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sábado, 18 de dezembro de 2010

Arrependida

Nelson Gonçalves
Arrependida (samba, 1950) - José Batista e Nóbrega de Macedo

Título da música: Arrependida / Gênero musical: Samba / Intérpretes: Nelson Gonçalves - Trio de Ouro / Compositores: Batista, José - Macedo, Nóbrega de / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800736 / Data de Gravação 00/1950 / Data de Lançamento 00/1950 / Lado A / Disco 78 rpm


Arrependida
Ela tem que voltar
Arrependida
Implorando pra ficar
O lar que ela um dia deixou
Pedindo perdão que eu não dou

Arrependida
Ela tem que voltar
Arrependida
Implorando pra ficar
O lar que ela um dia deixou
Pedindo perdão que eu não dou

Eu não posso perdoar
O que ela me fez sofrer
Ela abandonou meu lar
Sem ter razão
Eu sinto muito
Mas não dou perdão

Eu não posso perdoar
O que ela me fez sofrer
Ela abandonou meu lar
Sem ter razão
Eu sinto muito
Mas não dou perdão

Arrependida
Ela tem que voltar
Arrependida
Implorando pra ficar
O lar que ela um dia deixou
Pedindo perdão que eu não dou

Dama, valete e rei

Nelson Gonçalves
Dama, valete e rei (samba, 1950) - Bide e Sebastião Gomes

Título da música: Dama valete e rei / Gênero musical: Samba / Intérpretes: Nelson Gonçalves - Trio de Ouro / Compositores: Bide - Gomes, Sebastião / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800727 / Data de Gravação 00/1950 / Data de Lançamento 00/1950 / Lado B / Disco 78 rpm


Tu és a dama, eu sou valete
Mas há o rei que põe
O nosso viver pra trás
Sei que me tens amizade
Mas por infelicidade
Eu não posso fazer
O que o rei faz

Tu és a dama, eu sou valete
Mas há o rei que põe
O nosso viver pra trás
Sei que me tens amizade
Mas por infelicidade
Eu não posso fazer
O que o rei faz

Eu tenho vontade
Mas estou pra trás
Pois sou um valete
Só valete, nada mais
E quem tem o reinado
Que me deixe em paz
Eu não posso fazer
O que o rei faz

Tu és a dama, eu sou valete
Mas há o rei que põe
O nosso viver pra trás
Sei que me tens amizade
Mas por infelicidade
Eu não posso fazer
O que o rei faz

Eu tenho vontade
Mas estou pra trás
Pois sou um valete
Só valete, nada mais
E quem tem o reinado
Que me deixe em paz
Eu não posso fazer
O que o rei faz

Toureiro

Trio de Ouro
Toureiro (marcha, 1950) - Milton de Oliveira e Haroldo Lobo

Título da música: Toureiro / Gênero musical: Marcha / Intérprete:  Nelson Gonçalves - Trio de Ouro / Compositores: Lobo, Haroldo - Oliveira, Milton de / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800727 / Data de Gravação 00/1950 / Data de Lançamento 00/1950 / Lado A / Disco 78 rpm


Toureiro
Sou toureiro de Madrid
Sou toureiro, sou valente
E nunca na arena
Pra um touro eu perdi
Mas, se eu sou um bom toureador
É porque Manolita bonita
Me deu o seu amor!

Toureiro
Sou toureiro de Madrid
Sou toureiro, sou valente
E nunca na arena
Pra um touro eu perdi
Mas, se eu sou um bom toureador
É porque Manolita bonita
Me deu o seu amor!

Se eu vou a qualquer
Parte da Espanha
Manolita me acompanha
Pra ela eu sou o maior toureador
E ela é o meu grande amor

Se eu vou a qualquer
Parte da Espanha
Manolita me acompanha
Pra ela eu sou o maior toureador
E ela é o meu grande amor

Toureiro
Sou toureiro de Madrid
Sou toureiro, sou valente
E nunca na arena
Pra um touro eu perdi
Mas, se eu sou um bom toureador
É porque Manolita bonita
Me deu o seu amor!

História do pierrô

Trio de Ouro
História do Pierrô (marcha, 1950) - Benedito Lacerda e Herivelto Martins

Título da música: História do Pierrô / Gênero musical: Marcha / Intérpretes: Nelson Gonçalves - Trio de Ouro / Compositores: Lacerda, Benedito - Martins, Herivelto / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800724 / Data de Gravação 00/1950 / Data de Lançamento 00/1950 / Lado A / Disco 78 rpm


Quem não conhece
A história triste de um pierrô apaixonado
Jamais se esquece
Esse romance de um pobre mascarado
Sou também outro triste pierrô
Que uma colombina
No carnaval abandonou

Quem não conhece
A história triste de um pierrô apaixonado
Jamais se esquece
Esse romance de um pobre mascarado
Sou também outro triste pierrô
Que uma colombina
No carnaval abandonou

Colombina vem, colombina vem
Brincar
Eu te quero bem, eu te quero bem
Vem me consolar
Arlequim saiu pelo mundo inteiro
Espalhando o mal
Vamos deixar o passado
E brincar o carnaval!

