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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O menino das laranjas

O menino das laranjas (canção, 1964) - Theo de Barros

Menino que vai pra feira
Vender sua laranja até se acabar
É filho de mãe solteira
Cuja ignorância tem que sustentar

É madrugada, vai sentindo frio
Porque se o cesto não voltar vazio
A mãe já arranja um outro pra laranja
Esse filho vai ter que apanhar

Compra laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!
Compra laranja, laranja, laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!

Lá, no morro, o mundo acorda cedo
E é só trabalhar
Comida é muito pouca e muito a roupa
Que a cidade manda pra lavar

E já madrugada, ele, menino, vem pra feira
Tentando encontrar
Um pouco pra comer, viver até crescer
E a vida melhorar

Compra laranja doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!
Compra laranja, laranja, laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!

É madrugada, vai sentindo frio
Porque se o cesto não voltar vazio
A mãe já arranja um outro pra laranja
Esse filho vai ter que apanhar

Compra laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!
Compra laranja, laranja, laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!

Lá, no morro, a gente acorda cedo
E é só trabalhar
Comida é muito pouca e muito a roupa
Que a cidade manda pra lavar

E já madrugada, ele, menino, vem pra feira
Tentando encontrar
Um pouco pra comer, viver até crescer
E a vida melhorar

Compra laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!
Compra laranja, laranja, laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!

O menino das laranjas

O menino das laranjas (canção, 1964) - Theo de Barros

Menino que vai pra feira
Vender sua laranja até se acabar
É filho de mãe solteira
Cuja ignorância tem que sustentar

É madrugada, vai sentindo frio
Porque se o cesto não voltar vazio
A mãe já arranja um outro pra laranja
Esse filho vai ter que apanhar

Compra laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!
Compra laranja, laranja, laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!

Lá, no morro, o mundo acorda cedo
E é só trabalhar
Comida é muito pouca e muito a roupa
Que a cidade manda pra lavar

E já madrugada, ele, menino, vem pra feira
Tentando encontrar
Um pouco pra comer, viver até crescer
E a vida melhorar

Compra laranja doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!
Compra laranja, laranja, laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!

É madrugada, vai sentindo frio
Porque se o cesto não voltar vazio
A mãe já arranja um outro pra laranja
Esse filho vai ter que apanhar

Compra laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!
Compra laranja, laranja, laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!

Lá, no morro, a gente acorda cedo
E é só trabalhar
Comida é muito pouca e muito a roupa
Que a cidade manda pra lavar

E já madrugada, ele, menino, vem pra feira
Tentando encontrar
Um pouco pra comer, viver até crescer
E a vida melhorar

Compra laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!
Compra laranja, laranja, laranja, doutor,
Ainda dou uma de quebra pro senhor!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Theo de Barros

Theo de Barros (Teófilo Augusto de Barros Neto), compositor, cantor, instrumentista e arranjador, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 10/3/1943. Filho do compositor alagoano Teófilo de Barros Filho, aos 11 anos ganhou um violão e começou a aprender os primeiros acordes com Francisco Batista Barros; outros professores foram Tio Manoel, João Caldeira Filho, Leo Peracchi e Alfredo Lupi.

Em 1958 compôs sua primeira música, Saudade pequenina, mas somente quatro anos depois estreou em disco, com Natureza e Igrejinha, na interpretação de Alaíde Costa.

Em 1963 gravou seu primeiro compacto como cantor, com as músicas de sua autoria Vim de Santana e Fim. No mesmo ano integrou o Sexteto Brasileiro de Bossa, como contrabaixista. Nessa época apresentava-se, tocando e cantando, em boates paulistas (Juão Sebastião Bar, A Baiúca e Jogral, entre outras) e na televisão.

Em 1965 Elis Regina lançou seu primeiro sucesso, O menino das laranjas, música já gravada por Geraldo Vandré no ano anterior.

Em 1966 seu nome projetou-se nacionalmente, quando Disparada (com Geraldo Vandré), apresentada por Jair Rodrigues, Trio Maraiá e Trio Novo, fez enorme sucesso no II FMPB, da TV Record, de São Paulo SP, empatando em primeiro lugar com A banda, de Chico Buarque.

Ainda em 1966, o trio transformou-se no Quarteto Novo, no qual tocou violão e contrabaixo ao lado de Hermeto Pascoal, Airto Moreira e Heraldo do Monte. Além de participar de outros festivais, foi diretor musical de diversas produções do Teatro de Arena, de São Paulo, entre as quais a montagem de Arena conta Zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal.

Em 1967 levou sua peça Arena conta Bolívar, em parceria com Augusto Boal, ao México, Peru e EUA, com o elenco do Teatro de Arena.

