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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Zinha

Zinha (polca, 1907) - Patápio Silva

Altamiro Carrilho sobre o estilo de Patápio como compositor: "...Ele não chegou a criar um estilo próprio. Baseou-se em autores mais antigos, como Schumann e Bach. Em cada música que compunha dava um toque diferente, com inspirações diferentes, ora no barroco, ora no rococó, e assim por diante. Pelo que a gente sente ao conhecer a obra de Patápio, ele gostava de tudo.

Desde a música popularesca dos tambores africanos até o erudito. Ele tinha todo tipo de influência. Fazia polcas, que vinham da Tchecoslováquia, mas também ouvia lundus, maxixe. "Zinha", por exemplo, é uma polca, tem característica de música de salão, lembra um minueto. Patápio não chegou a fazer muitos choros, que seria um gênero mais brasileiro.." (Altamiro fala sobre Patápio Silva - www.altamirocarrilho.com.br - 18/10/2005).

Gravação do próprio Patápio Silva na Casa Edison de sua polca Zinha -Selo: Odeon - Número do Álbum: 10011- Data de Gravação e lançamento: 1907-1913- Lado único - Disco 78 rpm:

Zinha

Zinha (polca, 1907) - Patápio Silva

Altamiro Carrilho sobre o estilo de Patápio como compositor: "...Ele não chegou a criar um estilo próprio. Baseou-se em autores mais antigos, como Schumann e Bach. Em cada música que compunha dava um toque diferente, com inspirações diferentes, ora no barroco, ora no rococó, e assim por diante. Pelo que a gente sente ao conhecer a obra de Patápio, ele gostava de tudo.

Desde a música popularesca dos tambores africanos até o erudito. Ele tinha todo tipo de influência. Fazia polcas, que vinham da Tchecoslováquia, mas também ouvia lundus, maxixe. "Zinha", por exemplo, é uma polca, tem característica de música de salão, lembra um minueto. Patápio não chegou a fazer muitos choros, que seria um gênero mais brasileiro.." (Altamiro fala sobre Patápio Silva - www.altamirocarrilho.com.br - 18/10/2005).

Gravação do próprio Patápio Silva na Casa Edison de sua polca Zinha -Selo: Odeon - Número do Álbum: 10011- Data de Gravação e lançamento: 1907-1913- Lado único - Disco 78 rpm:

Amor perdido

Amor perdido (valsa, 1907) - Patápio Silva

O exímio flautista Patápio Silva foi contratado por Fred Figner e gravou na Odeon (Casa Edison) de 1904 a 1906, interpretando peças como Noturno n° 1 e Noturno n° 2, de Fréderic Chopin (1810-1849), Serenata, de Franz Schubert (1797-1828), Serenata oriental (Ernesto Kõhler), Allegro (Terschak), a polca Só para moer (Viriato) e, de sua autoria, a valsa Primeiro amor, Variações de flauta (Fantasia de concerto), Margarida, Sonho, Serenata d'amore, Amor perdido e Zinha.

Abaixo temos sua interpretação na valsa Amor perdido - gravadora Odeon /  álbum número 10009 /  gravação-lançamento 1907-1913 / lado único / 78 rpm:

Amor perdido

Amor perdido (valsa, 1907) - Patápio Silva

O exímio flautista Patápio Silva foi contratado por Fred Figner e gravou na Odeon (Casa Edison) de 1904 a 1906, interpretando peças como Noturno n° 1 e Noturno n° 2, de Fréderic Chopin (1810-1849), Serenata, de Franz Schubert (1797-1828), Serenata oriental (Ernesto Kõhler), Allegro (Terschak), a polca Só para moer (Viriato) e, de sua autoria, a valsa Primeiro amor, Variações de flauta (Fantasia de concerto), Margarida, Sonho, Serenata d'amore, Amor perdido e Zinha.

Abaixo temos sua interpretação na valsa Amor perdido - gravadora Odeon /  álbum número 10009 /  gravação-lançamento 1907-1913 / lado único / 78 rpm:

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O sonho


O sonho (romança, 1904) - Patápio Silva

Patápio Silva foi um brilhante flautista e excelente compositor. Ele havia tocado em bandinhas e "viveu" a música popular de seu tempo, que se refletia na sua obra.

Mas sua obra trazia um outro aspecto muito interessante: ele era um músico antenado a produção erudita internacional, e assim como Liszt, Paganini, Popp, Chopin... utilizava todos os recursos técnicos possíveis em suas músicas, fazendo com que apenas flautistas com o domínio pleno do instrumento sejam capazes de executar sua obra.

Ouça aqui a linda ária O sonho, composta pelo próprio flautista e gravada / lançada na Casa Edison em 1904 / 1907, selo Odeon, álbum número 40085:

O sonho


O sonho (romança, 1904) - Patápio Silva

Patápio Silva foi um brilhante flautista e excelente compositor. Ele havia tocado em bandinhas e "viveu" a música popular de seu tempo, que se refletia na sua obra.

Mas sua obra trazia um outro aspecto muito interessante: ele era um músico antenado a produção erudita internacional, e assim como Liszt, Paganini, Popp, Chopin... utilizava todos os recursos técnicos possíveis em suas músicas, fazendo com que apenas flautistas com o domínio pleno do instrumento sejam capazes de executar sua obra.

Ouça aqui a linda ária O sonho, composta pelo próprio flautista e gravada / lançada na Casa Edison em 1904 / 1907, selo Odeon, álbum número 40085:

Serenata de amor

Serenata de amor (romança, 1904) - Patápio Silva

Patápio Silva estudando dez horas por dia no Instituto Nacional de Música, formou-se em 1903, recebendo medalha de ouro e o primeiro prêmio nesse Instituto.

Contratado por Fred Figner gravou na Odeon (Casa Edison) de 1904 a 1906, interpretando peças como Noturno n° 1 e Noturno n° 2, de Fréderic Chopin (1810-1849), Serenata, de Franz Schubert (1797-1828), Serenata oriental (Ernesto Kõhler), Allegro (Terschak), a polca Só para moer (Viriato) e, de sua autoria, a valsa Primeiro amor , Variações de flauta (Fantasia de concerto), Margarida, Sonho, Serenata d'amore, Amor perdido e Zinha.

Em seguida a gravação da romança Serenata d'amore, ou melhor, Serenata de amor, pela Casa Edison, gravadora Odeon, álbum número 40244, gravada / lançada em 1904 / 1907:

Serenata de amor

Serenata de amor (romança, 1904) - Patápio Silva

Patápio Silva estudando dez horas por dia no Instituto Nacional de Música, formou-se em 1903, recebendo medalha de ouro e o primeiro prêmio nesse Instituto.