Quem não conhece
A história triste de um pierrô apaixonado
Jamais se esquece
Esse romance de um pobre mascarado
Sou também outro triste pierrô
Que uma colombina
No carnaval abandonou

sábado, 6 de novembro de 2010

O azar é seu

Trio de Ouro - Nilo, Dalva e Heriberto
O azar é seu (marcha, 1948) - Gomes Cardim

Título da música: O azar é seu / Gênero musical:  Marcha  / Intérprete: Trio de Ouro  / Compositor: Cardim, Gomes / Gravadora Odeon / Número do Álbum: 12834 / Data de Gravação:  00/1947 / Data de Lançamento: 00/1948 / Lado: lado B  /Rotações: Disco 78 rpm:


Me dê a mão direita
Esquerda vou lhe dar
Vamos dar a meia volta
Volta e meia pra dançar (bis)

Acerta o passo
Pra você não me pisar
Me dê o braço
Para não escorregar

Tome cuidado
Esse pezinho é meu
Se lhe pisaram
O azar é seu! (bis)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Senhor do Bonfim

Trio de Ouro
Senhor do Bonfim (samba, 1947) - Herivelto Martins

Título da música: Senhor do bomfim / Gênero musical: Samba canção / Intérprete: Trio de Ouro / Compositor: Martins, Herivelto / Gravadora Odeon / Número do Álbum 12792 / Data de Gravação 00/1947 / Data de Lançamento 00/1947 / Lado: lado B / Acervo Humberto Franceschi / Rotações Disco 78 rpm:


Ò meu Senhor do Bonfim
Pedimos tanto ao Senhor do Bonfim
Pra nos mandar a Bahia
A Bahia de São Salvador!

Senhor do Bonfim  / Nos ouvi...
Senhor do Bonfim  /  Atendei...
Quem nasceu e morreu
E não viu a Bahia
Não viveu...

Bahia!  / Cidade de três andares
Tão alta  /  Que tem elevadores
Até Senhor do Bomfim  

Mora no alto do morro

O morro tem tamborim / Tem violão e seresta
É bem feliz todo aquele  /  Que for ao Bonfim
No seu dia de festa  /  É bem feliz todo aquele
Que for ao Bonfim  / No seu dia de festa

Senhor do Bonfim

Trio de Ouro
Senhor do Bonfim (samba, 1947) - Herivelto Martins

Título da música: Senhor do bomfim / Gênero musical: Samba canção / Intérprete: Trio de Ouro / Compositor: Martins, Herivelto / Gravadora Odeon / Número do Álbum 12792 / Data de Gravação 00/1947 / Data de Lançamento 00/1947 / Lado: lado B / Acervo Humberto Franceschi / Rotações Disco 78 rpm:


Ò meu Senhor do Bonfim
Pedimos tanto ao Senhor do Bonfim
Pra nos mandar a Bahia
A Bahia de São Salvador!

Senhor do Bonfim  / Nos ouvi...
Senhor do Bonfim  /  Atendei...
Quem nasceu e morreu
E não viu a Bahia
Não viveu...

Bahia!  / Cidade de três andares
Tão alta  /  Que tem elevadores
Até Senhor do Bomfim  

Mora no alto do morro

O morro tem tamborim / Tem violão e seresta
É bem feliz todo aquele  /  Que for ao Bonfim
No seu dia de festa  /  É bem feliz todo aquele
Que for ao Bonfim  / No seu dia de festa

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Ai, morena

Nelson Gonçalves
Ai, morena (marcha/carnaval, 1951) - Herivelto Martins e Benedito Lacerda -

Título da música: Ai morena / Gênero musical: Marcha / Intérpretes: Nelson Gonçalves e Trio de Ouro / Compositores: Lacerda, Benedito - Martins, Herivelto / Gravadora Rca victor / Número do Álbum 800733 / Data de Gravação 00/1950 / Data de Lançamento 00/1950 / Lado A / Disco 78 rpm


Ai, morena
Seria o meu maior prazer
Passar o Carnaval contigo
Beijar a tua boca e depois morrer

Morena nem queira saber
Se um dia isso acontecer
Serás uma rainha, mais rainha do que és
E o Rei Momo beijará teus pés!

Ai, morena

Nelson Gonçalves
Ai, morena (marcha/carnaval, 1951) - Herivelto Martins e Benedito Lacerda - Interpretação: Nelson Gonçalves e Trio de Ouro

Ai, morena
Seria o meu maior prazer
Passar o Carnaval contigo
Beijar a tua boca e depois morrer

Morena nem queira saber
Se um dia isso acontecer
Serás uma rainha, mais rainha do que és
E o Rei Momo beijará teus pés!

terça-feira, 29 de julho de 2008

Minueto


Trio de Ouro
Lindíssima marcha composta inspirada no Minueto em Sol Maior, de Beethoven, e gravada pelo Trio de Ouro em 47. Destaque pros maravilhosos agudos de Dalva de Oliveira - segundo o pesquisador Abel Cardoso Júnior, ela, nesta música, "recriou os trinados da região do Tirol, nos Alpes".