Atuou como diretor musical na encenação de A capital federal, de Artur Azevedo, no Teatro Anchieta em São Paulo, em 1972, sob a direção de Flávio Rangel. Fez músicas para o filme Quelé do Pajeú, de Anselmo Duarte, e em 1975 foi o responsável pela produção e arranjos de uma coleção de quatro LPs, Música popular do Centro-Oeste, lançada pela gravadora Marcus Pereira.

Em 1979 fundou, com Aluísio Falcão, a gravadora Eldorado, e lançou o LP duplo Primeiro disco, do qual foi compositor, intérprete, arranjador, violonista, produtor e diretor musical. Ainda no selo Eldorado, participou do LP Raízes e frutos e produziu e fez arranjos para os dois premiados LPs de Edu da Gaita (1981 e 1982).

Em 1982 participou do Festival MPB Shell (TV Globo), com a música Barco sul (com Gilberto Karan). Entre 1990 e 1993, fez arranjos para vários cds da Movieplay, como The best of Antonio Carlos Jobim, The Beatles in Bossa Nova, The Best of Chico, Toquinho e Vinícius, Pery Ribeiro: Songs of Brazil e Jane Duboc.

Em 1995 tomou parte no I Encontro da MPB com a música Fruta nativa (com Paulo César Pinheiro), e em 1997 lançou o CD Violão solo, pela gravadora Paulinas.

Compôs cerca de dois mil fonogramas publicitários.

Obras

Cantador, toada, 1965; Disparada (c/Geraldo Vandré), 1966; Estória (c/Paulo César Pinheiro), 1980; Maria do Carmo, 1980; Menino das laranjas, samba, 1964; Pra não ser mais tristeza, 1980; Vim de Santana, 1980.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Theo de Barros

Theo de Barros (Teófilo Augusto de Barros Neto), compositor, cantor, instrumentista e arranjador, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 10/3/1943. Filho do compositor alagoano Teófilo de Barros Filho, aos 11 anos ganhou um violão e começou a aprender os primeiros acordes com Francisco Batista Barros; outros professores foram Tio Manoel, João Caldeira Filho, Leo Peracchi e Alfredo Lupi.

Em 1958 compôs sua primeira música, Saudade pequenina, mas somente quatro anos depois estreou em disco, com Natureza e Igrejinha, na interpretação de Alaíde Costa.

Em 1963 gravou seu primeiro compacto como cantor, com as músicas de sua autoria Vim de Santana e Fim. No mesmo ano integrou o Sexteto Brasileiro de Bossa, como contrabaixista. Nessa época apresentava-se, tocando e cantando, em boates paulistas (Juão Sebastião Bar, A Baiúca e Jogral, entre outras) e na televisão.

Em 1965 Elis Regina lançou seu primeiro sucesso, O menino das laranjas, música já gravada por Geraldo Vandré no ano anterior.

Em 1966 seu nome projetou-se nacionalmente, quando Disparada (com Geraldo Vandré), apresentada por Jair Rodrigues, Trio Maraiá e Trio Novo, fez enorme sucesso no II FMPB, da TV Record, de São Paulo SP, empatando em primeiro lugar com A banda, de Chico Buarque.

Ainda em 1966, o trio transformou-se no Quarteto Novo, no qual tocou violão e contrabaixo ao lado de Hermeto Pascoal, Airto Moreira e Heraldo do Monte. Além de participar de outros festivais, foi diretor musical de diversas produções do Teatro de Arena, de São Paulo, entre as quais a montagem de Arena conta Zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal.

Em 1967 levou sua peça Arena conta Bolívar, em parceria com Augusto Boal, ao México, Peru e EUA, com o elenco do Teatro de Arena.

Atuou como diretor musical na encenação de A capital federal, de Artur Azevedo, no Teatro Anchieta em São Paulo, em 1972, sob a direção de Flávio Rangel. Fez músicas para o filme Quelé do Pajeú, de Anselmo Duarte, e em 1975 foi o responsável pela produção e arranjos de uma coleção de quatro LPs, Música popular do Centro-Oeste, lançada pela gravadora Marcus Pereira.

Em 1979 fundou, com Aluísio Falcão, a gravadora Eldorado, e lançou o LP duplo Primeiro disco, do qual foi compositor, intérprete, arranjador, violonista, produtor e diretor musical. Ainda no selo Eldorado, participou do LP Raízes e frutos e produziu e fez arranjos para os dois premiados LPs de Edu da Gaita (1981 e 1982).

Em 1982 participou do Festival MPB Shell (TV Globo), com a música Barco sul (com Gilberto Karan). Entre 1990 e 1993, fez arranjos para vários cds da Movieplay, como The best of Antonio Carlos Jobim, The Beatles in Bossa Nova, The Best of Chico, Toquinho e Vinícius, Pery Ribeiro: Songs of Brazil e Jane Duboc.

Em 1995 tomou parte no I Encontro da MPB com a música Fruta nativa (com Paulo César Pinheiro), e em 1997 lançou o CD Violão solo, pela gravadora Paulinas.