Contratado por Fred Figner gravou na Odeon (Casa Edison) de 1904 a 1906, interpretando peças como Noturno n° 1 e Noturno n° 2, de Fréderic Chopin (1810-1849), Serenata, de Franz Schubert (1797-1828), Serenata oriental (Ernesto Kõhler), Allegro (Terschak), a polca Só para moer (Viriato) e, de sua autoria, a valsa Primeiro amor , Variações de flauta (Fantasia de concerto), Margarida, Sonho, Serenata d'amore, Amor perdido e Zinha.

Em seguida a gravação da romança Serenata d'amore, ou melhor, Serenata de amor, pela Casa Edison, gravadora Odeon, álbum número 40244, gravada / lançada em 1904 / 1907:

Margarida

Margarida (mazurca, 1904) - Patápio Silva

Flautista excepcional e muito bom compositor, Patápio Silva começou ainda adolescente atuando em bandas do interior, cursando a seguir o Instituto Nacional de Música, onde se formou em 1903. A partir de então, desenvolveu uma vitoriosa carreira, que seria interrompida pela morte aos 27 anos. A popularidade de Patápio era tão grande que seus discos permaneceram em catálogo por mais de duas décadas.

Como compositor deixou pérolas como Primeiro amor, Margarida, Sonho, Serenata d'amore, Amor perdido e Zinha. Abaixo a mazurca Margarida gravada / lançada pela Casa Edison em 1904 / 1907, álbum número 40045, interpretação do próprio gênio:

Margarida

Margarida (mazurca, 1904) - Patápio Silva

Flautista excepcional e muito bom compositor, Patápio Silva começou ainda adolescente atuando em bandas do interior, cursando a seguir o Instituto Nacional de Música, onde se formou em 1903. A partir de então, desenvolveu uma vitoriosa carreira, que seria interrompida pela morte aos 27 anos. A popularidade de Patápio era tão grande que seus discos permaneceram em catálogo por mais de duas décadas.

Como compositor deixou pérolas como Primeiro amor, Margarida, Sonho, Serenata d'amore, Amor perdido e Zinha. Abaixo a mazurca Margarida gravada / lançada pela Casa Edison em 1904 / 1907, álbum número 40045, interpretação do próprio gênio:

Alvorada das rosas

Patápio Silva
Alvorada das rosas (romança, 1904) - Júlio Reis

Júlio Reis (1870-1933) radicou-se no Rio de Janeiro, então capital do Império, e ingressou no serviço público como funcionário do Senado.Recortes selecionados pelo próprio registram que ele exerceu uma intensa atividade artística no Rio de Janeiro a partir da década de 80 do século XIX, quando começou a publicar suas composições.

A atividade de compositor e pianista intensifica-se na década seguinte, quando passa a integrar a elite intelectual do Rio de Janeiro - apresentava-se em concertos e recitais, algumas vezes acompanhado do irmão, o também pianista João Reis.

Entre as gravações do flautista Patápio Silva na antiga Casa Edison, consta a romança Alvorada das rosas de autoria de Júlio Reis:

Alvorada das rosas

Patápio Silva
Alvorada das rosas (romança, 1904) - Júlio Reis

Júlio Reis (1870-1933) radicou-se no Rio de Janeiro, então capital do Império, e ingressou no serviço público como funcionário do Senado.Recortes selecionados pelo próprio registram que ele exerceu uma intensa atividade artística no Rio de Janeiro a partir da década de 80 do século XIX, quando começou a publicar suas composições.

A atividade de compositor e pianista intensifica-se na década seguinte, quando passa a integrar a elite intelectual do Rio de Janeiro - apresentava-se em concertos e recitais, algumas vezes acompanhado do irmão, o também pianista João Reis.

Entre as gravações do flautista Patápio Silva na antiga Casa Edison, consta a romança Alvorada das rosas de autoria de Júlio Reis:

Júlio Reis

Júlio Reis (Júlio César do Lago Reis), pianista, organista, compositor e crítico, nasceu em São Paulo-SP em 23/10/1870, e faleceu no Rio de Janeiro-RJ em 20/9/1933. Quando criança estudou piano e órgão com a mãe. Dedicou-se à música como diletante, tendo seguido carreira de funcionário público no Senado Federal.

Em 1883, no Rio de Janeiro, sua Ave Maria, para piano e coros, foi cantada na festa de Santa Cecília, na igreja do Santíssimo Sacramento, sob a regência do maestro Henrique Alves de Mesquita.

Sua Marcha triunfal para órgão foi executada em Roma, Itália, em 1887, por ocasião das comemorações do jubileu sacerdotal do papa Leão XIII, a quem era dedicada.

Foi crítico musical de A Notícia, do Rio de Janeiro, e dedicou-se também à literatura. Publicou duas coletâneas de críticas e apreciações musicais: À margem da música, Rio de Janeiro, 1918; e Música de pancadaria, 1920. Escreveu as óperas Sóror Mariana, baseada em drama de Júlio Dantas, concluída em 1920, e Heliofar (libreto de Tapajós Gomes), estreada a 1° de janeiro de 1923, no Palácio das Festas da Exposição Internacional do Centenário, no Rio de Janeiro.

Obras

Música dramática: Heliofar, ópera, 1923; Sóror Mariana, ópera, 1920.

Música instrumental: Alvorada nupcial, p/piano, s.d.; Berceuse, p/piano, s.d.; Berceuse, p/violino e piano, s.d.; Cinco cenas orientais (Serenata, Noturno, Lótus, Preghiera e Balada), p/piano, s.d.; Citereu, p/piano, s.d.; Marcha triunfal, p/órgão, só.; Noturno, p/piano, só.; Odaléia, p/piano, só.; Ondina, p/piano, s.d.; Ronde de nymphes, p/celo e piano, s.d.; Serenata, p/piano, s.d.

O gênio que não imita nem plagia

Júlio Reis nasceu em São Paulo, capital, no dia 23 de outubro de 1870, filho de Antonio Manoel dos Reis e de Francisca Luiza do Lago Reis, que viria a ser sua primeira e única professora de piano. Radicou-se no Rio de Janeiro, então capital do Império, e ingressou no serviço público como funcionário do Senado.

De acordo com recortes de jornais que integram seu acervo, Julio Reis já vivia no Rio desde pelo menos 1883, quando sua "Ave Maria" para piano e coros - composta quando ele tinha 13 anos - foi executada na Igreja do Santíssimo Sacramento, no Rio de Janeiro, regida pelo maestro Henrique Alves de Mesquita. Em 1887, por encomenda do bispo do Pará, d. Antonio de Macedo Costa, Julio compôs uma "Marcha Triunfal" em homenagem ao jubileu do papa Leão XIII e que acabou sendo tocada em Roma.