Minueto (marcha/carnaval, 1948) - Herivelto Martins e Benedito Lacerda

Minueto tu és no Municipal
O maior sem igual
Mas no samba não tens medo só porque
Tu não és, tu não és
De Carnaval

Nosso samba foi sambar
No Tirol e virou tirolês
Mas chegando o Carnaval
Nosso samba voltou pro Brasil outra vez.


Fonte: São Coisas Nossas

Minueto


Trio de Ouro
Lindíssima marcha composta inspirada no Minueto em Sol Maior, de Beethoven, e gravada pelo Trio de Ouro em 47. Destaque pros maravilhosos agudos de Dalva de Oliveira - segundo o pesquisador Abel Cardoso Júnior, ela, nesta música, "recriou os trinados da região do Tirol, nos Alpes".

Minueto (marcha/carnaval, 1948) - Herivelto Martins e Benedito Lacerda

Minueto tu és no Municipal
O maior sem igual
Mas no samba não tens medo só porque
Tu não és, tu não és
De Carnaval

Nosso samba foi sambar
No Tirol e virou tirolês
Mas chegando o Carnaval
Nosso samba voltou pro Brasil outra vez.


Fonte: São Coisas Nossas

sábado, 1 de março de 2008

Lourdinha Bittencourt

Lourdinha Bittencourt (Lourdes Bittencourt), cantora e atriz de cinema, nasceu em 30 de outubro de 1923, em São Paulo. Logo recém-nascida, ela é abandonada no Asilo Melo Matos. Ainda com quatro meses ela é adotada pela professora de música, Maria Bittencourt.

Desde pequena, Lourdinha teve boa desenvoltura na música e na dança, o que fez com que a professora investisse em sua carreira com cursos voltados a essas artes. Logo, a futura atriz e cantora já estava trabalhando profissionalmente no Cassino da Urca, como menina prodígio.

Em 1935, atua no filme Noites Cariocas; em 1936, nos filmes Maria Bonita e Cidade Mulher; É Proibido Sonhar (1943); Moleque Tião (1943); Asas do Brasil (1947); Obrigada Doutor e Poeira de Estrelas (1948); O Homem Que Passa e Não Me Digas Adeus (1949); Guerra ao Samba (1955); Pirata do Outro Mundo (1957); Samba na Vila (1957); e Com a Mão na Massa (1958).

Em 1952 se integra ao Trio de Ouro, nessa época formado pelo compositor Herivelto Martins e Raul Sampaio (Raul Coco, Cachoeiro de Itapemirim 1928—). Sua estréia foi marcada pela regravação de antigo sucesso, Ave Maria do morro, na Victor.

O trio assina contrato com a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde permanecem por dois anos. Excursionam pelo Norte do país, Minas Gerais e São Paulo. Faz temporadas na Argentina, Chile, Uruguai e Peru.

Atuaram também, por longo tempo, como atração da Rádio Clube de Pernambuco e lançou, na Victor, musicas carnavalescas, como os sambas Noite enluarada (Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres) e Sereno (Herivelto Martins e Nelson Gonçalves), gravado na Victor, em 1952, ao lado do cantor Nelson Gonçalves.

Gravaram ainda a guarânia Índia (J. A. Flores e M. O Guerrero, versão de José Fortuna); o baião Caboclo abandonado (Herivelto Martins e Benedito Lacerda), a catira História cabocla (Herivelto Martins e Jose Messias), a rancheira Festa no Sul (Raul Sampaio e Rubens Silva), Negro telefone (Herivelto Martins e David Nasser), todos na Victor, em 1953; Saudades de Mangueira (Nelson Trigueiro e Bartolomeu Silva), Me deixa em paz (Jovelino Marques), ambas na Victor, para o Carnaval de 1954, e Boca fechada (Lupicínio Rodrigues), também na Victor em 1954.

Em 1957 o trio foi novamente dissolvido por problemas de saúde da cantora, que viria a falecer aos 55 anos no Rio de Janeiro, em 19 de agosto de 1979, vítima de derrame cerebral. .

Em 1970 Lourdinha atuou na telenovela Irmãos Coragem (como Manuela). Foi a segunda esposa do cantor Nelson Gonçalves.

Fontes: Cine Claquete - atores - Lurdinha Bittencourt; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Lourdinha Bittencourt

Lourdinha Bittencourt (Lourdes Bittencourt), cantora e atriz de cinema, nasceu em 30 de outubro de 1923, em São Paulo. Logo recém-nascida, ela é abandonada no Asilo Melo Matos. Ainda com quatro meses ela é adotada pela professora de música, Maria Bittencourt.

Desde pequena, Lourdinha teve boa desenvoltura na música e na dança, o que fez com que a professora investisse em sua carreira com cursos voltados a essas artes. Logo, a futura atriz e cantora já estava trabalhando profissionalmente no Cassino da Urca, como menina prodígio.