Compôs cerca de dois mil fonogramas publicitários.

Obras

Cantador, toada, 1965; Disparada (c/Geraldo Vandré), 1966; Estória (c/Paulo César Pinheiro), 1980; Maria do Carmo, 1980; Menino das laranjas, samba, 1964; Pra não ser mais tristeza, 1980; Vim de Santana, 1980.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Disparada

Geraldo Vandré
Em 1966, o compositor Geraldo Vandré participou vitoriosamente de três grandes festivais musicais promovidos pela televisão: em junho, foi 1° lugar na TV Excelsior, com “Porta Estandarte” (parceria de Fernando Lona); em outubro, tirou o 10º lugar na TV Record, com “Disparada” (parceria de Téo de Barros); e ainda em outubro, ficou em 2° lugar na TV Rio (1° Festival Internacional da Canção), com “O Cavaleiro” (parceria de Tuca).

Dessas três composições, a de maior repercussão seria inegavelmente “Disparada”, a mais vigorosa canção de protesto surgida até então, um verdadeiro cântico revolucionário. Musicado por Téo sobre uma versalhada que Vandré havia escrito durante uma viagem, “Disparada” é uma moda-de-viola com sotaque nordestino. “A intenção era compor uma moda-de-viola baseada no folclore da região Centro-Sul, porém nossas raízes se infiltraram no processo e resultou uma catira de chapéu de couro”, esclarece Téo na contracapa de seu primeiro elepê.

Para apresentar “Disparada”, os autores escolheram Jair Rodrigues, então no auge da popularidade, entregando o acompanhamento ao Trio Novo — Téo (viola), Heraldo do Monte (violão) e Airto Moreira (percussão) — reforçado pelo Trio Marayá. O Trio Novo atuou na eliminatória e na gravação de estúdio, mas não pôde participar da final (por já ter compromisso agendado para a data), sendo os seus músicos substituídos por Aires (viola), Gianulo (violão) e Manini (percussão).

Mas nas duas fases o resultado foi excelente, com a canção sendo ruidosamente aclamada pela facção mais politizada da platéia — principalmente em trechos como “Mas o mundo foi rodando / nas patas do meu cavalo / e já que um dia montei / agora sou cavaleiro / laço firme, braço forte / de um reino que não tem rei...” — que rivalizava em número e entusiasmo com os partidários de “A Banda”. Em vista disso, embora “A Banda” tenha ganho pelos votos dos jurados, a direção da Record resolveu considerar as duas concorrentes empatadas na primeira colocação, a fim de evitar um confronto entre os torcedores.

Uma nota pitoresca na apresentação de “Disparada” foi a utilização de uma queixada de burro como instrumento de percussão. A novidade, descoberta por Airto Moreira numa loja em Santo André, emprestou maior rusticidade ao acompanhamento, além de evocar uma visão forte da seca (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Disparada - (moda-de-viola, 1966), Geraldo Vandré e Theo de Barros

    D             G          D                  G
Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar
C Bm C Am D G
Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão
B7 Em C Am D G
Eu venho lá do sertão e posso não lhe agradar
D G D G
Aprendi a dizer não, ver a morte sem chorar
C Bm C Am D G
E a morte, o destino tudo, a morte o destino tudo
B7 Em C Am D G
Estava fora de lugar, eu vivo pra consertar
G7 C A7 D
Na boiada já fui boi, mas um dia me montei
B7 Em D G
Não por um motivo meu ou de com quem comigo houvesse
B7 Em B7 C
Que qualquer querer tivesse porém por necessidade
Am D G C Am D G
Do dono de uma boiada cujo vaqueiro morreu
D G D G
Boiadeiro muito tempo, laço firme, braço forte
C Bm C Am D G
Muito gado, muita gente pela vida segurei
B7 Em C Am D G
Seguia como num sonho que boiadeiro era um rei
D G D G
Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
C G Am D G
E nos sonhos que fui sonhando as visões se clareando
B7 Em C Am D G
As visões se clareando, até que um dia acordei
D G D G
Então não pude seguir, valente em lugar tenente
C G Am D G
E o dono de gado e gente, porque gado a gente marca
B7 Em C Am D G
Tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente
D G D G
Se você não concordar, não posso me desculpar
C Bm Am D G
Não canto pra enganar, vou pegar minha viola
B7 Em C Am D G
Vou deixar você de lado, vou cantar noutro lugar
G7 C A7 D
Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui rei
B7 Em C Am D G
Não por mim nem por ninguém que junto comigo houvesse
B7 C B7 C
Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu
B7 C Am D G
Por qualquer coisa de seu querer ir mais longe que eu
D G D G
Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
C Bm C G
E já que um dia montei agora sou cavaleiro
B7 Em C Am D G
Laço firme, braço forte de um reino que não tem rei