distante da terra
Tão seca mas boa
Exposta à garoa
A lama e o pau
Meu Deus, meu Deus
Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No Norte e no Sul
Ai, ai, ai, ai

A triste partida

Luiz Gonzaga

A triste partida - Patativa de Assaré

Meu Deus, meu Deus
Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
Ai, ai, ai, ai

A treze do mês
Ele fez experiência
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
Ai, ai, ai, ai

Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois a barra não tem
Ai, ai, ai, ai

Sem chuva na terra
Descamba Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo
não chove mais não"
Ai, ai, ai, ai

Apela pra Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Senhor São José
Meu Deus, meu Deus
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé
Ai, ai, ai, ai

Agora pensando
Ele segue outra tria
Chamando a famia
Começa a dizer
Meu Deus, meu Deus
Eu vendo meu burro
Meu jegue e o cavalo
Nós vamos a São Paulo
Viver ou morrer
Ai, ai, ai, ai

Nós vamos a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus
Se o nosso destino
Não for tão mesquinho
Cá e pro mesmo cantinho
Nós torna a voltar
Ai, ai, ai, ai

E vende seu burro
Jumento e o cavalo
Inté mesmo o galo
Venderam também
Meu Deus, meu Deus
Pois logo aparece
Feliz fazendeiro
Por pouco dinheiro
Lhe compra o que tem
Ai, ai, ai, ai

Em um caminhão
Ele joga a famia
Chegou o triste dia
Já vai viajar
Meu Deus, meu Deus
A seca terrível
Que tudo devora
Lhe bota pra fora
Da terra natal
Ai, ai, ai, ai

O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
Meu Deus, meu Deus
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar
Ai, ai, ai, ai

No dia seguinte
Já tudo enfadado
E o carro embalado
Veloz a correr
Meu Deus, meu Deus
Tão triste, coitado
Falando saudoso
Com seu filho choroso
Exclama a dizer
Ai, ai, ai, ai

De pena e saudade
Papai sei que morro
Meu pobre cachorro
Quem dá de comer?
Meu Deus, meu Deus
Já outro pergunta
Mãezinha, e meu gado?
Com fome, sem trato
Mimi vai morrer
Ai, ai, ai, ai

E a linda pequena
Tremendo de medo
"Mamãe, meus brinquedo
Meu pé de fulô?"
Meu Deus, meu Deus
Meu pé de roseira
Coitado, ele seca
E minha boneca
Também lá ficou
Ai, ai, ai, ai

E assim vão deixando
Com choro e gemido
Do berço querido
Céu lindo azul
Meu Deus, meu Deus
O pai, pesaroso
Nos filho pensando
E o carro rodando
Na estrada do Sul
Ai, ai, ai, ai

Chegaram em São Paulo
Sem cobre quebrado
E o pobre acanhado
Procura um patrão
Meu Deus, meu Deus
Só vê cara estranha
De estranha gente
Tudo é diferente
Do caro torrão
Ai, ai, ai, ai

Trabaia dois ano,
Três ano e mais ano
E sempre nos prano
De um dia vortar
Meu Deus, meu Deus
Mas nunca ele pode
Só vive devendo
E assim vai sofrendo
É sofrer sem parar
Ai, ai, ai, ai

Se arguma notícia
Das banda do norte
Tem ele por sorte
O gosto de ouvir
Meu Deus, meu Deus
Lhe bate no peito
Saudade lhe molho
E as água nos óio
Começa a cair
Ai, ai, ai, ai

Do mundo afastado
Ali vive preso
Sofrendo desprezo
Devendo ao patrão
Meu Deus, meu Deus
O tempo rolando
Vai dia e vem dia
E aquela famia
Não vorta mais não
Ai, ai, ai, ai

Distante da terra
Tão seca mas boa
Exposta à garoa
A lama e o pau
Meu Deus, meu Deus
Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No Norte e no Sul
Ai, ai, ai, ai

Apologia ao jumento

Apologia ao jumento (O jumento é nosso irmão)
Luiz Gonzaga e José Clementino

É verdade, meu senhor
Essa estória do sertão
Padre Vieira falou
Que o jumento é nosso irmão

A vida desse animal
Padre Vieira escreveu
Mas na pia batismal
Ninguém sabe o nome seu
Bagre, Bó, Rodó ou Jegue
Baba, Ureche ou Oropeu
Andaluz ou Marca-hora
Breguedé ou Azulão
Alicate de Embau
Inspetor de Quarteirão

Tudo isso, minha gente
É o jumento, nosso irmão

Até pr'anunciar a hora
Seu relincho tem valor
Sertanejo fica alerta
O dandão nuca falhou
Levanta com hora e vamo
O jumento já rinchou
Bom, bom, bom


Ele tem tantas virtudes
Ninguém pode carcular
Conduzindo um ceguinho
Porta em porta a mendigar
O pobre vê, no jubaio
Um irmão pra lhe ajudar
Bom, bom, bom

E na fuga para o Egito
Quando o julgo anunciou
O jegue foi o transporte
Que levou nosso Senhor
Vosmicê fique sabendo
Que o jumento tem valor

Agora, meu patriota
Em nome do meu sertão
Acompanhe o seu vigário
Nessa terna gratidão
Receba nossa homenagem
Ao jumento, nosso irmão

Apologia ao jumento

Apologia ao jumento (O jumento é nosso irmão)
Luiz Gonzaga e José Clementino

É verdade, meu senhor
Essa estória do sertão
Padre Vieira falou
Que o jumento é nosso irmão

A vida desse animal
Padre Vieira escreveu
Mas na pia batismal
Ninguém sabe o nome seu
Bagre, Bó, Rodó ou Jegue
Baba, Ureche ou Oropeu
Andaluz ou Marca-hora
Breguedé ou Azulão
Alicate de Embau
Inspetor de Quarteirão

Tudo isso, minha gente
É o jumento, nosso irmão

Até pr'anunciar a hora
Seu relincho tem valor
Sertanejo fica alerta
O dandão nuca falhou
Levanta com hora e vamo
O jumento já rinchou
Bom, bom, bom


Ele tem tantas virtudes
Ninguém pode carcular
Conduzindo um ceguinho
Porta em porta a mendigar
O pobre vê, no jubaio
Um irmão pra lhe ajudar
Bom, bom, bom

E na fuga para o Egito
Quando o julgo anunciou
O jegue foi o transporte
Que levou nosso Senhor
Vosmicê fique sabendo
Que o jumento tem valor

Agora, meu patriota
Em nome do meu sertão
Acompanhe o seu vigário
Nessa terna gratidão
Receba nossa homenagem
Ao jumento, nosso irmão