Em 1935, atua no filme Noites Cariocas; em 1936, nos filmes Maria Bonita e Cidade Mulher; É Proibido Sonhar (1943); Moleque Tião (1943); Asas do Brasil (1947); Obrigada Doutor e Poeira de Estrelas (1948); O Homem Que Passa e Não Me Digas Adeus (1949); Guerra ao Samba (1955); Pirata do Outro Mundo (1957); Samba na Vila (1957); e Com a Mão na Massa (1958).

Em 1952 se integra ao Trio de Ouro, nessa época formado pelo compositor Herivelto Martins e Raul Sampaio (Raul Coco, Cachoeiro de Itapemirim 1928—). Sua estréia foi marcada pela regravação de antigo sucesso, Ave Maria do morro, na Victor.

O trio assina contrato com a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde permanecem por dois anos. Excursionam pelo Norte do país, Minas Gerais e São Paulo. Faz temporadas na Argentina, Chile, Uruguai e Peru.

Atuaram também, por longo tempo, como atração da Rádio Clube de Pernambuco e lançou, na Victor, musicas carnavalescas, como os sambas Noite enluarada (Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres) e Sereno (Herivelto Martins e Nelson Gonçalves), gravado na Victor, em 1952, ao lado do cantor Nelson Gonçalves.

Gravaram ainda a guarânia Índia (J. A. Flores e M. O Guerrero, versão de José Fortuna); o baião Caboclo abandonado (Herivelto Martins e Benedito Lacerda), a catira História cabocla (Herivelto Martins e Jose Messias), a rancheira Festa no Sul (Raul Sampaio e Rubens Silva), Negro telefone (Herivelto Martins e David Nasser), todos na Victor, em 1953; Saudades de Mangueira (Nelson Trigueiro e Bartolomeu Silva), Me deixa em paz (Jovelino Marques), ambas na Victor, para o Carnaval de 1954, e Boca fechada (Lupicínio Rodrigues), também na Victor em 1954.

Em 1957 o trio foi novamente dissolvido por problemas de saúde da cantora, que viria a falecer aos 55 anos no Rio de Janeiro, em 19 de agosto de 1979, vítima de derrame cerebral. .

Em 1970 Lourdinha atuou na telenovela Irmãos Coragem (como Manuela). Foi a segunda esposa do cantor Nelson Gonçalves.

Fontes: Cine Claquete - atores - Lurdinha Bittencourt; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Noemi Cavalcanti

Noemi Cavalcanti (Noemi Knupp Brustt), cantora, nascida em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo (1926), integrou, em 1950, o Trio de Ouro na sua segunda formação (Nilo Sérgio e Herivelto Martins), quando do desquite de Herivelto com Dalva de Oliveira.

Em 1952 Noemi e Nilo Chagas passaram a atuar em dupla, ocasionando uma nova formação no Trio de Ouro: Herivelto, Raul Sampaio (Raul Coco, Cachoeiro de Itapemirim 1928—) e Lourdinha Bittencourt (Lourdes Bittencourt, São Paulo, 30/10/1923—Rio de Janeiro, 19/08/1979).

Noemi formou também, com sua irmã Odemi, o duo Irmãs Cavalcanti. Em 1954, gravaram pela Columbia o baião Lumiô, lumiô, de autoria da dupla, e a guarânia Ponta Porã, de Pereirinha e Jamir da Silva Araújo. No mesmo ano gravaram os rasqueados Além das fronteiras, de Pereirinha, e Noites do Paraguai, de S. Aguayo e Herivelto Martins.

Em 1955, gravaram de Pereirinha e Noemi Cavalcanti o rasqueado Terra distante, e de autoria das irmãs a valsa Saudosa Minas Gerais.

Seu marido era maestro do cantor e barítono Vicente Celestino, que foi seu padrinho de casamento, com a cineasta Gilda de Abreu como madrinha. Morava em Friburgo-RJ quando contraiu tuberculose. Foi para a casa de seu filho em Bauru-SP, onde veio a falecer em 26 de abril de 2001. Nenhum jornal comentou a sua morte (pobre memória da nossa MPB!).

Fontes: Noemi Cavalcanti e o Trio de Ouro - de Roberto de Azevedo (forniturarob@ig.com.br) - Agenda do Samba & Choro; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha; Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira; Cine Claquete - atores - Lurdinha Bittencourt; Loronix: Challenge / What is the name of this vocal group and whohttp are they? (imagem de Noemi Cavalcanti).

Noemi Cavalcanti

Noemi Cavalcanti (Noemi Knupp Brustt), cantora, nascida em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo (1926), integrou, em 1950, o Trio de Ouro na sua segunda formação (Nilo Sérgio e Herivelto Martins), quando do desquite de Herivelto com Dalva de Oliveira.

Em 1952 Noemi e Nilo Chagas passaram a atuar em dupla, ocasionando uma nova formação no Trio de Ouro: Herivelto, Raul Sampaio (Raul Coco, Cachoeiro de Itapemirim 1928—) e Lourdinha Bittencourt (Lourdes Bittencourt, São Paulo, 30/10/1923—Rio de Janeiro, 19/08/1979).