Recortes selecionados pelo próprio Julio Reis registram que ele exerceu uma intensa atividade artística no Rio de Janeiro a partir da década de 80 do século XIX, quando começou a publicar suas composições. Em 1883, o "El mundo artistico", de Buenos Aires, registra a edição da valsa "Inspiração Celeste", composição "melodiosa e sentimental e que sem dúvida fará bom caminho".

A atividade de compositor e pianista intensifica-se na década seguinte, quando passa a integrar a elite intelectual do Rio de Janeiro - apresentava-se em concertos e recitais, algumas vezes acompanhado do irmão, o também pianista João Reis. Em 1898, sai seu primeiro livro, "Catabile", que reunia contos, ou, como definiu, "miniaturas em prosa e música". Artigo publicado no "Jornal do Brasil" em 1936, três anos depois de sua morte, cita que Julio tinha Rui Barbosa entre seus admiradores. "Teve muitas vezes Julio Reis de improvisar diante do grande Rui, que o considerava como um dos mais inspirados compositores brasileiros." Ao noticiar a morte do compositor, em setembro de 1933, o jornal "A Noite", o classificou de "figura tradicional da cidade".

Segundo manuscrito que integra seu acervo - documento escrito provavelmente pelo próprio Julio Reis - o compositor tentou, durante a monarquia e nos primeiros governos republicanos, obter uma pensão para estudar na Europa, benefício que acabou não lhe sendo concedido. De acordo com o manuscrito, as negativas o obrigaram a se tornar um autodidata, "conseguindo em um ano o que outros mais felizes conseguem em um dia."

Quando ainda tentava receber o benefício do governo, Julio Reis recebeu, do já então consagrado Carlos Gomes, uma carta em que manifestava seu apoio à sua tentativa de estudar na Europa. Datada de 20 de novembro de 1890 e reproduzida em artigo de jornal, em 1896, pelo também compositor Frederico Mallio, a carta diz:

"Meu caro Julio Reis.

No desempenho da missão que o destino me impoz, de animar e proteger a todos os que tem talento e estudam , como você, tenho o maior prazer em aprovar a tua idéia de ires para a Europa completar os teus estudos, certo como estou de que, 'vendo e ouvindo' os grandes mestres virás a ser um artista que saberá honrar o nosso querido Brasil.

Resolve-te o quanto antes e recebe as saudações do sempre teu collega sincero.

A.Carlos Gomes".

Julio Reis dedicaria a Carlos Gomes a valsa "Odaléa", que seria impressa, em versão de luxo , pela casa Röder, de Leipzig. Na edição do "Jornal do Brasil" de 27 de fevereiro de 1892, o crítico Alfredo Camarate classifica Julio Reis de "músico fértil e produtivo" e diz que "Odaléa" é uma valsa "muito bonita e brilhante".

Frederico Mallio, cita que Julio Reis já então publicara mais de 200 composições. Segundo ele, o compositor "não se filiou a escola alguma existente, seu estilo é a sua personificação, é aquilo que ele sente no seu pulsar febril de verdadeiro gênio que não imita não plagia".

Já no século 20, Júlio Reis, sem abandonar a produção de valsas, polcas, mazurcas e "tangos brasileiros", passa a compor para orquestra. Inicia também a carreira de crítico musical em jornais como "O combate". A atividade como crítico leva à publicação de livros, entre eles, "À margem da música" e "Música de pancadaria".

Em 1914 conclui o "poema sinfônico" "Vigília d´Armas", para 42 instrumentos, que estrearia no ano seguinte. Em 1920, ele dá início ao projeto que se constituiria em sua maior frustração. Consegue do escritor português Julio Dantas a autorização para transformar em ópera sua peça "Sóror Mariana". No ano seguinte, obtém do Congresso Nacional uma dotação de 30 contos para a montagem da ópera - quantia que nunca viria a receber. Julio Reis não chegaria a orquestrar a ópera: compôs apenas a melodia básica e as partes dos cantores.

Mas, em 1923, conseguiria uma vitória: ainda dentro da programação da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, sua ópera "Heliophar" estreou no Palácio das Festas no dia 24 de maio. O programa incluiu apresentações de obras sinfônicas de sua autoria, entre elas, "Vigília d´Armas" e "Caravana Celeste". 

Julio Reis morreu no dia 20 de setembro de 1933, no subúrbio de Piedade, no Rio de Janeiro. Durante anos, seu filho Frederico Mário dos Reis tentaria obter do governo e do Congresso Nacional a liberação da verba aprovada em 1915 e que permitiria a conclusão e a encenação de "Sóror Mariana". Frederico Mário morreu em 1992 sem realizar o sonho de seu pai. 

Fontes: Orquestra de Câmara Paulistana; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

Júlio Reis

Júlio Reis (Júlio César do Lago Reis), pianista, organista, compositor e crítico, nasceu em São Paulo-SP em 23/10/1870, e faleceu no Rio de Janeiro-RJ em 20/9/1933. Quando criança estudou piano e órgão com a mãe. Dedicou-se à música como diletante, tendo seguido carreira de funcionário público no Senado Federal.

Em 1883, no Rio de Janeiro, sua Ave Maria, para piano e coros, foi cantada na festa de Santa Cecília, na igreja do Santíssimo Sacramento, sob a regência do maestro Henrique Alves de Mesquita.

Sua Marcha triunfal para órgão foi executada em Roma, Itália, em 1887, por ocasião das comemorações do jubileu sacerdotal do papa Leão XIII, a quem era dedicada.

Foi crítico musical de A Notícia, do Rio de Janeiro, e dedicou-se também à literatura. Publicou duas coletâneas de críticas e apreciações musicais: À margem da música, Rio de Janeiro, 1918; e Música de pancadaria, 1920. Escreveu as óperas Sóror Mariana, baseada em drama de Júlio Dantas, concluída em 1920, e Heliofar (libreto de Tapajós Gomes), estreada a 1° de janeiro de 1923, no Palácio das Festas da Exposição Internacional do Centenário, no Rio de Janeiro.

Obras

Música dramática: Heliofar, ópera, 1923; Sóror Mariana, ópera, 1920.

Música instrumental: Alvorada nupcial, p/piano, s.d.; Berceuse, p/piano, s.d.; Berceuse, p/violino e piano, s.d.; Cinco cenas orientais (Serenata, Noturno, Lótus, Preghiera e Balada), p/piano, s.d.; Citereu, p/piano, s.d.; Marcha triunfal, p/órgão, só.; Noturno, p/piano, só.; Odaléia, p/piano, só.; Ondina, p/piano, s.d.; Ronde de nymphes, p/celo e piano, s.d.; Serenata, p/piano, s.d.

