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| Cartola |
Tempos depois, flores desabrochadas dessas roseiras provocariam a indagação entusiástica de Zica (“Como é possível, Cartola, tantas rosas assim?...”) e a resposta desinteressada de Cartola (“Não sei. As rosas não falam...”), que ele acabaria aproveitando como mote para a canção: “Queixo-me às rosas / mas que bobagem, as rosas não falam / simplesmente as rosas exalam / o perfume que roubam de ti...”
Composta quando o autor completava 67 anos, “As Rosas Não Falam” foi lançada em 1976, num elepê notável, produzido por Juarez Barroso, o segundo de Cartola na gravadora Marcus Pereira. Neste álbum ele apresentava outras inéditas como a também obra-prima “O Mundo É um Moinho”.
Além da delicadeza e do requinte, o que espanta nessas duas músicas é o fato de terem sido criadas pelo compositor numa idade em que a maioria das pessoas já se encontra aposentada, sem muita coisa a oferecer. Cartola é um caso especial em nossa música popular. Homem de origem e vida modestíssimas era, ao mesmo tempo, o poeta/compositor sofisticado. Pena que somente nos últimos anos de vida tenha conseguido gravar a maior parte de sua obra (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).
As rosas não falam (1976) - Cartola
Tom:Em
Introd.: Em Am Bbº B7 Em Am B7 Em F#7 Am B7 Em
E7 Am Bº Em F#7 Am B7 Em Am Bbº B7 Em
Em
Bate outra vez
F#7
Com esperanças o meu coração
Am B7
Pois já vai terminando o verão
Em Am B7
Emfim
Em
Volto ao jardim
F#7
Com a certeza de que devo chorar
Am
Pois bem sei que não queres voltar
B7 Em E7
Para mim
Am B7
Queixo-me as rosas mas que bobagem
Em
As rosas não falam
Bbº
Simplesmente as rosas exalam
Am B7
O perfume que roubam de ti
Em
Devias vir
Am
Para ver os meus olhos tristonhos
Bbº
E quem sabe sonhavas meus sonhos
B7 Em
Por fim

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