Noemi formou também, com sua irmã Odemi, o duo Irmãs Cavalcanti. Em 1954, gravaram pela Columbia o baião Lumiô, lumiô, de autoria da dupla, e a guarânia Ponta Porã, de Pereirinha e Jamir da Silva Araújo. No mesmo ano gravaram os rasqueados Além das fronteiras, de Pereirinha, e Noites do Paraguai, de S. Aguayo e Herivelto Martins.

Em 1955, gravaram de Pereirinha e Noemi Cavalcanti o rasqueado Terra distante, e de autoria das irmãs a valsa Saudosa Minas Gerais.

Seu marido era maestro do cantor e barítono Vicente Celestino, que foi seu padrinho de casamento, com a cineasta Gilda de Abreu como madrinha. Morava em Friburgo-RJ quando contraiu tuberculose. Foi para a casa de seu filho em Bauru-SP, onde veio a falecer em 26 de abril de 2001. Nenhum jornal comentou a sua morte (pobre memória da nossa MPB!).

Fontes: Noemi Cavalcanti e o Trio de Ouro - de Roberto de Azevedo (forniturarob@ig.com.br) - Agenda do Samba & Choro; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha; Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira; Cine Claquete - atores - Lurdinha Bittencourt; Loronix: Challenge / What is the name of this vocal group and whohttp are they? (imagem de Noemi Cavalcanti).

domingo, 3 de dezembro de 2006

Trio de Ouro

O conjunto vocal Trio de Ouro originou-se da Dupla Preto e Branco, formada em 1934 por Herivelto Martins e Francisco Sena (? - Rio de Janeiro RJ 1935), depois substituído por Nilo Chagas (Barra do Piraí RJ 1917 - Rio de Janeiro RJ 1973).

Em 1936 conheceram a cantora Dalva de Oliveira, quando ensaiavam para se apresentar no Cine Pátria, em São Cristóvão. Passaram, então, a se apresentar como Dupla Preto e Branco com a cantora Dalva de Oliveira, embora mantendo o nome da dupla.

Depois foram batizados por César Ladeira de Trio de Ouro, que lançou, em 1937, o primeiro sucesso, com o batuque Itaquari e a marchinha Ceci e Peri (ambas de Príncipe Pretinho), gravadas na Victor. Nesse ano, contratado pela Radio Mayrink Veiga, o trio atuou no programa de César Ladeira.

Em 1938, cantou na Rádio Tupi, do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, casavam-se Dalva e Herivelto. Em 1940, o conjunto transferiu se para a Rádio Clube do Brasil, atingindo nessa década o auge do sucesso, com o lançamento de músicas como Ave Maria do morro (Herivelto Martins), em 1942, na Odeon, e Praça Onze (Herivelto Marfins e Grande Otelo), gravada para o Carnaval de 1942, na Columbia, com o cantor Castro Barbosa.

Em 1950, com o desquite do casal, o trio se desfez. Herivelto refez o trio com a cantora Noemi Cavalcanti (Cachoeiro de Itapemirim ES 1926 ), mas no ano de 1952 Noemi e Nilo Chagas passaram a atuar em dupla. Nesse ano, o Trio de Ouro reapareceu com nova formação: Herivelto, Raul Sampaio (Raul Coco, Cachoeiro de Itapemirim 1928—) e Lourdinha Bittencourt (Lourdes Bittencourt, Campinas SP 1928—Rio de Janeiro RJ 1979).

Sua estréia foi marcada pela regravação de antigo sucesso, Ave Maria no morro, na Victor. Assinou contrato com a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos. Excursionou pelo Norte do país, Minas Gerais e São Paulo. Fez temporadas na Argentina, Chile, Uruguai e Peru.

O trio atuou também, por longo tempo, como atração da Rádio Clube de Pernambuco e lançou, na Victor, musicas carnavalescas, como os sambas Noite enluarada (Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres) e Sereno (Herivelto Martins e Nelson Gonçalves), gravado na Victor, em 1952, ao lado do cantor Nelson Gonçalves.

Gravou ainda a guarânia Índia (J. A. Flores e M. O Guerrero, versão de José Fortuna); o baião Caboclo abandonado (Herivelto Martins e Benedito Lacerda), a catira História cabocla (Herivelto Martins e Jose Messias), a rancheira Festa no Sul (Raul Sampaio e Rubens Silva), Negro telefone (Herivelto Martins e David Nasser), todos na Victor, em 1953; Saudades de Mangueira (Nelson Trigueiro e Bartolomeu Silva), Me deixa em paz (Jovelino Marques), ambas na Victor, para o Carnaval de 1954, e Boca fechada (Lupicínio Rodrigues), também na Victor em 1954.

Em 1957 o trio foi novamente dissolvido, por problemas de saúde da cantora.

CD Trio de Ouro, 1994, Revivendo RVCD 054.

Trio de Ouro

O conjunto vocal Trio de Ouro originou-se da Dupla Preto e Branco, formada em 1934 por Herivelto Martins e Francisco Sena (? - Rio de Janeiro RJ 1935), depois substituído por Nilo Chagas (Barra do Piraí RJ 1917 - Rio de Janeiro RJ 1973).