O gênio que não imita nem plagia

Júlio Reis nasceu em São Paulo, capital, no dia 23 de outubro de 1870, filho de Antonio Manoel dos Reis e de Francisca Luiza do Lago Reis, que viria a ser sua primeira e única professora de piano. Radicou-se no Rio de Janeiro, então capital do Império, e ingressou no serviço público como funcionário do Senado.

De acordo com recortes de jornais que integram seu acervo, Julio Reis já vivia no Rio desde pelo menos 1883, quando sua "Ave Maria" para piano e coros - composta quando ele tinha 13 anos - foi executada na Igreja do Santíssimo Sacramento, no Rio de Janeiro, regida pelo maestro Henrique Alves de Mesquita. Em 1887, por encomenda do bispo do Pará, d. Antonio de Macedo Costa, Julio compôs uma "Marcha Triunfal" em homenagem ao jubileu do papa Leão XIII e que acabou sendo tocada em Roma.

Recortes selecionados pelo próprio Julio Reis registram que ele exerceu uma intensa atividade artística no Rio de Janeiro a partir da década de 80 do século XIX, quando começou a publicar suas composições. Em 1883, o "El mundo artistico", de Buenos Aires, registra a edição da valsa "Inspiração Celeste", composição "melodiosa e sentimental e que sem dúvida fará bom caminho".

A atividade de compositor e pianista intensifica-se na década seguinte, quando passa a integrar a elite intelectual do Rio de Janeiro - apresentava-se em concertos e recitais, algumas vezes acompanhado do irmão, o também pianista João Reis. Em 1898, sai seu primeiro livro, "Catabile", que reunia contos, ou, como definiu, "miniaturas em prosa e música". Artigo publicado no "Jornal do Brasil" em 1936, três anos depois de sua morte, cita que Julio tinha Rui Barbosa entre seus admiradores. "Teve muitas vezes Julio Reis de improvisar diante do grande Rui, que o considerava como um dos mais inspirados compositores brasileiros." Ao noticiar a morte do compositor, em setembro de 1933, o jornal "A Noite", o classificou de "figura tradicional da cidade".

Segundo manuscrito que integra seu acervo - documento escrito provavelmente pelo próprio Julio Reis - o compositor tentou, durante a monarquia e nos primeiros governos republicanos, obter uma pensão para estudar na Europa, benefício que acabou não lhe sendo concedido. De acordo com o manuscrito, as negativas o obrigaram a se tornar um autodidata, "conseguindo em um ano o que outros mais felizes conseguem em um dia."

Quando ainda tentava receber o benefício do governo, Julio Reis recebeu, do já então consagrado Carlos Gomes, uma carta em que manifestava seu apoio à sua tentativa de estudar na Europa. Datada de 20 de novembro de 1890 e reproduzida em artigo de jornal, em 1896, pelo também compositor Frederico Mallio, a carta diz:

"Meu caro Julio Reis.

No desempenho da missão que o destino me impoz, de animar e proteger a todos os que tem talento e estudam , como você, tenho o maior prazer em aprovar a tua idéia de ires para a Europa completar os teus estudos, certo como estou de que, 'vendo e ouvindo' os grandes mestres virás a ser um artista que saberá honrar o nosso querido Brasil.

Resolve-te o quanto antes e recebe as saudações do sempre teu collega sincero.

A.Carlos Gomes".

Julio Reis dedicaria a Carlos Gomes a valsa "Odaléa", que seria impressa, em versão de luxo , pela casa Röder, de Leipzig. Na edição do "Jornal do Brasil" de 27 de fevereiro de 1892, o crítico Alfredo Camarate classifica Julio Reis de "músico fértil e produtivo" e diz que "Odaléa" é uma valsa "muito bonita e brilhante".

Frederico Mallio, cita que Julio Reis já então publicara mais de 200 composições. Segundo ele, o compositor "não se filiou a escola alguma existente, seu estilo é a sua personificação, é aquilo que ele sente no seu pulsar febril de verdadeiro gênio que não imita não plagia".

Já no século 20, Júlio Reis, sem abandonar a produção de valsas, polcas, mazurcas e "tangos brasileiros", passa a compor para orquestra. Inicia também a carreira de crítico musical em jornais como "O combate". A atividade como crítico leva à publicação de livros, entre eles, "À margem da música" e "Música de pancadaria".

Em 1914 conclui o "poema sinfônico" "Vigília d´Armas", para 42 instrumentos, que estrearia no ano seguinte. Em 1920, ele dá início ao projeto que se constituiria em sua maior frustração. Consegue do escritor português Julio Dantas a autorização para transformar em ópera sua peça "Sóror Mariana". No ano seguinte, obtém do Congresso Nacional uma dotação de 30 contos para a montagem da ópera - quantia que nunca viria a receber. Julio Reis não chegaria a orquestrar a ópera: compôs apenas a melodia básica e as partes dos cantores.

Mas, em 1923, conseguiria uma vitória: ainda dentro da programação da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, sua ópera "Heliophar" estreou no Palácio das Festas no dia 24 de maio. O programa incluiu apresentações de obras sinfônicas de sua autoria, entre elas, "Vigília d´Armas" e "Caravana Celeste". 

Julio Reis morreu no dia 20 de setembro de 1933, no subúrbio de Piedade, no Rio de Janeiro. Durante anos, seu filho Frederico Mário dos Reis tentaria obter do governo e do Congresso Nacional a liberação da verba aprovada em 1915 e que permitiria a conclusão e a encenação de "Sóror Mariana". Frederico Mário morreu em 1992 sem realizar o sonho de seu pai. 

Fontes: Orquestra de Câmara Paulistana; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

sexta-feira, 24 de março de 2006

Primeiro amor

Primeiro amor (valsa, 1904) - Patápio Silva

Flautista excepcional e muito bom compositor, Patápio Silva começou ainda adolescente atuando em bandas do interior, cursando a seguir o Instituto Nacional de Música, onde se formou em 1903.

A partir de então, desenvolveu uma vitoriosa carreira, que seria interrompida pela morte aos 27 anos. A popularidade de Patápio era tão grande que seus discos permaneceram em catálogo por mais de duas décadas.

Um de seus maiores sucessos foi a graciosa valsa Primeiro amor, um clássico do repertório flautístico brasileiro, que dá bem uma idéia do estilo musical do autor, situado na fronteira do popular com o erudito.

É provável que Patápio optasse pela música de concerto se tivesse vivido por mais tempo (clique na figura abaixo para escutar a melodia).


