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quinta-feira, 26 de outubro de 2006

João do Vale

João do Vale dizia que no Maranhão, de onde veio, "o cara é Batista ou Ribamar". Ele era Batista, João Batista do Vale, nascido em Pedreiras no dia 11 de outubro de 1934, quinto numa família de oito irmãos. Até os 12 anos, vendia na rua os bolos que a mãe fazia. Aos 13, foi vender laranjas na feira de Praia Grande, em São Luís.

Chegou ao Rio como ajudante de caminhão, em 1950. Compunha desde menino, para o bumba-meu-boi de sua terra. Conseguiu gravar com o sanfoneiro Zé Gonzaga (Cesário Pinto) e com a cantora Marlene (Estrela Miúda). A convite do compositor Zé Keti, cantou no Zicartola, o restaurante musical que Cartola manteve no Centro do Rio, de 1963 a 1965.

O teatrólogo Oduvaldo Vianna Filho convidou-o a participar, ao lado de Zé Keti e da cantora Nara Leão, do show Opinião. Nara Leão adoeceu e foi substituída por Maria Bethânia, trazida da Bahia. A interpretação vigorosa que a jovem e desconhecida cantora deu a Carcará, de João do Vale, consagrou imediatamente a intérprete e o autor.

João do Vale, apresentou-se na Europa, nos EUA, em Cuba e Angola. Mas jamais pôde mudar-se de Rosa dos Ventos, bairro pobre de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Em 1986, sofreu um derrame. Numa cadeira de rodas, voltou para Pedreiras. No dia 6 de dezembro de 1996, morreu num hospital de São Luís, após sofrer novo derrame (Moacyr Andrade - MPB ESPECIAL - 11/12/1974).

João do Vale

João do Vale dizia que no Maranhão, de onde veio, "o cara é Batista ou Ribamar". Ele era Batista, João Batista do Vale, nascido em Pedreiras no dia 11 de outubro de 1934, quinto numa família de oito irmãos. Até os 12 anos, vendia na rua os bolos que a mãe fazia. Aos 13, foi vender laranjas na feira de Praia Grande, em São Luís.

Chegou ao Rio como ajudante de caminhão, em 1950. Compunha desde menino, para o bumba-meu-boi de sua terra. Conseguiu gravar com o sanfoneiro Zé Gonzaga (Cesário Pinto) e com a cantora Marlene (Estrela Miúda). A convite do compositor Zé Keti, cantou no Zicartola, o restaurante musical que Cartola manteve no Centro do Rio, de 1963 a 1965.

O teatrólogo Oduvaldo Vianna Filho convidou-o a participar, ao lado de Zé Keti e da cantora Nara Leão, do show Opinião. Nara Leão adoeceu e foi substituída por Maria Bethânia, trazida da Bahia. A interpretação vigorosa que a jovem e desconhecida cantora deu a Carcará, de João do Vale, consagrou imediatamente a intérprete e o autor.

João do Vale, apresentou-se na Europa, nos EUA, em Cuba e Angola. Mas jamais pôde mudar-se de Rosa dos Ventos, bairro pobre de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Em 1986, sofreu um derrame. Numa cadeira de rodas, voltou para Pedreiras. No dia 6 de dezembro de 1996, morreu num hospital de São Luís, após sofrer novo derrame (Moacyr Andrade - MPB ESPECIAL - 11/12/1974).

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Coroné Antônio Bento

Tim Maia

Coroné Antônio Bento - João do Vale e Luiz Wanderley
Intr.: E7+/9
E7+/9
Coroné Antônio Bento

No dia do casamento

Da sua filha Juliana

Ele não quis sanfoneiro

Foi pro Rio de Janeiro

Convidou Benê Nunes

Pra tocar, olê, lê, olá, lá

Este dia Bodocó
F#7 B7 E7/9+
Faltou pouco pra virá
E7+/9
Todo mundo que mora por ali

Esse dia num pôde arresisti
A7
Quando ouvia o toque do piano
E7/9+
Rebolava, saia arrequebrando

Até Zé Macaxera que era o noivo

Dançou a noite inteira sem pará
A7
Que é costume de todos que se casa
B7 E7+/9
Ficá doido pra festa se acabá

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Carcará

João do Vale já tinha mais de dez anos de Rio de Janeiro e várias músicas gravadas — algumas em seu nome, outras em nomes de terceiros quando Cartola o convidou a freqüentar o Zicartola. Era uma oportunidade para ele mostrar seu repertório, pois lá os compositores podiam cantar à vontade.

E foi naquele ambiente que surgiu a idéia do “Opinião”, um musical de protesto contra a ditadura recém-instalada. O espetáculo — cuja autoria era de Paulo Pontes, Ferreira Guliar, Armando Costa e Oduvaldo Viana Filho e a direção de Augusto Boal — juntava um compositor urbano (Zé Keti), um nordestino (João do Vale) e uma moça da alta classe média (Nara Leão), três personagens bem diferentes e uma só opinião.

Encenado no então Teatro de Arena, em Copacabana, a partir de 10.12.64, mostrava canções contestadoras, como “Carcará”, lançada por Nara, mas que acabaria consagrando a estreante Maria Bethânia, que assumiu o seu papel em 13.2.65, permanecendo até o final da temporada.

“Carcará” é a mais conhecida composição da obra impregnada de realismo do rude maranhense João do Vale, um observador profundo da paisagem e da vida nordestina. Um tipo de gavião (“grande, do tamanho de um galo”, assegura João), o carcará, ou caracará, sabe superar os problemas de sobrevivência, porque ao sentir fome “pega, mata e come”, e quando em perigo “avoa que nem avião”. Valente e decidido, “mais coragem do que home”, o carcará simboliza o ideal libertário da canção.

