Sendo Noel Rosa um grande boêmio, um cara que gostava de viver nas ruas, nos botequins, ele fez logo amizade com muitos motoristas de taxi, que às vezes o levavam para casa, às vezes emendavam uma outra farra, ou às vezes o levavam para namorar alguma moça no Juá. Noel percebeu que havia um motorista de taxi chamado Malhado, que era metido a cantor de seresta, dava o famoso "dó de peito" e gostava de cantar falsas canções com palavras difíceis, rebuscadas, que ele não entendia absolutamente o que significava. Noel, percebendo o estilo do motorista, compôs uma canção especialmente para ele e combinou lançar essa música numa seresta para duas filhas de um coronel lá em Vila Isabel. Chegando lá em baixo do sobrado do coronel, o Noel disse que ia ficar do outro lado da rua pra dar o destaque que a voz do Malhado merecia. Feriu o tom... lá se foi o Malhado.
Saí da tua alcova - Noel Rosa
Am E7 Am
Saí da tua alcova com o prepúcio dolorido
(42-43-42-40-53-52-50)
Am Bb6 Bb(b5) A7
Deixando seu clitóris gotejante
A#° A7/G Dm A7
De volúpia emurche..cido
Dm E7 Am B°
Porém, o gonococus da paixão
Am Am/G Bb
Aumentou minha tensãoBem, o coronel levantou atirando, o Malhado saiu correndo, chegou na esquina livre,
e o Noel já estava esperando ele e perguntou:
- O que é que houve Malhado?
E o Malhado assustadíssimo falou:
- O cara sai atirando, não entendi nada!
E o Noel sem perder a pose diz pra ele:
- Isso é pra você ver, Malhado, o que que é a falta de sensibilidade dessa gente!
Nenhum comentário:
Postar um comentário