Primeiro amor

Primeiro amor (valsa, 1904) - Patápio Silva

Flautista excepcional e muito bom compositor, Patápio Silva começou ainda adolescente atuando em bandas do interior, cursando a seguir o Instituto Nacional de Música, onde se formou em 1903.

A partir de então, desenvolveu uma vitoriosa carreira, que seria interrompida pela morte aos 27 anos. A popularidade de Patápio era tão grande que seus discos permaneceram em catálogo por mais de duas décadas.

Um de seus maiores sucessos foi a graciosa valsa Primeiro amor, um clássico do repertório flautístico brasileiro, que dá bem uma idéia do estilo musical do autor, situado na fronteira do popular com o erudito.

É provável que Patápio optasse pela música de concerto se tivesse vivido por mais tempo (clique na figura abaixo para escutar a melodia).


sábado, 18 de março de 2006

Só para moer

O flautista Viriato Figueira da Silva nasceu em Macaé, estado do Rio de Janeiro. Estudou no Conservatório de Música do Rio de Janeiro com Callado, de quem se tornou grande amigo. Foi um dos primeiros a se destacar no Brasil como solista de saxofone. Viajou a São Paulo como integrante da orquestra do Teatro Phoenix Dramática, sob direção do maestro Henrique Alves de Mesquita.

Segundo o flautista Pedro de Assis, Viriato "empreendeu com grande êxito artístico e financeiro uma turnê artística às capitais nortistas alguns anos depois de ter feito a mesma digressão o maior flautista do mundo, o célebre flautista belga André Mateus Reichert".

A polca Só para Moer, (escute a música logo abaixo) de sua autoria, é a primeira em tonalidade menor de que se tem notícia, e uma das músicas mais lindas do repertório do choro. Gravada originalmente por Patápio Silva em 1902, popularizou-se entre os músicos de choro, tornando-se um clássico da obra de Viriato.


Só para moer (Não vê-la mais) (polca, 1877) - Música: Viriato Figueira da Silva / Letra: Catulo da Paixão Cearense

Senhor / Tréguas a meus ais!
Mata-me esta dor / De não vê-la mais
Volve piedoso o teu olhar / Para o meu sofrer
Vê que a padecer / Venho te implorar

Senhor, faze adormecer / Meu peito a doer
Tu que és todo amor! / Tem compaixão
Da minha dor / Pára o coração
Faze-o descansar / Basta de ansiar

Pensar que nunca mais verei / O anjo que adorei
Por quem choro e chorei / E em cujo altar me ajoelhava
E em que em extremos cultuava / E que era tudo quanto amava
E que era tudo quanto amei

Pensar / Em não mais me orvalhar
Não me sacramentar / Nos olhos que adorei
Naqueles olhos que eu magoado / Sobre um leito debruçado
Num suspiro prolongado / Com as minhas mãos fechei

Tão só / O que hei de fazer?
Mais do que gemer / Mais do que gemer
Até que de mim tenhas dó / Volvas teu amor
Teu sagrado amor / Sobre mim Senhor

Em prece, ajoelhado / A sua sepultura
Que lágrimas transuda / Já tenho interrogado
A sepultura é muda / Não quer me responder
Meus Deus, que hei de fazer? / Senhor, meu Deus, que hei de fazer?

Contrito, ajoelhado / Em lágrimas desfeito
Já tenho interrogado / A pedra de seu lado
A pedra friamente / Silêncio só transuda
E impiedosamente muda / Nada diz ao infeliz

Às horas fulgurantes / Das noites palpitantes
A lua macilenta / Tristonha e sonolenta
O azul do firmamento / E a própria solidão
Entendem minhas queixas / E esta dor do coração

Só Tu, Senhor, em calma / Não ouves meus gemidos
Gritando por sua alma / Cansados, languescidos
Em pleno cemitério / Revela-me o mistério
E vem agora me dizer: / O que é viver, o que é morrer?

Senhor / Tréguas a meus ais!
Mata-me esta dor / De não vê-la mais
Volve piedoso o teu olhar / Sobre o meu penar
Vê que a soluçar / Venho te implorar

Só para moer

O flautista Viriato Figueira da Silva nasceu em Macaé, estado do Rio de Janeiro. Estudou no Conservatório de Música do Rio de Janeiro com Callado, de quem se tornou grande amigo. Foi um dos primeiros a se destacar no Brasil como solista de saxofone. Viajou a São Paulo como integrante da orquestra do Teatro Phoenix Dramática, sob direção do maestro Henrique Alves de Mesquita.

Segundo o flautista Pedro de Assis, Viriato "empreendeu com grande êxito artístico e financeiro uma turnê artística às capitais nortistas alguns anos depois de ter feito a mesma digressão o maior flautista do mundo, o célebre flautista belga André Mateus Reichert".

A polca Só para Moer, (escute a música logo abaixo) de sua autoria, é a primeira em tonalidade menor de que se tem notícia, e uma das músicas mais lindas do repertório do choro. Gravada originalmente por Patápio Silva em 1902, popularizou-se entre os músicos de choro, tornando-se um clássico da obra de Viriato.


Só para moer (Não vê-la mais) (polca, 1877) - Música: Viriato Figueira da Silva / Letra: Catulo da Paixão Cearense

Senhor / Tréguas a meus ais!
Mata-me esta dor / De não vê-la mais
Volve piedoso o teu olhar / Para o meu sofrer
Vê que a padecer / Venho te implorar

Senhor, faze adormecer / Meu peito a doer
Tu que és todo amor! / Tem compaixão
Da minha dor / Pára o coração
Faze-o descansar / Basta de ansiar

Pensar que nunca mais verei / O anjo que adorei
Por quem choro e chorei / E em cujo altar me ajoelhava
E em que em extremos cultuava / E que era tudo quanto amava
E que era tudo quanto amei

Pensar / Em não mais me orvalhar
Não me sacramentar / Nos olhos que adorei
Naqueles olhos que eu magoado / Sobre um leito debruçado
Num suspiro prolongado / Com as minhas mãos fechei

Tão só / O que hei de fazer?
Mais do que gemer / Mais do que gemer
Até que de mim tenhas dó / Volvas teu amor
Teu sagrado amor / Sobre mim Senhor

Em prece, ajoelhado / A sua sepultura
Que lágrimas transuda / Já tenho interrogado
A sepultura é muda / Não quer me responder
Meus Deus, que hei de fazer? / Senhor, meu Deus, que hei de fazer?