Um dos momentos mais explosivos do número era o trecho discursivo, com informações sobre dados estatísticos de caráter social, exaltado numa crescente e proposital agressividade de Bethânia, que produzia um efeito ameaçador. Isso prenunciava seu pendor para a declamação de textos dramáticos, uma característica marcante de seu estilo.

Detalhe: o tal trecho declamado — “1950, mais de dois milhões de nordestinos viviam fora de seus estados natais. 10% da população do Ceará emigrou; 13% do Piauí; 15% da Bahia; 1% de Alagoas...” — foi copiado de um relatório da Sudene. Outro enxerto utilizado no arranjo é um pequeno trecho da “Missa Agrária”, de Carlos Lira e G. Guarnieri (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Carcará (canção, 1965) - João do Vale e José Cândido

Tom: Em
Em
Carcará
Lá no senão
É um bicho que avoa que nem avião
A7
É um pássaro malvado
B7 Em
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
A7 Em7
Quando vê roça queimada
A7
Sai voando, cantando,
Em
Carcará
A7 Em
Vai fazer sua caçada
A7 Em
Carcará come inté cobra queimada
A7 Em
Quando chega o tempo da invernada
A7 Em
O sertão não tem mais roça queimada
A7 Em
Carcará mesmo assim num passa fome
A7 Em
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
A7 Em
Pega, mata e come
Carcará
A7 Em
Num vai morrer de fome
Carcará
A7 Em
Mais coragem do que home
Carcará
A7 Em
Pega, mata e come
A7 Em
Carcará é malvado, é valentão
A7 Em
É a águia de lá do meu sertão
A7 Em
Os burrego novinho num pode andá
A7 Em
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
A7 Em
Pega, mata e come
Carcará
A7 Em
Num vai morrer de fome
Carcará
A7 Em
Mais coragem do que home
Carcará
A7 Em
Pega, mata e come

sábado, 13 de maio de 2006

Pisa na fulô

Pisa na Fulô (xote, 1957) - João do Vale, Ernesto Pires e S. Júnior

Tom: Em

Am7 B7 Em7
Pisa na fulô, pisa na fulô BIS
Am7 B7 Em7
Pisa na fulô, não maltrata meu amô
Am Em7
Um dia desse fui dançá lá em Pedreira
Am B7 Em
Na rua da Golada e gostei da brincadeira
Am B7 Em
Zé Caxangá era o tocador
C B7 Em
Mas só tocava pisa na fulô
Am Em7
Sô Serafim cuchichava a Marvió
Am B7 Em
Sô capaz de jurá que eu nunca vi forró mió
Am B7 Em
Inté vovó garrô na mão de vovô
C B7 Em
Vão'bora, meu veinho, pisa na fulô
Pisa na fulô, pisa na fulô...
Am Em7
Eu vi menina qui nem tinha doze ano
Am B7 Em
Agarrá seu par, também sair dançando
Am B7
Satisfeita e dizendo
Em C B7 Em
Meu amô, ai como é gostoso pisa na fulô
Pisa na fulô, pisa na fulô...
Am Em7
De madrugada Zeca Caxangá
Am B7 Em
Disse ao dono da casa num precisa me pagá
Am B7 Em
Mas por favô, arranje outro tocadô
C B7 Em
Que eu também quero pisa na fulô

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Peba na pimenta

Peba na pimenta (xote, 1957) - João do Vale, José Batista e A. Rivera

(D Bm G A)
Seu Malaquias preparou cinco pebas na pimenta,
Só do povo de Campinas convidou mais de sessenta
Entre todos convidados convidou Maria Benta

Benta foi logo dizendo: Se arder não quero não!
Seu Malaquias disse então: Pode comer sem susto, esse pimentão,
Não arde não!

Benta danou-se a comer a pimenta era da "braba"
E danou-se a arder, ela chorava e se mal-dizia:
Ai se eu soubesse dessa peba não comia!

Depois houve o arrasta-pé o forró 'tava esquentando
O sanfoneiro então me disse tem gente aí dançando
Procurei pra ver quem era...
Mas era a Benta reclamando:

(D G A G A D)
Ai, ai seu Malaquias a pimenta que 'cê deu só ardia!
Tá ardendo eu sei que tá! Tá me dando uma agonia!

quinta-feira, 11 de maio de 2006

O canto da ema

O canto da ema (batuque, 1956) - Aires Viana, A. Cavalcanti e João do Vale
Jackson do Pandeiro

Int.: (G F/G C/G)

       C7/9           D7/9  G
A ema gemeu no tronco do juremau (2x)
F/G C/G C
Foi um sinal bem triste, morena
F/G C/G G
Fiquei a imaginar
F/G C/G G
Será que é o nosso amor, morena
F/G C/G G
Que vai se acabar?
Gm7 C7/9 Fm7
Você bem sabe, que a ema quando canta
Bb7/9 Eb7/9 Ab7+ Am7 D7/9+
Traz no meio do seu canto um bocado de azar
G Am7 Bm7
Eu tenho medo, morena, eu tenho medo
C A/C#
Pois acho que é muito cedo
D7/9 G
Pra essa amor acabar
Cm7 F7 A/B
Vem morena, vem, vem, vem
Em7 Am7 D7/9 G
Me beijar, me beijar
Cm7 F A/B
Dá um beijo, dá um beijo
Em7/9 Am7 D7/9 G
Pra esse medo se acabar