quarta-feira, 3 de maio de 2006

Baião

O ciclo do baião, a música que melhor enfrentou a invasão do bolero ao final dos anos quarenta, começou com o lançamento desta composição, em outubro de 1946. Conscientes do potencial até então pouco explorado da música nordestina, seus autores, Luiz Gonzaga (foto) e Humberto Teixeira , são os estilizadores que tornaram o gênero assimilável ao gosto do público urbano.

Como peça abre-alas, "Baião" apresenta o ritmo, com forte ênfase na síncope do segundo tempo, e ensina como dançá-lo, ao mesmo tempo em que convida o ouvinte a aderir à novidade. Tudo isso sobre uma melodia cheia de sétimas menores, semelhante às cantigas de cantadores do Nordeste.

A bemolização da sétima nota do acorde representaria o devaneio de um possível elo entre o baião e o blues, mas na verdade remete ao ancestral mouro da música nordestina. A nostalgia, a possibilidade de improviso, a tendência constante de caminhar em busca da tônica e de bemolizar a terça, a quinta e a sétima, estão presentes nos blues, nas cantigas nordestinas e no canto da Andaluzia.

Baião (baião, 1946) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira


Luiz Gonzaga

Tom: C

C7
Eu vou mostrar pra vocês

Como se dança o baião

E quem quiser aprender
F7
É favor prestar atenção

Morena chega pra cá

Bem junto ao meu coração
D7
Agora é só me seguir
G7 C
Pois eu vou dançar o baião
F7
Eu já dancei balancê

Xamego, samba e xerém

Mas o baião tem um quê

Que as outras dancas não têm

Oi quem quiser é só dizer
D7
Pois eu com satisfação
C
Vou dançar cantando o baião
F7
Eu já cantei no Pará

Toquei sanfona em Belém

Cantei lá no Ceará

E sei o que me convém

Por isso eu quero afirmar
D7
Com toda convicção
G7 C
Que sou doido pelo baião

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