Contrito, ajoelhado / Em lágrimas desfeito
Já tenho interrogado / A pedra de seu lado
A pedra friamente / Silêncio só transuda
E impiedosamente muda / Nada diz ao infeliz

Às horas fulgurantes / Das noites palpitantes
A lua macilenta / Tristonha e sonolenta
O azul do firmamento / E a própria solidão
Entendem minhas queixas / E esta dor do coração

Só Tu, Senhor, em calma / Não ouves meus gemidos
Gritando por sua alma / Cansados, languescidos
Em pleno cemitério / Revela-me o mistério
E vem agora me dizer: / O que é viver, o que é morrer?

Senhor / Tréguas a meus ais!
Mata-me esta dor / De não vê-la mais
Volve piedoso o teu olhar / Sobre o meu penar
Vê que a soluçar / Venho te implorar

quinta-feira, 16 de março de 2006

Patápio Silva

O instrumentista e compositor Patápio Silva nasceu no município de Itacoara, Rio de Janeiro em 22 de outubro de 1881 e faleceu em 24 de março de 1907, na cidade de Florianópolis, Santa Catarina. Passou a infância na cidade mineira de Cataguases, onde o pai era barbeiro, e desde menino interessou-se por música, aprendendo a tocar em flauta de folha-de-flandres. 

O pai ensinou-lhe seu ofício, e nas horas vagas o menino praticava na flauta, ingressando, aos 15 anos, na banda de música da cidade. Nessa época estudou solfejo e teoria musical tom o maestro italiano Duchesne, que vivia em Cataguases, e, conseguindo comprar uma flauta de chaves, deixou a cidade e passou a tocar em diversas bandas da região.

Atuou em seguida nas bandas de cidades fluminenses, como São Fidélis, Miracema, Santo Antônio de Pádua e Campos, e em 1901 transferiu-se para o Rio de Janeiro RJ, indo morar no bairro da Lapa. Trabalhou inicialmente como barbeiro e depois como tipógrafo, matriculando-se no I.N.M., na classe de flauta do professor Duque Estrada Meyer.

Estudando dez horas por dia, em 1903 concluiu o curso, cuja duração normal era de seis anos, recebendo medalha de ouro e o primeiro prêmio do Instituto. Contratado por Fred Figner gravou na Odeon (Casa Edison) de 1904 a 1906, interpretando peças como Noturno n° 1 e Noturno n° 2, de Fréderic Chopin (1810-1849), Serenata, de Franz Schubert (1797-1828), Serenata oriental (Ernesto Kõhler), Allegro (Terschak), a polca Só para moer (Viriato) e, de sua autoria, a valsa Primeiro amor (clique para escutar a música), Variações de flauta (Fantasia de concerto), Margarida, Sonho, Serenata d'amore, Amor perdido e Zinha.

Conhecido por seu virtuasismo, foi convidado a tocar no Palácio do Catete, para o então presidente Afonso Pena. Em seguida, resolveu excursionar pelo Brasil, a fim de obter recursos financeiros para uma viagem de estudos ao exterior, apresentando-se nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. No interior de São Paulo, apresentou-se acompanhado ao piano pelo futuro compositor Marcelo Tupinambá, ainda menino. Todavia, em Florianópolis, contraiu difteria, morrendo cinco dias depois. Seu funeral foi promovido pelo governo de Santa Catarina.

Suas composições continuaram a ser gravadas: em 1913 o flautista Agenor Bens lançou Oriental, opus 6, em disco da Casa Edison, e em 1928 o saxofonista Lazário Teixeira gravou na etiqueta Parlophon a peça Fantasia de concerto, que o autor gravara em 1904 sob o título de Variações de flauta. Comemorando 0 cinqüentenário de sua morte, em 1957, Altamiro Carrilho gravou na Copacabana o LP Revivendo Patápio. Dez anos depois, em 1967, o flautista Lenir Siqueira, acompanhado ao piano por Alceu Bocchino, gravou na Odeon o LP Relembrando Patápio. Três meio irmãos de Patápio Silva, filhos de segundo casamento de sua mãe, tornaram-se músicos: os violinistas Lafaiete Meneses e Cícero Meneses, e o flautista João Meneses.

O dia em que deixou de tocar em Florianópolis

Um dos maiores flautistas que o Brasil já produziu, Patápio Silva, encontrou a morte na pequena Florianópolis de 1907. Em meio a uma turnê pelo Sul do País, ele desenvolveu misteriosa enfermidade assim que chegou à Capital catarinense, vindo de Curitiba. Teve febre e náuseas. O diagnóstico inicial era gripe, nada preocupante para um rapaz saudável de 26 anos. Mas o quadro se agravou até fugir do controle dos médicos. A agonia durou dez dias. Patápio morreu num quarto de hotel da Conselheiro Mafra, longe dos amigos e da família, às 2 horas da madrugada de 21 de abril.

Tratava-se de um desses talentos inesperados que a música brasileira revela vez ou outra. Oriundo de uma família simples de Vila de Itacoara, uma cidadezinha do Rio de Janeiro, Patápio demonstrou vocação já aos 5 anos, quando fez de um pedaço de bambu a primeira flauta. Mais tarde, conduzido à melhor escola de música da época, surpreendeu e encantou experientes mestres. Aos 20 anos, tocava e compunha com a mesma desenvoltura, transitando naturalmente pelo erudito e popular. Foi considerado gênio ainda em vida, e a morte precoce reforçou o mito.

Era com entusiasmo que Florianópolis aguardava a apresentação do virtuose naquele distante 1907. A uma semana do espetáculo, o jornal "O Dia" comemorava: "A nossa sociedade, tão pobre de distrações artísticas, vai ter dentro de poucos dias o prazer de ouvir um flautista de raro merecimento". O concerto estava marcado para 18 de abril. Seria no Clube 12 de Agosto. "O exímio flautista Patápio Silva foi ontem acometido de forte influenza, recolhendo-se ao leito com febre alta", noticiou "O Dia".

Apenas depois da morte de Patápio é que desconfiou-se de infecção intestinal, possivelmente causada pela ingestão de alimento contaminado. As condições sanitárias da época eram precárias. Também se falou em envenenamento. De acordo com essa versão, Patápio teria cortejado a mulher de um importante político local, sendo por isso alvo de vingança. Correu ainda a história de que o flautista viajava acompanhado de uma bela mulher, que teria despertado a cobiça do tal figurão e inspirado a idéia do envenenamento. Mas nada disso foi comprovado.

Centenas de pessoas foram ao velório no saguão do Hotel do Comércio, onde Patápio viveu os últimos momentos (o prédio da Conselheiro Mafra, em frente à Alfândega, abrigava ultimamente as Casas Coelho, loja incendiada no início deste ano). Os pertences do músico foram confiscados pelo hotel como pagamento das diárias ­ inclusive a flauta, que teve destino ignorado. Em 1915, os restos mortais de Patápio foram exumados a pedido da família e transladados para o Rio de Janeiro.