Em 1936 conheceram a cantora Dalva de Oliveira, quando ensaiavam para se apresentar no Cine Pátria, em São Cristóvão. Passaram, então, a se apresentar como Dupla Preto e Branco com a cantora Dalva de Oliveira, embora mantendo o nome da dupla.

Depois foram batizados por César Ladeira de Trio de Ouro, que lançou, em 1937, o primeiro sucesso, com o batuque Itaquari e a marchinha Ceci e Peri (ambas de Príncipe Pretinho), gravadas na Victor. Nesse ano, contratado pela Radio Mayrink Veiga, o trio atuou no programa de César Ladeira.

Em 1938, cantou na Rádio Tupi, do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, casavam-se Dalva e Herivelto. Em 1940, o conjunto transferiu se para a Rádio Clube do Brasil, atingindo nessa década o auge do sucesso, com o lançamento de músicas como Ave Maria do morro (Herivelto Martins), em 1942, na Odeon, e Praça Onze (Herivelto Marfins e Grande Otelo), gravada para o Carnaval de 1942, na Columbia, com o cantor Castro Barbosa.

Em 1950, com o desquite do casal, o trio se desfez. Herivelto refez o trio com a cantora Noemi Cavalcanti (Cachoeiro de Itapemirim ES 1926 ), mas no ano de 1952 Noemi e Nilo Chagas passaram a atuar em dupla. Nesse ano, o Trio de Ouro reapareceu com nova formação: Herivelto, Raul Sampaio (Raul Coco, Cachoeiro de Itapemirim 1928—) e Lourdinha Bittencourt (Lourdes Bittencourt, Campinas SP 1928—Rio de Janeiro RJ 1979).

Sua estréia foi marcada pela regravação de antigo sucesso, Ave Maria no morro, na Victor. Assinou contrato com a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos. Excursionou pelo Norte do país, Minas Gerais e São Paulo. Fez temporadas na Argentina, Chile, Uruguai e Peru.

O trio atuou também, por longo tempo, como atração da Rádio Clube de Pernambuco e lançou, na Victor, musicas carnavalescas, como os sambas Noite enluarada (Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres) e Sereno (Herivelto Martins e Nelson Gonçalves), gravado na Victor, em 1952, ao lado do cantor Nelson Gonçalves.

Gravou ainda a guarânia Índia (J. A. Flores e M. O Guerrero, versão de José Fortuna); o baião Caboclo abandonado (Herivelto Martins e Benedito Lacerda), a catira História cabocla (Herivelto Martins e Jose Messias), a rancheira Festa no Sul (Raul Sampaio e Rubens Silva), Negro telefone (Herivelto Martins e David Nasser), todos na Victor, em 1953; Saudades de Mangueira (Nelson Trigueiro e Bartolomeu Silva), Me deixa em paz (Jovelino Marques), ambas na Victor, para o Carnaval de 1954, e Boca fechada (Lupicínio Rodrigues), também na Victor em 1954.

Em 1957 o trio foi novamente dissolvido, por problemas de saúde da cantora.

CD Trio de Ouro, 1994, Revivendo RVCD 054.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Dalva de Oliveira

Dalva de Oliveira

Dalva de Oliveira (Vicentina de Paula Oliveira), cantora, nasceu em Rio Claro-SP, em 5/5/1917, e faleceu no Rio de Janeiro-RJ, em 31/8/1972. Filha do carpinteiro, saxofonista e clarinetista Mário Oliveira, desde pequena acompanhava o conjunto amador do pai, os Oito Batutas, nas serenatas e festas de clubes em que se apresentava. Aos oito anos, quando ele morreu, foi mandada com as três irmãs para um orfanato, o Colégio Tamandaré, onde aprendeu piano, órgão e canto coral.

Três anos depois, largou os estudos, por causa de uma doença nos olhos. Foi para São Paulo, onde a mãe já trabalhava como governanta, e empregou-se como babá, arrumadeira, ajudante de cozinheira e, mais tarde, cozinheira do Hotel Metrópole. Em seguida, passou a fazer limpeza numa escola de dança, em que, após o serviço, costumava cantar e improvisar músicas ao piano. Ouvida por um dos professores, foi convidada para participar de uma tournee com o grupo de Antônio Zovetti.

Em 1933, acompanhada da mãe, viajou por várias cidades do interior e chegou a Belo Horizonte, mas Zovetti adoeceu e o grupo se desfez. Sem dinheiro, fez um teste na Rádio Mineira e, aprovada, passou a cantar com o nome de Dalva de Oliveira. No ano seguinte, foi para o Rio de Janeiro e empregou-se como costureira numa fábrica de chinelos, da qual Mílton Guita (Milonguita) — um dos diretores da Rádio Ipanema (hoje Mauá) — era um dos proprietários. Milonguita levou-a para fazer um teste em sua rádio, sendo aprovada.

Mudou-se depois para a Rádio Sociedade e Rádio Cruzeiro do Sul (nesta cantando ao lado de Noel Rosa e, finalmente, para a Rádio Philips. Entre o trabalho em uma e outra emissora, fez temporada popular na Casa de Caboclo, do Teatro Fenix, com Jararaca e Ratinho, Alvarenga e Ranchinho, Ema d’Avila e Antônio Marzullo, atuando como atriz. Ainda no Teatro Fênix, apresentou-se como cantora e atriz de pequenas cenas cômicas entre os números.

Em 1936 conheceu Herivelto Martins, da Companhia Pascoal Segreto, que então atuava no Cine Pátria. Juntou-se a Dupla Preto e Branco, formada por Herivelto Martins e Nilo Chagas, formando um trio que foi batizado por César Ladeira como Trio de Ouro. Foram contratados pela Radio Mayrink Veiga e gravaram em 1937, na Victor, as músicas Itaguari e Ceci e Peri (ambas de Príncipe Pretinho). Casou-se com Herivelto, com quem teve dois filhos: o cantor Peri Ribeiro e Ubiratã.

Em 1938 foram para a Rádio Tupi e, dois anos depois, para a Rádio Clube. Gravou com Francisco Alves, na Columbia, o samba Brasil (Benedito Lacerda e Aldo Cabral) e Valsa da despedida (Robert Burns). A partir dessa data, exibiram-se no Cassino da Urca, ao lado de Grande Otelo e outros artistas, até o encerramento das atividades dessa casa sob o governo Dutra, em 1946.

Com o Trio de Ouro, gravou dois grandes sucessos, os sambas: Praça Onze (Herivelto Martins e Grande Otelo), na Columbia, em 1942, e Ave Maria do morro (Herivelto Martins), na Odeon, em 1943. No ano seguinte participou do filme Berlim na batucada, dirigido por Luís de Barros, e, dois anos depois, em Caídos do céu, do mesmo diretor.

Gravou na Continental em 1945, com Carlos Galhardo e Os Trovadores, a adaptação de João de Barro para a história infantil Branca de Neve e os sete anões, em dois discos, com músicas de Radamés Gnattali. Em 1947 conseguiu Outro grande êxito com o samba-canção Segredo (Herivelto Martins e Marino Pinto), gravado na Odeon. Em 1949 deixou o trio, quando excursionavam pela Venezuela com a Companhia de Derci Gonçalves.

Em 1951 retomou a carreira solo, lançando os sambas Tudo acabado (J. Piedade e Osvaldo Martins) e Olhos verdes (Vicente Paiva) e o samba-canção Ave Maria (Vicente Paiva e Jaime Redondo), sendo os dois últimos grandes sucessos da cantora. No ano seguinte foi eleita Rainha do Rádio, e excursionou pela Argentina, apresentando-se na Rádio El Mundo, de Buenos Aires, na qual conheceu Tito Clemente, que se tornou seu empresário e depois marido. Ainda em 1951, filmou Maria da praia, dirigido por Paulo Wanderley, e Milagre de amor, dirigido por Moacir Fenelon.

Em 1952 realizou temporada com Walter Pinto, no Teatro Santana, em São Paulo, e participou do filme Tudo azul, dirigido por Moacir Fenelon. Viajou para a Europa, tendo-se apresentado em Portugal e Espanha e gravado vários discos com Roberto Inglês, em Londres (Inglaterra), destacando-se entre as faixas o baião Kalu (Humberto Teixeira).

Fixou residência na Argentina, vindo ao Rio de Janeiro e São Paulo para curtas temporadas, até 1963, quando então regressou ao Brasil. Separada de Tito Clemente, casou-se com Manuel Nuno Carpinteiro. Em 1965 sofreu acidente automobilístico, e foi obrigada a abandonar a carreira por algum tempo.

Em 1970 lançou a marcha-rancho Bandeira branca (Max Nunes e Laércio Alves), que fez sucesso no Carnaval. No ano seguinte, apresentou-se no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro. No fim da carreira, novamente em evidência, apresentou-se em televisão, shows e casas noturnas.

Em 1997, Roberto Menescal produziu o álbum Tributo a Dalva de Oliveira, reunindo nomes como Elba Ramalho, Sidney Magal, Joanna, Caubi Peixoto, Lucho Gatica e Eduardo Dusek. No mesmo ano, foi lançado pela EMI o álbum A rainha da voz, com quatro CDs, contendo as suas gravações consideradas mais expressivas, num total de 80 músicas.

CDs Dalva de Oliveira: Saudade..., 1993, Revivendo RVCD 050; A rainha da voz (4 CDs), 1997, EMI 854933-2.

terça-feira, 2 de maio de 2006

Laurindo

Para o carnaval de 43, Herivelto Martins usou o personagem Laurindo, um sambista que "Sobe o morro gritando: não acabou a Praça Onze, não acabou". E partindo desse personagem, desenvolveu um samba que seria uma espécie de continuação de "Praça Onze", até mesmo repetindo com o Trio de Ouro o clima do sucesso anterior.