A principal motivação da turnê de Patápio era obter meios de ir à Europa, onde pretendia continuar os estudos. Ele já havia sido pioneiro ao realizar gravações sob encomenda da Casa Edison, um raríssimo acontecimento naqueles primeiros anos do século. Afinal, o fonógrafo havia chegado ao Brasil pouco antes, em 1899.

As gravações pioneiras para a Casa Edison estão quase completamente perdidas, mas o talento de Patápio ficou para a posteridade graças às "bolachas" produzidas depois para a Odeon. São registros de algumas composições próprias, como "Amor Perdido", "Zinha", "Variações de Flauta", "Margarida", "Serenata de Amor" e "Primeiro Amor", além de "Allegro" (de Adolf Terschak), "Só para Moer" (Viriato Figueira da Silva), "Serenata Oriental" (Ernesto Köhler), "Alvorada das Rosas" (Júlio Reis) e "Serenata" (Franz Schubert).

Tidas como de difícil execução, as composições de Patápio fazem parte do repertório de importantes nomes da música erudita nacional, não apenas flautistas, mas também pianistas, acordeonistas e violonistas. Tido como inventor do "dugue-dugue", técnica em que o flautista ressalta a melodia apoiando as notas altas com inúmeras notas arpejadas (o que aproximou a música erudita do chorinho brasileiro), ele é cultuado por quem descobre sua obra e trajetória. Um exemplo está no título escolhido para o boletim da Associação Brasileira de Flautistas na Internet: "Patápio On Line".

Entre as composições de Patápio, um dos destaques é "O Sabão", polca com estrutura inovadora para os padrões da época. "A melodia literalmente escorrega por entre os tons, passando maliciosamente pelos semitons (o que os técnicos chamariam de cromatismo), conferindo à melodia sua característica bem brasileira", diz o livreto "Patápio: Músico Erudito ou Popular?", publicada em 1983 pelo Ministério da Educação e Cultura.

Depois de fabricar a primeira flauta de bambu ainda aos cinco anos, Patápio não parou mais. Adolescente, fez uma flauta de madeira com oito buracos, que o acompanharia até o ingresso no Instituto de Música do Rio de Janeiro, antigo nome da Escola Nacional de Música. Lá, o mulato que não se desgrudava do instrumento construído artesanalmente teve que enfrentar o preconceito dos filhos das famílias mais abastadas da então capital federal.

Durante alguns anos da adolescência, Patápio viveu no interior de Minas Gerais, para onde foi levado depois da separação dos pais. Enquanto a maior parte dos irmãos ficou com a mãe no Rio, ele se mudou com o pai, de quem herdou o ofício de barbeiro. Mas nunca esqueceu a flauta, praticada nas horas vagas. Aos 15 anos já estava integrado a bandas de música, uma tradição mineira.

Ao perceber que o pai resistia à idéia de vê-lo músico, Patápio decidiu voltar ao Rio em 1900, ano em que Chiquinha Gonzaga compôs a conhecida marchinha carnavalesca "Ô abre alas". Com quase nenhum dinheiro no bolso, arranjou um emprego como tipógrafo. Quando se apresentou ao reconhecido professor Duque Estrada Meier com a flautinha de madeira, foi prontamente acolhido no refinado Instituto de Música.

Dedicando-se mais de dez horas por dia, concluiu em dois anos um curso que deveria ser feito em seis. Começou a realizar gravações, a se apresentar nas casas mais chiques da época e a fazer excursões pelo País. Era um doce cotidiano, inesperadamente interrompido naquele mês de abril.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Editora Art - Publifolha e A Notícia 21/10/98

Patápio Silva

O instrumentista e compositor Patápio Silva nasceu no município de Itacoara, Rio de Janeiro em 22 de outubro de 1881 e faleceu em 24 de março de 1907, na cidade de Florianópolis, Santa Catarina. Passou a infância na cidade mineira de Cataguases, onde o pai era barbeiro, e desde menino interessou-se por música, aprendendo a tocar em flauta de folha-de-flandres. 

O pai ensinou-lhe seu ofício, e nas horas vagas o menino praticava na flauta, ingressando, aos 15 anos, na banda de música da cidade. Nessa época estudou solfejo e teoria musical tom o maestro italiano Duchesne, que vivia em Cataguases, e, conseguindo comprar uma flauta de chaves, deixou a cidade e passou a tocar em diversas bandas da região.

Atuou em seguida nas bandas de cidades fluminenses, como São Fidélis, Miracema, Santo Antônio de Pádua e Campos, e em 1901 transferiu-se para o Rio de Janeiro RJ, indo morar no bairro da Lapa. Trabalhou inicialmente como barbeiro e depois como tipógrafo, matriculando-se no I.N.M., na classe de flauta do professor Duque Estrada Meyer.

Estudando dez horas por dia, em 1903 concluiu o curso, cuja duração normal era de seis anos, recebendo medalha de ouro e o primeiro prêmio do Instituto. Contratado por Fred Figner gravou na Odeon (Casa Edison) de 1904 a 1906, interpretando peças como Noturno n° 1 e Noturno n° 2, de Fréderic Chopin (1810-1849), Serenata, de Franz Schubert (1797-1828), Serenata oriental (Ernesto Kõhler), Allegro (Terschak), a polca Só para moer (Viriato) e, de sua autoria, a valsa Primeiro amor (clique para escutar a música), Variações de flauta (Fantasia de concerto), Margarida, Sonho, Serenata d'amore, Amor perdido e Zinha.

Conhecido por seu virtuasismo, foi convidado a tocar no Palácio do Catete, para o então presidente Afonso Pena. Em seguida, resolveu excursionar pelo Brasil, a fim de obter recursos financeiros para uma viagem de estudos ao exterior, apresentando-se nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. No interior de São Paulo, apresentou-se acompanhado ao piano pelo futuro compositor Marcelo Tupinambá, ainda menino. Todavia, em Florianópolis, contraiu difteria, morrendo cinco dias depois. Seu funeral foi promovido pelo governo de Santa Catarina.

Suas composições continuaram a ser gravadas: em 1913 o flautista Agenor Bens lançou Oriental, opus 6, em disco da Casa Edison, e em 1928 o saxofonista Lazário Teixeira gravou na etiqueta Parlophon a peça Fantasia de concerto, que o autor gravara em 1904 sob o título de Variações de flauta. Comemorando 0 cinqüentenário de sua morte, em 1957, Altamiro Carrilho gravou na Copacabana o LP Revivendo Patápio. Dez anos depois, em 1967, o flautista Lenir Siqueira, acompanhado ao piano por Alceu Bocchino, gravou na Odeon o LP Relembrando Patápio. Três meio irmãos de Patápio Silva, filhos de segundo casamento de sua mãe, tornaram-se músicos: os violinistas Lafaiete Meneses e Cícero Meneses, e o flautista João Meneses.

O dia em que deixou de tocar em Florianópolis

Um dos maiores flautistas que o Brasil já produziu, Patápio Silva, encontrou a morte na pequena Florianópolis de 1907. Em meio a uma turnê pelo Sul do País, ele desenvolveu misteriosa enfermidade assim que chegou à Capital catarinense, vindo de Curitiba. Teve febre e náuseas. O diagnóstico inicial era gripe, nada preocupante para um rapaz saudável de 26 anos. Mas o quadro se agravou até fugir do controle dos médicos. A agonia durou dez dias. Patápio morreu num quarto de hotel da Conselheiro Mafra, longe dos amigos e da família, às 2 horas da madrugada de 21 de abril.

Tratava-se de um desses talentos inesperados que a música brasileira revela vez ou outra. Oriundo de uma família simples de Vila de Itacoara, uma cidadezinha do Rio de Janeiro, Patápio demonstrou vocação já aos 5 anos, quando fez de um pedaço de bambu a primeira flauta. Mais tarde, conduzido à melhor escola de música da época, surpreendeu e encantou experientes mestres. Aos 20 anos, tocava e compunha com a mesma desenvoltura, transitando naturalmente pelo erudito e popular. Foi considerado gênio ainda em vida, e a morte precoce reforçou o mito.

Era com entusiasmo que Florianópolis aguardava a apresentação do virtuose naquele distante 1907. A uma semana do espetáculo, o jornal "O Dia" comemorava: "A nossa sociedade, tão pobre de distrações artísticas, vai ter dentro de poucos dias o prazer de ouvir um flautista de raro merecimento". O concerto estava marcado para 18 de abril. Seria no Clube 12 de Agosto. "O exímio flautista Patápio Silva foi ontem acometido de forte influenza, recolhendo-se ao leito com febre alta", noticiou "O Dia".

Apenas depois da morte de Patápio é que desconfiou-se de infecção intestinal, possivelmente causada pela ingestão de alimento contaminado. As condições sanitárias da época eram precárias. Também se falou em envenenamento. De acordo com essa versão, Patápio teria cortejado a mulher de um importante político local, sendo por isso alvo de vingança. Correu ainda a história de que o flautista viajava acompanhado de uma bela mulher, que teria despertado a cobiça do tal figurão e inspirado a idéia do envenenamento. Mas nada disso foi comprovado.

Centenas de pessoas foram ao velório no saguão do Hotel do Comércio, onde Patápio viveu os últimos momentos (o prédio da Conselheiro Mafra, em frente à Alfândega, abrigava ultimamente as Casas Coelho, loja incendiada no início deste ano). Os pertences do músico foram confiscados pelo hotel como pagamento das diárias ­ inclusive a flauta, que teve destino ignorado. Em 1915, os restos mortais de Patápio foram exumados a pedido da família e transladados para o Rio de Janeiro.

A principal motivação da turnê de Patápio era obter meios de ir à Europa, onde pretendia continuar os estudos. Ele já havia sido pioneiro ao realizar gravações sob encomenda da Casa Edison, um raríssimo acontecimento naqueles primeiros anos do século. Afinal, o fonógrafo havia chegado ao Brasil pouco antes, em 1899.

As gravações pioneiras para a Casa Edison estão quase completamente perdidas, mas o talento de Patápio ficou para a posteridade graças às "bolachas" produzidas depois para a Odeon. São registros de algumas composições próprias, como "Amor Perdido", "Zinha", "Variações de Flauta", "Margarida", "Serenata de Amor" e "Primeiro Amor", além de "Allegro" (de Adolf Terschak), "Só para Moer" (Viriato Figueira da Silva), "Serenata Oriental" (Ernesto Köhler), "Alvorada das Rosas" (Júlio Reis) e "Serenata" (Franz Schubert).

Tidas como de difícil execução, as composições de Patápio fazem parte do repertório de importantes nomes da música erudita nacional, não apenas flautistas, mas também pianistas, acordeonistas e violonistas. Tido como inventor do "dugue-dugue", técnica em que o flautista ressalta a melodia apoiando as notas altas com inúmeras notas arpejadas (o que aproximou a música erudita do chorinho brasileiro), ele é cultuado por quem descobre sua obra e trajetória. Um exemplo está no título escolhido para o boletim da Associação Brasileira de Flautistas na Internet: "Patápio On Line".

Entre as composições de Patápio, um dos destaques é "O Sabão", polca com estrutura inovadora para os padrões da época. "A melodia literalmente escorrega por entre os tons, passando maliciosamente pelos semitons (o que os técnicos chamariam de cromatismo), conferindo à melodia sua característica bem brasileira", diz o livreto "Patápio: Músico Erudito ou Popular?", publicada em 1983 pelo Ministério da Educação e Cultura.

Depois de fabricar a primeira flauta de bambu ainda aos cinco anos, Patápio não parou mais. Adolescente, fez uma flauta de madeira com oito buracos, que o acompanharia até o ingresso no Instituto de Música do Rio de Janeiro, antigo nome da Escola Nacional de Música. Lá, o mulato que não se desgrudava do instrumento construído artesanalmente teve que enfrentar o preconceito dos filhos das famílias mais abastadas da então capital federal.

Durante alguns anos da adolescência, Patápio viveu no interior de Minas Gerais, para onde foi levado depois da separação dos pais. Enquanto a maior parte dos irmãos ficou com a mãe no Rio, ele se mudou com o pai, de quem herdou o ofício de barbeiro. Mas nunca esqueceu a flauta, praticada nas horas vagas. Aos 15 anos já estava integrado a bandas de música, uma tradição mineira.

Ao perceber que o pai resistia à idéia de vê-lo músico, Patápio decidiu voltar ao Rio em 1900, ano em que Chiquinha Gonzaga compôs a conhecida marchinha carnavalesca "Ô abre alas". Com quase nenhum dinheiro no bolso, arranjou um emprego como tipógrafo. Quando se apresentou ao reconhecido professor Duque Estrada Meier com a flautinha de madeira, foi prontamente acolhido no refinado Instituto de Música.

Dedicando-se mais de dez horas por dia, concluiu em dois anos um curso que deveria ser feito em seis. Começou a realizar gravações, a se apresentar nas casas mais chiques da época e a fazer excursões pelo País. Era um doce cotidiano, inesperadamente interrompido naquele mês de abril.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Editora Art - Publifolha e A Notícia 21/10/98