O samba foi muito cantado e o personagem continuou "vivendo" em outras composições como "Às Três da Manhã", do próprio Herivelto, e "Cabo Laurindo", em que Haroldo Lobo e Wilson Batista o transformaram em "pracinha", que vai à guerra e volta condecorado.

Trio de Ouro

Refletindo o momento de exaltação patriótica, que se vivia na ocasião, com o Brasil acabando de declarar guerra à Alemanha e à Itália, os versos finais do samba "Laurindo" descreviam uma cena em que a escola largava a bateria no chão e ia-se embora, enquanto a pirâmide ia "Aumentando, aumentando". Esta pirâmide é uma referência às "pirâmides" de objetos, de preferência metálicos, que o governo incentivava o povo a doar para o chamado esforço de guerra brasileiro.

Laurindo (samba/carnaval, 1943) - Herivelto Martins

(grito:) Não acabou a Praça Onze, não...

Laurindo sobe o morro gritando
Não acabou a Praça Onze, não acabou
Vamos esquentar nossos tamborins
Procura a porta-bandeira
E põe a turma em fileira
E marca ensaio pra quarta-feira

E quando a escola de samba chegou
Na Praça Onze não encontrou
Mais ninguém
Não sambou
Laurindo pega o apito
Apita a evolução
Mas toda a escola de samba
Largou a bateria no chão
E foi-se embora cantando
E daí a pirâmide foi aumentando, aumentando

Ave Maria do morro

Recém-chegado ao Rio, por volta de 1930, Herivelto Martins costumava freqüentar o Morro da Favela, onde havia uma singela capelinha. Por muito tempo ele guardou a imagem dessa capela, com a intenção de usá-la numa canção que descrevesse de forma mística o anoitecer no morro.

Um dia, estando num bilhar na Praça Tiradentes, despertou-lhe a atenção a algazarra de um bando de pardais, que se recolhia às arvores para dormir. Transportando os pardais para o morro, ele escreveu e musicou os seguintes versos: "Tem alvorada / tem passarada / alvorecer / sinfonia de pardais / anunciando o anoitecer" - que logo complementou, compondo o que viria a ser a segunda parte de "Ave Maria no Morro". Entusiasmado com o esboço de samba que acabara de fazer, Herivelto resolveu mostrá-lo ao compadre Benedito Lacerda, na época seu vizinho na Ilha do Governador.

É ele próprio quem conta essa história, no depoimento que prestou para o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, em 18.08.83: "Eu me preparei para mostrar ao Benedito essa segunda parte. Ensaiei com a Dalva, bem ensaiadinho, e todo animado fui procurá-lo. ‘Ouve aqui, Benedito, este negócio que eu fiz.' E então cantamos, cantamos, a Dalva com aquela voz bonita e eu, no violão, crente que estávamos agradando, pois estava mesmo uma beleza. Terminada a cantoria, uma decepção. O Benedito tirou os óculos, esfregou os olhos e disse com a maior frieza: 'Meu compadre, isso é música de igreja. Vamos fazer música pra ganhar dinheiro, meu compadre'. E, para amenizar o meu desapontamento, acrescentou: ‘Tá bem, tá bem pra vocês cantarem no rádio, mas isso não é música pra dar dinheiro. Cadê aquele sambinha que você me mostrou outro dia?"'.

Desiludido com a rejeição, Herivelto arquivou a composição, só a concluindo meses depois, quando aprontou a primeira parte ( "Barracão de zinco / sem telhado / sem pintura / lá no morro...").

Gravada em junho de 42, "Ave Maria no Morro" foi o primeiro sucesso do Trio de Ouro na Odeon. A repercussão do disco, entretanto, trouxe um problema. O cardeal, Dom Sebastião Leme, considerou a canção uma heresia e pediu sua proibição, o que só não aconteceu porque o autor tinha pistolão no serviço de censura. Realmente, a posteridade provaria que Sua Excelência Reverendíssima não estava com a razão: a partir dos anos sessenta, "Ave Maria no Morro" tornou-se a composição que maiores dividendos renderia na obra de Herivelto, especialmente por sua execução em igrejas da Alemanha, Áustria, Suíça e outros países.

Título da música: Ave maria no morro / Gênero musical: Samba canção / Intérprete: Trio de Ouro / Compositores: Martins, Herivelto / Gravadora Odeon / Número do Álbum 12185 / Data de Gravação 00/1942 / Data de Lançamento 00/1942 / Lado A / Disco 78 rpm

Ave Maria do morro (samba, 1942) - Herivelto Martins


G           G7
barracão de zinco
C     Cm    G
sem telhado sem pintura lá no morro
D7 G D7 G
barracão é bangalô
G7        C
lá não existe felicidade de arranha-céu
Cm G
pois quem mora lá no morro
D7 G   D7   G
já vive pertinho do céu

G7         C
tem alvorada tem passarada ao alvorecer
Cm G E7
sinfonia de pardais
Am D7 G
anunciando o anoitecer

Cm         G
e o morro inteiro no fim do dia
D7            G
reza uma prece à ave Maria
    Cm              G
e o morro inteiro no fim do dia
D7    G
reza uma prece à ave Maria
D
ave Maria
C G
ave